Harmony - O Meu Melhor Amigo

9 Natal em Hogwarts - Parte I


Quando voltei ao castelo, o almoço tá tinha terminado, fui então para a Torre da Grifinória procurar por meu namorado, afinal eu devia uma explicação a ele.

Harry estava em um canto vazio da sala comunal, a testa franzida, parecia preocupado. Só Merlim sabe como eu gostaria de evitar essa conversa, mas Harry merecia saber a verdade sobre Malfoy, não era justo eu guardar esse segredo dele.

– Harry? — chamei

– Mione! Você está bem? O que o Malfoy queria? — disse vindo de encontro a mim

– Eu estou bem, mas nós precisamos conversar

– Tudo bem, pode falar, sou todo ouvidos

– Não Harry, aqui não, não é assunto para discutir em público. Vamos até meu quarto, lá eu te conto o que a doninha raivosa queria de mim.

Harry seguiu-me até o meu quarto onde deixou-se cair sentado sobre a minha cama.

– Será que agora você pode me explicar o que há de tão misterioso que não poderia ser revelado na frente dos outros? — perguntou Harry assim que me sentei ao seu lado

– Bem... Harry... há algo que eu não te contei sobre o meu... passado — disse encarando minhas mãos. Se eu olhasse dentro dos seus olhos verdes vívidos, eu perderia a coragem de falar.

Harry nada disse, apenas esperou que eu continuasse.

– Você se lembra do 3º ano quando eu dei aquele soco na cara do Malfoy?

– Como eu me lembro, aquele foi um belo gancho! Mas... porque está me falando isso? — perguntou curioso

– Harry... ninguém sabe o verdadeiro motivo daquele soco.

– Mione, eu não estou entendendo, como assim verdadeiro motivo?

Baixei a cabeça ainda mais, dessa vez envergonhada. Permaneci calada por algum tempo até que Harry pegou meu queixo forçando-me a encará-lo.

– Eu te amo Granger, e nada que você possa me contar vai mudar isso entendeu? Nada.

Seus olhos brilhavam como duas esmeraldas, sua expressão era intensa como se ele já soubesse o que eu tinha a dizer.

– Eu... eu meio que namorava o Malfoy naquela época — as palavras saíram em uma torrente atropelando-se umas ás outras — Aquele soco foi o troco por ele ter me traído com a Pansy Parkinson.

Olhei para Harry antecipando sua reação. Eu esperava que ele sentisse tudo, raiva, surpresa, angústia, mas tudo o que eu não esperava foi o grande sorriso que ele abriu.

– Eu acabei de te contar que já namorei com o seu maior inimigo e você sorri? — perguntei confusa

– Eu já sabia

– Vo-você não está bravo comigo? Peraí, como assim você já sabia?

– Um dia antes da suposta execução do Bicurço, eu tinha ido até a biblioteca te procurar e... bem, não é que eu não tenha te encontrado... mas...

– Mas Draco e eu estávamos nos beijando — interrompi o que Harry ia dizer — aquilo foi pouco antes de eu vê-lo se agarrando com a Parkinson. Mas Harry, eu não lembro de você ter agido estranho comigo depois de ver o que você viu.

– Eu simplesmente não queria acreditar, e o soco que você deu na cara dele no outro dia meio que me fez crer que eu tinha imaginado a cena da noite anterior. Mas, Mione, afinal o que ele queria com você?

– Ele queria... pedir desculpas e... bem, não que eu tenha acreditado muito, mas ele disse que queria que fôssemos amigos e... e Harry, ele disse que... gostava de mim, que ele queria que eu pudesse confiar nele...

– E o que você disse?

– Que não o perdoava e que ele tão pouco merecia a minha confiança.

– Mas você acha que ele estava sendo sincero?

– Eu poderia jurar que ele estava, mas ele é o Malfoy, a especialidade dele é enganar as pessoas — disse olhando-o nos olhos para ver o que ele estava pensando

– Meu amor, eu odeio ter que dizer isso, mas eu acho que você deveria dar uma chance a ele.

