Harry Potter - E Os Prisioneiros De Azkaban
10 Cão Negro
Encontrei uma velha casa em uma vila humilde de Paris, que parecia estar abandonada. O mesmo endereço dado por Potter em sua correspondência, algumas semanas antes. Mas mesmo não parecendo ter nenhuma alma viva naquele lugar, eu decidi entrar e verificar, para o caso de Sirius ter deixado algo para trás que me levasse até seu paradeiro atual. O interior da casa estava uma verdadeira bagunça, cheia de móveis velhos quebrados e espalhados pelo piso, objetos virados em cacos, quadros virados, e a escuridão por falta de lâmpadas inteiras se fazia presente. Após vasculhar algumas gavetas, depois de uns minutos ali dentro, eu ouvi algo se aproximar. Virei-me e me deparei com um cão de pelo escuro passando pela porta em passos lentos, enquanto me encarava com seus grandes olhos. Assustada, eu esbarrei em um móvel e estendi minha varinha, temendo que aquele animal fosse perigoso. Arregalei meus olhos como se assim pudesse ter uma noção maior do que estava acontecendo, então o animal parou e fechou os olhos, aos poucos sua aparência foi mudando e sua pele ficou clara, mostrando-se assim, a fisionomia de um homem. Era Sirius Black, eu deveria ter me lembrando da sua forma animaga.
_Como vai Lori? _disse ele me encarando.
_Muito bem Black... _tentei manter meus olhos na linha dos seus já que ele estava completamente nu do pescoço para baixo.
_Posso saber por que invadiu minha casa?
_Chama isso de casa? _olhei ao redor tentando evitar olhar pra ele.
_Dá pra viver! _percebi que ele sorriu. _Então, por que veio?
_Se incomoda de vestir alguma coisa antes de continuarmos essa conversa? _eu estava muito constrangida.
_Ah, me desculpe por isso! _ele olhou para si mesmo. _Cães não usam roupas!
_Eu percebi... _revirei os olhos.
Sirius se afastou, apanhou um casaco longo que estava pendurado dentro de um armário, atrás de uma porta abaixo de uma escada, e o vestiu. Depois ele andu até uma poltrona no canto daquela sala e sentou-se.
_Sou todo ouvidos! _disse ele.
_Primeiro obrigado por me convidar a sentar, e segundo, eu agradeço a preocupação, mas não quero beber nada, obrigado! _estava sendo irônica.
_Desculpa minha falta de cavalheirismo, mas como pode ver, não há muito que eu possa lhe oferecer! _ele ergueu as duas mãos.
_Vive mesmo aqui? _franzi a testa.
_Não exatamente! Um nível abaixo! _ele apontou o indicador para o chão.
_Entendi isso é so fachada!
_Sim! Serve pra despistar visitantes indesejados...
_Se incomoda se conversarmos em um lugar mais... Agradável?
_Claro! Vem cá...
Eu dei alguns passos, e parei então ele sorriu e fez sinal com o dedo indicador me chamando para dar mais alguns passos a frente, então andei até ficar um pouco mais próxima e ele disse:
_Vamos lá, um pouco mais perto!
Assim o fiz, chegando um pouco mais perto dele, e de sua poltrona, então Sirius me puxou pela mão me fazendo tomar um susto e cair sentada em seu colo. Depois ele riu e puxou uma alavanca escondida atrás da poltrona, que nos fez descer em um tipo de elevador até o nível abaixo da casa. Quando a porta da segunda casa se abriu, pude ver um lugar iluminado, e bem organizado com moveis inteiros e bastante limpo.
_Já pode descer se quiser! _o encarei. _Ou pode ficar onde está! _ele sorriu com um ar malicioso que me causou uma vontade enorme de beijá-lo. _É indiferente pra mim!
Levantei-me bruscamente antes que desse ouvidos aos meus pensamentos malucos e então entrei no cômodo arrumadinho. Caminhei até estar perto de uma parede coberta por papel de parede escuro e um quadro grande de uma bela mulher, com expressão um pouco zangada.
_Minha mãe! _disse ele. _Não ligue para a expressão no seu rosto, ela era uma mulher incrível, mas um pouco temperamental! Por assim dizer...
_Ela era da Sonserina não era? _me virei e o encarei.
_Assim como o resto da família... Ficou bastante irritada quando eu optei pela Grifinória!
_Imagino!
_Vai me dizer qual o motivo da visita? _ele cruzou os braços e encostou-se a um sofá. _Não espera! Deixa-me adivinhar... _ele fingiu que estava pensando. _Sentiu saudades!
