Notas iniciais
Espero que gostem :) foi feito de coração

Sonhos

O silêncio da noite chegava ferir os ouvidos de Harry. Há tempos ele torcia para que os roncos de Tio Valter começassem no outro quarto. Quando o sono vinha o medo dos sonhos o apavorava, mesmo ele nunca tendo sido tão covarde.

Sempre que fechava seus olhos para dormir seus pesadelos o atacava. A culpa pela morte de Sirius o atormentava de tal forma que o consumia por inteiro, nunca foi tão infeliz na Rua dos Alfeneiros mesmo nos anos anteriores. Já estava ali há quase um mês e tudo que fazia era ficar trancado no quarto, comendo apenas uma vez por dia e raramente saindo para os jardins.

O que mantinha ele vivo eram as notícias que chegavam diariamente pelas corujas do Profeta Diário. Mesmo com Fudge tomando partido da volta de Voldemort e distribuindo as cartilhas, as notícias não eram as melhores, dementadores que tinham sido demitidos, agora tinham assumido de vez a aliança com Voldemort e atacavam bruxos inocentes e até mesmo trouxas, que mesmo sem vê-los podiam sentir a infelicidade que traziam antes de terem suas almas sugadas pela boca.

Fudge, que agora estava ao lado de Dumbledore, estava espalhando a notícia da volta do Lorde das Trevas, juntos, eles trabalhavam incansavelmente para que pudessem minimizar os danos causados por Voldemort e seus comensais.

Nos jornais a notícia dos novos aurores bem renomeados vindos de fora da Grã Bretanha, tinha rendido muito, eles tinham conseguido prender mais de uma dezena de comensais procurados, inclusive alguns que tinham fugido de Azkaban depois da invasão do Ministério.

Harry rolou na cama novamente. Os pensamentos e a preocupação com os outros era a única coisa que mantinha a sua sanidade em perfeitas condições, não tinha tido notícias de Mione e nem de Rony, mesmo o amigo prometendo lhe manter informado e busca-lo na segunda semana de férias.

O cansaço finalmente começava vencê-lo de uma vez. Seus olhos cansados de encarar o teto se fecharam tranquilizando o seu corpo por alguns instantes...

“Estava no meio da floresta em que havia sido realizada a Copa Mundial de Quadribol, a noite parecia fria e sombria. Ao seu lado esquerdo Rony e Mione andavam de mãos dadas. Andaram sem parar durante muito tempo, a demora fazia suas pernas e pés doerem.

Mas o que mais incomodava não era a procura, era a quarta pessoa que andava com eles. Ele não sabia quem era, mas esta pessoa andava ao seu lado direito e muito próximo.

Não conseguia distinguir, mas sabia que confiava nela e estavam juntos atrás de uma coisa que ele também não sabia o que era. Somente andavam, se esquivavam dos obstáculos da floresta, e voltavam a andar de novo... ”

Harry acordou e sua testa estava encharcada de suor. Procurou seus óculos na cômoda e assim que colocou se assustou com a altura do sol do lado de fora da janela.

O relógio marcava duas horas da tarde, se sentou zonzo e confuso. Tentou se lembrar da quarta pessoa misteriosa, mas não conseguia, não tinha sexo e nem rosto para ele.

O sonho pareceu tão real que seu corpo parecia mais cansado do que quando foi se deitar. As horas passaram tão rápidas e seu sonho foi tão demorado que se não estivesse ali naquele quarto, poderia pensar que tinha sido levado e que realmente tinha passado a noite na floresta procurando por algo que não sabia o que era e ao lado de quem não conhecia.

Desceu as escadas e Duda estava jogado em cima do sofá assistindo televisão com um novo amigo dele. Tio Valter ainda não tinha chegado do serviço, provavelmente tinha almoçado por lá como sempre fazia. Tia Petúnia estava na cozinha, arrumando o armário, e por mais incrível que parecesse uma vasilha com comida estava separada no canto do fogão.

– Sua comida está ali – falou tia Petúnia – Esquentei agorinha quando escutei você acordar.

Harry olhou desconfiado para a tia, ela nunca havia feito algo assim por ele antes. Geralmente ficavam felizes quando ele não comia, já que não gostavam da companhia dele. Pegou a vasilha e colocou a comida no prato sem dizer nada, apenas observando ela andando pela cozinha.

–Harry seu tio pediu para eu te lembrar de que Guida vai chegar na segunda-feira após o almoço. Falou tia Petúnia educadamente.

Ele engasgou. Por algumas horas tinha se esquecido de que Guida viria visitar os Dursley, teve tanta esperança que os Weasley o buscariam que se esqueceu de que aquela mulher horrorosa iria passar duas semanas inteiras das férias de verão ali. O tirando das lamentações, Petúnia arranhou a garganta igual Umbridge fazia para poder chamar a sua atenção.

–Podemos conversar um pouco, Harry? – Perguntou tia Petúnia sem jeito – Queria aproveitar para falar a sós com você.

