Desaparecidos

O expresso de Hogwarts já estava quase partindo quando chegaram na estação de trem. Harry teve que ser acompanhado por uma verdadeira escolta de aurores que eram seus conhecidos, Moody, Julius, Melissa, Roger, Tonks e Rodrigo.

Rony e Mione foram com ele para que não tivesse que enfrentar o mico de chegar á estação sozinho com um monte de aurores, isso ia apenas aumentar mais ainda a reputação dele e tudo que ele não precisava era uma nota no Profeta diário, dizendo que um esquadrão de aurores levaram O Eleito até o expresso de Hogwarts. Já sabia que isso ia acontecer, mas com Rony e Mione pelo menos ele ficaria mais à vontade. Bella não foi com eles, estava com Gina e as duas foram com a Sra. Weasley, Fred e Jorge.

A ressaca da noite anterior ainda estava forte. Não tinham dormido muito com uma festa na véspera do dia que teriam que voltar a escola. Mas a noite não foi tão ruim assim para Harry, ele havia conseguido passar o tempo todo com Bella, mesmo não sendo sozinho. E de novo ele se surpreendeu com o que sentia, achou que já tinha acabado essa fase de sentimentos conturbados pela garota.

Depois de muito tempo, seus sonhos aquela noite lhe deram uma folga, então estava mais bem disposto aquele dia do que nos outros. Mione e Rony despediram-se dele no corredor e foram fazer o trabalho de monitores, enquanto ele procurava por Bella, mas não a encontrava em lugar nenhum.

As cabines estavam todas ocupadas, mas nenhuma pela garota que ele procurava. Era difícil achar uma cabine vazia e a única que conseguiu achar foi junto com os primos Levine que estavam sozinhos numa cabine muito espaçosa. Bom, é melhor do que ficar numa pequena com Dino e Gina se atracando ou alunos de outras casas me enchendo de perguntas, pensou Harry.

–Posso me sentar aqui, as cabines estão todas ocupadas. Falou Harry.

–Claro. Respondeu Brian.

Sentou-se de frente para o garoto perto da janela, enquanto Peter estava espalhado com um pé em cima do banco e havia tirado somente para ele passar.

–Harry Potter, não é mesmo? Perguntou Brian educadamente.

–Sim, você é Brian Levine?

–Sou.

O clima na cabine era de muita tensão entre os dois, chegava a beirar um pouco de rivalidade no modo como se encaravam.

–De onde mesmo você conhece os Swift? Perguntou Peter tentando quebrar o silêncio.

–Os Weasley... – respondeu com uma voz um pouco esganiçada – Os conheci pelos Weasley esse ano.

–A tá. Bocejou Peter abrindo a boca e se espalhando ainda mais no banco.

O clima voltou a ficar estranho na cabine.

–E vocês? – perguntou Harry por educação – Os conhecem de onde?

A sua pergunta tinha direção, e não era para Peter.

–Do Brasil – respondeu Brian percebendo – Nos conhecemos desde quando erámos pequenos desde a escola trouxa á bruxa. Tia Melissa e Julius são meus padrinhos e meus pais são, bom eram, os de Bella.

Solidarizou-se com o menino, sabia bem como era perder os pais.

–Sinto muito. Falou sinceramente.

–Também, sinto pelos seus. Respondeu Brian.

O silêncio voltou a tomar conta da cabine.

–Sabe onde está a Bella? Perguntou Brian extinguindo toda a solidariedade de Harry.

–Não sei – respondeu rústico – Não viemos juntos.

O único barulho que podia se escutar vinha do lado de fora da cabine, naquele momento Harry, achou que seria bem melhor aguentar Gina e Dino do que estar ali com os novatos naquele clima tão estranho e pesado.

–Harry... Chamou Mione.

–Estávamos te procurando – Completou Rony.

Os dois cumprimentaram Peter e Brian e o chamou para irem para outra cabine.

–Que clima hein. Brincou Rony ao saírem.

–Vocês viram Bella? Perguntou casualmente.

–Vimos, ela está no último vagão do trem. Respondeu Mione.

Os três atravessaram o trem quase todo. Podia se ver que apesar dos vagões estarem todos ocupados o número de alunos havia diminuído muito. Os alunos do primeiro ano estavam em bem menor quantidade assim como os veteranos que ficavam trancados em duplas ou trios com as cabines fechadas. As pessoas pareciam bem mais resistentes em se aproximarem umas das outras, somente algumas das Grifinória estavam cheias.

