Happy Valentine's Day, Fionna
5 Capítulo V - Fionna
Fionna’s P.O.V.
Quando penso que já vi de tudo, algum dos meninos aparece e me surpreende.
Primeiro: Marshall com aquela música? É claro que neguei veementemente as insinuações de Cake sobre o interesse dele em mim, mas não posso ignorar. Não se escreve uma música como aquela do nada e, apesar de Marshall adorar uma boa pegadinha, acredito que não seja brincadeira.
No dia seguinte, a outra surpresa: Flama, o imprevisível, foi o primeiro dos meninos a me convidar para o baile!
Estávamos Cake e eu conversando no corredor quando aquele apareceu.
- Fionna. – E me deu uma pequena flor. – Quer ir ao baile comigo?
Seco, direto e objetivo. Olho bem para os olhos dele e penso por um segundo. Será uma boa ideia?
- Sim, Flama. – Aceito e ignoro completamente o olhar chocado de Cake a meu lado.
Não me entendam mal, eu sei que Gumball e Marshall estão tão empolgados quanto eu com a banda que nem conseguem pensar em outra coisa, porém depois de ontem... Eu tinha a certeza de que Marshall me convidaria.
Não posso dizer que ele não é uma caixinha de surpresas, afinal. As relações dele com aquela doida varrida da “Rainha” ainda me deixam um pouco intrigada.
- Fionna!
Aceno de volta para Gumball, que sorri. De todas as paixões que tive, a por Gumball foi a maior delas. Talvez por ser a primeira...
- Ah, Fionna, querida. – Beija minhas mãos. Quando olho com estranheza, ele disfarça. – Escrevi algumas músicas, não quer passar em minha casa depois da escola? É rápido, prometo.
Sem pensar muito, concordo.
Quando Gumball vai embora, Cake puxa minha orelha:
- Fi, sei que este pode ser um momento confuso, mas cuidado para não se confundir mais.
- O que está dizendo?
- Flerta com Marshall, passa uma tarde a sós com Gumball e vai ao baile com Flama. Não é muita informação? – Seus olhos estão cheios de preocupação. –Não vá se machucar.
Sorrio.
- Pode deixar, amiga! – Dou-lhe um abraço. – Você é a melhor, sabia?
~’~’~’~
Gumball e eu vamos a pé para a casa dele após o término das aulas, pois ele mora perto e seus pais estariam fora até o final da tarde. Não correríamos o risco de incomodar ninguém.
Sentamo-nos no sofá da sala e Gumball tira uma pasta da mochila. Vai até seu quarto, traz o teclado e coloca uma das folhas no local apropriado.
- Tenho composto algumas melodias bem sentimentais, espero que goste!
Dou-lhe um soco de leve no braço.
- Meloso! Ugh!
Mas caímos na risada logo em seguida. Ele para, respira fundo e começa:
“I feel like nothing was real until I met you.
I feel like we connect, and I really get you.
If I said, "You're a beautiful girl," would it upset you?
Because the way you look tonight, silhouetted, I'll never forget it.
Oh, Oh, Fionna.
Your fist has touched my heart.
Oh, Oh, Fionna.
I won't let anything in this world keep us apart.”
Estou completamente chocada e, ao mesmo tempo, tocada. Com um impulso, tomo as mãos de Gumball nas minhas e finalizo a canção com ele:
"I won't let anything in this world keep us apart.”
A atmosfera da sala é completamente diferente agora: sinto que finalmente nos entenderemos e meu coração pula de alegria.
“Ding Dong!”
É a campainha. Gumball me dedica um olhar triste e quase solto um palavrão em voz alta. Justo agora?
Dou um salto ao perceber que o novo visitante é Marshall. O que ele está fazendo aqui?
- Olá! – Ele dá um tapa nas costas de Gumball e entra mesmo sem ser chamado. – Vim para o ensaio da banda.
O outro encara Marshall com raiva.
- Que ensaio?
Lee apenas ri e dá de ombros.
- Estamos um pouco irritados por aqui, certo? – Ele me beija no rosto, mas estou aérea demais para realmente sentir. Marshall levanta seu baixo e toca algumas notas. – Trouxe algumas letras na mochila. Que tal começarmos?
Gumball, a contragosto, pega a folha que o outro entrega e eu repito a ação. Damos o tom e Marshall completa com a letra:
“La da da da da,
I'm gonna bury you in the ground,
La da da da da,
I'm gonna bury you with my sound,
I'm gonna drink the red from your pretty pink face,
I'm gonna...”
- Marshall! – Gumball está tão estressado que me deixa um pouco apreensiva. Jamais o vi desta maneira. – Essa letra é de péssimo gosto!
O outro o encara com raiva.
