Harry Potter e a Fênix Celestial
19 Funeral
Notas iniciais
Funeral
Os Guerreiros estavam fazendo um bom trabalho na segurança de Hogwarts. Todas as noites havia no castelo uma segurança preventiva para cuidar do bem estar de todos ali. Conforme as noites iam passando mais rápido as semanas voavam.
Harry estava um verdadeiro caco com isso. A noite não dormia direito. Seus sonhos com seu padrinho haviam voltado desde a primeira noite depois da batalha. Estavam cada vez piores, na primeira noite tinha revivido a infância de Sirius, e não foi muito agradável ver aquilo.
Noite após noite ficava pior, noite após noite ele revivia a história do seu padrinho, mesmo ele nunca tendo contado a ele esses detalhes da vida dele. Suas olheiras estavam cada vez maiores, deixando seus amigos sempre preocupados.
Tentava disfarçar o máximo que podia, não queria deixa-los preocupados já que tinham tanta coisa para se preocuparem. Dedicava-se o máximo aos estudos já que os testes e provas estavam chegando, e se dedicava ao máximo no treino de Quadribol já que a última partida contra a Corvinal se aproximava.
O seu namoro com Bella ia na medida do possível, mesmo fazendo quase tudo juntos, não tinham muito tempo para namorar, não conseguiam ter a mesma flexibilidade de Rony e Mione.
Cho saiu da enfermaria uma semana depois, já Justino só saiu depois de quase três semanas.
Minerva tentava dar o melhor dela e estava se saindo muito bem. A escola seguia do mesmo jeito que antes a não ser pelo fato das noticias que chegavam todas as manhãs, deixando todos preocupados.
–Pode encerrar seu turno, Harry –disse Fred entrando na torre de astronomia – Eu assumo daqui.
Harry foi direto para a sala dos Guerreiros, a torre de astronomia era onde ele fazia maioria dos seus turnos. Gostava de olhar dali, dava uma certa lembrança de Dumbledore que nenhum outro lugar lhe dava. Tomou um banho e foi se deitar com mais quatro pessoas que dormiam em sonos profundos e cansados. Novamente os sonhos que ele não queria ter, o incomodou. Sentia-se mais cansado dormindo do que ficando acordado.
Teve um dia longo e cansativo, pelo menos não teria que ficar acordado essa noite, foi para biblioteca para fazer os deveres de casa, sozinho. Mione e Rony deviam estar dormindo já que teriam que ficar esta noite acordados.
Terminou praticamente todos os deveres e saiu da biblioteca orgulhoso dele mesmo por ter conseguido colocar tudo em dia e se encontrou com os pais de Bella no corredor da biblioteca. Achou estranho vê-los, já que estavam viajando atrás de comensais a semanas e Rodrigo, Roger e Tonks tinham assumido a proteção do Ministro.
–Harry, tudo bem querido? – perguntou Melissa e ele afirmou com a cabeça – Será que você pode chamar a Bella e o Brian para nós?
–Claro Melissa.
Harry não fez mais perguntas, subiu para a sala comunal depressa e deu de cara com Bella saindo pelo retrato.
–Oi amor. Disse Bella o beijando.
–Oi, seus pais estão aí. Disse Harry.
–Sério? Mas eles iam voltar apenas no final de junho. Falou Bella.
–Eles querem conversar com você e Brian. Completou Harry.
–Ele está no dormitório masculino. Você pode ir lá chamar ele?
Harry foi até lá chamar o menino e junto com Bella, os dois o deixaram para trás. O resto da tarde demorou passar e nada dos dois voltarem. O ciúme começou a se manifestar, ao ver Julius e Melissa indo embora e nada dos dois retornarem a sala comunal.
–Se ela chegar só depois de sairmos, vê se não banca o idiota. Pediu Mione fechando a cara para ele.
–Eu não banco o idiota. Disse enfezado.
–Banca sim, só que quero que me garanta que não irá fazer nada quando eu não estiver aqui. Não quero que fique culpado, mas também não quero que magoe minha amiga.