–O que a senhora quer conversar comigo?

Petúnia se sentou na cadeira vazia na frente de Harry e olhou para ele com um olhar estranho, diferente de todas as vezes que ela havia o olhado.

–Estou preocupada com você, Harry. Sei o que está acontecendo no mundo de vocês, vejo o noticiário e as notícias que cada vez estão piores. – falou Petúnia – Você tem certeza que quer voltar para a sua escola nesse ano?

–Claro que tenho – falou Harry surpreso pela preocupação da tia – tenho assuntos pendentes para resolver em Hogwarts e no mundo mágico, depende mais de mim do que a senhora imagina.

Petúnia olhou para ele com um olhar de mãe novamente, fazendo o coração de Harry se aquecer. Ela nunca o tratou dessa forma.

Os passos pesados de Duda foram escutados e ela se levantou correndo, voltando a arrumar o armário. Duda ficou encarando Harry almoçando uma hora daquelas e sua mãe permitindo isso.

–O que está acontecendo aqui? Perguntou Duda com sua cara de sonso.

–Nada Dudinha querido, seu primo acha que pode ficar acordando tarde e comendo na hora que quiser. Hoje foi uma exceção isso não vai acontecer de novo.

Duda torceu a cara, não acreditando muito no que a mãe havia dito.

–Tem um barulho muito estranho vindo do seu quarto Harry – falou Duda sem olhar realmente para ele. – Acho que é aquela sua coruja idiota.

Harry ignorou o insulto e deixou seu prato em cima da mesa. O amigo de Duda lançou um olhar de desdém para ele que subiu as escadas correndo e o ignorou, já que os pios da coruja ecoavam pela casa.

Abriu a porta do quarto e se assustou. Não era Edwiges e nem a coruja que trazia o jornal, era uma grande coruja macho que parecia muito com a sua, mas tinha penas pretas junto com as brancas e na perna dela estava presa uma carta de Rony.

“Harry,

Desculpe-me pela demora, sei que estou meio atrasado, mas aconteceram coisas horríveis aqui em casa, só que agora está tudo bem. Meus tios estão organizando a sua vinda e irão te buscar sábado ás 10 horas da manhã. Quando você chegar aqui irei explicar tudo, mas peço que não pergunte nada perto da mamãe, ela anda meio sensível ultimamente. Te vejo em breve amigo...

Rony

Ps: Mione já está aqui.”

Harry não sabia se ficava feliz ou preocupado com a carta. Os Weasley estavam passando por coisas horríveis e ele nem mesmo sabia o que era, e não conseguia entender quem eram esses tios que ele mencionou ou pelo menos porque eles, e não o Sr. Weasley ou a Ordem da Fênix, que estavam organizando sua ida para a Toca.

Mesmo cheio de dúvidas e perguntas, estava contente em encontrar seus amigos. Sábado já era amanhã. Arrumou as suas coisas muito devagar, o sol já tinha ido por completo quando ele terminou. Mione ficaria orgulhosa dele se visse seu malão tão organizado.

O jantar começou a cheirar e a fome dele despertou. Arrumou-se e desceu, na mesa os Dursley já estavam sentados e Tia Petúnia servia as porções de comida. Harry não falou nada apenas comeu e deixou para avisa-los no final do jantar.

Assim que acabou de comer, Valter desapertou o cinto e passou os dedos no bigode, sinal que já estava cheio o suficiente para logo se levantar e se jogar no sofá para assistir televisão.

–Tio Valter, amanhã meus amigos virão me buscar para eu passar o resto das férias de verão com eles. Falou Harry de uma vez.

–Aqueles seus amigos estranhos não vão destruir minha casa de novo. – falou Tio Valter nervoso – Se eles vierem aqui, não vão entrar. Fique bem avisado moleque.

Harry deu de ombros e subiu as escadas. Seu quarto era melhor do que escutar Valter Dursley insultar os bruxos e seus amigos. Edwiges e a coruja-macho estavam lá, deu um pedaço de pão para eles e soltou os dois para irem na frente.

–Encontro vocês lá. Falou Harry já se sentindo sozinho.

Deitou na sua cama olhando novamente o teto e novamente não conseguia dormir. Ficava mais cansado quando dormia do que quando ficava acordado, só que estava ansioso demais, tinha que pegar no sono para o dia seguinte chegar mais rápido.

“ Estava novamente no Departamento dos Mistérios, uma voz o chamava para descer os degraus até o véu.

–Harry ajude-me... Ajude-me Harry... Chamava a voz de Sirius.

Harry estava nervoso, tentou enfiar a mão pelo véu, mas não conseguiu. A única coisa que conseguiu foi sentir a espessura e o gelo do véu. Mesmo assim a voz ainda chamava por ele e clamava por ajuda... ”

‘’ O sonho mudou... Estava novamente no meio da floresta. Andavam numa parte mais avançada, e chegaram perto de uma caverna. Novamente não estava sozinho Mione, Rony e a tal pessoa misteriosa entraram com ele.