Harry abriu a porta da cabine e Bella estava ali, com as pernas espichadas de um banco a outro com a cabeça para trás e os olhos fechados.

–Ei dorminhoca. Gritou Rony atrás de Harry.

–O que você está fazendo sozinha aqui? Perguntou Mione desconfiada.

–Nada, só descansando mesmo. Respondeu Bella se ajeitando no banco.

Precipitou-se e se sentou ao lado dela que deitou a cabeça em seu ombro tão naturalmente como se fossem irmãos ou amigos de longa data.

–Você anda nos evitando, não anda? Sugeriu Rony.

–Eu fiquei ontem o tempo todo com vocês. Retrucou a garota.

–Sabe que não é isso que eu quis dizer. Falou Rony.

Bella torceu o nariz e fingiu não escuta-lo.

–Tem alguma coisa acontecendo Bella? Você sempre ficava com a gente e depois simplesmente parou, já conversamos antes sobre esse assunto, mas parece que não adiantou. Falou Mione.

–Eu só não quero forçar nada. Se for para a gente se tornar amigos tem que ser naturalmente. Não quero me meter no meio do trio...

Rony e Mione caíram na gargalhada e mesmo Harry tentando segurar, não conseguiu. Sentiu ela se levantar do seu ombro e ficar furiosa encarando eles.

–Não vi graça nenhuma. Disse Bella séria.

–A graça está que você está andando muito com minha irmã, prima. Falou Rony tentando conter-se.

–Gina que tem esse negócio de trio, mas não tem nada haver. Continuou Mione.

Depois disso Bella pareceu bem mais a vontade com eles. Os quatro conversaram novamente sobre as histórias deles. Dessa vez Bella narrou a história dela no Brasil e suas atuais idas ao Beco Diagonal para trabalhar na fantástica loja dos gêmeos. Era muito fácil gostar dela, e Harry sabia que era um potencial problema, mas não evitava mais.

Já estava muito tarde e podiam ouvir nos corredores a chegada daqueles que sempre vinham visita-los no trem. Malfoy estava ladeado por seus dois capangas Crabbe e Goyle que abriram a porta da cabine de uma vez.

–Qual é a graça Potter? Perguntou Draco.

–É vamos te contar porque é da sua conta. Zombou Harry se levantando.

Harry esperou a resposta de Malfoy pronto para contra-atacar, mas ela não veio. Ele ficou parado olhando para Bella que estava ao seu lado e ficou exposta quando ele se levantou.

–Oi. Disse Bella sorrindo para Draco.

–Oi.

O garoto respondeu e correu para a cabine dele com Crabbe e Goyle que ficaram com caras de bobões e foram atrás dele sem entender.

–O que foi isso? Perguntou Mione.

–Acho que ele ficou com vergonha por causa de Bella. Respondeu Rony se virando para ela.

Bella encostou novamente a cabeça no ombro dele e fingiu que não entendia o que eles falavam.

–Bella? Questionou Harry.

–Tá bom – cedeu Bella – O conheci no Beco e me encontrei com ele algumas vezes.

O queixo de Harry caiu no chão, assim como o de Rony e Mione.

–Não acredito, você se encontrou com Draco Malfoy? Perguntou Mione espantada.

–Não foi um encontro, tá bom – retrucou Bella – Ele é apenas um amigo, não tem nada a ver isso que vocês estão pensando. Ele me contou algumas coisas e conversamos um pouco e nem precisa falar sobre a família dele porque já sei, ele mesmo me contou. E ele sabe que sou sua prima, Rony e que sou amiga de Harry e Mione, ele é uma pessoa muito legal quando se conhece.

Os três se olharam sem entender muito. Draco era tudo, menos uma pessoa legal.

–Querem falar de algo mais produtivo para vocês do que minha amizade com ele? Perguntou Bella.

Harry se afastou um pouco dela que espalhou alguns papeis em cima do banco. Mione parecia saber o que iam falar, já que aproveitou para trancar a porta da cabine e embaçar o vidro.

–Eu e Bella, antes dela tomar um chá de sumiço. – Disse Mione olhando para a amiga – Recortamos alguns pedaços de notícias sobre os bruxos desaparecidos nos últimos três meses.

Harry pegou um papel que estava com a foto de três pessoas, cada foto tinha o nome, idade e lugar onde trabalhavam. Ele não conseguia fazer nenhuma ligação entre os papéis, mas para as duas meninas fazia sentido já que elas haviam montado uma espécie de quebra cabeça.

