Hard To Explain
1 I'm WHAT?
Notas iniciais
Escuridão, gemas de ovos nas ruas, balas nos meios fios, pirulitos espalhados nos jardins das casas, é realmente o halloweeen mexe com as pessoas. Eu particulamente odeio, olhando da janela de meu quarto consigo avistar todas as idiotas pessoas da minha escola se fazendo de legais para roubar doces das crianças. Minha vontade é de tacar uma pedra na cabeça de cada um, mas é óbvio que não posso.
Estou confinada dentro de casa a dias por vontade própria, não, não é apenas vontade é precaução, já que nos últimos dias tenho visto coisas anormais, como mulheres com cabelo de cobras, pernas estranhas e pássaros mortíferos. E o pior de tudo isso é que ninguém além de mim consegue ver. Minha TDAH tem piorado 90% nos últimos anos e toda vez que vou ler algo em inglês as letras fogem no livro e começam a dançar sobre meus olhos. Mas é tudo normal, coisa de adolescente, como diria minha mãe, talvez minha única amiga a não ser pelo meu hamster Dudu -eu tinha 8 anos quando assinei uma ata que eu mesma inventei, cujo o assunto era que o apelido do meu primeiro amigo, seria Dudu para menino e Lula para menina, portanto não zoe o nome do pobre Dudu.- Fui tirada dos meus pensamentos estranhos e solitários quando minha mãe bateu duas vezes na porta e gritou impaciente para eu descer porque a pizza tinha chego.
Eu já tinha mordido o primeiro pedaço de pizza quando Robert, meu padrasto e minha meia-irmã Suzan, chegaram lançando um terrível olhar em minha direção. Garota deplorável, pensei. Suzan era o tipo de garota totalmente contrário ao meu, ela era estilosa, popular, extremamente aceitável na lista de "garotas mais lindas da escola" feita por garotos, burra e falsa, totalmente falsa.
–Olá querida, olá Serena. -disse Robert, falando primeiramente com minha mãe e depois comigo- Suzan conseguiu vários doces nessa noite, por que você não saiu querida Sere?
Ai está mais uma coisa que odeio, os apelidos que Robert insiste em dar para tudo, semanas atrás peguei ele conversando com minha guitarra, a chamando de Guits. Juro que foi uma das cenas
mais estranhas da minha vida, tipo "ah esses dias peguei o engraçadinho do meu padrasto falando com minha guitarra, super normal".
–Ela gosta de ficar em casa escrevendo músicas e assistindo shows de rock, papai. Já conversamos sobre isso. -Suzan disse.
– Achei que ele tinha falado comigo, mas tudo bem, obrigada por me poupar de gastar saliva, Suzan. –ironizei.
Minha mãe abafou o riso do meu lado e mordeu a pizza. Ela também não é nem um pouco fã de Suzan.
Depois da janta, segui para o meu quarto, tomei banho e deitei na cama minutos antes de minha mãe entrar no quarto com cobertas extras.
– Mãe não está tão frio assim. -falei.
– Nunca se sabe quando iremos precisar de cobertas extras. -ela respondeu e em seguida me deu um beijo na testa e saiu. Não entendi o que ela quis dizer e também não entendi porque seus olhos estavam marejados. Fiquei pensando novamente em como minha vida seria melhor se meu pai não tivesse nos abandonado, não que eu seja uma pessoa triste, mas se ele estivesse conosco minha vida seria muito mais feliz. Nada de padastros malucos nem meio-irmãs chatas. E adormeci.
Acordei com o despertador tagarelando notícias, eu simplesmente odeio o fato de que meu despertador é programado para me acordar com a voz irritante do radialista local. Afastei a parte da coberta que cobria meus olhos e olhei para a janela em esperança de ter sol, e tinha. Levantei imediatamente, tomei um longo banho, arrumei meu cabelo ruivo de um jeito que a franja ficou lisa e o resto ondulado. Coloquei uma calça jeans, a blusa branca do uniforme e tênis. Peguei a mochila e encontrei minha mãe fazendo um penteado exagerado em Suzan, pra não variar.
–Mãe posso ir caminhando?-perguntei.
–Pode querida, só tome cuidado.-ela respondeu. Achei estranho mas sai.
Quando eu estava prestes a entrar na escola uma senhora de parou, seus olhos demonstrava ódio e terror.
– O que faz uma bela jovem como você ir caminhando a escola? -a senhora disse.
