Harry Potter - E Os Prisioneiros De Azkaban
6 A Ordem da Fênix
Notas iniciais
Dolores Umbridge começou a desconfiar de tudo e de todos naquela escola, e passou a estipular milhares de regras ridículas que deveriam ser seguidas com direito a punição severa para aqueles que desobedecessem. Eu odiei estar em Hogwarts pela primeira vez naquele ano. Sabia que a culpa de todos estarmos passando por aquilo, era de Harry. Talvez se ele tivesse mantido a boca fechada, o ministro não teria enviado aquela mulher para nossa escola. Draco por outro lado estava contente com a presença dela. Ele nunca gostou de Dumbledore pelo mesmo estar sempre defendendo Harry, mas eu odiava aquela vaca e suas regras absurdas cada dia que passava. Os grupos foram proibidos, o que me fez voltar a ter que andar sozinha por aqueles corredores, já que minhas amigas obedeciam cada regrinha da professora. Ah é, já ia esquecendo, não demorou muito para aquela mulherzinha filha de uma vaca, se tornar a Alta Inquisidora de Hogwarts, e começar a expulsar alguns dos professores.
Certa vez antes das aulas de defesa contra as artes das trevas, eu estava diante da sala vendo Filch pendurado em uma escada velha, pregando mais uma das inúmeras placas com mais uma regra idiota. Dessa vez era sobre alunos e alunas manterem certa distancia um do outro. Ou seja, para os casais da escola, era permanentemente proibida qualquer demonstração de carinho e afeto nos corredores, e fora deles também.
_Cara como eu odeio essa mulher... _resmunguei enquanto conversava com Sammy.
_E agora? Como você e o Draco vão fazer pra ficar juntos? _perguntou ela enquanto nos afastávamos pelo corredor.
_Agente se vira, não to preocupada com isso.
Pois é, um ano depois e todos ainda achavam que Draco e eu éramos namorados. Às vezes era engraçado, e eu gostava da ideia, afinal ninguém mexia comigo achando que Draco faria um barraco por minha causa, mas na maioria das vezes era chato, por que eu queria um namorado de verdade afinal, mas nenhum garoto se aproximaria de mim achando que o Draco era meu namorado. Draco não contou a verdade nem pros seus melhores amigos, se é que dava pra dizer que aqueles garotos eram amigos de alguém. O problema foi que naquele ano, por algum motivo eu comecei a achar Gregory Goyle interessante, e às vezes até demonstrava meu interesse quando estávamos sozinhos, mas o idiota morria de medo que Draco descobrisse e desse uma surra nele, por estar supostamente dando em cima do que era dele.
_Então Greg? _disse a ele enquanto caminhávamos pelo corredor. _O que vai fazer depois da aula?
_Eu não sei Lori... _disse ele me encarando. _Talvez jogar um pouco com Malfoy e com o Vincent. Por quê?
_Não quer ir a um lugar comigo? _segurei no braço dele tentando mostrar minhas intenções.
_Ah, Lori... _ele se afastou e soltou meu braço. _A professora Umbridge pode ver agente assim e pensar coisas.
_Ta com medo da professora ou do Draco? _franzi a testa.
_Você é namorada dele, ele não ia gostar de nos ver assim... Tão próximos.
_Nós não estamos próximos. Graças a você ser um imbecil... _me irritei.
_Olha Lori, você é legal, e bonita também, mas... É namorada do Malfoy e ele já disse pra gente ficar longe de você...
_Como e que é? ”tipo WTF”
_É, você é namorada dele agora, então...
_Não acredito... _fiquei boque aberta diante de tal informação.
Simplesmente me virei indignada deixando aquele paspalho ali e corri pelo corredor a procura do meu irmãozinho disposta a acabar com aquela palhaçada de vez. Aquilo já estava indo longe demais. O encontrei minutos depois conversando com Pansy Parkinson cheio de sorrisos, e intimidades. Parei a alguns passos deles e cruzei os braços pigarreando.
_Ah, oi Lori! _disse a garota mexendo nos cabelos.
_O que você quer? _disse Draco.
_Falar com você, dá pra ser?