–Esses aqui são os que trabalhavam no Ministério – apontou Bella para o papeis rosa – Já aqueles são os que têm algum parentesco com quem trabalha lá e esses são o que não se encaixam em nenhum dos dois.

Ainda não tinha conseguido entender, o modo como elas separavam aqueles papéis mostrava que tinham gastado muito tempo para pesquisarem e organizarem tudo aquilo.

–Bella conseguiu uma lista dos funcionários que trabalham no Ministério e eu consegui os jornais com Rodrigo antes dele começar a trabalhar lá, ele estava fazendo uma espécie de investigação. Falou Mione.

–Então isso é o que vocês faziam na biblioteca. Falou Rony.

–Basicamente. Respondeu Mione.

Sem prestar muita atenção nos outros Harry, investiu o tempo restante até chegarem em Hogwarts para entender aqueles papéis que com esforço, dedicação e mais de uma hora seguida começaram a fazer sentido.

–Já repararam que os funcionários que desapareceram nenhum trabalha no o Departamento dos Mistérios? Perguntou Harry.

–Eu vi isso mesmo, mas não consegui ver alguma importância. Respondeu Mione.

–Mas aí que está – disse Harry – Os que não trabalham devem ser aqueles que eles querem informações. Pensa nesse ponto de vista, não conhecemos esses aqui, não trabalham no Ministério, mas será que eles não têm alguma ligação com os que trabalham lá? Quem trabalha no Departamento de Mistérios quase não são vistos, ninguém sabe nada que fazem lá dentro e nem quem são seus parentes e amigos.

–Você acha que ‘Você sabe quem’ está usando eles como iscas? Perguntou Rony.

–Acho que sim. Respondeu obcecado pelos papéis.

–Você está falando igualzinho a Mione. Falou Rony sorrindo.

Os quatro só pararam de riscar e fazer setas e ligações quando finalmente chegaram à estação de Hogsmeade.

–Bella, eu posso ficar com essas pesquisas? Pediu Harry.

–É claro, só toma cuidado com isso. Não vai ser bom alguém achar que estamos nos metendo onde não fomos chamados. O segredo é não deixar os outros perceberem, assim fica mais fácil investigar. Respondeu a garota piscando para ele.

Os quatro desceram do trem juntos, Harry, procurou por Hagrid, mas não achou. Ao invés do meio gigante a estação estava cheia de aurores, que investigavam aluno por aluno antes mesmo de pegarem a carruagem até a escola.

Foram numa carruagem junto com os dois novatos, Brian e Peter. Bella parecia bem, não falava muito, mas parecia estar com melhor humor, já Rony e Mione tagarelavam com os dois contando tudo aquilo que haviam contado a Bella durante esses dias sobre as casas e os alunos que estudavam em cada uma.

–Eu acho que vamos ficar na Corvinal – disse Peter orgulhoso – Os Levine são uma família de cérebro, Bella também é muito inteligente tem uma boa chance de ficarmos lá.

–Bella vai ficar na Grifinória. Contradisse Rony em tom desafiador.

Peter não ficou sem graça, apenas sorriu e voltou a falar de novo com Rony sobre os times de Quadribol e a posição que ele e Brian jogavam em Durmstrang e na escola que estudavam no Brasil antes de irem para a Bulgária.

Como Bella, Peter e Brian iam ser selecionados depois dos alunos do primeiro ano, foram para o saguão de entrada.

–Boa sorte. Desejaram Rony e Mione.

Mione abraçou a amiga e Rony deu um beijo no rosto dela.

–Até a sala comunal da Grifinória – disse Harry abraçando a amiga – Bom se quiser guardo um lugar na mesa para você no jantar.

– Não tenho medo de ir para nenhuma dessas casas, irei para a que meu coração for merecedor, mas eu queria que continuássemos amigos caso eu não vá para a mesma casa de vocês. Acham que podemos continuar sendo amigos se eu for para Lufa-Lufa, Corvinal ou até mesmo para a Sonserina? Perguntou Bella.

–Você não vai para nenhuma dessas casas Bella, vai para a Grifinória. Mas se não for tudo bem, te esperamos nos jardins todos os dias. Disse Rony apoiando a prima.

A seleção foi mais rápida do que as últimas vezes, já não tinham mais tantos alunos como no ano anterior. Na verdade mesmo as mesas estando barulhentas para receberem os novos membros, ainda sim dava para ver alguns buracos nas mesas dos alunos que haviam desistido ou sido impedidos de voltarem.

–Peter Crispim Levine. Chamou Minerva McGonagall.