- É mesmo, você não gostou? Ou será que é de mim que não gosta?
Com um olhar feroz, Marshall dedilha algumas notas no baixo e começa outra canção completamente inesperada:
“Sorry I don’t treat you like a god,
Is that what you want me to do?
Sorry I don’t treat you like you’re perfect,
Like all your little loyal subjects do,
Sorry I’m not made of sugar,
Am I not sweet enough for you?
Is that why you always avoid me?
That must be such an inconvenience to you,
Well... I’m just your problem,
I’m just your problem,
It's like I'm not, even a person, am I?
I’m just your problem
Well, I-I-I-I-I-I-I shouldn’t have to justify what I do
I-I-I-I-I-I-I shouldn’t have to prove anything to you
I’m sorry that I exist,
I forgot what landed me on your blacklist.
But I-I-I-I-I-I-I shouldn’t have to be the one that makes up with you,
So... why do I want to?
Why do I want to...”
Aquilo tudo é muito inesperado. O que está acontecendo? Como assim:"fazer as pazes”? Marshall e Gumball já foram... amigos? Olho para este e vejo que seu olhar é tão violento quanto o de Marshall.
Prevejo sérios problemas e não há nada que eu possa fazer para evitá-los.
- Hei, meninos, vamos parar com isso...
- Pode deixar, Fi – Gumball me interrompe com rudeza, mas acho que nem mesmo ele percebeu este fato. Volto a me sentar no sofá e observo a cena em silêncio. – Você é mesmo uma piada, Marshall Lee. Adora fazer brincadeiras com os outros! Por que não vai fazer pegadinhas com alguém que o queira bem?
- Cale-se, seu idiota!
Coloco as mãos na boca, tão chocada que não consigo falar. Gumball está sendo mal-educado! E pior: falando por mim!
- Gumball, eu também gosto de Marshall e...
- É mesmo, Fi? – Os rapazes nem olham mais para mim. – Deixe-me contar tudo o que sei sobre esse valentão e aposto que seus sentimentos mudarão rapidamente.
Minha cabeça dói com a confusão. O que diabos está acontecendo aqui?
- Ora, seu! – Marshall avança em Gumball e os dois se engalfinham em uma luta de chutes e pontapés.
Oh, isso já é demais para mim! Corro até eles e os separo cuidadosamente (não quero levar um soco de graça).
Sangue escorre da boca de Gumball e do nariz de Marshall.
- Quer saber uma pegadinha engraçada? Ficar bêbado e dizer que está apaixonado pelo melhor amigo! – Diz aquele com um triunfo na voz.
Oh, my Glob! Não estou entendendo mais nada. Marshall gostava de Gumball?
O semblante de Marshall empalidece, mas a raiva permanece em seus olhos.
- Então é por isso que deixou de ser meu amigo! – Ele, desnorteado, passa as mãos pelos cabelos e isso toca meu coração. – Será que já parou pra pensar que talvez fosse verdade?
Agora é a vez de Gumball empalidecer.
- Éramos melhores amigos deste a mais tenra infância, cara. Acha que eu ia brincar com algo assim?
O outro finalmente parece cair na real.
- Marshall, eu...
- Não quero ouvir. – Ele fecha os olhos por um momento, mas os reabre com uma raiva dobrada: — Você é pior do que Ashley, muito pior. E sabe o que ela fez? Vendeu o Hambo!
Gumball cai no sofá totalmente sem reação. Marshall rapidamente pega suas coisas e sai batendo a porta.
Balanço a cabeça. O que acabei de presenciar? São tantas emoções que ainda estou um pouco confusa.
Quando finalmente consigo coordenar meus movimentos, aproximo-me de Gumball e pergunto:
- O que é “Hambo”?
Ele me olha com um olhar confuso, mas logo me reconhece.
- Ah. Oi, Fi. – Respira fundo e olha para as próprias mãos. – É um ursinho de pelúcia que o Marshall tem desde muito pequeno. É um presente de uma pessoa muito especial para ele, alguém que é quase uma mãe. – Suspira e temo que ele possa chorar, porém seus olhos continuam secos. – Se Ashley fez isso, a dor que Marshall deve ter sentido é imensa. Se o que fiz a ele foi pior... – Passa as mãos pelo cabelo. – C-concorda com ele?
É uma pergunta difícil, mas nunca menti para Gumball.
- Se ele era seu melhor amigo, você deveria ter confiado.
Ele assente pesarosamente e continua distraído. Sabendo que precisa ficar sozinho, reúno minhas coisas e despeço-me rapidamente.
O futuro da banda pode estar ameaçado, mas quem é que se importa com isso? Meus dois melhores amigos passam por um momento terrível e não posso fazer nada.
Que saco!
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