Happy Valentine's Day, Fionna
7 Capítulo VII - Marshall
Notas iniciais
Não me matem, não me matem, não me matem! x.x
Fiz ENEM este fds e não pude postar nada, mas estou de volta!
Vejamos se vocês gostam deste cap!
Grande abraço,
Annie F.
Andei pelo corredor, tentando aparentar despreocupação.
Nada havia acontecido. Ainda era o mesmo rapaz popular e radiante que deixava as mocinhas suspirando. Agora que minha banda iria tocar no baile do colégio, era ainda mais requisitado.
Todavia, não podia mentir pra mim mesmo. Sentia meu coração despedaçado, mais ainda do que eu pensara que fosse possível.
“Aquele idiota”, pensei, meu estômago contraindo-se de raiva. Minha memória, teimosa, levou-me ao passado.
Gumball e eu fomos amigos por muito tempo, mal consigo lembrar-me do dia em que nos conhecemos. Ele sempre estivera ali e era isso o que importava.
Sempre fui muito brincalhão, mas, apesar disso, pude contar com a amizade de Bubba. Ele entendia meus sentimentos – inclusive, sabia muito sobre Simone (embora não soubesse exatamente quem ela era), minha mágoa mais profunda. E de toda esta confiança nasceu uma paixão arrebatadora.
Ainda consigo lembrar-me da sensação. Bubba aproximava-se e o mundo brilhava um pouco mais. Se tocasse meu ombro quando contava uma piada, eu estremecia por dentro, o coração disparado, a boca seca.
Um dia, tudo aquilo desapareceu. Gumball afastou-se bruscamente, tornando-se um bastardo comigo. Humilhado, magoado e confuso, tornei-me ainda pior em minhas brincadeiras e a paixão por Robert tornou-se um desgosto muito profundo.
E então Fionna aparecera para nos unir em uma banda. O quão irônico aquilo poderia ser?
Uma onda de raiva ainda maior apoderou-se de meu coração. Agora eu entendia o porquê de Gumball ter feito aquilo comigo e sentia que poderia odiá-lo, fazê-lo sofrer a cada dia por ter sido tão baixo e sujo.
Ele não confiava em mim.
Senti meu estômago contrair-se. Meu melhor amigo, uma das pessoas a quem mais me doei, não acreditara em mim quando abri meu coração.
Maldito idiota!
Dentro de meu ser as águas agitavam-se, mas por fora o exterior era calmo como sempre. Aprendi deste cedo a lidar com as emoções: elas o fazem fraco se as mostra, porém são um poderoso estimulante quando cuidadosamente armazenadas dentro de si.
Percebi que Ashley caminhava em minha direção e quase não contive uma onda de nojo. Não sei o que eu vira nela na época, mas agora somente me causava raiva e repulsa.
- Marshall, querido, precisamos conversar.
Com um suspiro, assenti e sentei-me em um banco.
- Diga de uma vez.
Ela sentou-se também, abriu a mochila e tirou de lá o presente mais improvável do mundo:
- Perdão! – E me entregou Hambo.
Ignorando os olhares curiosos, abracei meu velho amigo com alegria. Era tão bom tê-lo de volta!
- Bem, obrigado, eu acho. – Disse, colocando Hambo em minha mochila.
Ashley continuava me encarando. Quando percebeu que não haveria nada mais, seu semblante ficou cheio de raiva:
- Cadê o seu romantismo, Marshy? Devolvi seu ursinho são e salvo! Agora podemos voltar a ser um casal!
Dissimulando a náusea que subia à minha garganta, respondi o mais seriamente que pude:
- Não há nada mais que isso, Ashley. Eu realmente agradeço o que fez por mim, mas, sendo você a pessoa que tirou Hambo de mim, não acredito que te deva alguma coisa. – “E nem quero voltar com você”, pensei.
O olhar dela era puro ódio.
- Você é um babaca mesmo, não sei por que ainda me importo. – Com uma risada má, ela acrescentou: — Não se preocupe em me dever nada, querido, o que ganhei com a troca desse bichinho encardido ainda está em minhas mãos. Talvez você devesse perguntar a Robert o que ele perdeu.
Ela continuou a falar sobre Gumball querer conquistar Fionna, mas meu cérebro desligou-se completamente da conversa.