Harry revirou os olhos e a ignorou. Bella só voltou após o jantar, Rony e Mione estavam terminando de se prepararem para descer para a sala dos Guerreiros quando ela e Brian entraram pelo buraco do retrato. O garoto deu uma boa olhada para eles, mas não disse nada apenas subiu as escadas de dois em dois degraus.
–Onde você estava? – perguntou Harry – Vi seus pais irem embora há umas duas horas.
Mione lançou um olhar feio para ele e Bella o ignorou. A morena apenas se jogou em cima do sofá e encostou a cabeça para trás.
–Você ainda não me respondeu Bella. Insistiu Harry nervoso.
–Não liga pra ele, Bella – disse Mione se sentando ao lado dela – O que foi que aconteceu? É alguma coisa com seus padrinhos?
Bella fechou os olhos e confirmou com a cabeça.
–O que foi que aconteceu, prima? Perguntou Rony.
–Encontraram o corpo de uma mulher numa fazenda em Londres – respondeu Bella – Estão suspeitando que é minha madrinha, Mariana.
–O meu Deus, eu sinto muito Bella. Disse Mione a abraçando.
Bella passou um braço na cintura da amiga, mas não desceu a cabeça das costas do sofá, continuou com os olhos fechados.
–O corpo está irreconhecível, precisaram das amostras de Brian para a poção. Amanhã eles devem ter a resposta se é ou não Mariana Levine – disse Bella – Não estávamos sozinhos, estávamos com Peter, só para constar Harry.
–Desculpa meu amor, eu estava bancando o idiota mais uma vez. Pediu Harry.
O relógio marcou dez para as 9 e Neville, Lilá e Simas desceram para irem cumprir os turnos.
–Tudo bem aqui? Perguntou Simas.
–Mais ou menos – respondeu Mione – Eu vou me atrasar alguns minutinhos.
Rony teve de ir com os outros ele cumpriria o primeiro horário no lugar de Mione. Harry se sentou ao lado de Bella e passou a mão no rosto da amada para saber se ela chorava, mas ela se mantinha firme.
–Talvez não seja a mãe dele – disse Mione positivamente – Talvez seja outra pessoa.
–Acho difícil Mione – disse Bella – Tem toda a possibilidade de ser ela, simplesmente estão fazendo os exames apenas para ter certeza.
–Mione eu vou ficar no seu turno hoje, você fica com Bella. Disse Harry.
–Mas já tem duas noites seguidas que você está de turno. Falou Mione.
–Eu folgo depois, fica com ela. Você sabe fazer isso melhor do que eu.
Harry deu um beijo na namorada e saiu da sala Comunal para a sala dos Guerreiros. Ficou um tempo sentado na grande mesa pensando na possibilidade de ser a mãe de Brian, sabia o quanto era doloroso perder alguém que gostava, ainda mais a mãe.
Todo esse tempo Brian e Bella tinham esperanças dos pais dele estarem vivos, mas se a mãe dele realmente tivesse morta, a esperança de pelo menos o pai dele estar vivo ia ser quase zero.
–Hoje não é seu turno. Disse Peter saindo do quarto da sede dos GO.
–Eu vou cobrir a Mione hoje. Respondeu Harry mandando um recado para Rony pela pulseira sobre a troca.
–É por causa da minha tia, não é? Perguntou Peter.
–Achei melhor Mione ficar com ela, ás vezes eu falo coisas que não devia.
–Eu queria que não fosse tia Mariana, mas temos certeza que é ela– disse Peter deitando a cabeça na mesa – Meus pais tinham esperança, sabe? Eu realmente queria que não fosse ela, minha mãe vai desabar as duas também eram irmãs. Mas o que mais me preocupa é Brian, Harry, ele é como um irmão pra mim. Desde sempre ficamos juntos, desde pequeno, conheci Bella assim que ela se mudou lá para perto de casa. Ela era muito importante para meus tios, à filha mulher que eles não tinham, por isso eram padrinhos dela.
