Harry Potter: O Leão do Ringue
8 O Leão do Ringue
Na escola Westminster, Harry estava sentado num dos bancos do pátio, conversando com Hagrid, seu imenso amigo zelador. Hagrid ficava bastante empolgado a cada vez que Harry contava como sua trajetória no boxe estava se desenrolando.
— Então, você tem uma luta semana que vem?? Carambolas!! – dizia o barbudo. – Ah, como eu queria assistir!!
— Calma, Hagrid, não é nenhum “Rumble in the Jungle”, é só uma disputa de academia de boxe de bairro… – respondeu Harry, rindo.
— Está brincando? – disse Hagrid. – Você já tem meses de treino, sem falar com os treinos com o “Lobo de Liverpool”, e disse que o seu adversário é o melhor cara que tem lá, isso certamente seria empolgante de assistir!
— Tá bom, tá bom, eu peço pra alguém filmar… – Harry respondeu, sem jeito. Mas eu só vou te mandar o vídeo se eu vencer!
Hagrid deu uma risada alta e um tapa forte nas costas de Harry. O garoto quase desabou no chão, com um sorriso amarelo.
— Você vai vencer, Harry! Mostre pra esse esnobe que todos têm um guerreiro dentro de si, não só experientes. Você já sabe da lenda do boxe Lennox Lewis. Ele tinha uma derrota por nocaute técnico, um empate e trinta e oito vitórias… Até que lutou com um tal de Hasim Rahman, um grande azarão – 20 pra um achavam que ele ia perder – e NOCAUTEOU Lewis no quinto round! Foi a primeira vez que Lennox Lewis foi nocauteado! Boxeadores são todos humanos, Harry. O que importa é o quanto se prepara bem e o tamanho da luta dentro de você!
Harry sorriu, olhando para Hagrid enquanto este o enchia de positividade.
— Obrigado, amigo! Eu vou dar o melhor de mim! – disse Harry.
— Esse é o grande "Hasim Potter"! HAHAHAHA!
Harry acabou rindo da palhaçada junto com ele, ainda que tenha sido cafona.
…
Depois que a aula acabou, Harry ficou empolgado. Ele se dirigiu para a Columbia Road de metrô como sempre, mas em vez de ir para a Academia de Boxe Dumbledore, ele foi direto para o galpão de Lupin perto do Regent’s Canal – ele seguiria o plano de Hermione de não treinar na academia de boxe para que Dino não o visse se preparando. E sem o treino na academia, significava que ele e Lupin teriam mais tempo para a prática sensorial e do estilo de movimentação de Muhammad Ali, que é o que eles vêm trabalhando desde abril.
Outra diferença é que agora Luna também participaria. Só que ela chegaria mais tarde, depois do horário que ela trabalha no pet shop. Harry a convidou por acreditar que o que ela tinha a ensinar complementaria o que Lupin vem ensinando. Além disso, no único dia que ela foi assistir ao treino da academia, ele teve certeza de que ela foi capaz de observar coisas que mais ninguém ali conseguiria sobre Dino.
Harry chegou com a roupa cinza de treino e lá estava Lupin aguardando. Além do treinador, ele viu pneus alinhados no chão, sacos pendurados, cordas, cones, manoplas, pesos, luvas e cordas de pular.
— Eu entendo que você continuou sozinho os treinos que te ensinei. – foi falando Lupin. – Então, podemos começar num nível maior! Vamos aperfeiçoar tudo durante esses seis dias e não será um garoto de academia de bairro que vai te dar trabalho!
— Sim! – respondeu Harry com garra e já foi tirando os óculos para colocar a venda nos olhos.
Depois de alongamentos e corrida – sempre vendado – Harry fez o percurso entre os pneus enfileirados no chão em alta velocidade. Depois, foi pulando corda, com Lupin sempre gritando para aumentar o ritmo. Quando terminou o treino aeróbico, Lupin colocou pesos nos pulsos e tornozelos de Harry. Era a vez de fazer treino de sombra com os pesos, buscando aumentar a explosão tanto nos golpes quanto na movimentação. Depois, ainda usando a venda e os pesos, ele foi levado ao ringue improvisado. Lupin o golpeava com as manoplas e Harry tinha que antecipar, prestando atenção na movimentação, nos sons, na proximidade do ar – tudo sempre com gingados, trabalho de pernas, tentando ficar o mais fluído possível.
Lupin colocou uma corda reta bem firme no meio do salão. Harry tinha que se movimentar como onda, dando ganchos cada vez que passava para outro lado dela com gingados.
— Mais forte! Com mais vontade! – dizia Lupin.
Harry golpeava com mais fulgor, suando sem parar. Enquanto avançava, sem olhar, ainda tinha que tomar o cuidado de não bater na parede no final da corda. Duas horas depois, a porta do galpão foi batida. Lupin foi abrir e viu que era Luna Lovegood. Ela deu um sorriso sereno e achou maravilhosa a visão daquele galpão velho e sujo, já que ela sempre ficava curiosa por coisas diferentes. Lupin se curvou com um sorriso, como um cavalheiro, e disse:
— Bem-vinda, Srta. Lovegood! E, cavalheiro… coelho?
