Happy New Year!

2 Uma nova realidade


Notas iniciais
Então, como eu sou muito influenciável resolvi atender os apelos (leia-se, uns dois ou três comentários) que pediam por uma continuação. Resolvi escrever esse bônus, agora com a visão do Tony sobre essa nova fase da vida. Espero que você gostem ;) *Narrado por Tony Stark

Acordei sozinho em nossa enorme cama, Pepper não estava ao meu lado, olhei para o relógio e vi que ainda era madrugada. Era final da gestação, e ela vivia reclamando do incômodo, dizia que não achava uma posição para dormir, por mais que a médica tivesse mostrado várias posições confortáveis.

Na verdade se levantava todas as noites desde quando o quarto do bebê ficou pronto e eu sempre tinha que levantar da cama e ir buscá-la. Não seria diferente hoje. Entrei quanto iluminado apenas pelo abajur que refletia estrelas nas paredes azuis e caminhei até a poltrona onde ela dormia com as mãos sobre a barriga. Pepper era linda, sempre foi, mas a gravidez deu a ela um brilho especial, não sei como explicar, mesmo agora no final da gestação, fase que ela estava mais exausta ela continuava lindíssima.

—Pep— chamei baixinho ajoelhando-me diante da poltrona, ela não respondeu —Meu amor— eu chamei dessa vez acariciando o rosto dela e então ela abriu os olhos.

—Oi, meu amor— ela sorriu fraco —Eu vim para cá, porque, seu filho não me deixa dormir.— ela explicou.

—Mas você estava dormindo aqui.— eu disse.

—Acho que ele gosta daqui, ele deve saber que é o quarto dele.— ela falou. —O que é um bom sinal.— fiz uma cara de dúvida e ela continuou —Por que se ele gosta do quarto dele, não terá desculpa para dormir na nossa cama.— ela concluiu.

—Ótima observação, Pepper.— dei-lhe um beijo casto. —Mas pode confessar que você veio até aqui, porque gosta daqui.— eu disse para ela.

—Eu gosto daqui, eu fico imaginando o dia em que ele estará aqui, dormindo no berço dele. Eu quero ver o rosto dele, sentir o cheio dele, agora que ele está quase chegando parece que o tempo está passando mais devagar. Você também tem essa impressão?— ela me perguntou.

—Tenho— eu disse —Só não estou mais ansioso para ver o rosto dele porque sei que ele se parecerá comigo, e por isso, será um garotão lindo.

—Você é muito convencido, Sr Stark, eu tenho certeza que ele terá alguma coisa minha também.— ela me disse.

—Tudo bem, ele pode se parecer um pouco com você também, mas agora nós vamos voltar para o quarto— me levantei e estendi as mãos para ajudá-la a se levantar.

—Não, eu quero ficar aqui— ela resmungou.

—Então eu vou ficar também— eu disse, fiz com que ela se levantasse para que eu sentasse na poltrona e depois ela sentou-se no meu colo.

—Ele mexeu, seu filho deve gostar de você, Tony— ela disse se aconchegando ao meu colo.

—Claro que ele gosta de mim, eu sou o pai dele. Mas ele não deve ter mexido, quase não há mais espaço para ele se mexer aí dentro.— eu disse.

—Mas mexeu e vai mexer de novo, coloca as mãos sobre a minha barriga— ela pediu e eu coloquei. —Filho, mexe para a mamãe.— ela pediu com a voz doce. E não é que o garoto mexeu? Nosso filho, assim como eu, fazia tudo o que Pepper pedia.

—Mas a médica falou que os bebês se mexem menos no fim da gestação, pela falta de espaço.— eu lembrei.

—Você já devia saber que o nosso filho não será como a maioria dos bebês.— ela disse.

—Ele será um gênio, como o pai, não é Thomas Stark?

—Thomas Potts Stark— ela me corrigiu.

—Potts Stark, entendi, Sra Stark— eu disse afagando a barriga dela e então Pepper levou as mãos sobre as minhas.

—Tony, cadê a sua aliança?— ela me perguntou.

—Errr, eu devo ter deixado na oficina.

—Eu não sei por que você tira a aliança para mexer nos seus projetos, você a usa há 7 meses já era para ter acostumado.— ela me recriminou.

Sim, nós casamos algum tempo depois que Pepper me contou sobre a gravidez. Quando eu a pedi em casamento ela me disse que não precisava, que não queria que eu me casasse com ela só porque ela estava esperando um filho meu. Mas antes de saber da gravidez eu já pensava em pedi-la em casamento.

Casamento, Tony? A nossa relação não precisa de um rótulo.— ela me disse, e mesmo assim eu insisti. —Nunca imaginei que você fosse um careta, casar só porque a sua namorada está grávida.— ela falou.