_Vai sonhando... _me afastei do retrato e andei até o centro da sala. _Meu interesse por você é puramente profissional... _cruzei meus pulsos em frente ao colo.
_Eu ainda não estou cobrando! _ele se virou com um sorriso canalha no rosto e andou até onde eu estava.
_Nossa você é muito engraçado! Realmente muito engraçado! _franzi a testa. _Poderia trabalhar no circo... Será que podemos ter uma conversa adulta senhor Black?
_E onde fica a diversão nisso? _ele deu mais alguns passos na minha direção.
_O assunto a que vim tratar com você é de extrema seriedade e importância... Agradeceria se levasse a sério... _olhei firmemente nos seus olhos.
_Uh! É tão sério assim? _Black cruzou os braços estando bem diante de mim.
_Bastante...
_Então vá direto ao ponto! Fiquei curioso... O que pode ter feito você me procurar depois de tanto tempo?
_Tenho uma proposta para lhe fazer... _me afastei evitando ficar por muito tempo perto dele, ou acabaria pendurada em seu pescoço longo.
_Espero que seja algo indecente e intimo. _seu tom de deboche me irritava.
_Você e suas piadas não tem limite não é? _me virei e o encarei.
_Tudo bem... _ele riu. _Prossiga!
_Deve saber que depois da vitoria de Harry sobre Voldemort, o ministério se encarregou de enviar alguns bruxos para Azkaban. E entre eles existe um em particular que me interessa... Draco Malfoy...
_Ah eu soube... Embora estivesse um pouco, incapacitado nos últimos, dois anos, eu tive noticias do ocorrido. Acusado de participar do assassinato de Dumbledore certo?
_Exato. E você já tendo escapado de Azkaban uma vez, imaginei que pudesse me ajudar a resgatar meu... _ninguém jamais soube que Draco era meu irmão. _Draco.
_Quer que eu ajude Draco Malfoy a fugir de Azkaban? _dessa vez ele ficou sério. _Você sabe que o pai dele Lucius Malfoy, tentou me matar não sabe?
_Sim, eu sei. Mas o que você tem contra Draco?
_O sobrenome do garoto por si só, já é um bom motivo para eu detestá-lo... _disse isso se afastando.
_Tudo bem, seu orgulho te impede. Então faça isso pelo dinheiro... _ele me encarou. _Eu pago o quanto precisar! _certo o dinheiro não era bem meu, seria um empréstimo de Helena.
_Não. _disse firme. _Procure outra pessoa. Não estou disposto a me arriscar por um Malfoy.
_Ninguém mais pode Sirius... _já estava prestes a implorar. _Você é o único que conheço e que confio...
_Ninguém escapa de Azkaban. Meu caso foi pura sorte... _ele sentou-se em cima do braço do sofá. _Além do mais, eu ainda sou um fugitivo procurado. Sinto muito... Se tiver outra coisa que eu possa fazer por você?
_Não há nada que possa fazer por mim... _baixei o rosto ficando decepcionada.
_Eu sinto muito Lorena...
POVs Sirius Black
Era certo de fato que aceitar a ideia de me aproximar de Azkaban outra vez, seria além de uma loucura tremenda uma idiotice da minha parte. Mesmo percebendo o quanto aquilo devia ser importante para Lorena, o que eu não entendia afinal que tipo de vinculo poderia existir entre aqueles dois para que ela fosse à única interessada em resgatar o Malfoy de Azkaban? Porém, a expressão triste e decepcionante na face dela, não me deixou feliz. Ao contrário, eu pude reparar que suas esperanças estavam depositadas em mim. Ela realmente acreditava que eu poderia ajudar, mas como?
_Obrigado por me receber Black... _ela disse com um ar tristonho. _Eu tenho que ir agora.
Lorena se afastou e andou rumo à porta, do elevador. Então subitamente tomei uma decisão e a chamei antes eu ela se fosse.
_Lori? _ela parou e me olhou. _De quanto estamos falando?
Eu não ligava para o dinheiro, embora não pudesse negar que em minha situação atual, um pouco ajudaria. Mas... O olhar daquela garota mexeu comigo, e me fez tomar essa decisão impulsiva.
_Quanto você precisa? _disse ela com um ar de esperança.
_Vamos falar sobre isso depois...
_Então você aceita?
_Vamos avaliar as possibilidades ok? Não vou prometer nada a você... Por hora.
_Tudo bem! _ela sorriu e isso me deixou contente, por algum motivo.
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