Haria
5 Capítulo 5
A ansiedade e nervosismo o levaram a chegar trinta minutos antes, então, enquanto esperava, Halexander ficou analisando os tons marrons das madeiras do teto, já que todas as paredes eram de vidro e ele não estava interessado em ficar olhando pra fora. Seu celular não parou de vibrar desde que chegou, seus amigos estavam curiosos para saber das novidades, mas ele não estava com cabeça pra falar com eles naquele momento.
A cada dois segundos uma vibração anunciava a chagada de uma nova mensagem e o único desejo de Halexander era de afogar o celular na taça de suco a sua frente. O tempo parecia querer provocar ele, pois parecia que 7:30 nunca chegava, e então o arrependimento começou a bater. Ele havia dito que pegaria ela em seu apartamento, mas Maria havia recusado, dizendo que não queria causar incomodo, e para não assustar a garota com sua insistência, Halexander havia aceitado que eles se encontrariam no restaurante.
— Eu deveria ter insistido em buscá-la — murmurou para se mesmo. — Terei um infarto se ela não chegar aqui logo. — então checou as horas no Rolex preto com detalhes de ouro everose que decorava seu pulso. Estava perto da hora combinada, aquilo lhe deixava mais aliviado. Demorou mais uns cinco minutos e então uma mulher passou pela porta de entrada. Halexander encarava o pano da mesa quando alguém falou perto dele, a voz era inconfundível.
— Cheguei muito atrasada? — Maria perguntou. Ela estava estava em um vestido branco com grandes botões vermelhos no meio, de mangas compridas e um decote nos ombros e no pescoço.
Assim que olhou Maria, ele se levantou rápido com um sorriso bobo no rosto e caminhou em sua direção.
— Não, na verdade você chegou na hora — ele falou tentando conter a empolgação. Ele tomou a mão dela na sua e deu um leve beijo, fazendo com que Maria se arrepiasse. Ela deu graças a Deus pela luz do restaurante estar fraca, assim Halexander não veria seu rosto ficando vermelho.
Ele puxou a cadeira e Maria se sentou, logo depois ele voltou para o seu lugar. Não demorou quase nada e o garçom chegou na mesa.
— Sejam bem vindos ao Lincoln Ristorante, o que vão querer? — ele pergunto. Halexander e Maria pegaram os cardápios e deram uma rápida olhada, logo depois falaram seus pedidos, o garçom balançou a cabeça concordando e foi embora. Halexander ajeitou-se na cadeira, estava nervoso e tentando ao máximo não demostrar isso.
— Ah, desculpe por não ter falado, mas você está linda — ele falou, e sua voz saiu mais baixa do que esperava. Maria riu tímida e deu uma rápida olhada em seu vestido.
— Obrigada.
— Talvez seja porque eu desenhei esse vestido — falou rindo.
— O quê? Sério? — Maria perguntou, com os olhos arregalados e a boca em formato de O.
— Você não sabia?
— Não, na verdade foi minha ami... — a palavra morreu em seus sábios e ela pareceu estar pensando, logo depois continuou. — Isso foi trabalho da minha amiga, eu disse que viria jantar com você e ela me deu esse vestido. — falou pensando em como estrangularia sua amiga Thaís, quando chegasse em casa.
Halexander riu, mas não por ela estar usando um vestido criado por ele, mas por ela ter comentado com uma amiga sobre aquele jantar. Aquilo era um bom sinal. Era estranho, mas ele sentiu vontade de ligar para os amigos e contar aquilo.
— Bem, pelo menos sua amiga tem bom gosto — Halexander falou e os dois riram.
— Também acho — ela comentou.
A conversa seguiu tranquila, eles falaram de tudo um pouco. Do livro que os dois amavam, de como começou a carreira dos dois, da nova coleção do Halexander, sobre o que havia inspirado ele, enfim, de tudo um pouco. Entre risos e troca de olhares, Halexander estava se apaixonando cada vez mais pela garota a sua frente, e ele não conseguia parar de admirar a beleza dela. A comida já havia chegado, mas os dois pareciam não ligar muito pra ela.