— Olá, Lupin! Conheça o Pompom. – disse a loira sonhadora. – Ele não achou muito seguro eu andar sozinha pra esse lado da cidade e quis me acompanhar. Um príncipe, né?
Luna estava mesmo com o coelho Pompom no colo, o que tirou uma risada incrédula de Lupin. Harry tirou a venda e olhou para Luna. Ela estava com um casaco cor-de-rosa e cachecol verde, devidamente agasalhada. Ela deu um sorriso meigo para o garoto.
— Olá, Harry.
— Oi, Luna! Que bom que veio! – disse Harry.
Lupin olhou pros dois e quase podia sentir a energia romântica. Ele coçou a nuca com os olhos fechados e foi falando:
— Agora que temos a perceptiva Luna, vamos começar o circuito todo de novo!
— O quê?! – Harry ficou chocado.
— E nada de choro! Vamos! Venda nos olhos e comece a correr nos pneus! – disse Lupin. – Luna, sinta-se em casa. Apesar de que não é bem um hotel cinco estrelas…
Luna sorriu e achou um lugar para se sentar. Colocou Pompom em seu colo e disse:
— Achei um ótimo lugar pra observar! Você ouviu o homem, Harry… Ao trabalho.
Harry deu um sorriso cortante pros dois e voltou com a venda aos olhos. Logo, ele se colocou a correr novamente na fileira de pneus. Tudo aos olhos do orgulhoso Lupin, da sonhadora Luna – e do fofinho Pompom.
A cada exercício repetido, Luna observava. Ela não precisava entender os exercícios, só buscar as nuances de percepção e mentalidade de Harry enquanto vendado. Ela comentou baixinho para o coelho:
— A garra dele está crescendo. Mas o rugido ainda não veio.
No descanso de dez minutos, Luna foi até Harry com o coelho no colo. Ele ofegava mas tomava água, se preparando para a continuação. Olhou pra amiga e disse:
— E então, o que tem observado?
— Que você tá distraído desde quando eu cheguei. – disse a loira com um sorriso leve. – Você não tá lutando por mim, Harry… mas pela sua convicção, pela oportunidade de se tornar melhor que ontem.
Harry ficou corado. Realmente, uma parte dele queria se exibir pra ela durante os exercícios, mostrar o quanto tinha melhorado.
— Querendo ou não… – dizia Harry. – Sua presença me deixa feliz, Luna. Isso é meio difícil de esconder.
— Sabe do que os bichos lá no pet shop estão te chamando? De leão.
Harry arregalou os olhos. Jamais tinha ouvido algo parecido em sua vida.
— Os bichos?! Todos eles?! – indagou Harry.
— Isso mesmo. – respondeu Luna. – E eu sei porquê. Porque assim como eu, eles ouviram o seu rugido naquele dia… No dia que o garoto loiro te bateu… e você se levantou mesmo depois de perder.
Harry ficou chocado. Então Luna tinha testemunhado o dia que Draco Malfoy o derrotou na calçada, que foi exatamente depois de ele ter perdido pra Gina. “Ela… já me observava?”, pensou Harry.
— Não só pelo rugido… – continuou Luna. – Um leão não age por medo ou por buscar aprovação. Ele é o rei da selva por simplesmente ser. Uma parte de você busca honra e reconhecimento… Mas é balanceada pela outra parte: a que vive com razão, coragem e enfrenta as adversidades com dignidade. Eu vejo tudo isso em você, Harry.
Lupin deu um largo sorriso ao ouvir as palavras de Luna, surpreso. Harry ficou mais corado do que pretendia. Não ia conseguir parecer imparcial diante de Luna, especialmente com ela levantando o moral dele daquela forma.
— Então, não procure vencer pra agradar outros, Harry. – disse Luna. – Procure vencer porque vencedor é o que você é! Mesmo distraído, a música dos sons dos seus golpes, da sua velocidade, da sua garra… é tão linda. Se acreditar no seu valor de leão, não haverá adversário que vai te incomodar! Não existe o ontem…
— … Não existe o amanhã! Só o agora! – completou Lupin, empolgado. – Acabou o descanso, Harry! Ao trabalho!
Harry sorriu, sentindo-se cercado por filósofos. Ele se levantou, colocou a venda de volta e continuou os exercícios.
…
Os dias passavam e o clima na Academia de Boxe Dumbledore era de ansiedade. Dino teve o mesmo pensamento de Hermione e também não estava treinando no local para que Harry não o visse. Isso acabou trazendo comentários.
— E não é que Dino também não está vindo? – disse Hermione. – Não é à toa que ele é o melhor daqui, também teve o instinto de ir treinar escondido.
— É… Ele também tem essas noções. – disse Gina. – Eu já imaginava, inclusive.
— E eu que tive que correr atrás de roupa de árbitro?! – reclamava Simas. – Sacanagem do Dumbledore, eu não tenho nada a ver com isso!
