Harry Potter - E Os Prisioneiros De Azkaban
19 Sirius Black Apaixonado
Notas iniciais
OBS:OUÇAM A MUSICA
Não foi dita uma só palavra entre Sirius e eu enquanto regressávamos ao hotel em sua moto. Eu conseguia ouvir apenas o barulho do motor, a viseira do meu capacete batendo contra o vento, o próprio zumbindo dele nas minhas orelhas assim como o som dos outros automóveis que passavam por nós. Por alguma razão, Sirius permaneceu calado o caminho inteiro com o olhar fixo na estrada e com as duas mãos no guidão da moto enquanto eu estava abraçada a ele com meu peito encostado as suas costas. Descemos da motocicleta em frente ao hotel, Sirius subiu comigo mesmo permanecendo naquele silencio incomodo. Não sei exatamente o que deu na gente naquele momento, mas depois que voltamos da viagem no tempo – Se é que dá pra chamar assim – Esse silencio surgiu entre nós, como se precisássemos dizer algo um ao outro, mas não conseguíssemos. Quando entramos no meu quarto, Sirius me olhou de um jeito sério com um olhar profundo enquanto passava pela porta e depois se dirigia rumo a mesa do cômodo.
– Eu vou trocar de roupa... –eu me manifestei.
– Tudo bem. –ele respondeu em um tom tão sério que era estranho vê-lo daquele jeito.
– Não demoro... –continuei enquanto ele andava ao redor da mesa. – Fica a vontade.
Peguei algumas roupas do armário e me dirigi ao banheiro, quando já estava vestida eu abri a porta e sem sair do banheiro tentei dizer algo a Sirius, e quebrar aquele gelo todo que eu não sabia por que havia se estabelecido entre agente. Comecei falando do Draco, de como tudo havia dado certo, disse o quanto estava feliz por ter conseguido ajudá-lo a sair daquele lugar, e que esperava que ele estivesse bem. Estava tão ansiosa para rever Draco que quando comecei a falar sobre ele não parei mais. Queria muito estar com ele, saber como ele estava se sentindo, abraçar Draco, passar um tempo ao seu lado mostrando a ele que ele não estava sozinho, que podia contar comigo. Havia estado com ele a menos de uma hora, mas já sentia sua falta, deseja muito ver como ele estava nos nossos dias – Isso é estranho – Embora tenha se passado menos de uma hora, eu sentia como se ver Draco de novo seria uma surpresa pra mim. Meu desejo era arrumar as malas de imediato e ir correndo pra Rússia ver meu irmão. Sai do banheiro com um sorriso estampado na cara secando as mãos em uma toalha pequena de rosto e disse:
– Você não imagina o quanto fez por nós Sirius... –de repente percebi que ele não estava ali. – Sirius?
Franzi a testa e andei até a sacada, mas ele não estava lá. Estranhei sua ausência, e voltei para o interior do quarto passando pela mesa onde encontrei um pergaminho e uma pena sobre a mesma. Havia algo escrito no papel e quando li entendi o que aconteceu:
– Boa sorte com o Draco! –eu li em voz alta. – Sirius Black.
Deixei o pergaminho assinado sobre a mesa e me sentei na cadeira com as mãos sobre o colo. Ele se foi... Sem me dizer nada, sem se despedir devidamente. Simplesmente desapareceu como fez todas as vezes em que nos encontramos antes. Sirius sequer me deixou agradecer tudo que ele tinha feito por mim. Talvez ele não desejasse ouvir nada, talvez ele só quisesse ir embora, talvez ele apenas quisesse se ver livre daquilo tudo já há algum tempo. – Eu não sei – A única coisa que eu sei, é que Sirius não estava ali, e por alguma razão eu sabia que ele não iria voltar. Não importava o quanto e quisesse, ele não voltaria... Então na noite seguinte eu arrumei minhas malas e me sentei à mesa com uma pena e um pergaminho em mãos. E sobre o papel eu escrevi as palavras:
Sirius
Eu não tive a oportunidade de te agradecer por tudo que você fez por mim e por Draco, mas quero que saiba que você salvou a vida dele e de certa forma me salvou também. Acho que agora pode dizer que é um verdadeiro herói Sirius Black. Eu confesso que fiquei em dúvida em te enviar este pergaminho, talvez você nem leia mas eu precisava te dizer adeus mesmo que você não tenha me dado a chance. Quero que saiba que nunca vou esquecer o que fez por nós. Graças a você meu irmão está livre e poderá talvez provar sua inocência de alguma forma. Por fim, queria que você soubesse que... Eu vou sentir sua falta. Estou indo pra Rússia esta noite. Eu não sei mais o que dizer então... Espero ver você de novo... Algum dia.
Atenciosamente Lorena Smith M.
