Notas iniciais
Olá! Vim avisar que teremos capítulo novo toda quarta! Portanto, não se esqueça de clicar em acompanhar para não perder nenhum capítulo :) É isso, boa leitura!

Harmony Blanks

Continuo trabalhando na cafetaria, agora como supervisora das garçonetes e estou me programando para voltar a estudar.

Era quase Páscoa e Leah insistia que eu deveria levar Omaha Kimi para conhecer meus pais, até se ofereceu para fingir ser minha namorada e disse que me apoiaria o tempo todo, pra ser sincera, não sabia motivo de tanta curiosidade em conhecer os Blanks.

Matt me ligava raramente, e quando tentava contato era para pedir dinheiro. Ele ainda estava na escola e já tinha reprovado muitas vezes. Odeio comparações, mas com dezenove anos eu estava quase parindo uma criança e disposta a cuidar dela pro resto da vida.

Muitas pessoas me disseram que eu não iria conseguir administrar uma casa, emprego e filha ao mesmo tempo e sem esquecer de mim mesma. Talvez eu tenha fracassado na ultima tarefa. Fazia tempo que eu não tinha tempo exclusivo pra mim, que não pintava as unhas dos pés, que não tinha dinheiro extra, que não viajava… E inúmeras outras coisas, mas eu continuava viva, não é mesmo?

Estava no Café, um pouco antes do horário de almoço, quando abri um e-mail na minha caixa de entrada. Era do Adam. Senti meu corpo tremer e inspirei fundo antes de abrir.

Era simples:

Ola Muffin, tudo bem?

Já havia esquecido que ele me chamava assim desde que em um Halloween minha mãe me fez uma fantasia ridícula de Muffin. Muito assustador, eu sei…

Espero que as coisas estejam ótimas por ai. Bem, eu vou dar uma festa na Páscoa e gostaria muito que você viesse, sabe... você foi uma grande amiga e não queria perder contato, além do mais, Marie-Ann está louca para te conhecer.

Aguardo sua resposta, o endereço está em anexo. Venha a partir das 04:00 p.m

Não respondi e nem cogitei a ideia de comparecer. O que mais eu poderia fazer? “Está tudo ótimo, tive uma filha sua!” De jeito nenhum. E por que essa Marie gostaria de me conhecer? O pouco que sei sobre ela é que tem lindos cabelos pretos com pontas coloridas, olhos de um verde profundo, tatuagens que cobrem quase toda sua pele e adora postar fotos no Facebook agarrada ao Adam em festas. Me pergunto como o gosto dele por mulheres mudou tanto… Afinal, sou o oposto da Barbie Punk.

Fechei o e-mail e fui me preocupar com as tarefas. Leah estava cada vez mais atrapalhada com a jarra de café.

O movimento da cafetaria estava muito agitado desde que começamos a vender cupcakes. Assim, mais pessoas frequentavam o lugar na parte da tarde.

—- Desculpe Harmy, não consegui dormir direito. -- Leah conversou comigo na hora do almoço.

—- Eu sei, Omaha teve uma noite difícil… Desculpe. Em breve estaremos nos mudando, prometo que até o fim do mês estaremos bem longe e você pode voltar a ter sua privacidade. -- Por mais que ela não reclamasse, eu sentia que estava na hora de ceder o quarto. Mesmo ajudando no aluguel, eu era uma mãe e Leah não era uma boa referência para minha filha.

Ela apenas sorriu e continuou a comer.

—- O Adam me mandou um e-mail… — comentei. Eu havia contado minha história para Leah, que por mais que não concordasse com meus motivos, me apoiou.

—- Que?! — ela quase se engasgou.

—- Ele me convidou pra uma festa de Páscoa e disse que a sua nova namorada Marie-Barbie-Punk está ansiosa para me conhecer.

—- Você não vai, não é?

—- Nem tente me convencer. Não vou.