Tentei falar, mas Harry continuou no momento em que abri a boca.

– Você pode negar, mas eu acho que ele realmente signifcou muito para você.

– Mas...

– Mas nada Hermione, eu posso ver nos seus olhos que você ainda se importa com ele.

– Mas Harry, você não me odiaria se eu o perdoasse?

– Hermione, como você é boba! -riu ele- É claro que eu não odiaria você minha princesa! Como poderia? — completou me puxando para um abraço apertado.

– Me desculpa por não ter dito nada antes? — perguntei com o rosto em seu peito

– Não há nada para ser desculpado, muito pelo contrário, eu estou orgulhoso por você ter me dito a verdade.

– Ah, Harry você não existe!

– Claro que existo! Quem mais te faria cócegas desse jeito se eu não existisse? — disse soltando-me e fazendo cócegas na minha barriga. Completamente extasiada por ele não me odiar, eu deitei-me na cama enquanto tentava buscar por fôlego em meio a seu ataque de cócegas.

– Har-ry pare com is-so — disse em meio a gargalhadas

– Ok, eu paro com isso — respondeu ele com um olhar malicioso — Mas com isso — disse dando-me um selinho — eu não vou parar tão cedo.

Quando os lábios de Harry tocaram os meus novamente, foi como se uma espécie de fogo invadisse todo o meu corpo me consumindo lentamente. Ele pediu passagem com a sua lingua e eu concedi de bom grado. Nossas linguas se moviam como se dançassem em um ritmo de uma dança frenética que só elas conheciam. Minhas mãos foram para a nuca de Harry, segurando-se firmemente em seus cabelos negros, enquanto as dele apertavam minha cintura gentilmente. O beijo foi aprofundando-se, ficando cada vez mais quente. Separamo-nos arfando em busca de ar ,cedo de mais na minha opinião.

O rosto de Harry estava a centímetros do meu, seus olhos verdes brilhando com algo que eu nunca tinha visto naquele rosto, eu não sabia muito bem o que era. Sustentei seu olhar, tentando trasmitir para ele todo o amor que sentia.

– Eu te amo — sussurou em meu ouvido fazendo com que eu me arrepiasse com o seu hálito quente contra a minha pele.

– Como eu te amo — ecoei a frase que ele tinha me dito quando dormimos juntos

[...]

– Anda Harry, Hagrid vai nos matar se demorarmos mais! — disse quando percebi que já eram 04:15 da tarde e ainda estávamos no meu quarto namorando.

– Mione, nós precisamos mesmo ir? Está tão bom aqui, só você e eu...

– Levanta logo! — disse com uma cara séria um tanto quanto forçada e joguei uma almofada nele.

Fui até o espelho e passei a mão por meus cabelos, que, devo dizer, estavam bem rebeldes. O bobão do meu namorado fez questão de bagunçá-los em uma outra sessão de cocégas.

Estávamos indo em direção á cabana de Hagrid quando eu dei de cara com algo maciço. Eu caí sentada no chão com o impacto da trombada. Hagrid me estandeu uma mão enorme enquanto Harry se dobrava de tanto rir. Dei uma olhada mortífera em sua direção fazendo com que ele se controlasse e parasse de rir.

– Eu já estava indo atrás de vocês — disse Hagrid nos guiando pela porta

– A culpa é do Harry! — protestei ainda brava com ele

– Desculpe! — disse baixando os olhos para o chão da casa de Hagrid. Eu não saberia dizer se ele estava se desculpando pelo atraso ou por ter rido de mim. De qualquer forma, eu não gostava de ficar com raiva dele, portanto sorri levemente fazendo com que sua expressão de culpa se dissolvesse dando lugar a um sorriso de canto.