— É que na avaliação dele você não é nem contra o Harry e nem contra o Dino. – disse Neville. – Sendo assim, o mais indicado pra tarefa.
— Se roubar pro Dino, vai ter problemas comigo! – disse Rony.
— Ei! Deixem o juiz em paz. – disse Cho Chang. – Invés disso, deveriam estar ensinando o seu amigo como lutar decentemente!
Gina se zangou e começou a andar na direção de Cho, mas Angelina se colocou entre elas.
— Chega desse papo! Preocupem-se com seus próprios treinos! – vociferou a moça.
A turma decidiu não continuar o drama e voltou pros treinos. Dumbledore, de certa distância, olhava para o ringue. “A sorte está lançada.”, pensou o velho treinador.
…
Faltava apenas um dia para a luta e era o momento do treino final. Assim que pôde, Luna compareceu também, sentando-se no mesmo lugar dos outros dias. Para a surpresa de Harry, Lupin tirou o casaco, o colete, a gravata e a camisa social, ficando de camisa regata. O garoto se surpreendeu com os músculos que a roupa escondia, era como se ele ainda fosse um lutador profissional ativo. Luna acariciou Pompom no colo e disse para o coelho:
— Chegou o momento de professor versus aluno…
— Harry, vamos fazer um sparring. – dizia Lupin enquanto já colocava luvas de boxe marrons. – Hora de testar tudo o que temos feito!
Parte de Harry queria protestar, dizer “Ah, que isso, você é peso-médio! Foi campeão nacional! Até parece que isso vai ser justo!”, mas Harry identificou o Ego querendo atenção e tentando “tomar o volante”. Ele se lembrou das palavras de Luna: o leão é rei da selva simplesmente porque é, e não por medo ou reconhecimento. “Eu não vou recuar”, pensou Harry. Lupin colocou uma venda em si mesmo. Harry retornou a venda nos olhos, preparando um par de luvas pretas.
— Srta. Lovegood, você nos dará o sinal para começar, sim? – disse Lupin.
— Pode deixar. – disse Luna, serena.
Com os dois preparados, a loira sonhadora gritou: “Comecem!”
Diferente do que seria meses atrás, Harry não estava intimidado. Pelo contrário. Os sons e nuances que antes eram quase indecifráveis, agora apareciam como se tivessem vida. A respiração de Lupin, a aproximação extremamente lenta dele para não ser localizado, o ar sendo empurrado enquanto ele avançava, as mãos apertando as luvas, indicando que a guarda está alta e prestes a lançar um jab. Harry bateu uma luva na outra, não se importando de ser encontrado pelo adversário. Na verdade, ele estava mesmo era chamando Lupin para a trocação.
— Vamos, Lupin. – disse Harry.
Então, dois passos firmes se irromperam no chão à frente de Harry. Um jab foi lançado por Lupin na postura de canhoto, para confundir Harry. Luna arregalou os olhos na mesma hora. Foi uma cena digna de ser gravada e emoldurada: Harry desviou do jab sem problema algum ao inclinar o corpo levemente para trás.

— Ele… Se lembrou do dia do rinque… – disse Luna para si mesma. – Ele… deixou o chão dialogar… E antecipou o movimento!
Lupin mostrou os dentes, desafiador. Ele ajustou a postura de volta para destro e tentou jabs com a mão esquerda. Harry bailava, desviando. Lupin lançou um direto de direita na direção dele. Harry sentiu o vento chegando e bloqueou com a mão esquerda, lançando um direto próprio. Lupin bloqueou e tentou um cruzado. Harry passou por baixo do cruzado, deixando Luna boquiaberta.
— Pompom!! Está vendo isso?! Olha… olha que leão majestoso…
Harry se movimentou ao redor de Lupin. Este tentou antecipar a posição pelos sons que o chão transmitia e também começou a se mover. Prevendo a posição seguinte de Harry, ele lançou um cruzado. Harry escapou de novo. Fazendo um trabalho de pernas exemplar, Harry dificultava para Lupin a sua localização.
Lupin sorriu. Ele se esgueirou até a mesa que estava por perto e apanhou uma garrafa de água. Luna observou com olhos atentos, sem dizer nada. Lupin jogou a garrafa na direção de Harry. Este sentiu a aproximação e deu um tapa na garrafa, com a mão da frente. O ex-boxeador se deslocou rapidamente para flanquear Harry, que se distraiu com a garrafa.
— Te peguei! – berrou Lupin lançando um cruzado.
BAM!!
Além de ter desviado do cruzado com movimentação fluída, Harry contra-atacou com um gancho brutal na linha de cintura do ex-campeão. Depois, deu mais alguns passos, trocou de base, mudou de direção e, por fim, se virou, levantando a guarda. Lupin tirou a venda na mesma hora. O olhar dele era de profunda surpresa. Luna sorriu com meiguice e brilho nos olhos.
— Harry, exercício encerrado! – disse Lupin. – Você… está lutando sem enxergar!! Que golpe foi esse? Está melhor que eu pensava!! Parabéns, garoto!
