Haria
3 Capítulo 3
— Olá maninho, como você está nesse lindo dia? — Vinícius perguntou assim que Halexander entrou na sala. O tom de sua voz e o sorriso deixavam claro sua provocação, coisa que ele adorava fazer. Halexander lançou um olhar furioso sobre ele que, se não fosse por estarem vivendo no mundo real, derreteria sua cara em poucos segundos.
— Então, me mostre as garotas — Halexander falou, e sua voz saiu séria e fria, combinando perfeitamente com suas roupas pretas, lhe dando um ar de misterioso.
A frente deles uma fila de garotas altas, magras e sorridentes, vestindo apenas um sutiã e uma calcinha, ambas pretas, enchiam os olhos dos dois irmãos, e por mais que Halexander gostassem do que estava vendo não aprovava aquilo.
— O que elas estão fazendo seminuas? — ele sussurrou para Vinícius. — Isso as faz parecer que são algum tipo de mercadoria e você sabe que odeio isso.
— Essa sua desculpa não cola irmãozinho, eu sei que você não gosta da fruta, mas é que assim podemos ver melhor o corpo delas, você sabe que esse mundo da moda é bem exigente. — Vinícius cochichou no ouvido de Halexander, que fechou as mãos, apertando-as com toda sua força, lutando para não dar um murro na cara do irmão adotado, o que lhe daria muito prazer. Ele respirou fundo e soltou o ar devagar, então direcionou sua atenção para a as garotas.
Analisou cada uma detalhadamente, dos pés à cabeça. Até que uma delas lhe chamou atenção. Ela era alta como as outras, tinha a pele branca, quase pálida, cabelos lisos e negros, curtos, poucos centímetros abaixo dos ombros e parecia não estar confortável com o modo em que estava. Sua beleza era estonteante, tanto que praticamente paralisou o olhar de Halexander sobre ela, fazendo com que suas bochechas corassem.
— Então o que achou? — alguém perguntou atrás dele, mas não obteve resposta. — Halexander? Ei mané! — quase gritou dessa vez dando um tapa na cabeça do irmão, fazendo com que Halexander despertasse do seu transe.
— O quê? Ah, desculpe. Elas são perfeitas, quero uma lista com nome, foto e telefone de todas em minha mesa ainda esta manhã — ele falou e saiu da sala, contendo sua vontade de virar e dar uma última olhada na garota.
Assim que chegou em sua sala foi recebido pelo largo sorrido de Fernanda, a recepcionista. Ela o esperava sentada em uma das cadeiras que ficavam na frente de sua mesa, mas assim que percebeu a presença do patrão, levantou-se como modo de reverência.
— Já lhe disse para não fazer isso Fernanda! — Halexander falou sentando-se em sua cadeira.
— Tudo bem senhor — ela respondeu com sua educação de sempre.
— Dà próxima vez lhe demito, já disse várias vezes que vocês devem me olhar como um amigo e não como o patrão. Mas deixe isso pra lá, vamos ao que interessa. Sente-se. — ele apontou para a cadeira ao lado de Fernanda, que se sentou tão rápido quanto a velocidade da luz. Suas mãos suavam e seu coração batia rápido numa mistura de medo e ansiedade, pois não sabia o que lhe aguardava.
— Aí meu Deus! Ele vai me demitir, só pode. Por que mais me chamaria aqui?
Pensou consigo mesma, cruzando os dedos por debaixo da mesa, torcendo pra que o que saísse da boca de Halexander não fosse uma coisa ruim.
— Então, você deve estar se perguntando o que está fazendo aqui, ou pensando que vou demiti-lá. Mas na verdade tenho uma pequena surpresa pra você. — Halexander falou e não conseguiu conter um leve sorriso, estava empolgado, nunca teria feito aquilo. — Bem, um passarinho verde me contou que hoje é seu aniversário e eu fiquei a semana toda pensando em como fazer seu dia ser um pouco mais especial.
