Happy New Love

1 E o que tem de bom?


Notas iniciais
Não chorem, não se sintam mal pelo ponto de vista que o Kai ( ou no caso eu, autora ) tenho das festas de final de ano. xP
Eu escrevi isso porque eu tava com dor de ouvido e tava naquele momento deprê que eu sempre passo no final de ano. xP Então relevem a carga excessiva de drama presente aqui.xP
E não, não gosto de Natal e nem de Ano Novo. xP Me batam...
HSAUIHSAUIHSUIASIUAHSHASHAHSAHSUAIHSAUSAH

Booom, boa leitura. Espero que gostem *----------*

Happy New Love

Digamos que eu nunca fui nenhuma espécie de pessoa sociável, alegre e contagiante. Muito menos daquele tipo escandaloso, chamativo e afins. Não que eu seja uma parede, é só que eu não tenho facilidade e nem disposição para me socializar.

E mais um ano aqui estou eu na festa de réveillon que a empresa organizou. Não é como se eu gostasse de estar aqui. Nem como se eu partilhasse desse sentimento de prosperidade, de promessas para o novo ano e tudo o mais. É só mais um ano, não é? O que tem de diferente? É só um dia após o outro. Não tem nada de espetacular nisso.

Por mim eu estaria em casa, com um pedaço de pizza, um copo de refrigerante e usando meu pijama. Mas ele sempre faz questão de me inserir nessas festas de confraternização. Sempre. Sem exceções. No Natal eu consegui escapar por conta de uma desculpa a respeito da minha religião. Natal é outra coisa que eu realmente não sinto falta, não me preparo e não comemoro. È algo tão hipócrita, tão superficial. É só uma desculpa que as pessoas acharam para comer de graça, encher a cara e de quebra ganhar um presente. Mas por causa da minha ausência na ceia e Natal, ele me fez prometer que eu estaria aqui a festa de Réveillon... E para me ver livre de sua insistência o que eu fiz? Prometi. Eu não viria de fato, mas ele foi me buscar e eu vim, fazer o que... Só que eu me sinto tão deslocado. Tão fora do meu ambiente... Isso não é pra mim. Todas essas pessoas sorrindo, se divertindo, dançando... Eu não pertenço a esse lugar.

O garçom passou ao meu lado e me ofereceu uma taça de champagne. Agradeci e peguei-a. E ele me lançou um olhar que beirou a pena. Talvez ele percebeu o quão perdido eu estava ali, encostado numa parede ao fundo do salão. De fato, em meia hora ele foi a primeira pessoa a me notar naquele lugar, tirando Yuu, é claro. E é sempre assim.... Eu sou praticamente invisível, dispensável, descartável. Eu sou a última pessoa de que se lembram e a primeira a ser esquecida. Prazer, me chamo Uke Yutaka e não estou afim de continuar aqui.

Falta pouco tempo pra meia noite, mas não quero ficar aqui; todo mundo vai começar a se abraçar e dizer aquela mesma ladainha de sempre, aquelas frases prontas. E não quero que venham fazer isso comigo, ainda mais porque sei que seria só por educação. Isso se vierem...

Mas sinceramente? Não vou esperar pra ver...

Virei todo o liquido da taça na boca e coloquei-a sobre uma mesa ali no fundo. Peguei meu casaco, vesti-o e fui andando normalmente até a saída, afinal, não tinha pra que ter pressa ou pra que esperar. Ninguém daria falta de mim...

Pensei em me despedir de Yuu, afinal ele era o único naquele lugar a qual eu nutria algum sentimento, então vasculhei o salão com o olhar até encontrá-lo. E lá estava ele, aquele sorriso lindo adornando seus lábios carnudos enquanto cumprimentava alguns colegas de trabalho. Fiquei alguns minutos observando-o até que nossos olhares se cruzaram. Se é que é possível, seu sorriso pareceu aumentar, e eu mesmo sorri em resposta. Ao contrário da maioria das vezes, esse não foi um sorriso automático. Aliás, ele é uma das únicas pessoas que recebe um sorriso sincero de mim.