Peter caminhou até o banquinho e colocou o chapéu seletor na cabeça, o chapéu demorou alguns segundos e logo gritou: — Corvinal.

A mesa da Corvinal virou uma festa só, e Peter foi muito bem recebido pelos alunos inclusive por Cho e Marieta que estavam na ponta da mesa.

–Brian Philips Crispim Levine. Chamou McGonagall.

Brian sorriu para Bella e colocou o chapéu seletor na cabeça. Ele demorou um pouco mais do que de Peter e quando o chapéu finalmente falou, trazia a notícia ruim que Harry não queria receber.

–Grifinória. Gritou o chapéu em alto e bom som.

A mesa da Grifinória virou uma explosão de palmas, Brian se sentou no começo da mesa onde Lilá e Parvati ficaram muito assanhadas para receber o garoto.

–Isabella Prewett Swift...

O salão virou uma barulheira só com as palmas e os assovios de alguns engraçadinhos. Bella não andou para o banquinho, desfilou. Ela era tão natural que nem parecia perceber como era tão linda. O medo dela ir para a outra casa, o assolou e o silêncio enquanto ela estava com o chapéu na cabeça também. Harry bem que queria escutar o que o chapéu falava para ela.

‘’ Tem uma mente muito interessante senhorita Swift, sua cabeça é uma verdadeira caixinha de surpresas e você guarda um grande segredo. Que honra estar sobre a cabeça de alguém como a senhorita. Tem a audácia e ambição de um verdadeiro Sonserino, se daria muito bem naquela casa e cresceria muito no futuro. A pureza e lealdade de Lufa-Lufa. A inteligência de um Corvinal, além da beleza de um. Mas tem uma coragem muito grande, não tem medo de enfrentar seus demônios somente do seu próprio coração... Mas qual será que a senhorita tem mais? Eu já sei...”

–Grifinória...

O coração de Harry se aqueceu. Não se importava em qual casa ela iria, mas tê-la por perto durante um ano seria muito bom. Foi o primeiro a recebê-la com um abraço antes de ela ser puxada na ponta da mesa e fez questão de dizer um ‘’ eu te disse’’ no ouvido dela.

Dumbledore não quis falar muito antes do jantar. A fome de Harry era grande, não estava tão cansado como os dias anteriores, mas se sentia quente e aquecido, como se a felicidade finalmente voltasse a sorrir para ele depois de tanto tempo. Rony devorou tudo que vinha para frente, fazendo Mione brigar com ele o tempo todo pelo modo como ele comia. Quando terminou de comer, Harry estava com a barriga cheia, chegou a ficar sonolento e apenas esperou pelas palavras de Dumbledore para poder subir para a sala comunal e se esticar no sofá macio.

–Temos esse ano três novas alterações no corpo docente – disse Dumbledore após a mesa ser retirada – De volta ao cargo de Tratos da Criatura das Magicas, a professora Grubbly-Plank que assumira definitivamente esse cargo. Teremos também um novo professor de Defesa contra artes das Trevas, Kingsley Shacklebolt...

O salão aplaudiu os novos professores com fervor, principalmente por Kingsley ser o novo professor de D.C.A.T.

–O que aconteceu com Hagrid? Perguntou Harry.

–Não sei. Respondeu Mione.

–Vocês acham que ele está em outra missão suicida atrás de gigantes? Sugeriu Rony.

–Acho que não, Dumbledore não iria permitir. Falou Harry olhando para o diretor.

A professora Minerva bateu o talher no copo e o salão voltou a ficar em silêncio.

–Este ano, teremos também uma nova substituição na aula de Poções. O Professor Severo Snape ocupará um novo cargo e no lugar dele teremos Ned Flanders...

A surpresa foi grande, por essa ninguém esperava, já que Snape estava sentado na mesa dos professores. Os alunos da Grifinória, Lufa- Lufa e metade da Corvinal se levantaram para aplaudir de pé o novo professor, e a professora McGonagall teve que bater mais forte na taça para conter os alunos da sua casa.

–A escola este ano estará com uma maior segurança. Eu sei que todos devem estar bem informados sobre os desaparecimentos que estão ocorrendo nos últimos meses. Infelizmente temos amigos, parentes e conhecidos desaparecidos, e com isso o Ministério ofereceu uma maior segurança a nossa escola – contou o Diretor – A escola está sendo vigiada por um esquadrão de aurores muitíssimos competentes do Ministério da Magia. Além dos aurores estamos contando com dragões vigiando os portões da escola que irão chegar na próxima semana da Romênia. Cuidado nunca é demais meus jovens, mas tentem evitar o máximo que puderem a fazer coisas imprudentes que possam colocar vocês ou seus amigos em perigo. Tenham uma excelente noite...