– Gosto do sol matinal, a senhora quer ajuda com as sacolas? -perguntei apontando para as milhares de sacolas que ela carregava.
– Oh, não precisa educada moça, estou mais interessada em carne de meio-sangues.
– Carne de meio-sangues?-perguntei, "meio-sangues" não me era uma palavra estranha, mas eu não sabia o significado.
– Não se faça de boba querida. Seu cheiro está mais forte agora. -a velha disse e então uma coisa macabra aconteceu, suas unhas aumentaram se transformando em garras, asas estranhas apareceram nas suas costas e sua cara ficou deformada. Meu coração acelerou quando ela tentou me agarrar e esquivei para o lado. Se eu tivesse pelo menos um faca as coisas seriam mais fáceis. E então outra coisa bizarra aconteceu, Marlin, o mendigo mais gente boa que conheço tirou as calças e... O QUÊ? Ele não tem pernas, normais, tem pernas de carneiros. O olhei sem entender nada quando a Senhora-bicho acertou minha cabeça com uma pedra.
Acordei em um lugar diferente, haviam bichos com pernas peludas como Marlin por toda parte. Minha visão ficou melhor e então consegui ver Marlin e mais algumas pessoas ao meu lado.
– Ora, ora, mais uma semideusa. -disse um homem barbudo que estava em uma cadeira de rodas.
– Semideusa? Quê? — perguntei segundos antes do homem adulto se levantar da cadeira de rodas deixando a mostra seu...traseiro de cavalo? Abafei um grito- Ah caramba! Mais um estranho! Que merda é essa?
– É mitologia querida, e agora você faz parte disso. — o homem com traseiro de cavalo respondeu.
– Nome: Serena. Idade: quinze anos. Sátiro: Martin. Cabelos ruivos com franja na testa, estatura mediana, olhos verdes. AH AQUI ESTÁ! VOCÊ É SERENA CERTO? ADOREI SEUS OLHOS! -um garoto desajeitado e magricelo disse assim que me achou entre todos aqueles "pacientes".
– Sou eu, quem é você? -perguntei
– Ele é Travis, filho de Hermes, está fazendo uns serviços pra mim. – respondeu o cara estranho.
– Tá, tudo bem, vamos para a parte mais importante. Por que estou aqui? –perguntei.
Ai sim as coisas começaram a ter um sentido. Ele me explicou que ele era um centauro e que seu nome era Quíron. Me explicou que ás vezes os deuses têm casos com mortais, de onde nascem os semideuses. Também explicou que eu sou uma semideusa, mas por enquanto, não sabem quem é meu pai olimpiano. Falou que vou ficar no chalé de Hermes por algum tempo até algum deus dar um sinal de que sou filha.
– Mas por que eu tenho sido perseguida por monstros por todo esse tempo?
– Estamos em um tempo de turbulências, os titãs estão tentando se reerguer para derrubar os deuses, e os monstros capturam semideuses para fazer um exercito poderoso contra nós.
– Nós, isso quer dizer que semideuses lutaram frente a frente contra titãs para ajudar os deuses?
– Exatamente.
– Isso é tão legal, quero dizer, guerras, lutas...parece um sonho.
– É bom que você pense assim, mas em cerca de dias tenho certeza que você mudará de idéia. Agora, Travis, a leve para a aula sobre deuses.
Eu estava zonza, era muita informação para um dia só, mas confesso que estava adorando esse lugar...como eles chamam? Acampamento Meio-Semideus? Não, não, é Acampamento Meio-Sangue. Era realmente bom saber que há pessoas como eu, que vêem as mesmas coisas, monstros, pássaros loucos e que provavelmente já passaram por isso.
Travis me deixou em um lugar cheio de livros e mapas, o Chalé de Atena e disse para uma garota loira que eu precisa ir á aula e que ele não poderia me levar pois está apertado para ir ao banheiro...mereço.
–Serena certo? –disse a garota.
– Certo, e você é quem? –perguntei.
– Cassie, seja bem-vinda.
Cassie me guiou até uma sala de aula diferente, com armaduras e mapas por todos os cantos. Sentei ao seu lado e comecei a me concentrar no que a professora dizia.
–...Cronos...
Então ela parou de falar e começou a olhar pra mim. Em seguida todos fizeram o mesmo, agora olhando pra algo acima de minha cabeça.
– Fogo, arco e flechas, medicina, música, oráculo, poesia, Sol, luz. –disse a professora- Ave Serena, filha de Apolo.
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