Andy e eu estávamos em cima de uma estatua da cabeça de Zeus. Aparentemente, aquele ela o local preferido de Andy, dele podíamos ter uma ampla visão da floresta e dificilmente alguém nos pegaria indefesos. No meio de nós dois estava a bandeira azul em pendurada em um mastro que teríamos que defender com nossas vidas, o que eu devo admitir que achei ridículo vezes dois.

Aquela bandeira era apenas uma bandeira qualquer, quem sabe se ela fosse uma bandeira mágica, aí sim teríamos motivo para defendê-la com tanta astucia.

Houve uma movimentação na floresta e Andy segurou sua espada com mais força, por sorte, era um filho de Hefesto que estava no time azul.

– Percy, os filhos de Ares do time vermelho já eliminaram dez dos nossos.

–Eu vou lá resolver isso pessoalmente. Jake fique com Piers defendendo a bandeira. – Andy partiu em direção a floresta.

Observei o local onde Andrew desaparecera perante as árvores por alguns minutos, Jake tinha começado a falar alguma coisa, mas eu corri em direção à floresta antes que ele concluísse a fala. Para não chamar a atenção de Andy escalei uma árvore e andei sobre os galhos, perseguindo-o. Vez ou outra um inimigo o confrontava e eu devo dizer que Andrew era um bom lutador. Ele tinha uma agilidade impressionante sobre seus inimigos e os atacava antes que tivessem a oportunidade de atacá-lo. Aquilo era incrível.

Eu com muita brilhante idiotice não prestei atenção nos galhos que eu pisava já que estava meio ocupada observando Andy e quando dei por mim, eu havia pisado em um galho tão fino que nem um gato conseguiria se equilibrar. Claro que eu caí. Mas com o estilo babaca mesmo, que caí primeiro o corpo e depois a cara. E para melhorar a situação, caí bem na frente de Andy.

Ele podia ter brigado comigo por ter abandonado a bandeira com Jake, podia ter brigado comigo por persegui-lo, podia ter brigado comigo por ter atrapalhado a ronda heroica dele... Achei muitos motivos para Percy brigar, mas ele não fez isso! Ele simplesmente ergueu a mão para mim e me perguntou:

– Você está bem?

Eu peguei em sua mão e senti uma onda elétrica subir pela minha medula, fazendo com que eu me arrepiasse.

...

Senti meu corpo completamente quente quando toquei na Piers, era uma sensação estranha, mas muito agradável. Mesmo quando ela já estava em pé, continuamos de mãos dadas. Eu comecei a reparar em cada detalhe dela, desde o cabelo loiro preso em um coque até os olhos completamente azuis.

Ela também deveria estar sentindo alguma coisa porque também apertava a minha mão, queríamos sentir aquela sensação para sempre. Tudo foi interrompido.

– Ora, ora! Se não é o heroizinho de quinta do Campbell!

Aquela era a voz de Mark Woods, um filho de Ares. Eu não consegui me mover.

Piers já havia largado minha mão, mas eu estava com as pernas paralisadas. Tentei me mover enquanto ouvia a risada de Mark se aproximando de mim. Era um momento de puro desespero. Piers teria que agir sozinha

...

Andy não movia as pernas, ele agitava o tronco como um doido, mas as pernas estavam presas. Aquele óbvio filho de Ares se aproximou de nós embutindo uma espada de prata celestial. Segurei Adalberon com toda minha força. Minha primeira batalha ia ser bem com um filho do deus da guerra. Isso não ia ser nada bonito.

Ele tentou atacar Andrew primeiro, mas eu bloqueei seu ataque com Adalberon.

Sinceramente, eu acho que aquela merda de faca foi feita no Paraguai. A droga da faca partiu ao meio quando eu bloqueei o ataque! Pelo menos, o filho de Ares estava querendo me matar agora (uma pessoa que pode se defender) ao invés de querer matar Andy (uma pessoa que não pode se defender no exato momento).

Desviei de todos os ataques que pude até que vi no chão que Adalberon estava completamente inteira. Então aquele era o poder de minha faca, quando ela quebrava simplesmente se reconstruía. Ok.

Adalberon veio voando em minha direção enquanto eu desviava de outro ataque, quando aquela faca pousou na minha mão eu ataquei o filho de Ares.

Minha ação teve como prejuízo a ele um corte profundo e vertical no seu abdômen desprotegido (quem manda o mané não usar a armadura completa). Olhei rapidamente para Andy, ele estava observando a luta e parecia meio impressionado. Em compensação, o filho de Ares ficou furioso. Tentou me atacar de todas as formas, mas eu me desviava de seus ataques. Até que eu senti uma árvore atrás de mim e pensei que era o meu fim.

Ele tentou me acertar no rosto, mas eu abaixei e rolei para o lado. A espada dele ficou presa na árvore, aquilo retardaria seu ataque. Foi então que percebi que Adalberon não estava mais em minha mão, olhei ao redor e não estava em mais nenhum lugar!

O filho de Ares já havia conseguido soltar a sua espada e estava vindo em minha direção, foi quando olhei para cima e vi Aahbran em um dos galhos de árvore. Pulei e peguei a crossbow. Senti que aquela arma foi feita para mim, nos completávamos. Olhei para o filho de Ares e atirei em sua direção, ele desviou da flecha. Como mágica, Aahbran ficou carregada novamente e eu atirei. A flecha acertou a mão dele que segurava a espada, ela caiu no chão. Ele continuou a vir em minha direção com intenção de me bater com mãos vazias. Eu soltei Aahbran, não seria uma luta justa se somente eu tivesse uma arma.

Ele tentou me socar, mas antes mesmo que ele conseguisse eu o chutei no abdômen, onde havia o corte. Ele se curvou para frente e quando fez isso eu girei e acertei meu calcanhar em sua orelha. Uma ninfa saiu de sua árvore e ajudou o filho de Ares, ele estava eliminado.

Foi aí que eu olhei para Andy, ele tinha conseguido se mover e agora me olhava. Olhei para os lados, muitos semideuses dos dois times me circulavam agora, Cassie havia aparecido do nada e em uma mão segurava um capacete e em outra segurava Adalberon. Então foi ela que havia feito minha faca sumir. Muito esperta.

Peguei Aahbran no chão e olhei para Andrew.

– O que foi? – perguntei.

– Olhe para cima. – ele falou.

Olhei. Flutuando sobre minha cabeça havia a imagem de uma pomba branca que brilhava. Dessa imagem começou a sair minúsculas esferas de luz que tocavam minha pele e de alguma forma curavam os leves cortes que obtive na luta.

– Saíam da frente! – uma voz masculina gritou.

No meio da multidão surgiu um centauro (metade homem e metade cavalo), montado nele estava Calí.

– Quíron, esse é o símbolo de que deus? – um dos semideuses perguntou ao centauro.

– Esse é o símbolo de Harmonia, a deusa da concórdia, da afinidade, do equilíbrio... da paz.

Calí me tirou da floresta e Quíron ordenou que o jogo continuasse.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.