Happy Hanukkah, Rachel!
1 Dia Especial.
Notas iniciais
“Rachel!” A voz do garoto circulou pelo corredor, enquanto as pessoas giravam para olhar o que o tão falado jogador de futebol queria com a maior perdedora da escola.
Já a garota girou, ao ouvir o seu nome sendo chamado, e já fazendo suas preces e pedindo perdão pelos seus pecados em relação a tentar roubar –apesar de que ela simplesmente estava o mostrando que ele era melhor para ter apenas Quinn– tantas vezes seu amado e agora infelizmente ex-namorado, Finn Hudson, de sua maior rival, Quinn Fabray –que estava namorando com Finn, para o ódio de Rachel– enquanto esperava para que a bebida fosse jogada em seu rosto.
Ter uma raspadinha jogada na cara já era rotina para Rachel. O seu recorde havia sido oito raspadinhas jogadas nela no mesmo dia em horas separadas. Ela até ficaria orgulhosa, se isso fosse algo para ter orgulho de.
O rapaz parou em frente ao armário da judia, juntando as sobrancelhas ao notar que Rachel tinha os olhos fechados com força, como se fosse para evitar que algo caísse neles. Ele logo reconheceu como a cara que ela fazia antes de tomar uma raspadinha no rosto –ele já jogou uma vez nela, e ele conhecia aquela cara– o que o fez sentir pena da garota.
Para fazê-la sair daquele transe de encolhimento e certo medo, o menino apenas colocou as mãos no ombro da cantora e disse docemente, “Rachel, relaxa. Sou só eu, e eu prometo que não vou fazer nada.”
Rachel relutantemente abriu os olhos e deu de cara com ninguém mais do que o pai da filha de Quinn e particularmente o cara que mais a defendia no grupo, Noah Puckerman. Imediatamente, ela relaxou. Tudo bem, Puck já tinha jogado umas raspadinhas na cara dela, mas ela confiava nele. Principalmente, depois de ele ter escolhido o clube glee –e ela– do que o time de futebol –e sua reputação–.
“Ah, Noah.” Ela disse, ainda relaxando. Mas obviamente soando mais aliviada.
O garoto sorriu. Ele realmente gostava dela, não só como amiga, mas como... Como uma de suas ex-namoradas, talvez? Ok, talvez não só como isso. Ele gostava –secretamente amava, mas não admitia nem para si mesmo– de Rachel como... como o que ela era. Surpreendente, divertida, faladeira, com uma voz que ele queria escutar para sempre e, apesar dos suéteres, totalmente gostosa.
Ele achava engraçado como ele só permitia a garota a chamá-lo pelo seu nome. Noah não era um dos seus nomes preferidos, e ele tinha sim uma preferência total por Puck –talvez porque parecia mais badass e legal–, mas ela o chamando de Puck ou até mesmo Puckerman não soava certo. Ele gostava dela o chamando de Noah, soava doce e inocente, mas ainda sim incrivelmente sexy.
“Hey.” Ele devolveu, incerto de suas próprias palavras.
Ok, ele tinha medo do que ele ia fazer ali. Se ela rejeitasse, ele seria mais zoado do que já foi em sua vida. Não que ele tivesse problemas com isso, aliás, ele era totalmente badass e não ligava para esse tipo de coisa. Externamente, porque, internamente, Puck tomava muita conta da sua reputação.
A líder do clube viu o seu amigo –se pudesse o chamar assim– se apoiar no armário ao lado do seu enquanto ela voltava a arrumar o seu próprio. “Então, Noah. Do que devo a sua esplêndida visita ao meu... armário?”
Ele sorriu, sabia que a garota estava confusa. Porque, aliás, ela parecia ter sempre aquela bola de cristal que via através de qualquer parede. Ela conhecia todos os membros do clube glee como ninguém, por mais que ela escondesse isso. E, ela sabia que ele tomava conta da reputação dele, então, por que ele estaria ali, falando com ela, sabendo que isso ia resultar em problemas?
“Você não me deve nada, Rach. Não posso vir falar com você de vez em quando?” O guitarrista disse, com um sorriso de canto sexy estampado no rosto.
Talvez Rachel tivesse problemas para admitir, mas ela adorava aquele sorriso dele. Era sexy, mas ao mesmo tempo divertido... E era algo totalmente dele. Ela secretamente esperava que Beth não tivesse herdado-o, porque ela queria que ele continuasse sendo apenas de Noah. Apesar de que ela ficaria feliz se ela herdasse.
E, Rachel não conseguiu evitar. Ela teve que deixar um sorriso escapar pelos seus lábios ao escutar o seu apelido –infelizmente dado por Finn– na voz de Noah. E, sim, ela admitia e com orgulho, era muito mais excitante escutá-lo dizendo o apelido com uma voz rouca do que Finn com sua voz de ‘veludo’, ou ela achava antes. Ou talvez não fosse a voz, mas quem estivesse falando.