“Brian sofreu tanto quando fez a burrada dele, eu mesmo fiquei com raiva dele. Fomos brigados para Bulgária, Bella é como uma irmã pra mim também e ele tinha estragado uma vida inteira de amor, por nada. Você sabia que antes de irmos para a Bulgária ela me escreveu uma carta?”
–Não, eu não sabia. Respondeu Harry educadamente, os olhos de Peter estavam cheio de lágrimas.
–Ela me mandou uma longa carta, pedindo pra não ficar com raiva dele. Que tanto eu como ela sabíamos como Brian era, ele ia ficar deprimido e isso ia deixar meus tios tristes. Eu voltei sabe, falar com ele, ela estava certa somos irmãos de criação não podíamos ficar sem nos falar e para ele era demais já tinha perdido ela, ele mesmo disse que não queria me perder...
As lágrimas começaram a rolar pelo rosto de Peter, apertando o coração de Harry. Sentia a dor dele em cada palavra, era impossível se segurar.
– Os pais dele vieram para Londres e o deixou com a gente na Bulgária. Ele ficou mal, mas aceitou. Meus tios são muito importantes, muito inteligentes – disse Peter soluçando – Eles também são meus padrinhos, me ensinaram muita coisa. Quando sumiram tive que me segurar para ajudar meu irmão, não podia deixar ele na mão, ele ficou horrível ficou louco querendo vim atrás deles, até fugiu para tentar vim encontra-los...
“Melissa e Julius nos trouxe para cá, Dumbledore nos arrumou uma vaga na escola, e ele viu Bella de novo. Ela ajudou muito ele a se segurar, mesmo distante. Só vê-la já o ajudava. Mas ele sempre ficou mal com isso, eu não consigo pensar na possibilidade de ver meu irmão sofrendo de novo, cara. Eu vi a cara dele quando Melissa e Julius contaram, ele ficou furioso, quase quebrou a mesa da sala do professor de D.C.A.T, pra ele não é ela. E mesmo vendo as fotos e sabendo que é 90% de certeza de ser, eu tenho esperanças de não ser, não pode ser ela, não minha Madrinha, não a mãe dele...”
As lágrimas de Peter escorriam por todo o rosto dele que chegava a soluçar apertando com força o próprio braço na esperança de estar em um sonho.
–Eu sinto muito mesmo cara. Falou Harry emocionado, ele sabia como era perder alguém importante.
–Desculpa falar com você – pediu Peter ainda chorando – Sei que você não gosta da gente, mas eu fiquei me segurando o tempo todo, não sou como Bella, ela consegue segurar. Eu mal consegui ficar perto dele...
–Ela tem mesmo esse dom, cara. Mas isso não quer dizer que você é fraco. Completou Harry colocando a mão nas costas dele.
Ele sabia bem como era isso, ainda sofria com a morte do seu padrinho. Seus sonhos davam a ele uma falsa esperança o fazendo muitas vezes acordar chorando.
–Eu só queria que tudo isso não tivesse acontecido – disse Peter batendo com força na mesa – Por que isso tem que acontecer? O que esses comensais pensam que são para tirar a vida de alguém? Eles não podem fazer isso, as esperanças do meu padrinho estar vivo vão ser nulas, Brian não vai conseguir se sair dessa.
–Vai sim, cara. Ele é um rapaz forte, vai conseguir sair dessa.
As lagrimas de Peter pareciam sair de uma torneira, o rapaz estava cheios de sentimentos misturados, dava para Harry sentir mesmo não o conhecendo bem.
–Olha Peter – chamou Harry chamando a atenção dele – Brian vai precisar de você, você pode chorar o tempo que quiser hoje, vou estar com você, mas amanhã se sua madrinha estiver mesmo morta ele vai precisar de você.
Os dois foram se deitar teriam que acordar em menos de quatro horas, da sua cama Harry via a coberta de Peter se mexer soluçando. Lilá levantou a cabeça e ia perguntar, mas ele não deixou só disse que depois explicaria tudo.