– Como vocês estão? — Hagrid foi em direção á lareira colocar uma chaleira para ferver e fazer chá enquanto Harry e eu nos sentávamos á mesa lado a lado.

– Estamos bem — disse a Hagrid que agora estava sentado de frente para nós, nos encarando com um misto de curiosidade e expectativa.

– Na verdade, estamos melhor do que bem — Harry falou e me deu um selinho

– Harry...

– Não precisa ficar acanhada comigo Mione! — disse Hagrid — Eu sabia que vocês dois se gostavam antes mesmo de terem se dado conta disso!

– Quer dizer que você... aprova? — perguntei

– Mais do que isso, eu estou torcendo por vocês — disse Hagrid ao mesmo tempo que ouvíamos uma batida na porta.

– Está esperando alguém Hagrid? — perguntou Harry

– Na verdade, eu estou sim — disse indo abrir a porta

– Hagrid o que você... — Ron parou de falar assim que me viu com Harry

– Bem, bem, entre Rony — incentivou Hagrid

Afinal ele tinha chamado o Ronald não é mesmo? A pergunta era... porque?

– Harry. Hermione — cumprimentou-nos Ron sentando-se ao lado de Hagrid

– Ron

– Rony

– O que está acontecendo aqui? — quis saber o ruivo com uma cara um tanto confusa — Porque nos chamou?

– Eu quero ter certeza que a amizade de vocês está intacta depois de... bem, depois de Harry e Hermione terem começado a namorar — soltou Hagrid

– Se era só, pode ficar tranquilo, nós ainda somos amigos — Rony fez menção de se levantar mas foi impedido por Hagrid.

– Calma aí, por que a pressa? — perguntou o guarda-caça

– Eu... eu tenho um compromisso

– Com quem? — perguntou Harry

– Com... com... uma garota

– Eu pensei que tinha dito que amava a Hermione — disse Harry desconfiado

– E eu amo... não é o tipo de compromisso que vocês tem — disse Rony com um tom de raiva incontida em sua voz — É... só como amigos — completou em um sussuro, a voz calma mais uma vez

Ah Ron, ao contrário do que Harry parecia pensar, ele estava incomodado conosco, eu sentia tanto por fazê-lo sofrer daquele jeito. Queria que houvesse alguma forma, alguma maneira de ele se apaixonar por outra garota e ser correspondido.

– Ora Rony, espere pelo chá! — isse Hagrid aliviando a tensão

– Tudo bem, mas só para o chá, eu não quero deixá-la esperando...

– Bem, aqui está — disse Rúbeo colocando quatro baldes fumegantes de chá sobre a mesa e um prato com cookies que pareciam realmente velhos. Ugh! Culinária nunca foi o ponto forte de nosso amigo guarda-caça.

Assim que terminamos o chá, Ronald despediu-se e foi embora. Harry e eu ficamos mais algum tempo conversando com Hagrid, afinal, aquela era a primeira vez que tinhamos essa oportunidade desde que chegamos a Hogwarts em Setembro.

– Com quem você acha que o Rony foi se encontrar? — perguntou-me Harry mais tarde naquela noite enquanto eu me preparava para dormir

– Eu realmente não sei, mas sinceramente, eu espero que seja uma garota boa, e que goste dele, ele não merece sofrer.

– Não, ele não merece

Os dias que se passaram foram muito tranquilos. Rony parecia estar sempre com a garota misteriosa, a qual ele não revelava o nome nem por decreto. Harry e eu estávamos cada vez mais apaixonados, se é que isso era possível. Ele era tão carinhoso comigo, tão atencioso, tão dedicado. Sempre que eu estava com ele, sentia que não era só o meu namorado que estava ali ao meu lado, ele era bem mais que isso, aquele garoto era o meu melhor amigo. Não tinha mais segredos com ele, e esperava que ele também não mantivesse nenhum segredo de mim. Eu não vi Malfoy novamente desde o dia que ele me pediu perdão, o que era bom, pois, por mais que Harry quisesse que eu desse uma segunda chance a ele, eu ainda não conseguia perdoá-lo pelo que me fez. Gina ás vezes esbarrava comigo, mas nada fazia a não ser me lançar um olhar de puro desprezo. Aparentemente, eu tinha perdido a amizade da caçula Weasley para sempre (não que eu me importasse tanto assim depois do que ela fez).

