Harry Potter.
73 Capítulo 16
Levantei numa sexta-feira e botei meu uniforme para ir tomar café e depois seguir direto pra aula de Trato das Criaturas Mágicas. A primeira aula de Hagrid esse ano. Encontrei Rony descendo a escada e ele me parou.
– Você está lembrada que a Umbridge vai estar lá né? — perguntou ele — Quero você e o Harry com a cabeça bem fresca.
– Escutei meu nome — disse Harry chegando atrás de nós.
– É claro que escutou — resmungou Rony — Eu estava dizendo que não quero vocês dois criando problemas na aula do Hagrid, a Umbridge já tem uma má impressão dele por causa da coisa de gigante.
– Vamos ficar calmos — disse Harry — É só ignorá-la!
– Outro detalhe — disse Rony olhando para mim — A aula é dupla com a Sonserina
– Ah não se preocupe com isso — sorriu Harry — A Alice não vê nenhum problema.
Rony deu uma risadinha mas eu encarei Harry. Ele sustentou o meu olhar com uma expressão dura e desapontada. Esperei Rony se afastar e segurei o braço do Harry.
– O que diabos foi aquilo? — exclamei
– Ah você sabe muito bom. — disse ele — Como foi sua noite ontem?
– O que você acha que eu fiz, Potter? — cruzei os braços
– Eu vi vocês, tá legal? — disse ele — Você devia, pelo menos, terminado com o Córmaco.
– Eu não beijei o Draco — eu disse — Vocês nunca gostaram do Córmaco, tem certeza que isso é sobre ele?
– É que eu pensei que se você tivesse feito isso com ele… — começou ele
– Eu poderia ter feito com você também. — completei — Quanta confiança.
Ele olhou para o chão e suspirou.
– Eu tenho que ir. — eu disse
– Estamos indo pro mesmo lugar — respondeu ele
– É, mas eu não quero ir com você. — eu disse e apertei o passo.
Andei com passos fortes e cara emburrada por um tempo até que Mione me alcançou.
– Bom dia pra você também. — disse ela
– Oi — eu disse
– O que aconteceu para tirar o seu bom humor? — riu ela
– O que que tira o meu bom humor? — perguntei sarcasticamente — Nunca namore seu amigo, é a pior coisa que existe.
– Tudo bem — disse ela
– Não! — eu exclamei — Eu não quis dizer isso.
Eu suspirei.
– Eu sei que você não fez por mal — disse ela e olhou para mim — Você vai terminar com o Córmaco?
Pelo seu olhar, vi que ela não estava preocupada com o fato do término e, sim, com o que viria depois. Harry provavelmente contou para ela.
– Vou — eu disse
Ela fez uma cara de quem havia levado um tapa na cara.
– Vamos pra aula — disse ela
Suspirei. Em menos de uma hora, tinha conseguido brigar e chatear dois terços dos meus melhores amigos.
Chegamos na frente da casa de Hagrid e ele já estava lá junto com a maioria dos alunos da Grifinória, poucos da Sonserina e Umbridge.
Olhei para Harry e vi que ele observava Malfoy e seus amigos chegando. Vi logo pela sua expressão que ele não iria conseguir ficar no mesmo lugar com Malfoy e Umbridge sem brigar.
Malfoy e seus amigos se posicionaram na única fresta vazia da roda, o meu lado. Olhei para Mione e pedi ajuda sem fazer som. Ela leu meus lábios e observou quem estava ao meu lado. Harry e Malfoy. Vi que Rony tinha percebi também e estava rindo.
– Bom, bem vindos de volta às minhas aulas — disse Hagrid — Eu preparei uma aula bem interessante para hoje. Vamos entrar numa clareira aqui pertinho, me sigam.
Dei logo um jeito de escapar para perto de Mione. Boa notícia: eu não estava mais naquele lugar constrangedor. Má notícia: eles estavam um do lado do outro.
– Você tem que fazer alguma coisa — disse Mione
– Eu vou ficar na minha — suspirei — Quando minha vida ficou tão complicada?
– Quando você fez inimigos se apaixonarem pela mesma garota. — disse ela
Bufei e continuei andando.
– Aqui garotos — disse Hagrid — Alguém consegue ver algum animal aqui?
Poucos levantaram a mão. Mas não havia nada lá.
– Esses são os Testrálios. — disse ele — Poucos conseguem ver porque são criaturas maravilhosas, mas só podem ser vistas por quem já viu a morte.
Olhei para Harry, que não estava mais do lado de Draco, e vi sua expressão. Ele olhava para mim com tristeza e isso só podia significar uma coisa: Cedrico.
Fiz um gesto com minha cabeça e ele se aproximou.
– Consegue vê-los? — perguntou ele
– Não — respondi
– Fico feliz. Tem um bem aqui — disse ele sorrindo e passando a mão no animal — Parece que ele gosta de você.
Sorri e Harry me abraçou.