_To ocupado, volta depois... _ele se virou pra mim e voltou a falar com a Pansy.
_Ah não meu amorzinho, agora... _andei até ele e puxei-o pelo braço arrastando ele para longe da garota.
_O que tá fazendo? Não ta vendo que eu to conversando? _disse cheio de razão.
_To pouco me importando, quer dizer que voce pode andar por ai dando em cima de tudo que se mexe e eu tenho que me contentar em ser a sua namoradinha de mentira? _dizia eu em um tom agressivo, mas contido.
_Quer mesmo ter essa conversa de novo? _disse ele apertando meu braço e ficando face a face comigo.
_Termina comigo Draco, já tá mais do que na hora...
_Não vou terminar com você...
_Isso não ta te atrapalhando com as garotas? Olha só, se terminar comigo, nós dois ficamos livres, voce pode ficar com a Pansy e eu com quem eu quiser...
_Não vou terminar com você, já disse... _ele se virou e começou a andar.
_Draco! _corri e o alcancei. _Por que não quer terminar comigo? Já passou um ano, não precisa mais fingir, todo mundo já sabe que não somos irmãos. Quer dizer, eles estão convencidos disso, ninguém mais acredita nessa possibilidade...
_Não... _ele desviou de mim, mas eu o agarrei pelos dois braços.
_Por quê? _eu não tava entendo.
_Eu sei que você tá louca pra terminar só pra poder ficar com o idiota do Gregory, não vai rolar... _ele me encarou nos olhos parecendo bravo.
_Espera ai... _eu acabei rindo. _Você tá com ciúmes Malfoy?
_Que Mané ciúmes... _ele torceu a boca.
_Tá sim! Por isso não quer terminar comigo, tá com ciúmes...
_Você ta sendo ridícula...
_Draco... _apesar de achar bonitinho eu precisava ficar solteira. _Por favor! Vamos terminar?
_Que saco garota! _disse aos berros chamando atenção da Pansy.
_Agente pode fazer isso agora... _eu sorri com ar de cumplicidade vendo alguns alunos se aproximando. _Se voce concordar...
_Tá legal quer saber? _ele seguiu aos berros dando inicio ao nosso teatro. _Faça o que você quiser... Eu to me lixando pra voce sua idiota...
_Obrigado! _eu disse baixinho. _Draco, voce é mesmo um imbecil. _fingi estar irritada com ele. _Eu odeio voce, como pode ser tão estúpido? Eu nunca mais quero te ver garoto...
_Ah que ótimo, por que eu tambem não quero mais olhar pra sua cara. Não sei onde eu tava com a cabeça quando me meti com uma sangue ruim como voce...
_Fica longe de mim seu frouxo... _me virei e sai correndo terminando com chave de ouro nossa pequena encenação.
Passei por todo mundo como se fosse soltar fogos pela boca, e avancei pelo corredor, até estar sozinha. Mudei minha expressão irritada e sorri.
_Valeu irmãozinho! Te amo! _disse comemorando particularmente.
Finalmente eu estava livre, céus! Poderia então convencer aquele frouxo do Gregory a me dar uma chance. E tiraria enfim minha barriga da miséria, dando meu tão sonhado beijo naquele gatinho. Não que eu fosse BV, ou coisa parecida, mas, desde que Draco teve a brilhante ideia de me beijar na frente de todos no quarto ano, eu diria que minha vida amorosa virou uma tragédia, ninguém queria me beijar com medo do Draco, mas finalmente eu poderia beijar alguém. Estava tão ansiosa que poderia atacar o Gregory caso o encontrasse e tascar-lhe um tremendo desentupidor de pia na frente de todo mundo, mesmo correndo o risco de ser levada a sala da megera, digo Umbridge e ser devidamente punida por aquilo. Dane-se, eu aguentaria por um beijinho daquele gostoso do Goyle! Fiquei tão avoada com as inúmeras ideias de como eu faria para agarrar aquele gostoso que até perdi a noção de para onde estava indo, acabei esbarrado com um dos gêmeos Weasley, acho que era o Fred, ou talvez o Jorge, sei lá, eles eram iguais. O que eu sei é que ele carregava uma caixa com doces, e derrubou uma delas em cima de mim, sujando meu uniforme com alguma coisa gosmenta que mudava de cor todo o tempo.