O Natal seria amanhã e tanto Harry quanto eu estávamos conviddos para o baile do Professor Slughorn. O presente de Harry já estava comprado e embrulhado, apesar dele insistir que não queria que eu lhe comprasse nada.

Eu estava profundamnte adomecida quando acordei com algo tocando os meus lábios. Não abri os olhos ao sentir o gosto familiar daqueles lábios em especial.

– Bom dia, minha linda!

– Bom dia!

– Feliz Natal! — disse enquanto eu me assentava na cama

– Feliz Natal, Harry!

Ele estava se inclinando paa me beijar de novo quando desviei o rosto deixando que ele beijasse minha bochecha.

– O que eu fiz de errado? — protestou

– Hum... nada, é só que eu preciso escovar os dentes

– Eu não me importo de te beijar assim — protestou novamente

– Mas eu sim — ri me levantando.

Harry olhava para mim com aquele olhar novamente, aquele olhar que eu não conseguia identificar, mas que já tinha uma leve suspeita do que fosse. Minhas bochechas ficaram escarlate como de praxe.

– O que foi agora? — disse parando no meio do caminho até o banheiro

Harry nada disse, apenas continuou a me encarar com aqueles olhos verdes intensos. Foi então que eu me lembrei que tinha dormido apenas de calcinha e sutian. Eu fiquei ainda mais vermelha, se é que isso era possível.

Sim, as minhas suspeitas estavam certas, Harry me olhava com mais do que amor, aquele brilho a mais em seus olhos era...desejo.

– Mione... você é linda — Harry disse levantando-se e vindo até mim, seus olhos ainda na minha lingerie branca com rendinhas.

Quando seus lábios roçaram nos meus, eu não protestei dessa vez. O beijo começou lento, tranquilo, mas foi aumentando de intensidade, ficando cada vez mais feroz, mais devorador e ainda assim era terno e carinhoso. Harry nunca tinha me beijado daquele jeito. Ele apertava-me contra o seu corpo como nunca antes tinha feito.

Com agilidade ele me tirou do chão e me levou em direção á cama, deitando-se sobre mim de modo brando, de forma que eu não precisasse sentir seu peso. Suas mãos passeavam pelo meu corpo exploratóriamente. Os lábios dele separam-se dos meus indo para o meu pescoço, enquanto eu mordia sua orelha levemente e passava minhas unhas pelas suas costas másculas de jogador de quadribol. Cada beijo que Harry distribuía entre o meu pescoço e o meu ombro me faziam arrepiar e tremer. Eu nunca tinha experimentado um desejo tão forte quanto aquele, o fogo agora não me consumia de forma lenta e moderada, eram verdadeiras labaredas que queimavam minha pele onde quer que Harry a tocasse.

Eu não estava pensando muito no que estávamos fazendo até me sobressaltar ao sentir algo rígido e comprido encostar-se na minha coxa. Eu hesitei com medo, não estava preparada para o que viria, ainda não era a hora. Harry que notou minha hesitação, tinha parado de me beijar assim que me sentiu enrijecer.

– Harry!!

Seus olhos intensos encaravam com confusão a minha cara de espanto. Ele encarou a minha expressão por mais um segundo e então caiu em gargalhadas altas, saindo de cima de mim.

Como ele podia achar graça no fato de eu ainda não estar preparada para a nossa primeira vez?

– Her... mio...ne — disse entre gargalhadas — Acal...me-se, não é... o... que você está... pensando

– O que é então?

– É só a... minha varinha — disse tirando-a do cós da calça e mostrando-a para mim.