Harry tirou a venda dos olhos e sorriu. Olhou para Luna. Ela pegou as patinhas de Pompom e fez o coelho bater palminhas. Os dois que lutavam deram risada. O treino final foi um sucesso.
…
Mais tarde, Harry estava esperando o ônibus de Luna junto com ela. Como já estava muito tarde, e Lupin foi embora – mas não antes de dizer “Harry, seja um cavalheiro e acompanhe a moça até pegar o ônibus!” – ele não podia deixar que ela esperasse sozinha. Luna morava em Bow, na rua Tredegar Road, apenas quinze minutos de ônibus de onde estavam. O vento frio de novembro soprava e Harry estava tremendo. Ele não estava tão bem agasalhado quanto a loira sonhadora. Então, ele viu Pompom dentro de uma caixa de transporte e levantou uma sobrancelha.
— Ei… Não era pra você ter deixado o coelho no pet shop? – dizia Harry.
Luna balançou a cabeça daquele jeito meigo que só ela tinha.
— Não… Ele é meu. – respondeu Luna. – Você achou que ele era só mais um coelho de lá, né?
— Na verdade… eu achei mesmo… – admitiu o garoto de óculos, coçando a nuca.
Luna chegou perto o suficiente de Harry até encostar nele, o que fez o garoto ficar meio desconcertado e começou a corar bastante o rosto. Ela se agarrou no braço esquerdo dele com o direito. Agora o perfume dela estava realmente perto. Harry fez uma careta engraçada, tentando conter as emoções que estava sentindo.
— Isso vai te deixar mais aquecido por um tempo. – disse Luna. – E então? Está muito nervoso pra amanhã?
— C-Claro que não! Eu nunca me senti tão confiante! Hahaha… – respondeu Harry, trêmulo.
Luna deu uma risada calma com os olhos fechados, depois os abriu e disse:
— Mentiroso fofo…
— Está tão na cara assim? – comentou Harry, sem jeito.
— Pior que sim… Mas sabe, você só tem que se lembrar de uma coisa: não é sobre ganhar do Dino, nem sobre ganhar a luta. É sobre não perder pra você mesmo.
A cara que estava envergonhada por causa do momento adolescente ficou séria. Ele olhou para o céu, a tremedeira foi passando. “Luna está falando do Ego…”, pensava Harry. “Ele é o verdadeiro adversário.”
— Pode deixar, eu vou me concentrar nisso amanhã. – disse Harry para a loira, com convicção.
— E o Dino sempre ginga as mãos antes de lançar um… como se chama mesmo? Acho que é gancho.
— Hã?! – Harry ficou surpreso. – Assim?
Ele simulou um gancho devagar para Luna e a loira sonhadora sorriu, assentindo com a cabeça. Harry sorriu. Ele tinha razão, Luna conseguiu observar padrões no único dia que ela compareceu à academia.
— Você é incrível, Luna! – disse Harry.
Luna ficou corada e olhou pra rua. Nunca tinha ficado de braços dados com um rapaz na vida, e ele ainda a elogiou. Pra não ficar um silêncio desconfortável, ela disse:
— Diz isso porque nunca viu o pijama que uso pra dormir… – e, se aproximando da orelha dele, ela disse: — É de coelhos… E alguns deles têm cartolas!
Harry acabou rindo do que ela disse. Luna também riu e a risada dos dois ecoava pela rua. Até que chegou o ônibus 277. Luna se levantou e fez sinal. Ela pegou a caixa com Pompom e olhou com meiguice para Harry.
— Nos vemos amanhã, Harry. Boa noite!
— Boa noite, Luna… E obrigado… Por existir.
Ela não esperava aquela frase e o rosto corou fortemente. Seu rosto ficou completamente vermelho, mas tudo o que ela fez foi lançar-lhe o sorriso mais doce e angelical antes de entrar no ônibus sem dizer mais nada. Enquanto o ônibus de dois andares se afastava na noite londrina, Harry foi correndo com sua mochila pegar o metrô para ir para casa. No próximo dia, ele e Dino finalmente acertariam as contas.
…
Era cedo no sábado que chegou e Harry terminava de fechar a mochila. A bandagem de punho já colocada. Olhou para Edwiges e disse:
— Não se preocupe, vou me lembrar de ser observador e voar sem fazer barulho… assim como você.
A coruja olhou para Harry de uma forma como se a mensagem fosse “Eu sei. Boa sorte, leão.” Harry arregalou os olhos. De tanto andar com Luna, ele estava começando a ficar parecido com ela… Pouco depois, ele se aproximava da porta da frente. McGonagall se aproximou com calma, vinda da cozinha.
— Vai sair sem tomar café? – perguntou a tutora.
— Eu… já tô com o estômago virado mesmo. – respondeu Harry, terminando de abrir a porta.
Ela suspirou ao ver como ele estava focado, como aquilo era realmente importante. Parecia um guerreiro indo para o campo de batalha. Falou com a voz calma:
— Eu só peço… que não se machuque demais. Eu não te tirei dos Dursley para continuar se machucando.