_Olha só o que voce fez seu idiota! _xinguei querendo lhe meter a mão.
_Ah essa não Jorge! _disse o outro gêmeo, afinal eles pareciam siameses não se separavam nunca. _Olha o desperdício!
_Foi mal Fred, mas a doninha fêmea se atravessou no meu caminho! _ele debochou.
_Doninha fêmea é a senhora sua avó seu paspalho. _respondi franzindo a testa. _Só podia ser um Weasley mesmo... Babaca.
_Ih, que estressadinha! _disse um deles que eu já nem sabia mais quem era quem.
_Acho que essa aí precisa de uma poção pra ter bom humor! _os dois deram de palmas.
_Fiquem aí falando idiotices seus idiotas, agora tenho que limpar essa nojeira, antes que a megera, digo Umbridge me pegue. _passei por entre os dois e segui em frente. _É bom essa porcaria sair da minha roupa, ou eu mato vocês dois... _berrei.
_Boa sorte! _disseram ambos juntos.
Saí às pressas rumo ao segundo andar até o banheiro da murta antes que a Inquisidora me encontrasse e me desse outra bronca. Não estava a fim de ouvir aquela chata nos meus ouvidos, e ia acabar lhe enfiando a varinha naquele lugar. Se bem que era bem capaz de ela gostar, por que aposto que aquele mau humor, e azedume todo dela, era falta de homem. Acabei rindo do meu pensamento, e segui adiante. Entrei no banheiro que era pouco usado, já que estava praticamente interditado, e fui logo retirando a parte de cima do meu uniforme e jogando-o sobre a pia e ligando a torneira.
_Juro que se isso não sair da minha roupa eu mato aqueles paspalhos de cabelo de fogo. _resmungava enquanto arrumava meu suéter. _Ah, mas que droga! _notei que minha camisete branca tambem estava suja.
O pior de tudo era que aquela gosma colorida começava a se espalhar rapidamente pela minha blusa, como se fossem bichinhos minúsculos devorando o tecido, sem devorá-lo de verdade, apenas tomando conta do pano todo.
_Não, não! _reclamei. _Mas que merda... Isso não tá acontecendo...
Imediatamente joguei meu suéter dentro da pia já cheia e comecei a abrir os botões da minha blusa pra jogar ela na água tambem. Retirei a mesma, e enfiei-a na outra pia, para não manchar com a cor do suéter preto. Certa vez ajudei minha mãe a lavar roupa, o que não foi uma boa ideia, já que joguei tudo de uma vez na maquina, e acabei estragando toda a roupa. Lembrando-me disso, decidi colocar as roupas em pias distintas. Fiquei apenas com minha calça jeans preta, super justa e de sutiã da mesma cor. Preto era mesmo minha cor favorita. Quando fiquei em silencio apenas esfregando minha blusa debaixo da água, acabei ouvindo um barulho que veio do canto do ultimo banheiro. Virei rapidamente o rosto para a direção e disse:
_Murta? É você? _esperei que ela fosse aparecer logo com alguma piadinha mórbida, mas nada.
Franzi a testa e então voltei ao que estava fazendo ate que minutos depois ouvi novamente o mesmo barulho, e parecia ser de alguém pisando sobre os sanitários. O som era de sapatos escorregando na louça. Então retirei minha varinha do bolso e me afastei das pias caminhando devagar na direção do ultimo banheiro esticando o braço à frente com minha varinha em punho...
_Quem tá ai? _me aproximei corajosamente. _Se mostre...
Apenas o silencio se fazia presente, mas eu sabia que não estava sozinha então:
_Anda logo, é melhor aparecer ou eu...
De repente vi uma mão segurar a beirada da porta e logo dois pares de sapatos pretos foram postos no chão. O presente deu um passo a frente, se mostrando de corpo inteiro, então excitei em dar mais um passo, e parei me sentindo surpresa e disse:
_Você?
...
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