Eu não casei com Pepper por causa do bebê, casei com ela por que eu amo. E agora, ela que me criticou por ser careta, briga comigo por eu tirar a aliança e esquecer de colocar. Vai entender.

—Pepper, aliança é só um símbolo da mesma forma que o casamento é só um rótulo.— eu a provoquei.

—Você me fez aceitar o rótulo, Sr Stark, agora faça o favor de carregar o símbolo.— ela disse um tanto irritada levantando-se do meu colo com dificuldade.

—Aonde você vai, Pepper?— perguntei.

—Vou para o quarto, e você vai procurar a sua aliança lá na oficina.— ela disse imperativa.

(...)

Thomas nasceu grande, saudável, um lindo, lindo garoto. Pepper está em nosso quarto, dormindo, depois de ter se dedicado a ele por horas. E eu estou aqui, babando, não consigo ficar muito tempo longe desse garoto. Fury teve a audácia de me convocar para uma missão, claro que eu recusei, estou de licença paternidade, ora essa.

Ele

resmungou no berço e eu logo o peguei nos braços para niná-lo novamente. Pepper não demorou aparecer na porta do quarto, com certeza ouviu o murmurar dele pela babá eletrônica.

—Tony, você não pode pegá-lo no colo todas as vezes que ele resmungar— ela me repreendeu.

—Ele não resmungou, ele chorou.

—Ele resmungou, eu ouvi. Vamos coloque-o de volta no berço.— ela mandou.

—Mas é tão bom ficar assim.— eu disse com ele ainda próximo ao meu peito.

—Eu sei, ele cheira tão bem, não é?— ele correu o nariz sobre as pequenas costas de Thomas. —Mas ele tem que voltar para o berço, ele tem que crescer independente, nós não estaremos ao lado dele todas as vezes que ele chorar.— ela disse e eu o coloquei no berço.

Abracei Pepper por trás, repousei o meu queixo nos ombros dela e ficamos ali, por vários minutos em silêncio apenas admirando o nosso filho.

—Ainda não acredito que eu fui capaz de fazer uma coisa tão perfeita.— ela disse.

—Eu também não, embora eu tenha feito outras coisas muito bem em toda a minha vida.— ironizei —Podíamos fazer outro daqui a algum tempo.

—Deus, Tony, Thomas tem um mês e você já está pensando em ter outro filho? Eu não vou ficar procriando feito uma coelha não, Sr Stark.— ela me censurou.

—Mas,... continuaremos copulando feito coelhos— eu a apertei contra o meu corpo.

—Comporte-se na frente da criança!

—Ele está dormindo, Pep.

—Parece um anjo, eu nunca pensei que pudesse amar tanto alguém. — ela disse.

—Parece comigo, por isso você o ama tanto. Preste atenção nos detalhes— eu disse —As minhas mãos, meu nariz, minha boca o cabelo escuro como o meu— e então Thomas abriu os olhos.

—E os meus olhos.— ela disse vitoriosa. Thomas tinha os olhos azuis, vivos e penetrantes como os de Pepper.

(...)

Hoje Thomas faz três anos, nós nos mudados para Nova York, a casa de Malibu é uma espécie de refúgio para os finais de semana. Pepper trabalha num escritório da empresa que nós temos num dos andares da Torre Stark e assim consegue ficar de olho em nosso filho. Eu pouco a pouco fui diminuindo a quantidade de missões, porém, continuo na S.H.I.E.L.D como conselheiro e desenvolvedor de novas tecnologias. No começo foi difícil me ver livre da sensação de adrenalina que só as batalhas me proporcionavam, mas agora eu tenho uma família, e estar em campo significa conquistar inimigos, eu não posso colocar Pepper e Thomas em perigo.

—Bom dia, meu amor.— Pepper me disse quando me encontrou na sala.

—Bom dia, onde está o nosso garoto?— eu perguntei.

—Dormindo ainda, vou acordá-lo daqui a pouco.— ela disse sentando-se ao meu lado.

—Não precisa ter pressa— eu disse e então a beijei com volúpia, ela levou uma mão a minha nuca e a outra ao meu ombro, puxando-me para ela, me consumindo. Os anos não afetaram o nosso relacionamento, a nossa paixão ainda era a mesma. Quando o ar se tornou necessário nos separamos ofegantes.

—Que horas chega o pessoal da decoração do aniversário?— ele me perguntou ofegante.

—Depois do almoço.— eu respondi —Ainda temos tempo.— disparei um olhar lascivo na direção dela.

—Quem decide o meu tempo durante o dia é outro homem agora, Sr Stark. Por isso eu irei acordar o seu filho para que ele canse bastante durante o dia e durma cedo.— ela me deu um sorriso sexy, acompanhado de um olhar travesso.