Os monitores se espalharam e começaram a liderar as turmas para levarem para as salas comunais e dormitórios. Harry e Bella subiram junto com Neville, Dino, Simas e Gina. Dava para ver como os meninos da escola reagiam ao redor de Bella, e ele não sabia se ficava com ciúmes ou feliz, por saber que era comum os homens reagirem assim perto dela e que ele não era uma exceção.

Brian foi guiado pelas mesmas meninas que havia o agarrado após a seleção. Ele deu algumas olhadas para eles, mas continuou andando com elas, já Peter ia todo animado com as amiguinhas de Cho pra a sala comunal da Corvinal.

Na sala comunal da Grifinória, Gina levou Bella para o novo dormitório dela já que Mione estava ocupada com os alunos do primeiro ano e Rony fingia estar dando uma bronca nos alunos do quarto ano que estavam com os produtos da Gemialidades Weasley nas escadas do dormitório masculino.

Sem Bella para lhe fazer companhia, ele subiu para seu dormitório. Avisou Dino que desceria logo e foi até lá para dar mais uma olhada nos recortes de jornais que as meninas tinham separado. Estava simplesmente viciado naquilo, leu cada reportagem e analisou cada pessoa que havia desaparecido. Tinha que ter alguma ligação ali, não podiam ser só pessoas quaisquer que estavam sendo usadas para fins lucrativos para Voldemort.

–Wingardium Leviosa...

Os papéis começaram a flutuar, com uma das mãos ele segurava a varinha e com a outra ele trocava os papeis de lugar como se tivesse montando um quebra cabeça. Pegou em um pedaço de jornal que não havia analisado muito bem, por achar que já tinha conhecimento quando estava na casa dos Swift.

Os pais de Brian. Não tinha conversado com o garoto sobre os pais dele e provavelmente não iria conversar. Alguma coisa ali o falava que tudo aquilo estava envolvido com aquele casal.

Tentou se lembrar de Bella falando algo sobre eles ou dizendo onde trabalhavam, mas não conseguiu. Guardou os papéis novamente em seu malão e desceu as escadas até a sala comunal.

Bella e Mione estavam sentadas no chão em cima de algumas almofadas enquanto Rony estava na poltrona perto delas na frente da lareira.

–O que você estava fazendo, cara? Perguntou Rony a Harry.

–Nada demais, só organizando algumas coisas.

Mione o olhou desconfiada, mas não questionou.

–Desde quando você organiza as coisas? Continuou Rony.

–Desde quando não é da sua conta. Retrucou Harry.

Olhou ao redor da sala comunal que estava lotada, os alunos do primeiro ano ainda estavam tímidos no canto enquanto os mais velhos conversavam e alguns até zoavam deles. Na maior mesa da sala estava Brian, rodeado de garotas do quinto, sexto e até sétimo ano o assediando.

–O que elas veem nele? Perguntou Rony observando para onde Harry olhava.

–Ora Rony, ele é carne nova. É claro que as meninas vão cair matando em cima dele, fora que ele é muito bonito. Respondeu Mione ficando sem graça.

Rony fechou a cara e sem motivo algum trocou de lugar se sentando de costas para Brian interrompendo a visão das garotas que estavam sentadas no chão.

–Os meninos também estão assanhados com Bella – falou Mione contente com a reação de Rony – Tá vendo aqueles babacas que estão perto do primeiro ano, estavam agorinha mesmo fazendo graça se mostrando para ela desde quando descemos do nosso dormitório.

–Eles são ridículos. Falou Bella nem mesmo olhando para eles apenas para o livro que ela lia.

–E porque eles pararam de mexer com ela? Perguntou Harry reparando que Simas estava naquele grupinho.

–Por medo. Respondeu Mione sorrindo.

–Medo de que?

–De você é claro. Falou Mione fazendo uma cara como e fosse obvio demais para ela explicar.

Harry deu de ombros ainda sem entender. Já havia notado alguns olhares atravessados e cochichos, mas sabia que era inevitável, todo mundo ainda lembrava bem do que havia acontecido no Ministério, era quase impossível esquecer aquilo, já que Sirius Black havia sido morto naquele dia além de ter sido inocentado das acusações e lembrado nos jornais como o padrinho de Harry Potter.