Bubba estava envolvido nisso? Ele trocara algo importante por Hambo? Mas... por quê?
E, mais importante, o quê?
~’~’~
Quando meus pés finalmente alcançaram a rua da loja de Maja, senti o coração disparar. Não queria pensar em todos aqueles anos passados sem Hambo.
Fiquei feliz de ver que quem estava no balcão era Corvelho, o assistente. Era bastante perspicaz nas trocas, porém eu tinha a certeza de poder enganá-lo. Já estava na hora de Maja nos deixar em paz.
Segurei a corrente de ouro em minhas mãos enquanto me aproximava do balcão. O ouro era falso, mas somente um olho treinado – como o da dona da loja – poderia percebê-lo. Corvelho era astuto em muitas coisas, todavia reconhecer metais preciosos não era uma delas.
- Hey, Corv. – Cumprimentei animadamente. – Viu, queria trocar essa corrente de ouro. O que me dá por ela?
O outro a analisou com cuidado, utilizando até mesmo uma lente especial, mas eu sabia que era tudo teatro.
Quando terminou, disse:
- É falsa. – Aquela afirmação me congelou por dentro, mas continuei a sorrir como se nada tivesse acontecido. – Como você é um cara legal, vou procurar algo que possa servir.
Observei enquanto Corvelho revirava caixas e mais caixas de roupas e bugigangas. De repente, ele retirou uma camiseta preta tão conhecida que senti meu coração disparar.
Aquele era o pequeno tesouro a que Gumball renunciara por Hambo: uma camiseta que eu mesmo dera a ele alguns anos atrás. O que aquilo poderia significar? E por que ele não me dissera nada?
- Corv, o que acha de trocarmos a corrente por essa camiseta?
Ele a analisou bem e concordou.
- Fechado. Está muito velha e gasta mesmo, parece que alguém andou dormindo com ela. Nem sei porque está na caixa de itens que não devem ser vendidos.
Com um sorriso, embrulhei a camiseta em minhas mãos e segui para a casa de Gumball.
~’~’~’~’~’
Toquei a campainha com urgência, estava impaciente para resolver logo aquela situação.
Apesar do sol da tarde, Gumball obviamente estava dormindo. Seu semblante tornou-se alerta assim que me viu. As coisas ainda estavam bem estranhas entre nós.
Desembrulhei a camiseta e a entreguei em mãos. O olhar incrédulo de Bubba compensou todo o esforço.
- Isso é seu.
Seu semblante estava muito confuso.
- Quando...?
- Ashley me contou hoje de manhã. Não hesitou em te trair quando o plano dela não deu certo. – Com um suspiro, perguntei: — Posso entrar? Não me sinto confortável conversando sobre isso na porta.
- Claro, claro. – Disse Gumball, abrindo caminho para que eu passasse. Seguimos até a sala, onde nos acomodamos.
- Ashley disse-me que você estava tentando ganhar o coração de Fionna me afastando, mas eu não acredito um segundo sequer nisso.
Percebi que Gumball apertava a camiseta em seus dedos como se nunca mais fosse soltá-la.
- Por que fez isso?
Com um suspiro, ele respondeu:
- Finalmente percebi o idiota que fui com você, Marshall, mas sabia que jamais me perdoaria. Decidi torná-lo um pouco mais feliz, pois Hambo sempre lhe foi muito querido.
Fiquei um tanto quanto tonto ao perceber que ele se lembrava de meus sentimentos. Talvez pudéssemos voltar a conversar normalmente ou, quem sabe, até reativar a amizade. Aquele gesto de Gumball fora, para mim, como uma bandeira branca: paz, rendição.
A banda se beneficiaria e Fionna sofreria menos com tudo aquilo. Era realmente um bom recomeço.
- Eu te perdoo.
- O quê? – Gumball estava aturdido.
- Eu te perdoo pelo que aconteceu, Bubba. Seu gesto foi mais do que suficiente para me mostrar seu valor. Claro, não prometo a mesma amizade de antes, mas podemos tentar. Tudo pela banda e por Fionna.
- Fionna, banda... Claro, claro. Obrigado, Marshall. – O olhar dele era sincero.
Despedi-me animadamente de Gumball e corri para casa.
Que dia cheio!
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