Harry Potter E A Filha De Voldemort.
4 Chapter Three: No One Deserve To Be Alone
Notas iniciais
prometo que não demoro mais :)
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Estava chovendo e era sábado, essa é uma boa combinação, quando não se tem deveres e se pode circular pelo castelo.
Hogwarts é um lugar muito bonito, ao menos é o que eu acho. Misterioso e antigo, cheio de histórias que te fariam chorar, é depressivo, mas rústico. O meu tipo de lugar.
Eu gostava de ficar sozinha, me deixava a vontade, e também por que geralmente acho que minha presença é um peso, ou motivo de medo para as outras pessoas, você aprende a se isolar. A solidão era uma fiel amiga que nunca me deixaria, e isso me entristecia, mas não é como se precisassem saber disso.
A verdade mesmo é que por debaixo de todo esse ar de superioridade eu meio que me sentia indigna de companhia ou de amor. Me sentia tão má, por que mesmo que eu não tivesse feito nada, era como se estivesse lá... Sabe? O mal. Guardado em uma caixa dentro de mim pronto pra ser aberto a qualquer momento.
As vezes quando eu me irritava, eu imaginava. Eu poderia matar aquelas pessoas, eu tinha a magia suficiente, eu conhecia os feitiços, ninguém iria se surpreender comigo... O que me impedia de acabar com ela/ele de uma vez?
Mas eu sabia no fundo o que me impedia, o pensamento que me mantinha forte.
Eu ainda era humana.
Eu ainda tinha uma vida e eu não iria abrir mão dela. Eu sabia que a chave que destrancava a tal “caixa”, por assim dizer, era um caminho sem volta. Depois de feito não havia como voltar atrás, eu seria uma criatura poderosa e malvada, e isso era o que eu não queria que acontecesse. Eu queria me preservar, me manter o mais humana possível, e eu sei o quão ridículo isso soa, não se preocupe. Mas é só a verdade, é natural.
Dumbledore, Hagrid e Snape eram as três únicas pessoas do corpo docente de Hogwarts com quem eu simpatizava. Oh não, estou me esquecendo da enfermeira Collins, fazia um tempo que não a via. Diria que desde o último natal.
Uma vez tive que levar uns pontos, e acabamos nos dando bem, por que em tão pouco tempo ela cuidou de mim com um carinho maternal que minha mãe nunca me deu em toda a minha vida.
Quando eu passava pelo corredor central, me demorei em olhar o jardim que estava uma poça de lama, mas continuava bonito. É uma daquelas coisas que simplesmente foram feitas para serem lindas e perfeitas e acabam sendo assim.
Eu sentia frio pelo fato de não haverem janelas naquela parte do castelo, havia apenas a parede da parte de dentro e uma espécie de sacada onde deveriam ter janelas, mas a vista valia.
Me lembrava de quando eu entrei no primeiro ano, e me senti muito mal por ser odiada, de verdade.
Sentia como se eu fosse um ser poluído (ainda sinto, mas era mais intenso, eu verdadeiramente me culpava por tudo), indigno da companhia de alguém, até conhecer Tom e Ashley, e eles me fizeram sentir pela primeira vez na minha vida que eu tinha escolhas, que eu podia ser quem quisesse ser e que não devia satisfações a ninguém, a menos que quisesse dá-las.
Ashley era uma menininha curiosa e fofa, e no começo eu cheguei a pensar que eu simplesmente não merecia sua companhia, mas ela não desistiu de mim, continuou lá mesmo quando eu a expulsava, e isso me fez amá-la.
Tom sempre foi o tipo de pessoa com quem você pode contar. Ele tem mil e um defeitos, mas é um ótimo amigo, é como o irmão mais velho que eu sempre quis ter.
É como se eu tivesse uma caixa de vidro em volta de mim, e dentro dela eu faço as pessoas pensarem que eu estou bem, e que elas me conhecem mesmo que só saibam meu nome, e então existem pessoas como Tom e Ash que veem minha caixa de vidro, e tentam quebrá-la, e embora tenham machucado a si mesmos e a mim no processo, acabamos melhores amigos, e eles podem entrar na minha caixa de vidro quando quiserem.
