Notas iniciais
Esse não é nem o começo. Não há nada que possa imaginar para o início, para o meio e muito menos para o fim. Boa leitura.

Rabicho era um ser consideravelmente esquisito. Por mais que seu corpo mostrasse que era um homem, seu rosto de rato deixava-o com a aparência de um roedor humano. Sua expressão facial e seu jeito de andar denunciava a personalidade covarde e medrosa, estava sempre curvado e encarando todos os mínimos detalhes dos lugares, achando que alguém podia estar encarando-o, pronto para fazer-lhe mal. Rabicho era como um animal irracional.

Com seus passos apressados, o homem que originalmente chama-se Pedro Pettigrew, virou a esquina de uma rua abandonada, de ar envelhecido e sinistro, como um filme de horror. A neve, que insistia em cair naquela tarde de dezembro, tornava o local ainda mais escuro e fantasmagórico. Não é preciso dizer que Rabicho tremia-se da cabeça aos pés a cada milimetro que andava. O local, em si, já era um pouco assustador, mas não era isso que o fazia estremecer. Era um motivo maior.

O homem rato parou em frente a mais uma das várias casas abandonadas no local. Era extremamente grande, uma mansão! Mas completamente empoeirado, suja e acabada. O portão estava aberto, suas trêmulas mãos, mais imundas que a casa, não tiveram dificuldade alguma ao abri-lo. O jardim, que um dia fora rico, estava seco e quase sem planta alguma. Uma corrente elétrica passou por seu corpo novamente, aquele lugar lhe causava arrepios.

Ao longe, mas não tão longe assim, a ponto de eu poder dizer também "Próximo dali", a porta de entrada estava aberta. As luzes estavam apagadas, se é que que havia alguma coisa ali para ser acesa, então Pedro não tardou a puxar a varinha, que conseguira há minutos atrás, das vestes rasgadas unicamente para sussurrar "Lumos Maxima". Assim, correu aos tropeços e entrou, finalmente, na casa.

Uma sensação esquisita de alguém tinha entrado ali antes dele o dominou. A casa não tinha donos há mais de dois anos. A última pessoa que morara ali fora o próprio Lorde das Trevas, na companhia de um casal de comensais. Contudo, estes foram presos assim que Voldemort caíra e, pelo estado em que o lugar se encontrava, era praticamente improvável que alguém tivesse entrado ali há algumas horas. Um sem teto, no máximo, pensara Pettigrew.

Mas estava enganado. Naquele exato instante, uma luz azul, que não vinha de sua varinha, iluminou seu rosto de maneira brusca e assustadora. Rabicho, ainda mais amedrontado e aflito, deixou-se cair no chão, com as mãos nos olhos.

- Não tive a intenção! — Gritou, sem ao menos pensar.

- Pettigrew. — Sussurrou uma voz grave e baixa. Não dava, ao certo, para saber se era uma pergunta ou uma afirmação. — Você está vivo.

- Snape? — Perguntou Rabicho, ainda mais amedrontado. — Snape, por favor! — Ajoelhou-se, agarrando a barra de suas vestes negras. — Não conte a ninguém que me viu aqui.

Porém, o homem narigudo de cabelos escuros e oleosos limitou-se a chuta-lo, limpando sua vestimenta.

- Stupefaça! — Gritou, então.

Rabicho caiu no chão e ali ficou desmaiado. Snape estava ali a serviço de Dumbledore e Pettigrew, quem ele julgou estar morto, não podia saber. Ninguém podia saber. Por mais que Severo quisesse descobrir o que Pedro estava fazendo ali, vivo, como um louco, não podia pôr a tarefa a perder. Um Obliviate fora necessário para tirar de sua mente os últimos acontecimentos.

Snape preparou-se para ir, quase esquecendo-se do principal. Dumbledore pedira que fosse ao último lar de Lord Voldemort e recolhece tudo o que fosse suspeito ou valioso. Severo não estranhou quando achou um diário em branco ou qualque outro objeto. Estava preparado para tudo. Porém, nunca imaginara que poderia encontrar o que encontrou naquela noite.

Uma menina. Petrificada.

Severo carregou-a em seus braços e então aparatou.

Um "Crack" e ele não estava mais ali.

Notas finais
Querem o primeiro capítulo? Mereço reviews?