Fernanda respirou aliviada, mas a curiosidade e a ansiedade aumentaram.
— Eu pensei muito e cheguei a uma conclusão: O que eu posso dar para Fernanda se não uma coisa que eu sou profissional em fazer? — falou como se pensasse em voz alta. — ele se levantou da cadeira e andou até um criado mudo que tinha do lado da mesa. Puxou uma gaveta e tirou de lá uma caixa embrulhada em um papel de presente preto, com um laço renome e vermelho em cima. Andou de volta para a cadeira e se sentou com a caixa em mãos. — Feliz aniversário Fernanda — falou estendendo os braços em direção a ela, que o olhava com duvida. Ela hesitou um tempo em pegar o embrulho. Olhou para Halexander, que acenou para ela ir adiante, então tomou o presente de suas mãos. — Vá, abra! — ele falou empolgado.
Fernanda se levantou e começou a abrir o embrulho com toda delicadeza possível. Tirou primeiro o laço, com dificuldade, pois suas mãos tremiam. Depois que tirou todo o papel preto, revelou uma caixa dourada. Abriu a tampa e no mesmo instante seus olhos se arregalaram. Ela colocou as mãos na boca para tapar o grito que subiu por sua garganta. De dentro da caixa tirou um vestido prateado tomara que caía, com algumas pedrinhas brilhantes na parte do busto e uma calda sereia. Seus olhos ficaram marejados e ela parecia não acreditar no que estava vendo. Halexander se levantou e foi até onde ela estava parada com o vestido nas mãos, estendido a sua frente.
— Então você gostou? — Halexander perguntou se corroendo de curiosidade. – Eu desenhei especial...
Fernanda pulou em seu pescoço lhe dando um abraço tão apertado que ele temeu quebrar algum osso.
— Muito obrigada! Eu nem sei o que falar... — ela falou quase gaguejando. Olhou novamente para o vestido como se ainda não acreditasse em sua existência.
— Espero que você goste. Você é nossa funcionária mais antiga e não poderia deixar de lhe presentear com algo especial. Olhe, aqui, essas pedrinhas são pequenos diamantes. Nãos desfile com ele em qualquer lugar viu?
— Se eu gostei? — ela riu como se fosse uma piada. — É um legítimo Halexander Magno feito especialmente pra mim... As meninas vão morrer quando verem, minhas irmãs estão...
— Só não espalha por aí, se não todas vão querer — Halexander falou e ambos riram.
— Muito obrigada mesmo — Fernanda falou e deu um último abraço em Halexander, antes de sair da sala com o vestido já dentro da caixa.
Ele voltou para sua cadeira sorrindo e alguns segundos depois teve seu sorriso morto pela entrada de Vinícius na sala. Por mais que tentasse, e ele tentava bastante, Halexander não conseguia gostar do irmão adotivo. As feridas haviam se curado, mas as cicatrizes ainda estavam ali, marcadas em suas lembranças.
— Aqui está a lista — Vinícius falou depositando sobre a mesa uma prancheta com alguns papéis presos.
— Obrigado — Halexander respondeu friamente sem se dar ao desgosto de olhar no rosto do irmão.
— Então tá, deixe-me ir. Tenho um encontro com uma garota hoje, e ela é muito gostosa. Você não estende muito disso né? Mas que seja, tchau irmãozinho. — ele andou até do lado de Halexander e deu-lhe um beijo na bochecha, como forma de provocação. Logo depois saiu da sala.
A raiva que Halexander sentia deu lugar a curiosidade de saber quem era a garota que chamara sua atenção. Ele pegou a prancheta e folheou os papéis como se sua vida dependesse disso, ou como se fosse encontrar a cura para o câncer. Foi de folha em folha até dar de olho em um rosto conhecido. Seu rosto tão belo na foto quanto pessoalmente. Seu sorriso fez o coração dele bater mais rápido.
Era ela. Maria Victorie Delfino. O amor da sua vida.
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