Quando pensei nisso uma pequena lágrima escorreu no meu rosto, mas eu a limpei com a manga do meu casaco o que eu julguei ser rápido, com medo de que alguém me visse chorando. Eu não posso chorar.
-Valerie? — eu ouvi aquela voz de novo, a voz daquela pessoa que me fazia ter pensamentos absurdos e estranhos e me fazia repensar e rever todos os meus conceitos.
-Harry. — eu disse e ele veio ao meu lado e pousou uma das mãos no meu ombro de um modo protetor.
-Você está se sentindo bem? — ele perguntou me encarando de canto com aqueles olhos verdes que pareciam analisar minha alma.
-Estou, sim. — eu respondi olhando para o chão.
Uma vez Ashley me perguntou como era se sentir sem nada, e eu disse para ela que depois de um tempo eu não sentia mais nada. Mas não é como as coisas estão indo nos últimos dias, eu tenho me sentido estranha.
Como quando você está só, mas não é como você quer ficar, é claro que você quer alguém que fique do seu lado e que te mostre como as coisas vão melhorar e que elas podem ser boa, é só você querer que isso aconteça. Eu sei que isso é egoísta, por que eu tenho Ashley e Tom, mas eu queria alguém do meu lado de um jeito diferente, não como meu parente ou meu amigo.
Alguém que fosse só meu.
Mas eu nunca vou ter isso, e eu simplesmente tenho que aceitar a verdade, doloroso, porém melhor que se iludir e viver uma mentira.
-Não parece muito. Você sempre chora quando está bem? — ele perguntou agora com o braço ao redor dos meus ombros, mas eu não me incomodava com isso, os corredores estavam desertos e ninguém ia nos ver.
-Não, mas não precisa se preocupar com isso, é coisa de garota, você não entenderia. — eu disse fingindo.
-Então você está insinuando que eu não entendo do mundo feminino, queridinha? — ele disse fazendo uma voz tão gay que eu ri e ele riu logo em seguida, a minha risada é muito escandalosa, que horror.
-Acho que é a primeira vez que eu já te vi rindo. — Harry disse.
-Pois é, pra tudo existe uma primeira vez. — eu disse olhando para o jardim ainda alagado.
-Só espero que não seja a última. — ele disse e eu concordei.
Estar com Harry perto de você não é como eu imaginei que seria (não que eu fique por aí imaginando como seria estar perto dele). Ele pode até ser uma pessoa legal, e ele se importa com os outros, mesmo que o outros no caso divida casa e DNA com o assassino dos pais dele.
-Já se arrependeu de alguma coisa que você fez? — perguntei pra ele com os olhos fixos na chuva, eu não ousaria desviar.
-Já, todo mundo se arrepende de alguma coisa que fez ou deixou de fazer, isso se chama vida. Ela é apenas o resumo das coisas que fazemos, das que queremos fazer e das que não fizemos. — ele respondeu dando de ombros no final e eu me prendi á aquelas palavras, as gravando mentalmente para quando precisasse de uma resposta sobre a vida mais tarde, por que gostei delas simplesmente.
-E você? — ele perguntou aparentemente também focado na chuva.
-Eu o que? — perguntei.
-Você se arrepende de algo que tenha feito? — ele disse.
-Mais ou menos. Me arrependo sim de algumas, mas não de todas, mesmo das ruins. Eu acho que o que você faz define quem você é, tanto as coisas certas como as erradas. Também não me arrependo do que eu deixei de fazer, por que eu sei que se eu não tive certeza eu não deveria ter feito. — eu disse e ele sorriu.
-Ás vezes se arriscar vale a pena. — ele disse,
-Não no meu caso, eu tenho certeza ou eu não faço, é mais seguro. — eu disse dando de ombros.
-Tudo bem, mas quem não arrisca também não petisca. — ele disse sorrindo de forma sugestiva, ou é coisa da minha cabeça.
-Você já sentiu que está sozinho, mas por que você não merece companhia? — eu perguntei segurando algumas lágrimas que queria sair.
-Não, e você também não deveria. Ninguém merece ficar sozinho. — ele disse me abraçando.
Eu também não acreditei muito no que aconteceu, mas o fato é que aconteceu, e eu me senti confortável assim, abraçada á ele. Como se fosse certo mesmo que não parecesse. Eu me sentia feliz com alguma coisa, me sentia mais leve.
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