Respirei fundo assim que terminei a carta e fechei os olhos. Eu queria dizer a Sirius o quanto precisava sentir o seu abraço, o seu cheiro de menta, ver seus olhos sempre tão vivos e brilhantes, ouvir o som da voz dele. Tudo do que eu sentiria falta assim que fosse embora. Mas achei que tudo que havia dito naquela carta era o suficiente, nem mais, nem menos. Dobrei o pedaço de pergaminho e coloquei dentro de um envelope simples lacrando-a com cera de vela vermelha, e usando meu carimbo pessoal com as minhas iniciais – Presente de Helena.
Chamei Nephertite para que ela levasse a carta até o endereço da velha cabana onde encontrei Sirius, e torci para que ele ainda estivesse lá e recebesse minha carta. Amarrei o envelope nas patinhas da coruja e a deixei ir. Enquanto isso eu sai do quarto, desci as escadas e atravessei pelo hall da entrada pegando um táxi que me levou até o aeroporto. Como sempre, eu não pretendia aparatar por que isso sempre me deixava desconfortável, exceto quando estava com Sirius. Era engraçado de se pensar que a única pessoa com quem me sentia segura e confiante o suficiente para me convencer a fazer uma coisa que eu odiava, era Sirius Black. O fugitivo, o assassino, o traidor, o cachorro... – Sorri – Antes de passar pelos portões de embarque eu voltei meus olhos para trás esperando que Sirius aparecesse ao menos para me dizer adeus. Por um momento eu vi o topo da cabeça de alguém, cabelos lisos sacudindo conforme este corria, mas assim que vi seu rosto percebi que se tratava apenas de um trouxa indo ao encontro de sua namorada. Ao ver a garota sorrindo nos braços do namorado eu senti meus olhos ficarem úmidos. Tudo que eu desejava era ter Sirius diante de mim me tocando do mesmo jeito que aquele trouxa estava tocando a garota.
– Sirius... –eu disse baixinho. – Adeus Sirius...
Girei sobre meus pés e então entrei pelo corredor de embarque logo indo para o avião onde tomei meu acento e esperei. Ouvi as ultimas instruções das aeromoças, depois ouvi a voz do comandante pelo interfone avisando que estávamos partindo. Olhei pela janela ao meu lado vendo o asfalto se afastando e sentindo a aeronave erguendo seu corpo do solo. Não demorou muito para estarmos no ar. Fechei a cortina da minha pequena janela e fechei meus olhos recostando minha cabeça para trás colocando os fones de ouvido presos a poltrona a frente em meus ouvidos enquanto escolhia uma música agradável e deixava esta me distrair.
Shell Suite — Chad Valley
http://www.youtube.com/watch?v=ty1KJuG0i_k
POV Sirius Black
Tive uma noite como outra qualquer, apenas sentado em um bar bebendo cerveja trouxa sem trocar uma só palavra com alguém. Pessoas entravam e saiam daquele estabelecimento rindo, estivessem estes sozinhos ou acompanhados – Não importava – Estavam bem. Quanto a mim... Bem, eu estava bem. Pelo menos acreditava nisso e fazia um esforço para continuar acreditando. Mesmo assim não conseguia tirar aquele pensamento incomodo da minha cabeça. Ter escapado do quarto de hotel de Lorena sem ao menos dizer por que precisava ir embora. – Por que mesmo eu precisei ir embora? – Eu simplesmente não sei o que deu em mim, nunca fui do tipo que se importa. – Por que começar agora? – Bebi outro gole da minha cerveja no bico da garrafa enquanto franzia a testa e me olhava pelo reflexo do espelho. Havia algo diferente ali diante dos meus olhos, não era o mesmo Sirius de antes. O cara desinteressado que supera qualquer parada, que esquece fácil, que ignora problemas e vai em frente. Não mais, aquele era um cara diferente, um homem diferente. Tinha algo no seu olhar, algo difícil de descrever, mas que fazia toda a diferença. Meus instintos foram chamados á outra direção quando senti aquele perfume... Fechei meus olhos e puxei todo ar que podia pra ter certeza, era o cheiro dela. Voltei meu rosto na direção daquela porta e esperei ver Lorena passando por ela, mas o que vi alguns segundos depois foi uma mulher que devia ter aproximadamente trinta anos vestida, de vermelho. Tinha belas curvas, um andar sensual e olhos marcantes. Ela caminhou na minha direção e então seus olhos cruzaram os meus. Notei um sorriso discreto nos lábios dela, e baixei a face na direção do balcão depois voltei a olhar a mulher pelas costas. Ela era realmente muito bonita e atraente, em qualquer outra ocasião eu me levantaria, pegaria uma bebida e andaria até a mesa onde ele havia se sentado. Oferecia-lhe a bebida mostrando meu melhor sorriso e depois diria qualquer bobagem sobre minha ótima companhia. Ela provavelmente acharia divertido e aceitaria a bebida, depois de um tempo conversando ela me convidaria pra ir até sua casa, ou apartamento e minha noite estaria completa. Porém o máximo que tive a capacidade de fazer foi erguer minha garrafa e mostrar um sorriso apático a ela de onde estava e depois de receber o seu lindo sorriso como resposta eu encarei o garçom, tirei umas notas do bolso da jaqueta de couro e deixei sobre o balcão. Depois disso me levantei e sai do bar voltando a pé pra casa sem pretensão alguma, apenas admirando o céu estrelado e pensando – No que, ou em quem exatamente? – Ah essa é uma pergunta capciosa. – Nela, com certeza... A doce Lori.