— Então, me diga, se você é brasileira, como acabou vindo parar em New York? — ele perguntou, e logo em seguida deu um gole em seu suco de goiaba com leite.
— Eu trabalhava lá como modelo, quando recebi o e-mail de seu irmão, Vinícius Ferreira, não é?
Ao ouvir aquele nome, Halexander sentiu uma pontada na cabeça que lhe deu uma leve tontura.
— Por favor, não mencione esse nome essa noite.
— Posso perguntar o por que?
— Não, você não pode perguntar. Por que eu não quero estragar essa noite incluindo esse bastardo na conversa.
Ele pensou.
— Ele e eu não temos uma relação muito saudável — Halexander falou rápido e depois deu sua primeira garfada na comida. Maria ficou curiosa pra saber sobre o que ele estava falando, e sua curiosidade estava implícita em sua afeição. Halexander percebeu isso, mas preferiu deixar o assunto morrer.
Os dois seguiram comendo e o assunto novo era sobre a comida, e de como ela estava boa.
— Olha, não é para me gabar, mas eu faço uma comida muito boa também — Maria falou.
— Hum... — Halexander terminou de engolir o que tinha na boca e continuou. — Sério? Agora você terá que cozinhar algo pra mim.
— Pode ser, então vamos marcar outro dia.
— Ótimo, dessa vez você me liga.
— Marcado então.
Assim que os dois terminaram de comer, Halexander chamou o garçom e pagou a conta, então os dois saíram do restaurante.
— Você veio de carro? — ele perguntou, torcendo para que ela dissesse "não".
— Não, mas minha amiga ficou de vir me buscar.
— Eu posso levar você, se quiser.
— Não quero incomodar.
— Insista!
Ele gritou para si mesmo.
— Não será incomodo nenhum. Olha, aposto que sua amiga deve estar sentada no sofá, assistindo algum seriado com um enorme balde de pipoca sobre as pernas. Ela ficaria muito brava se você a fizesse vir até aqui e atrapalhasse sua série.
Maria pensou um pouco.
— Você tem razão, ela deve realmente estar fazendo isso. E ela me mataria se eu atrapalhasse sua cena favorita.
— Então vou livrar você dessa morte — ele falou e os dois riram.
Eles caminharam até o carro do Halexander e então pegaram a estrada, e a conversa ficou melhor ainda. Os dois estavam falando das outras modelos e de como elas pareciam uma Barbie robô. Altas gargalhadas ecoavam pelo carro, até que Maria interrompeu com a frase que Halexander esperava não ouvir tão cedo.
— É bem ali — ela falou apontando para um apartamento alto, logo à frente.
— Ah, nossa, passou tão rápido que nem percebi.
Halexander deu mais uma curva e parou o carro na frente do apartamento.
— É aqui que eu fico — Maria falou baixinho.
— Foi uma ótima noite — Halexander falou com toda sua educação possível.
Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos, apenas se olhando. Eles foram chegando mais perto um do outro, Halexander levou sua mão até a nuca dela e puxou levemente seu rosto para próximo do seu. Então seus lábios se tocaram. O beijo foi bom. Não, foi ótimo. Até que Maria recuou, fugindo da mão do Halexander.
— É melhor eu subir — falou ofegante.
Halexander desceu do carro, deu a volta e abriu a porta para ela. Maria desceu e deu um abraço nele.
— Boa noite — falou baixinho, lutando para não pular no pescoço dele novamente. Então ela abriu a porta e entrou, sumindo por completo.
Halexander voltou para o carro e pegou o celular com pressa, discou alguns números e logo depois de algumas chamadas Raquel atendeu.
— O que você quer a essa hora? — ela perguntou bufando do outro lado da linha.
— Preciso urgentemente da sua ajuda — ele falou.
— Pra quê? Olha, se for mais uma de suas brincadei...
— Tenho que casar com aquela garota — Halexander interrompeu, falando rápido.
— Então é grave, venha aqui em casa, vou chamar o pessoal.
Então ele desligou o celular e o guardou no bolso.
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