A noite foi curta, ele pouco dormiu e quando conseguiu fechar os olhos por um momento se lembrou da noite em que Sirius morreu e do desespero que ele sentiu ao perdê-lo. Acordou com o rosto molhado provavelmente tinha chorado sem perceber.
Levantou-se da cama e foi até a de Peter para não deixar a pulseira acorda-lo. Os outros ficaram apenas olhando Harry fazer isso e saíram do quarto para se arrumarem para o segundo turno.
–Ele não vai com a gente hoje não? Perguntou Lilá.
–Não, encontram um corpo, estão achando que é a mãe de Brian. Respondeu Harry.
Lilá tapou a boca com as mãos e arregalou os olhos, todos os GO sabiam que os pais dele tinham desaparecido durante o último verão.
No primeiro período ficavam três e um líder, no caso dessa noite Rony era esse líder. No segundo quatro e outro líder, que era Harry pela terceira vez seguida. Sem Peter essa noite, Harry ficaria com Justino, Lilá e Miguel. Rony estava liderando o primeiro turno e mandou mensagem para os do segundo turno descer para fazerem as trocas.
Desceram e se espalharam pelo castelo, nem sempre ficavam no mesmo lugar e a cada meia hora mandavam um recado dizendo a Harry a localização que estavam. Ele se encontrou com Neville nas masmorras, era um lugar que sempre ficavam já que não confiava nos sonserinos.
–Não acordem Peter quando forem se deitar, ele está péssimo por causa dos tios dele. Avisou Harry.
–Pode deixar, quem vai ficar no lugar dele está noite? Perguntou Neville.
–Ninguém, vamos fazer uma circulação maior para não deixar buraco. Respondeu Harry.
–Eu fico no lugar dele está noite, amanhã não tenho nada para fazer mesmo.
Harry afirmou com a cabeça e Neville subiu para avisar os outros e assumir o lugar de Peter.
Foi uma noite cansativa tiveram alguns problemas com alguns engraçadinhos que estavam tentando sair do castelo pela passagem secreta do terceiro andar, provavelmente iriam roubar alguns doces na Dedos de mel. Fora isso não tiveram mais problemas, assim que deu sete horas Carlinhos deu o sinal da volta dos aurores e eles foram se arrumar para tomarem café da manhã.
Peter ainda dormia, e ninguém quis acorda-lo já que era domingo. Harry tomou um banho relaxante, suas costas doíam de ficar em pé pela terceira noite seguida, saiu do banho vestido já que agora dividiam o quarto com meninas também.
A mesa dos GO já estava quase totalmente cheia, inclusive Mione e Brian estavam tomando o café da manhã. Entrou no quarto e viu Bella conversando baixinho com Peter sentada na cama dele.
–Valeu por ontem, cara. Agradeceu Peter ao vê-lo entrar.
–Sem problemas.
O rapaz se levantou e foi se lavar, mas ele segurou Bella um pouco.
–Desculpa...
–Sem desculpas tá? – interrompeu Bella – Senti sua falta, era a primeira folga que teríamos juntos essa semana.
Bella o beijou e ele apertou a cintura dela com força, também estava com saudades dela.
O café foi silencioso, todos estavam ansiosos para saberem o resultado se era mesmo a mãe de Brian.
–Está na hora de descermos. Chamou Bella ás 9 horas.
Brian confirmou com a cabeça e junto os três desceram para se encontrar com os pais de Bella que tinham ficado encarregados de dar a resposta ao afilhado. Ninguém saiu da sala, não tinham coragem de descer para especular. Mione avisou Kreacher que eles iriam almoçar lá.
Foi uma manhã tensa, nenhum dos três subiram as escadas para dar a resposta e matar de uma só vez a curiosidade e preocupações deles.
–Será se essa demora é boa ou ruim? Perguntou Ana roendo as unhas da mão.
–Tomara que seja boa. Respondeu Susana.
Eles estavam todos espalhados pela sala uns nos sofás e poltronas perto da lareira apagada, outros na mesa e outros no quarto. Fred, Jorge, Alicia, Kátia e Lino chegaram quase na hora do almoço e iriam ficar lá até mais tarde com eles, também queriam saber o resultado afinal eram um grupo.