–Eles estão com medo de você porque acham que você é o namorado de Bella. – disse Rony percebendo que ele não havia sacado ainda – Viram vocês juntos no trem, na carruagem, na mesa e agora na sala comunal. É obvio que pensam que estão juntos, grande parte das pessoas aqui sabem que você passa o verão comigo e que eu estou morando com Bella depois do que aconteceu com a Toca.

Harry vacilou por alguns segundos achando bom o fato deles poderem pensar que ele namorava Bella. Mas foi apenas por alguns segundos, depois voltou em sã consciência e lembrou-se que queria saber mais sobre Brian.

–Bella, onde seus padrinhos trabalhavam mesmo, antes de desaparecerem é claro? Perguntou desviando do assunto de serem namorados.

–Eles não trabalhavam em cargos fixos – respondeu Bella – Eram pesquisadores do mundo mágico. Tia Mariana antes de ter Brian trabalhou no Departamento dos Mistérios e depois como pesquisadora. Já tio Paulo trabalhava como auror ao lado do pai de Peter. Depois que Brian completou treze anos ele largou o emprego de auror e se tornou um pesquisador junto com minha madrinha, ela era incrível, uma das pessoas mais inteligentes que já conheci.

–Por que da pergunta Harry? – perguntou Mione – Está desconfiando de algo?

–Estava, mas isso anula muita coisa. Voltamos os Levine pra categoria, não tem resposta.

Não deixou de ficar chateado. Novamente estava sem nenhuma linha de raciocínio que explicasse os desaparecimentos.

–Acho que temos que parar de investigar essas coisas – disse Mione muito baixo de forma que apenas os quatro ouvissem – Bella e eu estávamos investigando a algumas semanas e não conseguimos nada que os pais dela não haviam percebido, vamos deixar eles resolverem. Se saberem de algo vão nos dizer, já estamos cheios de problemas para ficarmos caçando mais esse.

–Mione está certa – concordou Rony – Vamos deixar isso pros meus tios dessa vez. Sabemos o que aconteceu da última vez que fomos bancar os heróis.

As palavras de Rony, o acertaram em cheio. Sentiu novamente o impacto da frase do amigo por lembra-lo o que havia acontecido com Sirius.

–Boa noite...

Foi tudo que conseguiu dizer antes de subir as escadas do dormitório sozinho, escutando apenas o barulho do tapa de Mione em Rony pela falta de sensibilidade com ele.

Não culpava o amigo por ser sincero. Rony estava certo, nada que qualquer um dissesse iria mudar isso. Só que, o que eles não sabiam é que de uma forma ou outra ele teria que se meter nos assuntos de Voldemort, não precisa ser agora, disso ele sabia.

Teria que agir mais cedo ou mais tarde e as consequências eram desconhecidas. Um teria que morrer, e se as coisas andassem estava andando, seria ele.

Tinha feito uma promessa para si mesmo, iria se entregar somente ao seu último ano em Hogwarts. Seus amigos não sabiam, mas ele não iria mais voltar no próximo ano. Desde a sua última conversa com Dumbledore ele entendeu isso, teria que seguir em alguma missão atrás de Voldemort para enfrenta-lo mesmo que isso custasse a sua vida.

Fechou os olhos e guardou seus óculos, não estava muito tarde só que o cansaço e a vontade de desligar um pouco do mundo real deixou com que ele dormisse sem dificuldades...

“ Estava no meio da floresta, ele e seus amigos corriam de algo que os perseguia. A pessoa misteriosa ainda estava ao lado dele lançando feitiços para trás.

Só que não estavam fugido de algo e sim de pessoas. Vários homens os perseguiam no meio da floresta... ”

E seu sonho trocou de uma vez...

“ Estava na sala dos véus. Não escutava mais a voz de Sirius, escutava a voz de várias pessoas gritando o seu nome e pedindo por socorro.

Dezenas de pessoas saíram de dentro do véu, nenhuma delas era Sirius e sim as pessoas que estavam desaparecidas exatamente como estavam no jornal...

–Você tem que nos ajudar... Pediu a mãe de Brian.

–Ajude-nos, por favor... Pediu um homem que trabalhava no departamento de criaturas mágicas.

–Preciso de sua ajuda. Pediu Demelza Robins que estudava no mesmo ano que ele.

Harry tentou segurar na mão da garota só que não conseguiu, ela se soltou e todos eles foram puxados para dentro do véu e ele não pode mais escuta-los. A única voz que começou a ouvir era a de Sirius, chamando o seu nome cada vez mais longe... ”