As palavras deixaram Harry comovido. Ele deixou a mochila ao chão e andou até McGonagall. Deu um abraço caloroso e demorado na mulher. Ela não esperava por isso, mas retribuiu com o mesmo nível de amor.
— Graças a você… hoje eu sou mais forte do que qualquer passado ruim. – dizia Harry. – Prometo que vai ficar tudo bem. Eu prometo.
Minerva, mesmo em silêncio, sentiu que ele não estava falando em vão. Agora, ela já sabia que ele se transformaria num homem corajoso, capaz de superar épocas ruins.
Uma hora e meia depois, Harry estava na Academia de Boxe Dumbledore. Ele saiu do vestiário usando a roupa que escolheu para aquele dia: camisa regata branca, shorts vermelhos e tênis de boxe também vermelhos. Olhou para o ringue e lá estava Simas Finnigan, usando uma roupa de árbitro de boxe (incluindo a gravata borboleta), com a cara meio ansiosa, querendo que aquilo acabasse logo. Rony trouxe as luvas vermelhas e Hermione trouxe um protetor de cabeça vermelho que ele usaria. Gina, Neville e Angelina estavam nas arquibancadas, aguardando o começo da luta. Luna também já estava lá, mas ela olhava para outras coisas sem um pingo de preocupação, com o jeito sonhador dela – ela se interessou por uma aranha que construía uma teia com maestria em uma das colunas da arquibancada. Dumbledore estava perto da entrada da academia, observando a tudo. No lado oposto do salão, estava Dino. Ele estava com um sorriso confiante e calmo. Estava de camisa regata preta, calça cinza e Cho Chang estava colocando nele as luvas pretas e um protetor de cabeça igualmente preto.
— Sim, eu escolhi o preto porque é hoje que eu MATO a confiança desse novato! – disse Dino para Cho.
— Não fica brincando, derruba ele no primeiro round. – disse Cho. – Quanto mais impactante, melhor.
De repente, a porta da academia se abriu e quatro figuras apareceram. Os olhos de Angelina se arregalaram. Hermione soltou um sibilo. Rony abriu a boca, incrédulo. O da frente, liderando, era um homem alto e magro, com pele pálida e cabelo preto até os ombros, oleoso, aparentava estar na casa dos cinquenta. Usava roupa de academia totalmente preta, com um apito parecido com o de Dumbledore. O olhar era frio, completamente frio. Não se alterava por nada. Olhava para a academia como se tivesse anos que não entrava lá, conferindo o que estava diferente. O homem era Severo Snape, ex-colega de Dumbledore e treinador da Academia Dark Cobra. Atrás dele vieram com seus moletons de treino pretos: Draco Malfoy, Crabbe e Goyle. Os três olhavam para os alunos de Dumbledore como se fossem lixo. Eles se sentiam absolutamente superiores. Draco piscou para Harry quando o localizou. Harry manteve a postura séria, tentando não deixar que aquilo o afetasse.
— Esse aí é o pessoal da Dark Cobra!! – vociferou Angelina, se levantando da arquibancada, exaltada. – O que eles estão fazendo aqui???
— Será que vieram causar confusão? – disse Gina para Neville. A ruiva se levantou também, ficando em alerta, como se fosse ser convocada para uma pancadaria a qualquer momento.
— Calma, Gina. – disse Neville. – Veja, Snape está indo em direção a Dumbledore.
Tal como Neville disse, Snape foi até Dumbledore. O treinador de preto estava de braços cruzados, olhando com a seriedade de sempre. Dumbledore, de vermelho, o olhava com tranquilidade.
— Dumbledore. – disse Snape.
— Severo, seja bem-vindo. – respondeu o treinador. – Vejo que trouxe alguns alunos.
— Fiquei… surpreso quando me fez o convite. – dizia Snape com uma sobrancelha levantada. – Então… uma “luta interessante” acontecerá? Espero que não esteja me fazendo perder tempo.
Rony e Hermione ficaram incrédulos. Então, Dumbledore tinha CONVIDADO os membros da Dark Cobra. “O que o treinador tem na cabeça de chamar esse malucos?!”, foi o que Rony comentou com Hermione.
— Garanto que vai sair daqui com uma ótica diferente, Severo. – disse Dumbledore com um sorriso enigmático.
Snape olhou nos olhos de Dumbledore por alguns segundos. Aquele sorriso que o velho treinador lhe deu não era comum de se acontecer, tampouco o convite. Ele olhou para Draco e os outros e disse:
— Vamos para as arquibancadas.
— Certo, treinador! – respondeu Draco. Os três seguiram a figura de preto.
Gina, Neville e Angelina ficaram intrigados. Eles não conseguiam entender porque Dumbledore convidou logo aquele pessoal. Harry tentava manter o foco. Ninguém ali, a não ser Luna, sabia que ele já tinha perdido uma briga contra Draco. Os membros da Dark Cobra se sentaram em lado diferente nas arquibancadas. Snape ficou imparcial, com os braços cruzados. Draco, Crabbe e Goyle já começavam a zombar.
— Não dá pra acreditar na nossa sorte, rapazes! – dizia Draco. – Agora vamos poder ver aquele paspalho de óculos apanhar de camarote!
