Harry Potter e a Destruição das Horcrux
7 Capítulo Seis: A Detenção de Rony:
Notas iniciais
Na manhã de Segunda-Feira, o dia amanhecera tempestuoso. Harry e Rony despertaram com os estrondos retumbantes dos trovões.
–Teremos um dia bem interessante hoje. -Ironizou Harry, fitando a chuva pela janela.
Rony limitou-se em assentir. Os dois meninos colocaram as vestes e desceram apressados. Ao adentrarem a sala comum, notaram que ela estava quase vazia. Só Hermione se encontrava ali, lendo como costumava fazer, um grosso livro intitulado: "COMO ACABAR COM OS TUBÉRCULOS NAS ESTUFAS". Ela estava tão absorta na leitura, que não reparou a chegada dos amigos. Harry se sentou de frente para a menina, enquanto Rony chamou-a baixinho para não assustá-la. Ela baixou o livro e percebeu a presença deles. Colocou o objeto sobre a mesinha de centro. Rony fitou demoradamente a amiga. Percebeu que seus olhos estavam muito vermelhos e sua expressão não estava nada boa. Resolveu ir direto ao ponto, se sentando ao lado da menina e perguntando, sem hesitar:
–Esteve chorando?
Hermione congelou interiormente. Como o amigo podia conhecê-la tão bem? Seria por seis anos de convivência? Talvez, — Pensou ela, entrementes.
Hermione sabia que precisava se desabafar com alguém. Quem melhor do que os amigos? Foi então que deixou a primeira lágrima se manifestar. Fechou os olhos, em um modo inútil de não deixar que se adiantasse em cair. Rony fitou-a. Como ele gostaria de abraçá-la forte e consolá-la naquele momento. Mesmo sem saber o motivo que a incomodava, detestava ver a amiga sofrer daquela maneira. Então a abraçou fortemente, tentando passar toda a paz e tranqüilidade para mantê-la calma. Hermione sentia-se protegida nos braços do amigo. Ela abriu os olhos, deixando as lágrimas correrem livremente, lavando as suas preocupações e anseios. Harry se levantou e colocou uma das mãos no ombro da amiga, em sinal de apoio. Os meninos aguardaram pacientes, até que ela se acalmasse. A menina enxugou algumas lágrimas que teimavam em cair, e fitou o outro lado da sala. A chuva ainda continuava forte e parecia que não terminaria tão cedo.
–Então, Mione. Vai nos contar o que tem? -Perguntou Rony, calmo.
–Estou com medo.
Os amigos não precisaram perguntar de que ou quem ela tinha medo. Eles já sabiam o que a havia deixado daquele jeito só das palavras que a menina proferira. Hermione se lembrava da maneira da qual Malfoy lhe ameaçara. "SEUS PAIS SÃO IMUNDOS SANGUE RUINS, COMO VOCÊ. E CHEGARÁ O MOMENTO, EM QUE ELES SERÃO MORTOS, PELAS PRÓPRIAS MÃOS DO MEU MESTRE!"
Rony fitou o amigo, preocupado. Harry estava com raiva, muita raiva! Ele tinha certeza de que Voldemort usaria os amigos para atingí-lo. Ele queria acabar logo com aquela perseguição inútil. Se o Lord das Trevas queria matá-lo, fosse feita a vontade do mestre!
Harry nunca se sentira tão infeliz. Ia abrir a boca para se desculpar com a amiga, quando Rony se pronunciou:
–Hermione, olhe para mim! -Pediu sério. -A menina ergueu a cabeça e o menino começou, sem quebrar o campo visual dos dois.
–Escute bem, Hermione, se Voldemort fizer algo com seus pais, ele não tem a mínima ideia de onde eles estejam e se por um acaso mandar aqueles imundos comensais atrás deles, meu pai e outros aurores estarão de plantão e não deixarão nada acontecer, entendeu?
Hermione ficou sem ação. A frieza que o amigo proferira aquelas palavras, assustara. Ela deu um pequeno sorriso triste e disse:
–Obrigada, meninos. — limpou uma lágrima que teimava em cair. Eu realmente não sei o que faria sem a amizade de vocês.
Rony olhou para o amigo e respondeu:
–Você não sabe o que faria sem a nossa amizade? Nós é que não sabemos o que seríamos sem você!
–Acho que sem a amizade da Mione nós ainda estaríamos no primeiro ano. -Brincou Harry, para descontrair o ambiente. Os três sorriram levemente e ouviram um barulho estranho, que eles logo distinguiram e caíram na gargalhada. Era o estômago de Rony, dando sinais de fome iminente.