–Eu vou descer lá pra saber. Disse Mione.
–Melhor não amor, é coisa deles na hora certa um deles vão nos vim avisar. Disse Rony.
O almoço foi servido meio dia e nada de nenhum dos três, ninguém quase não tocou na comida apenas ficaram revirando, estavam muito nervosos com tudo aquilo.
–Eu vou descer para saber de alguma coisa – disse Mione empurrando o prato de comida – E nem tente me impedir.
Mione se levantou e saiu da sala, ela não demorou nem dois minutos e voltou para trás acompanhada de Rodrigo com uma cara não muito boa.
–Fiquei um tempão rodeando o corredor, mas não vi ninguém. Disse Rodrigo sério.
–Estávamos esperando por eles. Respondeu Mione.
–Bom é sobre eles mesmo que eu estou aqui. Respondeu Rodrigo.
A cara dele não era nada boa, ele não precisava dizer nada, estava escrito na cara dele o resultado. Todas as meninas começaram a chorar, Rodrigo abraçou Mione que estava próxima dele o que confirmou de vez, a mãe de Brian estava mesmo morta.
Harry abraçou Cho, que também estava péssima, ela era amiga de Peter. Não era teatro o choro deles, eram um grupo unido sabiam que uma noticia daquela abalaria todos, pois num só golpe afetou três dos Guerreiros de uma só vez.
Até mesmo Rodrigo não conseguiu segurar as lágrimas. Ele conviveu com Brian e os pais dele desde pequeno também, era difícil não se comover. Não se importavam que nenhum deles realmente conhecesse ela, todos ali conheciam Brian, Peter e Bella e mesmo entrando depois eles eram parte do grupo, os 32 membros do GO eram um só.
–Minerva solicitou um grupo de aurores para cuidar da escola no lugar de vocês, conseguimos reunir 15 aurores e eles ficaram esta noite aqui para vocês irem ao funeral e passarem a noite com eles, principalmente Brian. Disse Rodrigo mais contido.
–O velório vai ser onde? Perguntou Rony.
–Lá em casa, depois vão levar o corpo para o cemitério da família deles. Os pais de Peter não tem residência fixa aqui, por isso vamos fazer lá em casa.
–A gente vai por aqui mesmo. Disse Mione soluçando.
–Imaginei mesmo isso. Falou Rodrigo.
–E Bella? Perguntou Rony fazendo a mesma pergunta que Harry ia fazer.
–Eles já foram para casa, só eu fiquei para conversar com vocês.
Provavelmente tinha sido Minerva que tinha pedido a Rodrigo para conversar com eles, já que ele era o mais próximo do grupo. Rodrigo saiu da sala para deixa-los sozinho para conversarem, mas nenhum falou nada por muito tempo, apenas ficaram se olhando.
–Vamos nos arrumar. – Disse Harry por fim quebrando o silêncio, tudo que ele queria naquele momento era ver Bella. – Quem não quiser ir, fique a vontade.
–Mas todos nós queremos ir, eles fariam a mesma coisa por nós. Falou Marieta e os outros concordaram.
–Vocês querem voltar para casa para se trocarem? Perguntou Rony os gêmeos.
–Não, trouxemos por precaução – disse Jorge – Tínhamos esperança de não usarmos, mas não tem jeito.
Como Fred e Jorge não ficavam muito na mansão, eles não sabiam de nada até Rodrigo contar. Os dois sempre passavam a noite na escola ou na loja, estavam mais cansados do que eles.
Saíram para se trocar e faltando dez minutos para duas todos já estavam de volta na sala, usavam roupas de funeral, algumas como a de Harry eram improvisadas. Pegou uma calça jeans que tinha ganhado de Melissa no seu aniversario e colocou uma camisa preta que era uma das poucas boas que ele ainda tinha.
–Vamos? Perguntou.
Todos fizeram um circulo ao redor dele que passou a mão na pulseira. Como era a primeira vez que muitos fazendo aquilo, sentiram um pouco o efeito de serem levados para longe com um grupo grande de pessoas.