Crabbe riu bem alto e Goyle comentou:
— Supondo que essa luta preste mesmo. Lembre-se que estamos na academia dos frouxos!
Gina escutou e se levantou, furiosa. Angelina segurou o braço dela com força:
— Nada disso, Gina. São os convidados do nosso treinador!
— Que ÓDIO! Eu quero fazer eles engolirem os dentes!!! – vociferou a ruiva.
— Tá tudo bem, Gina… Não se preocupe, a luta vai fazer com que eles os engulam… – dizia Neville com um sorriso calmo e tímido.
Gina foi acalmada pelas palavras e pelo sorriso. Ela devolveu o sorriso com um leve corar no rosto e voltou a se sentar, o que não passou despercebido por Angelina “Olha o Neville… contendo a ruiva furiosa…”, pensou Angelina com um sorrisinho.
— Olha só, mais plateia pro meu show! – disse Dino. – Adoro isso!
Mas, para a surpresa de Dino, Cho nem prestou atenção. Ela ficou absolutamente impressionada com os membros da Dark Cobra, a maneira como impuseram sua presença, como Snape era marcante mesmo sem falar quase nada. Os olhos da garota brilhavam como se tivesse descoberto um tesouro. Dean deu de ombros, bateu as luvas e foi entrando no ringue.
Rony bateu o seu punho com o de Harry e Hermione fez o mesmo. Depois, a garota de cabelos castanhos cheios tirou os óculos de Harry, já preocupada.
— Boa sorte, cara. – dizia Rony. – Estamos aqui, firmes, por você.
— Harry, tome cuidado... – Hermione estava mesmo aflita.
Harry acenou para eles com a cabeça e entrou no ringue. Depois, olhou direto para Luna, ainda que não pudesse vê-la com perfeição sem os óculos. A loira sonhadora já estava olhando para ele. Ela deu um sorriso caloroso, e ele simplesmente respondeu com outro.
— Lutadores, ao centro do ringue. – disse Simas.
Harry veio do córner vermelho e Dino veio do córner azul, se aproximando ao comando do juiz. Dino olhava para Harry com um sorriso debochado, certo de sua vitória. Harry olhava para Dino com seriedade, mas sem raiva ou ansiedade.

Simas começou a dar as instruções:
— Quero uma luta limpa e justa. Sem golpes na nuca, sem golpes abaixo da linha de cintura, sem golpes ilegais. Protejam-se o tempo todo, obedeçam aos meus comandos o tempo todo… Toquem as luvas.
Harry estendeu as luvas para tocar, mas Dino recusou dizendo “Nah…”, o que fez com que Draco desse risada em seu assento. Dino já estava gingando, olhos travados em Harry como um predador. Este fez uma careta, retornando as mãos para ficar em guarda. Simas estendeu a mão e autorizou:
— LUTEM!
— Prepare-se pro pior dia da sua vida! – disse Dino entre o protetor bucal.
Harry e Dino se aproximaram, cautelosos. Dino sorriu e lançou um jab… Harry se desviou com uma leve inclinação do tronco e contragolpeou com dois socos na linha de cintura do adversário. Dino gemeu de dor, surpreso, afastando-se. Ele olhou incrédulo para Harry, que mantinha uma guarda alta ortodoxa e olhar completamente concentrado. Gina arregalou os olhos.
— N-Não acredito…! – dizia Gina, chocada. – Ele tá lutando com tanta facilidade…
Hermione, perto do córner vermelho, disse a Rony:
— Ele… Ele fez aquilo como se fosse simples!
— Isso… Isso foi lindo! – disse Rony, com olhar espantado.
Dino se irritou e foi ao ataque novamente. Direto, jab, cruzado, outro jab. Harry fluía pelos golpes com tranquilidade, não tendo nem que bloqueá-los. Ele fingiu um avanço e Dino se assustou, pulando para trás, recuando. Harry olhou para ele dos pés à cabeça, nada impressionado. Então, o garoto começou a gingar na direção de Dino, deixando-o atônito.
Da arquibancada, Snape observava. Aquele que estava chamando a atenção dele era claramente Harry. O jogo de pés, a movimentação, a respiração confiante, o pouco uso dos olhos. “Um leitor”, pensava Snape. “Ele está conectado consigo mesmo e com tudo ao redor dele. E o estilo de luta é mais do que apurado, treinado com afinco…”
De seu lugar, Luna suspirou com tranquilidade, sorrindo. Ela já conseguia visualizar o final da luta, então nem se preocupou em ver. Ela voltou a prestar atenção em outras coisas. Viu um casal de pássaros tendo um momento terno perto de uma das paredes e ficou comovida, assistindo à natureza acontecendo.
Harry, dento do ringue, estava conduzindo a luta com a leveza de uma dança. A percepção sensorial dele estava funcionando perfeitamente e ele não estava vendado. A visão, ainda que pouca, complementava as dicas que os sons, as sensações, as intuições e os deslocamentos de ar antecipavam. Dino se esforçava para persegui-lo, ele se movia e lançava jabs, atingindo Dino enquanto ele trocava o peso das pernas, pegando o adversário de surpresa num momento vulnerável. Harry antecipava tudo, como se pudesse ver um segundo adiante. Como se o mundo estivesse em câmera lenta para ele.