“Poder até pode, Noah. Mas, o fato de que isso estraga a sua reputação tanto quanto se assumir gay nessa escola, leve como um exemplo Kurt e Santana, é um fato. E eu sei mais do que qualquer um, e duvido que as outras pessoas até saibam disso, que você toma um cuidado enorme para não perdê-la. E todo mundo do clube glee me ignora fora das portas da sala.” Noah ficou agitado.
Ela havia notado todos esses mínimos detalhes. O fato de que o pessoal do clube glee a trata ‘bem’ dentro das portas da sala de encontro do grupo e a ignorava fora era um fato, ele mesmo já havia notado isso.
E, para falar a verdade, ele não gostava. Ele notava nos corredores que a cantora também não ficava satisfeita, apesar de não comentar nada. Se aproximar, ou pelo menos cumprimentá-la não custava nada, e ao ficar amigo dela, ele tinha certeza que ela se mostraria uma pessoa muito agradável. “Na realidade, eles já não gostam de mim lá dentro, leve novamente Santana, e Quinn, como um exemplo. Então...” Dessa vez seu sentimento era de raiva.
Ele odiava saber que as duas líderes de torcida não eram amigáveis com a morena. E odiava ser relembrado, porque Rachel não merecia isso. Ela não tinha feito nada de errado, pelo amor de Moisés! Mas, tentar reclamar não ia adiantar de nada, então ele ficou calado o tempo todo enquanto a garota de cabelos castanhos se virava para encará-lo, o armário ainda aberto.
“Você só pode ter vindo para falar algo de importante comigo; me pedir, ou perguntar algo. O que houve?” Ela perguntou, um livro na não, um troféu na outra.
Ele teve que segurar o riso. Aquilo era mais do que esperado. Aliás, desde quando Rachel Berry não teria um troféu em seu armário? Parte dele já era enfeitado com fotos –uma dos seus pais juntos, uma de todo o clube glee, outra dela com um troféu, mais uma do clube glee, se ele se lembrava quando eles ganharam as Regionais, e mais uma... calma aí, era aquele ele?!– e estrelas douradas –seu adorado símbolo, e Noah não podia discordar, as estrelas combinavam mesmo com Rachel–, então por que não teria um troféu lá dentro?
Notando que a garota ainda esperava por uma resposta, o garoto do moicano se permitiu sair do transe que se encontrava. “Er... Eu não preciso de nada, Rach. Nem tenho nenhuma pergunta. Só vim falar com a minha jew baby.”
É, ela deixou um pequeno riso escapar seus lábios, foi inevitável. Até porque, ela amava quando ele falava a palavra baby se referindo a ela. “Ok, então. Sobre o que você deseja falar comigo?”
Ele sorriu ainda mais enquanto passava a mão pelo moicano ao ouvir a garota rindo docemente. Sua risada era algo mágico, algo que ele amava.
“Bom, como nós somos uma dupla de judeus gostosos e quentes, eu estava esperando que você soubesse que dia é hoje.” O rosto da diva se iluminou e ele quis abraçá-la. É óbvio, em termos de tradições judaicas, apenas os judeus entenderiam. “Eu estava precisando de alguém que entendesse essas tradições judaicas, mas tirando nós dois, os judeus dessa escola são muito bizarros.”
Rachel estava feliz. Sabia há muito tempo que Noah era judeu, assim como ela, mas saber que ele havia lembrado que dia era hoje, isso fez a morena iluminar em alegria.
Não conseguindo se segurar, ela foi em frente e o abraçou. “Ah, Noah! Você lembrou!”
Ele se sentiu um pouco ofendido, sendo o bom judeu que ele é, como ela achou que ele fosse esquecer?! “É óbvio. Posso ser o canalha que eu sou, e eu te prometo que eu vou mudar, mas eu sou um ótimo judeu.”
Ele retribuiu o abraço e ao sentir o corpo do jogador de futebol tão perto do seu e o coração do rapaz batendo disparado no bem em seu ouvido, Rachel sentiu suas bochechas começarem a esquentar.
Ao sentir a judia começar separar os dois, Puck atualmente se sentiu incompleto. Era bom ter Rachel em seus braços. Ela tinha uma temperatura alta e era muito pequena, o que só deixava Noah com vontade de protegê-la. Ele se sentia como se ela fosse feita para os seus braços.
A cantora rapidamente girou e começou a mexer no seu armário, o que deixou o guitarrista intrigado. Ela tinha um sorriso no rosto, o que era bom, ele achou.
Quando ela voltou com um embrulho, o rapaz não sentiu mais nada a não ser surpresa.
“Na realidade, eu tinha preparado algo para dar para você, hoje de manhã.” Ela explicou o embrulho e o garoto sentiu seus olhos se arregalarem. “Eu estava pensando em dar para você depois da escola, mas...” Ela estendeu o embrulho. “Aqui. O meu primeiro presente entre os sete que estão por vir.”
Ele alternou o olhar entre o embrulho e entre os olhos de chocolate da morena umas cinco vezes, antes de finalmente estender a mão e pegar o saco cautelosamente decorado. Sim, ele estava em estado de choque. Imagine o que seria dele se não tivesse preparado o presente para ela? A humilhação que iria passar... Santo Moisés, não queria nem pensar nisso.