—- Concordo que seja melhor você evitar o Adam e essa historia. Poupa você e a Omaha de criar expectativas.

—- Han? -- Era minha vez de estar confusa. -- O que essas noites em claro estão fazendo com você, Leah?

—- Só acho que está na hora de te apoiar mais.

Leah, apesar de suas loucuras e sonhos quase inalcançáveis na vida de cantora famosa, era uma ótima amiga.

O dia passou voando no restaurante, e quando dei por mim já era hora de pegar Omaha na escola. Fomos para casa rápido, pois uma chuva ameaçava a cair.

Eu estava dando banho na minha filha e quando percebi, estava pensando no Adam. Como teria sido se eu tivesse contado a ele? Será que ele ficaria feliz em saber que ganhou uma filha e que essa criança tem seus olhos, seu nariz, sua boca e até a mesma pinta nas costas? Será que eu fiz a escolha certa? E se Omaha começasse a crescer e pedir informações do pai? A questão era: eu não poderia arriscar. Não poderia deixar que minha filha, a coisa que eu mais amo nesse mundo, sofresse um rejeitamento paterno. Todos esses questionamentos me fizeram chorar e soluçar enquanto lavava os cabelos da pequena Kimi. Ela, me observando, arregalou os olhos e juntou os lábios formando um bico.

—- Calma, filha. A mamãe só estava pensando, ta? -- enxuguei as lagrimas, mas só me molhei mais, já que meus braços estavam imersos na pequena banheira de plástico que coloquei no chão embaixo do chuveiro.

—- Mamã?

—- É filha, mamãe. -- sorri para ela. -- Você gostaria de ter um papai, filha?

—- Pa-pa-pa -- ela repetiu esses sons, como faz toda vez que assistia desenhos na televisão.

Simplesmente não consegui me controlar e como uma idiota, chorei de novo. Ohama se desesperou comigo e começou a chorar junto. Nós duas, chorando no chão do banheiro.

Tentei me acalmar quando Leah apareceu na porta e avisou que iria dormir na casa de um cara que ela estava saindo. E nesse momento, meu Deus, eu só queria voltar a ser uma jovem como ela e não uma mãe fracassada que imagina coisas. Ela já estava saindo pela porta, quando voltou, entrou no banheiro e perguntou enquanto me passava a toalha da Omaha:

—- Por que está chorando? Só não me diga que é porque a pequena Kimi está crescendo…

—- Não. -- Dei um pequeno sorriso. -- São os hormônios, pode ir. Nós não vamos te esperar pro jantar. Não é, meu amor? -- Voltei meu olhar pra minha filha que estava se distraindo com as bolhas na banheira. Beijei sua testa e a retirei de lá a enrolando na toalha.

Leah revirou os olhos e eu já sabia o que ela iria dizer:

—- Você precisa transar, Harmy.

Preferi não responder. Há quanto tempo eu não fazia sexo? Acho que foi no aniversário da Leah, sete meses atrás, quando eu estava bêbada demais e preocupada se estava tudo bem lá embaixo após o parto da Omaha. Eu sei que parece bobeira, mas na hora do parto eu pensei que nada voltaria ao normal. Mas voltou.

Vesti minha filha, a amamentei e depois coloquei-a pra dormir no seu colchão que ficava no chão cercado com duas almofadas em formato de cobra que a impediam de rolar e cair.

Saí do quarto e fiz o que era preciso: liguei para o Jeffrey e pedi pra ele trazer um balde grande de frango frito e refrigerante. Em poucos minutos ele estava na minha porta, alto, vestindo uma jaqueta de couro que realçava seu porte com alguns músculos exuberantes, uma blusa azul escuro por baixo, jeans e all star branco velho e quase amarelado,trazia cervejas junto com um sorriso bobo.