Na arquibancada, Angelina estava com as mãos nos cabelos e um olhar de nervosismo. Ela acabou comentando:
— Isso tá ridículo… parece que ele tá enfrentando um bebê que aprendeu a andar ontem!
Dino já estava suando. Seus golpes estavam ficando cada vez mais descoordenados, e seus olhos, desesperados. Ele não conseguia tocar em Harry.
Harry gingava. Leve, fluido, instintivo. Fazia pequenos pêndulos com o corpo, se abaixando e subindo com movimentos elásticos, deslocando o peso entre os pés com a graciosidade feroz de Muhammad Ali. Trocava a base, pisava com firmeza e suavidade. Era como música. Como dança. Como guerra. Quando Dino perdeu o ritmo da perseguição, Harry fez um Ali Shuffle, trocando os pés rapidamente, como se o provocasse. Dino grunhiu entre os dentes, ofegando.
Rony, de boca aberta, cutucou Hermione:
— M-Muhhamad Ali! Ele… Ele viu como Ali luta lá em casa… Como ele conseguiu aprender em tão pouco tempo?!
— Eu não sei, mas eu não queria estar na pele do Dino agora! – dizia a garota, com os olhos brilhando.
— O… O que está acontecendo?… – Cho olhava a luta, mas não podia acreditar. O Dino que ela sempre admirou simplesmente desapareceu.
Do lado da arquibancada preenchido pelos membros da Dark Cobra, Draco, Crabbe e Goyle estavam mudos. O olhar no rosto deles era apenas de surpresa. Gina olhou para aquilo e se animou, gritando:
— ACABA COM ELE, HARRY!
O grito cortou o salão, que estava em silêncio por causa da situação inusitada que se desenrolava. Dumbledore deu um sorriso calmo. Assim como Luna, ele já sabia o desfecho. O terceiro que já sabia era Snape, que observava com expressão neutra, mas uma sobrancelha arqueada revelava o que ele não dizia: Aquilo não era talento comum. Era instinto puro e treinamento afiado. Um oponente que, cedo ou tarde, se tornaria uma ameaça real aos lutadores da Dark Cobra.
Dentro do ringue, Simas também estava totalmente surpreso, com os olhos arregalados e sem entender como aquilo estava acontecendo. Faltavam trinta segundos pra terminar o primeiro round. Foi o que Dino viu ao olhar o cronômetro. Ele ficou furioso e se aproximou de Harry, gingando as mãos. “Lá vem o gancho… Obrigado, Luna”, pensou Harry.
Dino urrou quando lançou o gancho, mas o urro foi cortado. A explicação é que Harry desviou-se do gancho com toda facilidade e contra-atacou com um cruzado de direita poderoso que ecoou pela academia. De costas, Harry nem olhou Dino caindo como uma marionete que teve as cordas cortadas. Só ouviu o baque seco do corpo que obviamente estava desacordado. Luna voltou os seus olhos azuis pro ringue quando aconteceu. Enquanto a fumaça levantava e todos mantinham o silêncio, ainda processando o que estavam vendo, Harry bateu três vezes no peito e urrou.
Um urro de vitória, de liberdade, de raiva contida por anos, de alguém que achou sua voz, sua força e seu lugar. Um urro de longos segundos. A voz ecoou entre as paredes como a de um animal que dominava a selva, assustando até os três garotos arrogantes da Dark Cobra. Simas, finalmente saindo da paralisia que o urro causou, sinalizou com voracidade que a luta estava encerrada!
Da arquibancada, Gina se levantou com um grande sorriso, gritando:
— O LEÃO DO RINGUE!!!
E então, junto com Angelina, Neville, Rony e Hermione, bateram palmas, cantaram, comemoraram, gritaram. Angelina ria de desespero, totalmente estupefata, Neville pulava com Gina, Rony e Hermione se abraçaram sem nem perceber, completamente eufóricos.
Harry, ainda ofegante, ergueu o olhar para Luna. Ela sorria. Era um sorriso de orgulho calmo, afeto sereno, como se soubesse desde sempre que ele chegaria ali. E naquele instante, Harry soube: a vitória mais importante daquele dia foi aquele sorriso.
Cho Chang fez uma cara horrível, contrastando com o jeito sempre reservado dela. A admiração que ela tinha de Dino se transformou em… asco. Draco, Crabbe e Goyle pareciam petrificados. Snape os comandou com um gesto e logo estavam se retirando do recinto. Antes, passou perto de Dumbledore, que sorria. Snape o olhou cortante por vários segundos… e depois foi embora sem dizer uma palavra, junto com os pupilos.
O leão tinha rugido. E ninguém jamais se esqueceria.