Os quatro vasculharam em cada lugar da caverna em busca de uma coisa que ele novamente não sabia qual era. Mas no sonho eles estavam tão determinados, que ele sentia que pelo menos lá eles sabiam o que procuravam. ’’

Quando acordou estava novamente suado, tinha tido dois sonhos estranhos na mesma noite. Sentou-se na cama e pegou os óculos, quando viu a hora pulou da cama desesperado, faltava apenas 20 minutos para 10 horas, estava muito atrasado.

Arrumou-se muito rápido, levou seu malão para baixo e assim que voltou para buscar a gaiola de Edwiges e sua vassoura, escutou a campainha tocar e correu para atender. Os Dursley mal se mexeram, ficaram parados na sala e quando passou por eles apenas sacudiram a cabeça como se dissessem um ‘não volte mais’.

Deixou à gaiola e vassoura junto com o malão no corredor e abriu a porta.

O abraço caloroso de Tonks o aqueceu, antes mesmo de cumprimenta-la. Ao contrário do que usava habitualmente, ela usava seu cabelo em um tom escuro como a sua roupa na tentativa de ser discreta.

–É muito bom te ver Tonks. Falou Harry sorrindo sinceramente pela primeira vez em duas semanas.

–Também é bom te ver Harry. – disse Tonks colocando uma mão em seu rosto – Fiquei preocupada com você aqui com seus tios, sei que a perda de Sirius foi muito forte para você...

Harry apenas balançou a cabeça, mesmo fazendo um pouco mais de tempo, ainda não gostava de tocar nesse assunto. Olhou para trás de Tonks e viu que ela não estava sozinha. Estava acompanhada de um homem que mais parecia um galã de novela do que um bruxo comum.

–Me esqueci de te apresentar – falou Tonks olhando para trás – Esse é o primo de Rony e meu novo parceiro Roger, ele é auror.

Os cabelos de Tonks ficaram vermelhos, e por educação Harry e Roger ignoraram.

–Prazer, Roger Swift. Cumprimentou Roger.

–O prazer é meu, Harry Potter. Respondeu Harry meio intimidado pelo tamanho do rapaz.

–Aquelas são suas coisas? Perguntou Roger.

– São sim...

O rapaz alto e forte pediu licença para entrar e pegou tudo sozinho, o malão, a vassoura e a gaiola vazia e colocou do lado de fora. Em seguida tirou a varinha do bolso discretamente e com um feitiço não verbal fez as coisas de Harry sumir deixando apenas a sua vassoura.

–Vocês mandaram para a toca? Perguntou.

–Não, Harry. Você não vai para a Toca, não temos tempo para respondê-lo agora, Rony vai te explicar tudo quando chegarmos lá. Disse Tonks.

–Portus... Falou Roger tocando a vassoura de Harry e a transformando numa chave de portal.

Harry ficou olhando para eles confuso. Talvez as coisas estivessem piores do que ele desconfiava.

–Segure na vassoura. Falou Tonks de uma vez.

Harry sentiu seus pés saírem do chão, o seu corpo girou no ar e ele sentiu náuseas. Assim que seus pés tocaram o chão novamente, sentiu um alivio muito grande. Sua vista foi voltando ao normal depois de algum tempo.

Estavam no alto do morro Stoathead próximo ao vilarejo de Ottery St. Catchpole, deixando ele ainda mais confuso. Se não iam para a Toca, o que estavam fazendo ali?

Tonks não o deixou nem pensar em perguntar, junto com Roger, transformaram duas minis vassouras em vassouras normais e começaram a voar esperando por ele apenas quando já estavam bem alto.

Ao invés de irem em direção a Toca voaram na direção contraria quando se aproximaram dela. Seguiram para a esquerda e do alto puderam ver a casa dos Diggory perto do rio, mais adiante a cada dos Lovegood onde ele tinha quase certeza de ter visto Luna andando na frente da casa.

Começaram a descer depois de uns 15 minutos de voo no meio do nada. De repente um homem apareceu e assim que eles chegaram ao solo, ele se adiantou e sorriu para eles. O homem provavelmente era o pai de Roger pelo modo como o rapaz o cumprimentou. Era tão bonito quanto o filho, parecia um galã de televisão do tipo que fazia tia Petúnia suspirar quando assistia a seus filmes e novelas de romance.

–Prazer Harry Potter. E muito bom conhecê-lo – disse o homem sorrindo calorosamente para ele – Sou Julius Swift e você está convidado para entrar na minha casa.

Harry achou engraçado o modo como ele falou. Só que a graça passou poucos segundos depois, quando um muro pareceu brotar do chão.

O muro era enorme e com um enorme portão que estava completamente fechado, não dando para ver nada do lado de dentro de casa.

–Rony e Mione estão te esperando do lado de dentro para te receber, estamos atrasados para o relatório da missão. Falou Tonks.

–Fique à vontade Harry, minha casa é sua casa. Falou o Sr. Swift desaparatando junto com Tonks e Roger.