—Você está mal intencionada, Sra Stark?— perguntei.

—Claro que não— ela aproximou os lábios dos meus —Eu tenho a melhor das intenções— ela sussurrou, me deu um beijo no canto da boca e levantou-se seguindo para o quarto de Thomas.

Todos os Vingadores vieram para o aniversário de Thomas. O capicolé enfim arrumou uma namorada e eu sinceramente fiquei feliz por ele. Bruce reencontrou a mulher da vida dele e acabou se casando com ela, Natasha e Clint tinham um lance não definido, mas mesmo assim não se desgrudavam e Thor vivia viajando pelo portal entre a Terra e Asgard e ainda namorava com Jane.

—Quem diria que Tony Stark, o Homem de Ferro, se transformaria em um homem de família?— Natasha me provocou.

—Não me arrependo de ter virado um homem de família— eu disse —Aliás, ruiva, já está na hora de você e o Gavião procriarem, e façam uma menina, por favor, meu filho vai precisar de uma namorada.— eu revidei.

—É verdade— disse Pepper —acho que está na hora de vocês todos terem seus filhos. Imagina Natasha, uma garotinha ruiva, marrenta e atiradora de flechas?

—É bom que minha filha saiba se defender, nenhum Stark vai chegar perto dela não.— disse Clint.

—Barton!— Natasha repreendeu Clint —Não teremos filha nenhuma, não viaja.— caímos na risada.

Conversávamos quando Thomas se aproximou de nós, grudou nas pernas de Pepper e olhava todo mundo com certa desconfiança.

—Diga oi, filho.— disse para ele.

—São os amigos do trabalho do papai, filho.— Pepper disse para ele.

—Ele é mesmo um belo garoto.— disse Jane —Olha esse olhar.

Pepper logo me fitou, ela sempre me disse que por mais que Thomas se parecesse comigo as pessoas sempre reparariam nos olhos dele, que era a única coisa dela que ele tinha.

—Ele é a mistura perfeita de nós dois.— ela disse para me consolar com certeza, ela tinha mania de fazer isso, mas Thomas era mesmo um misto de nós dois, inclusive no temperamento.

Thomas logo se encantou com Thor, que veio de Asgard e não teve tempo de colocar roupas civis, não demorou muito e o meu menino estava puxando a capa do Deus do Trovão.

—Stark, dê um jeito nesse garoto.— ele disse —As crianças de Asgard são muito mais comportadas.

—As crianças de Asgard estão acostumadas com homens cabeludos usando cortinas como capa.— ironizei.

A festa correu tranquila, depois dos parabéns todos foram embora, Thomas se divertiu muito, e como Pepper previu ele estava exausto ao final, ela o encontrou em meio aos presentes que ele havia ganhado.

—Filho, vamos dormir?— ela perguntou para ele que balançou a cabeça positivamente, ao passar por mim, ele estendeu os braços na minha direção, então eu o levei para o quarto.

Colocava Thomas para dormir, quando comecei a conversar com ele —Três anos, filho, como você cresceu, e você ainda vai crescer mais. E vai ficar forte e charmoso como o seu pai e, com esses olhos azuis, você será o terror das menininhas, certeza que você terá uma namorada por semana, ninguém resiste a um Stark...

—Hum-rum...— Pepper pigarreou parada à porta.

—Mas você só irá casar quando encontrar uma mulher incrível como sua mãe.— eu completei.

—É assim que você coloca o meu filho para dormir, Sr Stark?— ela caminhou até a cama de Thomas e acariciou seu rosto e os cabelos negros dele. —Não preste atenção nas coisas que o seu pai diz, filho, ele não sabia nada até a mamãe trazê-lo para a realidade.— ela deu um beijo na testa dele e saiu do quarto.

—Filho, o papai te ama, viu?— eu disse e dei um beijo na testa dele também. O que mais eu podia dizer depois do que Pepper disse? Ela estava certa.

Quando cheguei ao quarto, Pepper não estava lá, eu fui até o banheiro e me encarava no espelho quando ela chegou.

—Onde você estava?— perguntei.

—Juntando os brinquedos do Tom— ela disse, Pepper havia começado a chamar Thomas pelo apelido a alguns meses —Você reparou como ele cresceu, o nosso bebê já é um homenzinho, cheio de vontades.— ela disse me abraçando, e seus olhos marejados refletiram no espelho a minha frente.

—Tony— ela disse, encostando os quadris na pia de granito escuro ficando ao meu lado. —Me ajude a sentar aqui em cima.— então com um pequeno impulso a tirei do chão e coloquei sobre a pia, ficando em pé entre as pernas dela, mantendo as minhas mãos firmes em sua cintura. A blusa de seda cinza-claro com os primeiros botões abertos, talvez estrategicamente, deixava todo o colo e a lingerie preta de Pepper a mostra.