Tinham sido levados diretamente para o jardim dos fundos, perto do Aras. Como alguns ainda não tinham estado ali, ficaram um pouco impressionados com a casa.
As cadeiras estavam todas no jardim da frente, todo o jardim estava coberto por lírios brancos que era a paixão da falecida, em cima de uma grande plataforma estava o caixão onde Brian estava sentado ao lado da mãe dele, chorando.
A cena era forte, o rapaz parecia conformado só que dava para ver o desespero nos seus olhos. Muitas pessoas choravam, inclusive Melissa que estava sentada com Julius ao lado dos pais de Peter.
–Harry...
Bella o achou no meio da multidão e correu para os seus braços, ele não tinha visto ela, mesmo tendo a procurado em todos os lugares desde a hora em que chegou.
–Eu sinto muito meu amor. Disse a abraçando com toda força que tinha.
Os dois ficaram parados ali, enquanto os outros foram até Brian e Peter. Depois de alguns minutos Bella o soltou, ele olhou bem para o rosto dela e o acariciou, seus olhos estavam cheios de dor e sofrimento.
Ele sabia que ela usava toda a força que tinha para não sucumbir, ela tinha que ajudar Brian.
–Eu queria ter ido te ver antes de vim, só Deus sabe o quanto eu queria te ver, mas...
–Brian precisa de você agora – completou beijando a testa dela – Eu te entendo, eles são seus amigos, e ela era sua madrinha.
Harry entrelaçou seus dedos nos dela que sorriu para ele.
Ficaram na fila atrás dos poucos Guerreiros que estavam na fila para cumprimentarem os familiares. Como Bella estava com eles o tempo todo, não os cumprimentou novamente apenas apresentou Harry para os pais de Peter. Harry abraçou Peter sem se soltar da mão de Bella.
–Eu sinto muito, cara. Disse de coração.
–Obrigado por virem. Agradeceu Peter.
Harry apertou as mãos dos pais de Peter e ao invés de apertar a mão de Brian ele também o abraçou, sabia como era difícil perder alguém que amava e mesmo que ele e Brian gostassem da mesma garota, ele ainda era parte do seu grupo, eles eram uma grande família de 32 pessoas.
–Sinto muito pela sua mãe. Falou para ele.
–Obrigado por vir.
Harry deu um abraço mais forte em Bella, beijou a mão dela e a soltou para deixa-la ao lado de Brian. Sentou-se perto de Mione, de um lado das cadeiras estavam alguns membros da Ordem da Fênix e amigos da família, do outro apenas os Guerreiros das Onix.
Mione encostou a cabeça no seu ombro e ele encostou a sua na dela, Rony segurava a mão da namorada e nenhum deles falaram nada, era apenas silêncio e choro que era escutado em todo o jardim.
Bella estava do lado do amigo, do mesmo jeito que Mione estava com ele. As lágrimas de Brian escorriam por todo o rosto dele até passar pelo dela.
Se tinha alguém ali que sabia como era perder alguém que se ama, essa pessoa era Harry. A falta dos seus pais fez com que algumas lágrimas escorressem do seu rosto também, dava para sentir o mesmo que o colega, não sabia para quem era pior, se era para Brian que conviveu seus dezesseis anos ao lado da mãe, e agora estava sozinho ou pra ele, que nem mesmo chegou a conhecer os pais direito.
Talvez se ele perdesse seus pais agora, fosse pior. Talvez ele não aguentasse perdê-los como Brian tinha perdido sua mãe, como ele perdeu Sirius.
Não tinha como ficar ali e não se lembrar de Sirius. Era demais para ele, quando finalmente tinha conhecido seu padrinho o perdeu de um jeito tão repentino e inexplicável que até hoje, mesmo depois de quase um ano ainda doía.
Se ele tivesse tido tempo de se despedir, talvez não doesse tanto como agora. Mione olhou para Harry como se sentisse a dor dele, passou a mão em suas lagrimas e as enxugou.