Acenei para ele, me despedindo e movi meus lábios, mesmo que som nenhum os tenha deixado, formando um \"Até Mais\", para que o moreno soubesse que eu estava indo embora. Me virei a tempo de não ver a expressão de tristeza ou decepção que sempre tomava conta do rosto dele, antes de ele me chamar e pedir pra que eu ficasse. No final das contas eu sempre cedia...

Caminhei a passos apressados na direção da saída, pois sabia que ele viria atrás de mim, mesmo que para ele fosse bem mais difícil sair do que pra mim. Ele é aquele tipo de pessoa amada e querida por todos, então a cada passo que dá, alguém diferente o para querendo conversar. E não foi surpresa para mim quando passei pela porta e olhei para trás e o vi tentando se desvencilhar de algumas pessoas que insistiam em tirar várias fotos com ele.

– Kai! — ouvi sua voz me chamar em meio a gargalhadas e o som alto da música que animava a festa. Sorri mais uma vez e saí de vez daquele lugar. Faltavam poucos minutos para a virada do ano e eu não me sentia nem um pouco empolgado com isso...

Fazia bastante frio, e mesmo que eu estivesse devidamente agasalhado não dava pra evitar que um calafrio percorresse meu corpo toda vez que uma rajada mais forte de vento avançava contra meu rosto. E eu só me encolhia mais contra eu mesmo enquanto caminhava calmamente pelas ruas movimentadas, vez ou outra respondendo aos votos de \'feliz ano novo\' dos transeuntes que por ali passavam.

Parei de andar quando senti algo gelado tocar meu rosto, e eu quase pude sorrir quando vi que era neve. Naõ era espessa e poucos flocos caiam do céu. É, eu gosto de neve. Fiquei uns bons minutos, parado no meio da calçada só vendo-a cair. Logo o céu se iluminou e meus ouvidos se encheram daquele som característico de fogos de artifício. Olhei meu relógio só para confirmar o que já sabia...

– Mais um ano... — disse para mim mesmo. E não se engane. Não foi com alegria. Foi com pesar que essas palavras deixaram minha boca.

– Feliz Ano Novo, Kai... — ouvi a voz firme de Yuu soar perto de mim, então sorri, agora visivelmente triste, sem me dar ao trabalho de me virar.

– E o que tem de bom, Yuu? O que tem de feliz?

E ele não respondeu, porque afinal de contas, nem mesmo ele sabia o que de feliz tem uma passagem de ano.

– Por que saiu da festa? — perguntou, se aproximando mais de mim, ficando ao meu lado enquanto eu observava as várias cores que o céu assumia de acordo com cada explosão de fogos.

– Não estava me sentindo muito bem... — falei a primeira desculpa que me veio à cabeça, num ato quase automático.

– O que tem? Quer que eu te leve...

– Não, Yuu... Não se preocupe. Você deveria voltar pra lá. A essa altura já deram por sua falta...

– Estou pouco me importando com eles, Yutaka.

Desviei meu olhar do céu e dirigi-o ao moreno ao meu lado, que me olhava um tanto quanto aflito. E eu não podia negar que ficava feliz com a preocupação dele para comigo, porque eu ficava. Então, como se para tentar tranquilizá-lo, levei uma de minhas mãos até seu rosto, tocando-lhe as bochechas coradas por conta do frio, levemente, quase que cuidadoso.

– Vá se divertir, Aoi... Eu vou ficar bem... — afirmei e passei meu polegar por sua pele numa carícia suave, que foi o suficiente para fazê-lo fechar os olhos e pousar sua mão sobre a minha.

– Não é a mesma coisa sem você, Kai...

– Exatamente. Eu não quero passar mais uma virada de ano te importunando e dizendo o quão injusta e cruel a vida é comigo. — expliquei e vi ele abrir os olhos para me encarar. E não foi pena o que eu vi em seus olhos... Foi compaixão, compreensão.

– Você nunca me importuna... — respondeu quase que ofendido e eu ri baixo, trazendo-o para mais perto e tomando-o num abraço. Dexei que minhas mãos pousassem uma em suas costas e outra em sua cintura, enquanto ele envolveu ambos os braços ao redor do meu pescoço.

– É porque você é gentil demais para perceber isso...

– Kai...

– Eu quero que você se divirta por mim Aoi, já que eu sou incapaz de fazer isso por mim mesmo. — pedi, apoiando meu queixo em seu ombro.