“Rach... Sinceramente, eu não esperava. O que você iria fazer se eu não tivesse preparado nada?” Ele questionou, ainda sim curioso para saber o que tinha recebido.
O rosto da morena se iluminou mais do que antes, agora parecia que havia fogos de artifícios em seus olhos. Ela não esperava, mas as palavras de Noah haviam confirmado. Afinal de contas, ele pensara nela, ele tinha preparado um presente para ela.
“Ah, bom... Eu estou acostumada com o pessoal não pensando em mim, então eu iria apenas ignorar, mas continuar a te dar os presentes. E também, você merece mesmo-” Ele se desligou a partir dali.
Ela estava acostumada em não receber presentes porque não pensam nela?! Que porra era essa? Rachel atualmente era a que mais merecia presentes, entre todas as pessoas que ele conhecia, e ainda sim ela não estava esperando nada? E essa era uma data tão especial para os judeus, e ela estava agindo assim? Que merda era essa?!
Ele olhou para ela, exasperado. Porém, seus olhos marrom-esverdeados não encontraram os de chocolate da garota. Ela estava olhando para baixo, embaraçada por causa de alguma coisa. O guitarrista notou os movimentos na boca dela, e sabia que ela ainda estava falando. Era comum, quando a morena estava nervosa, ela falava sem parar, ele já sabia disso.
E enquanto ela falava –e ele não prestava atenção–, ele notou que o sentimento que sentiu quando saiu com a garota estava de volta. Aquela necessidade de protegê-la de qualquer um. De fazê-la se sentir especial pelo o que ela é, e que ela não precisa mudar por nada.
Se Finn era idiota o suficiente para fazê-la sentir que algo precisa ser mudado nela para as pessoas gostarem dela, ele ia mudar isso, porque ambos estavam mais que enganados. Ia prová-la que ela era linda e talentosa do seu próprio jeito, e que ela não precisava ser nenhuma Quinn Fabray para que fosse julgada como bonita. Porque Quinn era apenas uma farsa. A verdade de Quinn era Lucy, e Rachel nunca deixou de ser ela mesma. E sinceramente, ele tinha orgulho de ela ser assim.
Quando ele viu que a garota olhava para ele intensamente, ele resolveu fazer o que ele veio fazer lá.
...Será que era errado o que ele ia fazer? Não, ele não achava. Rachel sentia algo por ele, senão não iria atrás de Noah como foi algumas vezes. E ele claramente sentia algo por ela também, claro.
Então, ele resolveu. Finn? Finn que se foda, ele quem deixou o espetáculo de mulher que estava na frente dele escapar. E não era o guitarrista quem iria devolver, não mesmo.
Ele se aproximou e colocou o embrulho cautelosamente dentro do armário da cantora, para não precisar ficar segurando. Já tinha uma ideia do que era, ela era famosa por fazer biscoitos em suas ocasiões especiais, mas ele estava feliz em recebê-los. Porque eram especialmente para ele.
Olhou para a morena em sua frente, tentando gravar todos os mínimos detalhes em seu rosto. Viu pelo canto de olho, Finn e Quinn encarando os dois com certo nervosismo, e ele nunca se sentiu tão feliz em estar fazendo o que ia fazer naquele momento.
Olhou de novo para Rachel, que o olhava com certa insegurança, mas ainda sim curiosidade. Ele apenas deu o seu sorriso sexy para ela, ele sabia que ela gostava.
Colocou uma mecha do cabelo da garota em sua frente atrás da orelha da mesma, e sussurrou. “Obrigado pelo presente, Rach. Não importa o que for, eu sei que eu vou gostar, porque você o fez para mim. Mas, agora, é a hora de eu te dar o meu presente. Eu sei que não sou a melhor pessoa do mundo, mas eu acho que eu posso ser, se eu tentar. E por você, eu prometo que eu irei. Por isso, Feliz Hanukkah, baby.”
Então, ele segurou o rosto da dona dos olhos castanhos com as suas mãos e se aproximou, até que suas respirações colidissem.
Pensou por um mísero segundo na cara que o ‘Casal de Ouro’ estaria fazendo agora, e então, colou os lábios no de Rachel.
Noah tinha medo da reação da morena. Sim, ele tinha muito medo. Se ela recusasse, significa que tanto que ela não acreditava nele, quanto que ela não queria mais nada com ele. Mesmo ele atualmente querendo algo com ela.
Ele tinha medo e sabia que suas mãos tremiam levemente contra as bochechas quentes dela.
Mas, quando as mãos da morena seguraram o antebraço do seu braço direito e o bíceps do outro e os lábios dela foram pressionados contra o dele, retornando o beijo, ele soube que ela também estava tentando mudar a história. E que, ela confiava nele para fazê-la mais feliz do que Finn pôde fazer enquanto ele esteve ao seu lado.
Notas finais
E, Feliz Hanukkah.
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