—Você está mal intencionada, Sra Stark, eu gosto disso.— apertei a cintura dela com as mãos.

—Eu tenho uma proposta para te fazer— ela disse envolvendo as pernas ao redor da minha cintura enquanto apoiava as mãos sobe a pia.

—Indecente?— perguntei com um sorriso lascivo.

—Claro que não, Sr Stark.— ela me disse com um olhar sexy.

—Qual é a sua proposta, então?— arquiei uma sobrancelha.

—Eu quero ter outro filho com o homem da minha vida, mas se ele não quiser, pode ser com você mesmo.— ela sorriu.

Beijei o colo de Pepper e a ouvi ofegar, enquanto terminava de desabotoar sua camisa, trilhei caminho de beijos até o seu ouvido —Hoje deve ser o seu dia de sorte, Sra Stark— eu sussurrei —O homem da sua vida está disposto a lhe dar outro filho.

Beijava incessantemente o ombro de Pepper enquanto ela desabotoava a minha camisa levando-a ao chão. Suas mãos passeavam sobre os músculos das minhas costas. Nossos olhos se encontraram por alguns instantes, me perdi na imensidão daquele azul, e então desejei que o nosso próximo filho também tivesse os olhos dela. Ela segurou o meu rosto com as mãos.

—Eu amo você, Sr Stark.— ela disse como se fosse a primeira vez que ela estivesse dizendo aquelas palavras.

—Eu amo você, Sra Stark.— eu respondi e então lhe dei um beijo, possessivo, carinhoso, devorador, intenso. Tudo o que eu sentia por ela estava depositado nesse beijo.

(...)

Olívia Potts Stark, ou Liv, como nós carinhosamente chamamos tem pouco mais de um ano, e é a cópia perfeita de Pepper, dos fios de cabelo acobreados às sardas. Tom tem quase cinco anos e é cada vez mais parecido comigo, apesar de ter os olhos dela. Pepper continua linda, os anos e os filhos só fizeram bem a ela, e eu, bem...

—Tony, você não pode ficar se encarando nesse espelho o dia todo.— Pepper adentrou o banheiro interrompendo o meu devaneio. —Todo esse drama por causa de um cabelo branco?!

—Eu estou velho, Pepper— eu disse.

—Claro que não, você ainda é o mesmo, continua lindíssimo, uma delícia.— ela disse abraçada a mim por trás e correndo as mãos sobre o meu peito. —Você ficou um charme grisalho.— ela me provocou.

—Um cabelo branco não me faz grisalho.— eu rebati.

—Se você sabe disso, então para de drama, eu e nossos filhos sempre amaremos você, independente da cor do seu cabelo.— ela disse e saiu.

—Você diz isso porque ainda não tem nenhum cabelo branco.— eu disse caminhando atrás dela.

—Você que pensa.— ela sentou-se a beira da cama —O meu primeiro cabelo branco apareceu na semana passada, mas eu não liguei, fico feliz por viver tempo o suficiente para ver os meus filhos crescerem e os meus cabelos ficarem brancos.— ela me disse.

—Você está certa, mais uma vez.— eu dei-lhe um beijo casto.

—Se a missão da sua vida era ser o Homem de Ferro, a minha é trazer você para a realidade, sempre que for preciso.— ela estava certa, sentei-me ao seu lado e não demorou para que Thomas adentrasse o nosso quarto trazendo Olívia pela mão.

—Filho, cuidado com a sua irmã, ela aprendeu a andar faz pouco tempo.— disse Pepper.

—Liv destrói todos os meus brinquedos, está tudo babado.— Thomas reclamou.

—Você babou em várias ferramentas minhas, garoto, a sua irmã está dando o troco por mim.— eu o agarrei em meus braços, enquanto Pepper trouxe Olívia para seu colo.

E agora, aqui com o meu único cabelo branco e a minha família eu não posso deixar de me lembrar de uma época em que eu era um ser, digamos, desprezível, e alguém me disse: “Tem gente que é tão pobre, que só tem dinheiro”.

Eu era mesmo um miserável quando só tinha o meu dinheiro. Não serei hipócrita em dizer que não ligo para dinheiro, afinal, com ele eu posso dar conforto a minha família. Mas hoje, eu posso sim dizer que eu sou rico, eu tenho tudo. Tenho Pepper, Thomas e Olívia, essa é a minha realidade.



Notas finais
Esse foi o bônus, curtiram? Então digam o quanto, ok? Foi só isso mesmo, um agrado para vocês. Para quem gosta de Pepperony, eu tô no meio de uma fic sobre eles, por isso não posso me dedicar a outra, pelo menos não agora. Beijo, pessoas =)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!