– Eu não quero me divertir por você. Quero me divertir com você.

– Não devia se privar da festa por minha causa...

Ele não respondeu novamente, só apertou ainda mais o abraço, que eu retribui sem hesitar. Ficamos assim ainda por vários minutos, em silêncio vendo os clarões e ouvindo os sons dos fogos de artifícios que ainda preenchiam a noite.

– Yutaka, a quanto tempo a gente se conhece? — me perguntou de repente e não precisei pensar muito para saber a resposta.

– Vão fazer quatro anos em fevereiro.

– E desde quando eu me preocupo tanto com você?

– Desde a festa de carnaval que você me viu sozinho. Na verdade, você só começou a se preocupar mesmo na festa de páscoa. Por quê? — Ele pareceu ponderar as informações e ficou uns poucos segundos em silêncio antes de recomeçar a falar.

– Porque então, vão fazem três anos desde que eu comecei a amar você... — e desencostou-se um pouco de mim, o suficiente para me olhar nos olhos — ... Eu te amo, Yutaka. É por isso que eu me preocupo com você. É por isso que não vou te deixar sozinho por mais que você me peça.

E eu fiquei parado. Olhando-o por um tempo indeterminado, surpreso por causa da revelação. Chocado? Não.... Mesmo não tendo certeza, eu sempre soube que o que havia entre eu e ele era mais que simples amizade. Todos os dias havia aquela troca de olhares, leves toques, sorrisos mais longos e mais sinceros.... Tudo isso denunciava aquele sentimento, só não via quem não queria. Mas uma coisa é você amar alguém e outra coisa é esse amor ser retribuído. E Deus, como eu o amo. Três anos fazendo o possível e o impossível só para ficar mais perto dele. Três anos sendo amparado por seus cuidados e preocupações. De fato, nesses três anos ele foi o motivo dos meus sorrisos. E eu guardei isso por tanto tempo, e agora, em cinco minutos eu sei que é recíproco.

Senti o calor do corpo de Yuu me deixar, então acordei de meus pensamentos. Ele estava de cabeça baixa e se preparava para sair de perto de mim. Mas eu não deixaria. Não ele. Não dessa vez...
Segurei em seu braço, parando-o e logo minha mão livre foi direto à seu rosto, puxando-o para selar nossos lábios. Não passava de um leve toque, mas eu me senti aquecer por dentro. Uma sensação tão boa e que eu não sentia há tempos. No início ele ficou assustado, mas logo senti seus lábios se curvaram num sorriso e retribuir, pondo as mãos em minha nuca.

Eu havia me privado do direito de amar por tanto tempo, me privado de ser feliz que senti meus olhos arderem e mesmo estando fechados, as lágrimas surgiram e me fizeram perceber o quanto eu perdi em todos esses anos. Perdi minha liberdade, perdi a vontade de viver... E tudo voltou à tona com aquele simples toque de lábios que troquei com Yuu.

Nunca foi uma tarefa simples para mim demonstrar meus sentimentos abertamente, pelo contrário, eu tenho um bloquei emocional que me impede de dizer para as pessoas que eu gosto um simples \'eu te amo\'. Posso contar nos dedos as vezes que disse isso.

Senti os dedos de Aoi em meu rosto, secando aquelas lágrimas que insistentemente deixavam meus olhos. Mas não eram lágrimas de tristeza dessa vez, eram de alegria porque em sete anos, aquela era a primeira vez que eu me sentia vivo.

– Kai, por que...

– Eu também te amo, Aoi.

E tomei-o num beijo mais profundo, mais necessitado, que ele retribuiu imediatamente. Assim que o ar se fez necessário, separei nossos lábios e apertei-o mais no abraço, sorrindo quase bobo.

– Feliz Ano Novo, Aoi... — falei baixo em seu ouvido.

– E o que tem de bom? — respondeu num tom um tanto brincalhão enquanto seus dedos faziam um carinho gostoso nos meus cabelos.

– Você.

Fim

31/12/2008 — 01/01/2009
Happy New Year

Lestrange Girl

Notas finais
E ai? Mereço reviews pelo final super cute? *-----------*
Feliz Ano Novo, povão *-*
(L)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!