–Deve estar doendo muito não está, Harry? Perguntou Mione o encarando.
–Brian deve estar péssimo, vamos precisar ajuda-lo. Respondeu tentando dar um sorrisinho torto.
–Não estou falando dele, Harry – disse Mione – Estou falando de você, tudo isso te faz lembrar de Sirius, não faz?
Harry sacudiu a cabeça, falar o nome dele em voz alta ali doía muito mais.
–Se você quiser ir embora, eu vou com você. Disse Mione.
–Não precisa, eles precisam da gente – respondeu – O problema é que eu perdi ele e meus pais e não pude nem ir ao enterro deles, eu queria ter me despedido dele, queria ter falado com ele e dito que eu sentia muito por leva-lo até a armadilha. Queria dizer a ele o quanto o amava...
–Ele sabia o quanto você o amava, Harry – disse Mione com um sorriso – Ele sempre soube que você o amava, foi paixão a primeira vista se lembra? Você mal tinha acabado de tentar mata-lo na casa dos Gritos e minutos depois ele te convidou para morar com ele. Você era a pessoa que ele mais amava e por isso ele foi atrás de você.
Ele apenas concordou com a cabeça, não queria falar disso agora. Já bastava seus sonhos o torturar todas as noites.
A mãe de Peter foi a primeira a falar, a cada palavra que ela dizia barris saiam dos seus olhos, mas ela permanecia forte queria falar suas últimas palavras a irmã do mesmo jeito que Harry queria ter dito a Sirius. Os pais de Bella também falaram, assim como Rodrigo, Peter, Roger e o sr. Levine.
–Eu simplesmente não sei o que falar – disse Bella na vez dela – Ás vezes as pessoas entram na nossa vida e a gente nem ver como ou quando, simplesmente quando vamos ver já estão ali ocupando o lugar delas. Minha madrinha era uma pessoa realmente incrível, acho que não tinha uma pergunta que você a fizesse que ela não soubesse responder.
“ Certo dia eu perguntei a ela o que eu podia esperar da morte, e ela me deu a resposta que até hoje me pergunto se é realmente assim mesmo, ela me disse: Depois da morte, vem outra vida.
Deus queira que realmente seja isso, porque perder alguém que a gente ama, não tem feitiço ou poção que cure o buraco que fica aberto no nosso peito, e se talvez tivermos a esperança de que isso é realmente verdade, talvez, só talvez nossos corações se acalmem um pouco. Afinal a pessoa está vivendo em um lugar melhor, porque não deduzir isso? Se ela acreditava nisso, porque eu não posso acreditar? Pode até doer agora, vai continuar doendo amanhã e depois também, isso não tem jeito. Mas pelo menos sabemos que ela vai estar em outro lugar, apenas olhando e cuidando de nós. ”
–Obrigado Bella. Agradeceu Brian.
O funeral acabou, e o caixão foi preparado para ser levado para o cemitério.
–Vocês podem ficar tranquilos, vamos dar um jeito nos turnos até vocês voltarem. Disse Rony para Peter e Brian.
–A gente vai voltar com vocês para o castelo. – Respondeu Brian – Já estão indo?
Rony concordou surpreso, não entendeu o motivo de Brian querer voltar para o castelo. Mas Harry entendia.
–Todos prontos? Perguntou diretamente para ele.
Assim que ele concordou todos os trinta e dois partiram para castelo, a mesa estava repleta de lanches já que muitos mal tinham tocado na comida. Todos ficaram sentados ao redor da mesa para comerem alguma coisa.
O clima não estava dos melhores, não iriam descer para jantar iriam ficar por ali. Brian ficou a maior parte do tempo sentado no sofá, alguns amigos mais chegados dele ficaram o dando apoio.
Tomaram seis garrafas de Gin, espalhados pela sala. Harry ficou o tempo todo ao lado de Rony e Mione já que Bella estava com Brian e Peter.
–Vamos dormir todos aqui? Sugeriu Dino.
–Pode ser. Concordou Mione.