–Rony, está com tanta fome assim? -Perguntou Harry, já se levantando. Saíram rapidamente dali, indo em direção ao salão principal. Hermione ia pensando em mandar uma carta para os pais, perguntando como estavam, mas tirou logo de ideia, pois eles iriam desconfiar, e, se perguntassem ela não poderia mentir.
Assim que chegaram ao salão principal, os três avistaram Ginny, no costumeiro lugar do café. Os quatro reunidos, Rony não fez cerimônia, apanhou logo duas torradas, passando manteiga em cada uma, um copo de suco de abóbora para acompanhar. Hermione,por sua vez, recebia o profeta diário e começava a ler as notícias. Já Harry, mexia seu mingau de aveia sem apetite. Ele fitou a mesa dos sonserinos, e reparou que Malfoy encarava Hermione, sem ela perceber. Deu um leve cutucão em Rony, que se virou para saber o porquê ele havia feito aquilo. Ao ver onde o amigo apontava, olhos azuis se encontraram com os cinza de Malfoy. Os dois se encaravam, frente a frente. Foi então que Hermione tirou os amigos da silenciosa indagação que faziam com Malfoy com um gritinho abafado.
–O que foi Hermione? -Perguntou Harry, curioso.
–Vejam vocês mesmos! -Disse, estendendo o jornal na enorme mesa para que todos pudessem ler:
"FOI ENCONTRADO, NESTA MANHÃ, O MINISTRO DA MAGIA, RUFUS SCRIMGEOUR, EM SEU GABINETE, DESACORDADO. FORAM ACIONADOS IMEDIATAMENTE OS CURANDEIROS DO HOSPITAL SAIN'T MUNGUS. FOI FEITO OS ATENDIMENTOS DE EMERGÊNCIA. O MINISTRO FOI LEVADO AO HOSPITAL, E PERMANECE EM OBSERVAÇÃO. ALGUNS AURORES DO MINISTÉRIO FORAM AO LOCAL TENTAR TER UMA ENTREVISTA COM O MINISTRO, PORÉM NÃO OBTIVERAM SUCESSO. O CASO ESTÁ SENDO DEVIDAMENTE ANALISADO PELA COMPETÊNCIA ADEQUADA. AURORES ESTÃO SENDO ACIONADOS PARA AVERIGUAREM SINAIS DE UMA SEGUNDA PESSOA NO GABINETE."
Harry, Rony e Ginny estavam tão surpresos quanto Hermione. Harry observou mais atentamente a foto do gabinete, e viu pendurado sobre o mancebo onde o ministro mantinha sua túnica de trabalho, um medalhão que, ao parecer de Harry, não lhe era estranho. Apertando os olhos, o menino reparou nas minúsculas pedrinhas que o objeto continha, formando um perfeito S, dando a nítida impressão de uma minúscula serpente.
–Foi isso! -Harry apontou o dedo para o objeto. Os três amigos o olharam confuso. Hermione baixou os olhos onde o amigo apontava e uma luz se acendeu em seu cérebro.
–É claro! -Exclamou.
–O medalhão! -Esse foi o motivo do qual tentaram assassinar o ministro da magia! -Concluiu Harry, já se levantando. Mas como o medalhão fora parar ali? -Pensou.
–Eu preciso mostrar isso a Dumbledore! -Disse, já saindo como um furacão do salão. Chegou esbaforido até a gárgula da sala do diretor, e se xingou mentalmente por não ter perguntado à amiga a senha. Os amigos chegaram logo atrás e a menina anunciou a senha, fazendo com que a Gárgula se esgueirasse para a esquerda, dando passagem a conhecida escada em espiral que Harry não hesitou em subir. Já lá encima, notou a porta entreaberta e foi logo adentrando a sala. Dumbledore se encontrava confortável em sua mesa, lendo um enorme pergaminho. Ao ouvir que alguém havia adentrado sua sala, ele deixou a atenção do papel e fitou os três ali, já se levantando.
–O que foi que aconteceu? -Inquiriu, preocupado.
Harry estendeu o jornal ao diretor, que, imediatamente leu a manchete e observou a foto detidamente. Sua expressão se tornou fechada e ao tirar os olhos do jornal, ele pediu:
–Srta Granger, chame Minerva, por favor. -Hermione não esperou uma segunda ordem. Saiu correndo dali, e Harry aguardava ansioso.