Rony, Hermione, Gina, Angelina e Neville festejavam com Harry no ringue, enquanto Simas ajudava Dino a se levantar. O lutador derrotado saiu rudemente da ajuda do juiz e foi rabugento para o vestiário masculino. Cho o olhou com desprezo e também tratou de ir juntar suas coisas para ir embora. Ela percebeu que a Academia de Dumbledore não era mesmo o seu lugar. Os dois passaram pelo treinador, sem nem agradecer, sem dizer nada. Dumbledore apenas suspirou e disse “É a vida.”
Harry, agora com os óculos e com as luvas tiradas, não deixou de notar que Dino e Cho passaram pela porta. E naquele instante, ele percebeu que tinha mais uma pessoa perto de Dumbledore: Lupin! O jovem vencedor saiu dos braços dos amigos e foi correndo se encontrar com o amigo que possibilitou essa virada na sua vida. Lupin segurava um celular. Ele aparentemente filmou tudo. Dumbledore se aproximou e disse.
— Então, estava aí o tempo todo, Remo?
— Pois é… Eu não podia deixar de registrar esse momento! – respondeu o ex-boxeador.
— Eu agradeço pelo que fez para o Harry. – disse Dumbledore. – Essa parte da visão ruim estava além de mim.
— Deixo ele em suas mãos agora. – disse Lupin, sorrindo.
Harry chegou correndo, finalmente. Os outros observavam de longe. O garoto de óculos ofegou um pouco, depois olhou feliz e disse:
— Lupin! Você estava aí filmando o tempo todo? Gostou da luta?
— Foi espetacular, Harry! – respondeu Lupin, com seu sorriso malandro. – Era óbvio que você ia vencer. Eu só vim para registrar.
— Vai ter que me mandar esse vídeo, Lupin! – disse Harry. – Eu prometi que enviaria um vídeo da luta para um amigo da escola…
— Mando sim! A propósito… Vim me despedir.
Harry piscou surpreso quando ele disse aquilo, e com toda aquela naturalidade.
— D-Despedir? Como assim, Lupin?!
— Consegui um trabalho em Glasgow. Na verdade, já tem uns dias que fui chamado. Um programa comunitário de jovens em situação de risco. Luta, disciplina… aquela coisa toda. Decidi ir embora e colocar as coisas que aprendi a serviço dos outros.
— G-Glasgow…? – Harry estava surpreso.
Lupin o olhou com um pouco de ternura e muito de orgulho.
— Você não precisa mais de mim! Aprendeu tudo o que eu ensinei com dedicação, com empenho e coragem. Agora que superou a sua limitação, Dumbledore vai te transformar num campeão! Harry, você vai ser o melhor que esse esporte já viu. Só não esquece o que a Luna te ensinou: não procure vencer pra agradar outros, procure vencer porque vencedor é o que você é! E lembre-se: Não existe o ontem…
— ... Não existe o amanhã… Só o agora. – Harry sorriu e apertou a mão de Lupin. – Muito obrigado por tudo, “Lobo de Liverpool”, nunca vou te esquecer. Você me deu as presas que agora tenho para lutar no ringue.
— A gente ainda se encontra, garoto! – disse Lupin, sorridente. – Vou deixar o leão cuidando da selva agora, mas os lobos?… Quando você menos espera… eles voltam!
Os dois trocaram um sorriso como se uma promessa silenciosa se formasse. Lupin também apertou a mão de Dumbledore e foi abrindo a porta para sair… quando se lembrou de dizer algo.
— Mais uma coisa… – ele foi falando ao olhar para Luna, que aguardava Harry no salão. – Eu te disse que mulheres enfraquecem as pernas… Mas no seu caso… Acho que aquela garota te fortalece todo!
Harry deu um sorriso sem jeito. Lupin finalmente fez um joia com a mão e depois se foi. O garoto de óculos olhou para Dumbledore. O técnico sorria, como se um futuro brilhante estivesse prestes a se desenrolar a partir de agora.
Depois disso, ele voltou para o salão e foi até Luna. Ela se aproximou com timidez, mas em vez de dizer algo, abraçou Harry. Isso arrancou olhares surpresos e até sorrisos dos outros. Harry foi ficando corado com o gesto, mas correspondeu ao abraço, sentindo as mãos enfaixadas nos longos cabelos loiros de Luna. Ela foi dizendo:
— Eu te disse, não disse? Leão do Ringue… Eu gostei do nome. Eu sabia, Harry… Eles só precisavam te ouvir rugir. Parabéns por vencer… o seu eu anterior.
— Obrigado, Luna… Obrigado… – Harry respondeu. Ele não precisava elaborar. Ela sabia que ele estava agradecendo por tudo.
— É… Quem disse que essa luta era sem premiação? – disse Rony, dando um largo sorriso.
Hermione olhava para os dois abraçados com um sorriso carregado de ternura. Ela disse para Angelina:
— Foram feitos um para o outro. Dá pra sentir.
— Indiscutivelmente… – respondeu Angelina, com as mãos à cintura.
Harry olhava para os amigos e dava um sorriso cheio de dentes, cheio de esperança, de motivação. Aquela vida… Aquela vida incrível estava apenas começando!
Continua…
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