Harry foi junto com os meninos buscarem os colchões nos quartos, enquanto Mione e as meninas foram até a sala precisa para ver se conseguiam alguns colchões extras. Voltaram com uma pilha de colchões flutuando e tiraram a mesa do meio da sala.
–Nem sei como agradecer a parceria de vocês – agradeceu Brian – Se não fosse pela ajuda de todos, não sei se estaria bem.
–Que isso cara?! – disse Neville dando tapinhas nas costas dele – Somos uma família agora, é família cuida um do outro.
Os colchões ficaram todos juntos em duas filas de oito, se sentaram neles e Brian tocou algumas músicas no violão dele, os deixando um pouco mais calmos e sossegados. Bella pela primeira vez desde quando chegaram foi ficar um pouco com Harry enquanto o amigo tocava.
–Desculpa ter te deixado sozinho. Pediu encostando-se no peito dele.
–Sem problemas nenhum. Eu entendo.
Ela o beijou e continuou sentada ali junto dele, parecia tão cansada. Muitos já estavam dormindo quando Brian parou de tocar, apenas algumas pessoas ainda estavam acordadas fazendo companhia para os dois Levine.
–Bella... Acorda... Chamou Harry.
Bella apenas se mexeu um pouco e voltou a dormir no peito dele.
–Ela não vai acordar tão cedo — Disse Brian sorrindo – Deixa eu te ajudar aí.
Brian o ajudou a deitar ela ao seu lado no colchão, fazendo alguns dos meninos curtirem com a cara dele por dormir essa noite ao lado da namorada.
–Vê se não faz muito barulho. Brincou Rony.
–Seu doente mental. Respondeu Harry sorrindo.
Ele se deitou ao lado dela, e ela virou para o seu lado. Cobriu as pernas dela que estavam desembrulhadas e acariciou o seu rosto, estava tão linda dormindo daquele jeito.
Foi dormir muito tarde, ficou escutando os soluços de alguém, provavelmente Brian durante a noite. Dormiu só quando o cansaço o venceu, já muito tarde da noite.
“ O Departamento dos Ministérios, estava completamente silencioso e vazio. Harry abriu mais de dez portas antes de achar a porta dos véus.
Desceu as escadas de dois em dois degraus determinado, sentia o seu coração disparar dentro do peito. Teve uma sensação tão ruim ali, seu peito estava sufocado com o sentimentos de culpa e saudades.
–Sirius, Sirius – chamou desesperadamente – Está e escutando Sirius?
O padrinho saiu de trás do véu rapidamente, estava extremamente pálido e o olhou preocupado para Harry.
–Está tudo bem? Perguntou Sirius.
–Não, mas vai ficar – respondeu com lágrimas rolando pelo seu rosto – Eu sinto muito por você ter morrido, eu sinto muito por ter causado sua morte, sinto muito por não poder me despedir de você.
–Não fale assim, Harry. Interrompeu Sirius.
–Mas é como me sinto. – continuou Harry – Eu não sei se já te disse, mas eu te amo Sirius. Você tinha se tornado meu pai, e por minha causa você partiu de vez da minha vida. Eu sei que nunca vou te esquecer, mas não me procure mais. Estou pronto para deixar você partir da minha vida...
–É isso que você quer Harry? Perguntou Sirius sem muita surpresa.
–É isso.
Ele tinha que se despedir do padrinho, talvez assim seus sonhos parassem, ele estava prendendo o padrinho na sua mente, tinha que deixa-lo partir.
–Adeus Harry. Disse Sirius entrando no véu.
–Adeus Sirius Black...
As lágrimas rolaram pelo seu rosto e ele se sentou no chão. A dor em seu peito sangrava cada vez mais, ele não podia ficar daquele jeito para sempre tinha que deixa-lo partir mesmo que isso o machucasse mais ainda.
Aquele não tinha sido um bom dia, mas sabia que tinha feito a coisa certa. Naquele dia ele finalmente tinha feito o funeral de Sirius, ele precisava daquilo para que os dois pudessem viver em paz mesmo não sendo no mesmo lugar. ”
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