—- Esse lugar está arrumado! -- Comentou surpreso ao notar que passei aspirador de pó no carpete da sala, organizei as revistas na estante da TV, arrumei as almofadas do sofá, não havia nenhuma louça suja na cozinha, as cortinas da sala estavam limpas, as janelas abertas permitindo que o ar fresco daquela sexta feira quente sem luar e eu finalmente troquei as lâmpadas da sala, deixando o ambiente mais iluminado.

—- E você não está cheirando a desinfetante de banheiro. -- Brinquei antes de me jogar no sofá.

—- Sério? Você quer que eu dê ouvidos a uma pessoa que está usando um moletom cinza masculino com calças de pijama? -- Ele debochou caminhando até a geladeira, onde colocou as 6 cervejas. Não segurei o riso. -- Ah, não pedi frango frito! -- ele alertou e sentou no sofá ao meu lado.

—- Que? Eu estou com fome! -- resmunguei.

—- Vão entregar comida japonesa aqui. -- Ele sorriu ao notar minha felicidade. -- É por minha conta.

—- Te amo! Te amo! Te amo! -- eu exclamava e o beijava como uma mãe leoa lambe seus filhotes.

Liguei a televisão e coloquei num programa de Quizz Show. Nós adorávamos assistir aquilo e julgar os participantes que erravam perguntas simples sobre economia ou entretenimento.

Quando a comida chegou, já estávamos na terceira garrafa de cerveja.

—- Adam me chamou para ir a uma festa amanhã.

Jeffrey apenas ergueu uma sobrancelha e esperou que eu continuasse, tomando um gole de cerveja direto da garrafa.

—- É uma festa de Páscoa que ele e Marie-Ann-Barbie-Punk resolveram fazer. O que ele espera? Que eu confirme todas lembranças de infância que ele contou? Que eu vire a melhor amiga de sua namorada rica?

—- Pega leve, Harmy… Ele não sabe o que você tem passado nos últimos tempos.

Ele estava certo, Jeffrey sempre estava certo.

—- Eu sei… Mas é estranho ele me procurar depois de tanto tempo.

—- Talvez ele só não quer perder contato ou talvez você seja a única coisa mais próxima de família que ele tem. Eu acho que você deveria ir até lá e parar de se esconder.

—- Não Jeff. Eu não vou arriscar a coisa que eu mais amo na minha vida pra isso.

—- Por falar nisso, como Omaha tem se adaptado na escola?

—- Ela parece feliz lá e a Professora Lily disse que ela é bem gentil e gosta de assistir desenhos.

—- Está vendo? Não precisa se preocupar. Você tem tudo o que desejam ter: uma filha linda e inteligente, amigos que trazem comida pra você… Só precisa dar um jeitinho nesses cabelos. Há quanto tempo você não frequenta um spa?

—- Spa? Não seja doido! É salão de beleza!

—- Que seja! Você deveria cuidar mais dessa aparência. Está com 22 anos, Harmy. Se eu não tivesse ficado junto com você naquela sala de parto, a gente poderia namorar.

—- Idiota!

Naquele instante pensei se Jeffrey tinha falado a verdade, ou só queria levantar minha autoestima. Eu nunca reparei nele nada mais do que um amigo e seria estranho se tivesse. Eu o admirava como pessoa, mas não. Não sentia nada além.

Passamos o resto da noite rindo das bobeiras que passavam na TV e depois olhamos as fotos de Marie no Instagram, e ele fazia de tudo para achar defeitos nas fotos dela, mesmo que fosse aparentemente impossível de eu perceber. Acabei adormecendo no sofá e quando acordei meu amigo já tinha ido embora. Levantei de lá, me estiquei e ouvindo minhas costelas estalarem, retirei as garrafas vazias que estavam sobre a mesa de centro e também as embalagens descartáveis de comida japonesa. Coloquei tudo no saco de lixo, apaguei a luz da sala e fui para o quarto dormir.

Notas finais
E o que achou desse capítulo? Conta aqui pra gente! Beijo e até a próxima quarta!!!!