Cinco minutos depois, Minerva adentrava a sala, com Hermione logo atrás.
–A professora olhou a foto e fitou o objeto. Suspirou profundamente e disse séria:
–Vão para suas salas. Isso é assunto do ministério e, Potter, não adianta você estar com esta cara. São menores de idade e não irão participar dessas investigações. Vão para suas salas, já! -Exclamou, se virando para o grupo.
–Ah! Weasley quero-o em minha sala, às 20h00min, estamos entendidos?
Rony assentiu e seguiu os amigos, sumindo escadas afora.
Harry sentia-se um total e completo idiota. Ele encontrara o motivo do quase assassinato do ministro e era isso que ganhava? Exclusão do caso? Hermione também não estava nada contente, mas era monitora e tinha de dar o exemplo e obedecer a seus superiores.
Aquele dia não fora nada agradável para aqueles três amigos. Na aula de Poções, mais uma vez, Harry fora humilhado pelo professor Snape, que, tinha total gosto em subestimar o aluno. Já eram quase 19h50min. Rony, Harry, Hermione e Ginny estavam na sala comum, terminando o imenso trabalho que o professor de História da Magia passara mais cedo. Rony olhou o enorme relógio da sala. Já eram 19h55min. Ele se levantou.
–Bem, vou indo.
Hermione, que escrevia freneticamente em seu pergaminho, largou à pena e se levantou, se dirigindo ao amigo. Ficou na ponta dos pés e lhe deu um suave beijo na bochecha. Rony perdeu momentaneamente a noção do tempo. Já se situando, sorriu levemente para a amiga e saiu apressado. Foi pensando no beijo que acabara de ganhar. Sentia-se feliz ao saber que a amiga se preocupava com ele. Parou abruptamente e viu a porta da sala da professora. Já estava aberta. Respirou fundo e adentrou o ambiente. Viu a mulher conversando com o inspetor, e, assim que ela o viu, exclamou:
–Ah! Weasley é pontual, bom saber. -Fez sinal para o homem levar o aluno e fechou a porta.
Rony caminha a passos apressados até o salão de troféus. Viu aquela imensidão de objetos para polimento. O que ele não sabia, era que, do outro lado do salão, também havia minúsculas estatuetas de bronze, que, ele sabia, teria de limpá-las também. O menino ergueu a varinha para lançar o feitiço que deixaria tudo aquilo reluzente, quando o inspetor lhe arrancou a varinha, esbravejando:
–Weasley, vai limpar sim, porém será do modo trouxa! -Ele lhe estendeu panos e produtos de limpeza.
11h00min, ele já havia limpado metade dos troféus. Só lhe faltava os de prata e as pequenas estatuetas de bronze.
12h30min, finalmente já havia terminado. Estava exausto. Colocou os produtos encima da velha mesa de madeira. Viu que o inspetor lia um grosso livro de capa marrom. Ia perguntar se já podia ir, quando o homem o fez por ele.
–Vá logo, moleque! Rony saiu correndo dali. Chegou ao sétimo andar esbaforido. Viu que o quadro da mulher gorda dormia placidamente. Pensou que estava perdido. Foi então que a professora Mc Gonagall apareceu e despertou o quadro, que, a contragosto, abriu-se para o jovem passar, antes que o menino colocasse o primeiro pé na sala, a professora o interrompeu, dizendo:
–Da próxima vez, tente se controlar, Sr Weasley. O menino jurou ver um minúsculo sorriso na expressão da professora.
Já na sala, notou os três amigos, a sua espera. Ginny foi à primeira em abraçar o irmão e perguntar como tinha sido à detenção.
–Cansativa. -Respondeu, se sentando ao lado de Hermione, que, adormecera com um livro nas mãos.
–Hermione... -Ele chamou, cutucando levemente a amiga. Hermione abriu os olhos, assustada.
–Que aconteceu? -Perguntou, deixando o livro lhe escapar por entre os dedos.
Ela fitou o amigo e perguntou:
–Como foi lá?
–Eu juro que matarei aquela doninha albina quando tiver oportunidade! -Exclamou, em tom de brincadeira.
–Gente vamos dormir? Hoje não foi um dia agradável para nenhum de nós. -Disse Ginny, já se levantando.
Harry assentiu e Hermione se levantou também.
–Noite meninos. -Desejou, seguindo Ginny ao dormitório feminino.
Os outros dois seguiram o mesmo exemplo e Rony, ao chegar ao quarto, se jogou em sua cama, sem ao menos tirar as vestes.
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