– Desculpa — disse ele passando a mão suavemente pelo meu cabelo — Eu só quero que você fique bem, Lizzie.
– Eu vou ficar — eu disse
– Hoje é a última reunião da AD antes das Férias de Natal — ele disse
– Eu sei, Harry — sorri
– Você vai passar o natal com a gente? — ele perguntou
– Eu vou pra casa — sorri — Mas vocês vão ficar no Largo Grimmauld certo?
– Certo — disse ele
– A gente pode se encontrar — eu disse — Já que é na mesma cidade.
– Claro. — disse ele
– Eu vou prestar atenção na aula ok? — eu disse — Umbridge está olhando para nós e não quero que ela pense que a aula do Hagrid não é interessante.
– Certo — disse ele
– Ei, conversando na aula — disse Draco — É melhor pararem ou vou ter que tirar pontos de vocês.
– Monitores não podem tirar pontos — disse Rony, como se já tivesse falado isso mais de uma vez.
– Você está certo — disse ele — Mas membros da Brigada Inquisitorial podem.
– O que diabos é isso Draco? — sorri
– Eu chamei-os — interrompeu Umdridge — Eles são o meu esquadrão. Podem tirar pontos de quem quiserem para trazer a paz para a escola, já que está infestada de baderneiros.
Eu e Harry batemos nossas mãos no alto para irritar Umbridge, e é claro que funcionou.
– Vocês estão na frente de um membro da Brigada Inquisitorial, dessa vez eu não vou fazer nada, embora sinta a falta dos dois na detenção. — ela se virou e foi mais para perto de Hagrid.
– Ouviu né? — disse Draco para Harry — Eu posso controlar os baderneiros.
– Grande coisa — disse Harry
– Controle sua língua, Potter — disse Draco
– Me obrigue, Malfoy — disse Harry
Me meti entre os dois.
– Ei — eu disse — Vocês não vão brigar, ta legal?
Eles lançaram um olhar fatal um para o outro mas se separaram.
…
Assim que as aulas terminaram, eu saí correndo pro Salão Comunal. Não queria a companhia de ninguém. Todos estavam me julgando por algo que eu não tinha feito. Entrei no buraco da Mulher Gorda e vi Córmaco sentado sozinho. Andei em passos rápidos e me joguei nos braços dele.
– Ei, o que aconteceu Lizzie? — ele perguntou
– Só me abraça — sussurrei com a cara pressionada contra seu peitoral
Ele me abraçou com mais força e beijou o topo da minha cabeça.
– Você vai terminar comigo, não vai? — sussurrou ele no meu ouvido
– Vou — eu disse com tristeza — Mas pode ser daqui a pouco?
– Pode — riu ele
Olhei pra ele e ele me deu um beijo. Retribui e ele começou a fazer carinho no meu cabelo, o que me fez sorrir.
– É tão mais fácil com você, Córmaco — sorri
– Sei que é — riu ele — Mas deve ser por isso que você quer terminar. Você vai criar um drama e tanto.
– Nem me fale. — ri
Ele riu e me olhou.
– Eu sinto muito mesmo — eu disse — Você sabe que eu realmente queria continuar com você.
– Faz assim — sorriu ele — Você vai lá e tenta outro final feliz. Se não der certo, você volta e eu te ajudo outra vez.
– Por que você está sendo tão bonzinho? — sorri
– Talvez porque você valha a pena. — disse ele
Sorri e dei um beijo em sua testa.
– Vai — disse ele — Me conta depois como foi.
– Não — ri
– É — disse ele — Eu só quis ser legal, não é pra me contar.
Levantei e soltei uma risada.
– Obrigada — sorri
Ele piscou pra mim e eu saí correndo de volta pro Saguão. Draco estava descendo para jantar mas parou quando me viu, esbaforida no meio do corredor.
– Draco — eu disse
Ele terminou de descer as escadas e parou na minha frente.
– Sim — disse ele
– Eu…eu…eu — eu disse
– Você…? — sorriu ele
Sorri e continuei.
– Eu… — ia continuar quando senti algo esquentando no meu bolso. A moeda das reuniões da AD. — Tenho que fazer uma coisa agora.
– Tudo bem. — riu ele — E você veio correndo até aqui pra me falar isso?
– Não — ri — Mas eu tenho que ir agora. Você pode me encontrar aqui? Onze e meia?
– Isso não é hora pra alunos fora da cama. — disse ele
– Achei que membros da Brigada Inquisitorial tinham privilégios. — provoquei
– Certo — disse ele — Eu vou estar aqui.
– Obrigada — eu sorri
– De nada, eu acho. — disse ele
Me virei e corri de novo para onde eu deveria estar. Entrei na Sala Precisa e só Harry estava lá. Bem, Harry e a decoração de natal. Haviam bolas com a cara dele penduradas e letras que formavam as palavras "Harry Christmas".
– Wow — ri — O que foi isso?
– Dobby — riu ele
– Ficou bem legal! — ri
– Ah claro — riu ele — Me ajuda a tirar?