Sacudi a cabeça pensando no dia em que nos esbarramos nos banheiros de Hogwarts. Ela com sua roupa ensopada tentando evitar que eu a olhasse – E teria como? – Graciosamente me xingando com algumas ofensas pessoais, que eu particularmente havia gostado de ouvir da boca dela. A noite em que senti seu cheiro pela primeira vez nos corredores escuros assim que escapei de Azkaban embriagando minhas narinas. Na época acreditei que poderia ser o cheiro de qualquer mulher – depois de todo o tempo que passei naquela prisão fedorenta o menor resquício de perfume feminino me deixaria louco – Mas duvido que tenha sido apenas isso com Lorena. Parei no meio do caminho enquanto ouvia latidos de cães vindos do outro lado da cidade – Sim, eu podia ouvi-los muito bem, eu era um deles – Novamente enquanto sorria pelo som agradável e peculiarmente familiar daqueles animais, um pensamento povoou minha cabeça – Ah sim, ela de novo – O corpo dela tão pequeno perto do meu, nós dois deitados um abaixo do outro – Ela abaixo de mim – Meu corpo prensando o dela naquela cama macia, enquanto eu podia sentir o desejo dela por mim. O rumo que minhas mãos tomaram pelo seu corpo delicado e suave, sua pele cheirosa e branquinha como de uma boneca. Confesso que esses pensamentos me fizeram desejar sentir seu perfume mais uma vez, quase dei meia volta e voltei aquele bar apenas para ficar alguns minutos com aquela mulher para poder sentir o perfume de Lorena no corpo dela. Mas a quem eu queria enganar? Nada adiantaria, já que era o corpo da loira que eu queria.
– Todos esses anos nessa vida desregrada e solitária! –disse a mim mesmo enquanto caminhava com as mãos nos bolsos. – Você costumava gostar disso almofadinhas! –sacudi a cabeça rindo de mim mesmo. – Ter a mulher que quisesse a hora que quisesse. Uma noite era o bastante... Mas você quebrou sua principal regra, amigo! –ergui meus olhos fitando a lua. – Se apaixonou...
É essas palavras saíram da minha boca! Sirius Black admitindo estar apaixonado por uma garota com quase metade da sua idade. Isso chegava a ser ridículo! Eu mesmo não acreditaria em mim se não tivesse vivido isso. Mas essa era a verdade... Eu estava apaixonado pela loirinha – Aquela vampirinha loira te pegou de jeito seu filho da mãe – Porém, do que isso adiantava afinal? Aquele coraçãozinho quente batia por um moleque da idade do meu afilhado. – Certo, sem exageros, Draco não é nenhuma criança, e eu também não sou tão velho assim – Mas no caso! Lorena estava com ele, e isso ficou obvio pra mim quando os vi abraçados. Eu não seria estúpido de ficar e atrapalhar tudo como fiz com James e Lilly uma vez. De certa forma foi culpa minha que a vida deles tenha sido interrompida como foi. Não faria isso com Lorena. Esta era minha vida. O solitário Sirius Black... O arroz de festa! Meus pensamentos me levaram ao longo do caminho até que estava diante do portão da cabana. Pra minha surpresa havia uma coruja cinza pousada na beira da grade segurando uma carta em suas patas. Aproximei-me para ver de quem era sem reconhecer a coruja. Para o meu infortúnio a danada me bicou:
– Hey! –resmunguei levando o dedo machucado a boca. – Tenha modos!
Com cuidado para a bichinha não me bicar de novo eu desamarrei a carta de suas patas enquanto a olhava apreensivo. A mesma sacudiu as asas fazendo um som estranho de coruja, e depois saiu voando. Entrei em casa abrindo o envelope. Não tive tempo nem de ir até a poltrona e descer pelo elevador as palavras escritas ali me fizeram girar sobre meus pés e dar meia volta. Corri até a garagem retirei o tecido de couro de sobre a moto e imediatamente dei a partida na mesma saindo feito um louco pelas ruas.
– Irmão! –eu ri enquanto voava naquelas rodas. – Eles são irmãos! Idiota... Você é um grande idiota Sirius Black...
Infelizmente quando cheguei ao hotel fui informado de que ela já havia partido, então corri até o aeroporto, mas ao chegar ao saguão não encontrei nem sinal de Lori. Resmunguei, xinguei, chutei o chão e acho até que soltei uns latidos sem querer. – merda! – O avião dela tinha acabado de partir...
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