– Vicê não vai tirar! — exclamei — Não me importa quem você quer impressionar mas Dobby deve ter tido um trabalhão pra arrumar tudo isso.
– Por que você está sempre certa? — riu ele
– Não sei — ri — Nasci assim.
Ele riu.
– Você foi um professor ótimo esse semestre Harry. — eu suspirei — Você sabe disso, não é?
– Meus alunos que são ótimos — disse ele — Você viu o Neville? Ele está quase conseguindo todos os feitiços que eu passei, acho que hoje ele consegue. E Gina, uau, o que foi aquele Reducto?
– Ela detonou! — ri — Literalmente.
Vi que os primeiros membros da AD começaram a entrar na sala e eu me distanciei de Harry. Sentei em um dos pufes e logo Mione sentou do meu lado.
– Está animada? — perguntou ela como se já soubesse de tudo
– O que? — perguntei
– Para as férias de natal — disse ela
– Estou — sorri
– Você vai ficar em Londres, certo? — perguntou ela
– Sim — eu disse — Você vai esquiar.
– Exato — disse ela
– Legal — eu disse distraída
– Harry está chamando — disse ela — Acho que todos chegaram.
Levantei e fui até eles.
Não preciso nem dizer que foi a melhor aula de todas. Harry já estava tão acostumado em ser professor que a aula fluiu normalmente. Trabalhamos em pares e a melhor parte foi quando Mione estuporou Rony. Ele voou até o outro lado da sala. Neville finalmente conseguiu me desarmar com o feitiço Expelliarmus.
Quando deu o nosso tempo, Harry pediu para todos ficarmos em uma roda.
– Eu nem preciso dizer o quanto vocês estão ótimos — disse ele — Vocês melhoraram tanto, eu estou tão orgulhoso de todos vocês. Espero vocês depois do natal, boas festas para vocês. Feliz natal.
Comecei a bater palmas e todos me acompanharam. Saí com Rony e Mione pela porta, olhei para trás e vi Harry e Cho ficando sozinhos na sala. Fomos até o Salão Comunal e eu subi para o meu dormitório para trocar de roupa. Chequei o relógio e vi que eram onze horas ainda. Coloquei um casaco e me encontrei com Rony e Mione perto da lareira.- Como você está? — perguntou Rony
– Eu estou bem. — menti
– Alice — disse ele
– É só que — suspirei — É a ex do Ced. E eu costumava dizer que mas eu estou bem! Juro.
– Está mesmo? — perguntou Mione
– Sim — eu disse, falando a verdade.
Depois de dez minutos, Harry chegou. Harry sentou do meu lado e evitou olhar na minha cara.
– Como foi? — perguntou Rony, sorrindo
– Molhado — disse ele
Ficamos esperando uma explicação.
– Ela estava chorando. — disse Harry
– Você beija tão mal assim? — perguntou Rony
– Pode ser que sim — disse Harry
– Claro que não — deixei escapar
Rony riu e Mione bufou.
– Cho tem chorado muito.
– Aposto que alguns beijos iriam animá-la. — zombou Rony
– Cho-rona — ri e Rony riu comigo
– Vocês dois são os legumes mais insensíveis que eu tive que conhecer! — exclamou Mione — Até você, Alice?
– Desculpa — abafei o riso
– Ela tem chorado muito — repetiu ela — Ela sente a falta de Cedrico mas se sente culpada por gostar de Harry, está totalmente confusa por causa desse beijo mas ao mesmo tempo deve querer mais. A gente sabe que a outra pessoa que beijou o Harry queria mais o tempo todo.
– Ei! — eu disse
– E a mãe dela está tendo uma pressão enorme no ministério e ela está com medo de revelar a AD nos questionários que a Umbridge vai fazer assim que voltarmos das férias.
– Eu não conseguiria senti tudo isso. — disse Rony
– É porque você tem a amplitude emocional de uma colher de chá.
Começamos a rir e eu me lembrei que tinha que ir em algum lugar.
– Ei gente — eu disse ainda rindo — Acabei de me lembrar que eu esqueci meu casaco lá.
– Isso não faz sentido nenhum — disse Harry — Você está com seu casaco.
– Ahnnn eu esqueci outro — eu disse
Saí do Salão Comunal e Harry me seguiu.
– Ei Lizzie, onde você vai? — suspirou ele
– Já disse, eu esqueci uma coisa — eu disse
– Ok — disse ele — Você está bem, certo?
– Estou — eu disse
– Vou acreditar em você — disse ele
– Pode confiar — sorri
Ficamos em silêncio.
– Quem beija melhor? — perguntei rápido
– Sabia que você ia perguntar isso — riu ele — É difícil quebrar seu recorde.
Ri e dei de ombros.
– Eu vou entrar. Vai lá buscar a sua coisa. — disse ele irritado
– Eu já volto — sorri
– Vai logo antes que eu te amarre numa cadeira. — ele trincou os dentes.
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