Happy Feet
4 Especial
Notas iniciais
O albino não fazia idéia de onde estava indo, apenas seguia a garota por aquelas ruas desertas e pouco iluminadas. Pensou em perguntar, porém Gloria parecia distante, como se pensasse em outra coisa ou em outro alguém. Aquilo desesperou Mano, será que ela estava pensando em outra pessoa? Ele deveria imaginar afinal pessoas como ele não tinha chances com pessoas como ela.
— Desculpe...
— Oi? – Mano foi tirado de seus pensamentos pela fala repentina de garota.
— Ter te tirado daquele jeito da festa, sem nem ao menos dar nem uma satisfação – Abraçou seu próprio corpo, estava com frio – E agora estamos aqui, nessa rua deserta e sem nada para fazer – Suspirando pesadamente ela sentou-se em um banco de mármore que havia ali perto – Deve me achar uma louca.
— Bom pelo menos você não me obrigou a jogar-me pela janela do banheiro – Sentou-se ao lado dela rindo das lembranças de seu primeiro encontro com Nestor.
— Que tipo de pessoa faria isso? – Gloria o acompanhou nos risos, imaginando alguém falando aquilo para ele e o mesmo se jogando sem motivos aparente.
— Meus amigos com certeza – Rindo levou as mãos até as costas – Elas ainda doem da queda...
As risadas se seguiram por alguns segundos. Mano observou atentamente o sorriso da morena, ele gostava daquele sorriso, pensou em querer sempre vê-la assim.
— Então, que bom que não conheci seus amigos primeiro...
— Eles são pessoas legais, meio doidinhos, porém legais – Olhou para as estrelas sorrindo – São meus únicos amigos.
Gloria ficou desconcertada, não sábia que era assim, quer dizer, para ela, pessoas legais como ele eram cheias de amigos. Sim, ela o achava legal, mesmo só tendo poucas chances de se falarem.
— Você é um calouro não é? Nunca te vi por aqui antes.
— Sou sim. Então, você é uma veterana? Devo lhe chamar de sempai?
— Sou uma veterana sim e com orgulho, mas não pense que sou tão velha assim, devo ter menos que você, a verdade é que fui adiantada.
— Então a sempai é uma gêniazinha.
— Por deus, não me chame de sempai – Fingiu estar brava.
— Desculpe, acho que é influência dos animes que assistia. Hoje em dia com a faculdade nem tenho mais tempo.
Gloria sorriu para ele. Com frio, ela novamente se encolheu e passou os braços em volta de seu corpo, Mano percebendo isso tratou logo de tirar seu blasé para por nela.
— Obrigada...
— Você gosta de boliche?
[...]
— E... Strike! – Mano comemorou ao derrubar todos os pinos, atrás de si Glória bateu palmas enquanto ria divertida.
— Você é muito bom! – Disse quando ele voltou à mesa.
— Quando eu era pequeno meus pais me deram um boliche de plástico – Deu de ombros. Gloria olhou algo em seu celular e fez uma cara de preocupada – Aconteceu algo?
— Uma de minhas amigas está passando mau. Tenho que voltar.
— Tudo bem eu te acompanho, é na mesma direção do meu quarto.
Logo os dois saíram do boliche, novamente Gloria usava seu blasé por conta do frio, Mano não parecia se importar talvez por estar entretido demais na conversa deles. Não demorou para que chegassem a fraternidade aonde a festa ainda acontecia, faltava poucas horas para amanhecer e não parecia que aquilo acabaria tão cedo.
— Acho que vou ter dificuldades para dormir – Comentou a morena observando a casa de fora.
— E eu de encontrar meus amigos.
O silêncio reinou, eles não queriam ir embora.
— Obrigada por seguir essa louca hoje – Sorrindo Gloria foi se afastando. Quando estava bem longe Mano disse:
— Obrigado você... – E seguiu atrás de seus amigos, tarefa essa que durou quarenta e oito minutos.
Ramon estava sendo carregado pelos amigos de tão bêbado que estava. Raul vez ou outra era puxado por Nestor que assim como ele estava embriagado, porém em melhor estado. Já o resto pareciam bem, alguns meio alterados por conta da cerveja em excesso, porém em sua maioria bem.
[...]
As semanas se passaram rápido para todos e antes que notassem os meses também. Nesse meio tempo Mano só encontrou Gloria poucas vezes, em sua maioria na lanchonete aonde ele tomava café da manhã. A morena parecia bem, assim como Mano ela também estava focada nos estudos, evitando sempre as festas que ocorriam semana sim semana não. Para o albino estas festas eram sem necessidade, até porque mesmo, as provas já estavam chegando e embora em alguns cursos elas não fossem teóricas, em outros elas eram praticas, assim como o dele.
— Muito bem o próximo é Mano – Eggbert falou após anotar algo em sua prancheta.
Mano limpou o suor das mãos em sua bermuda jeans, alinhou a gravata em cima de sua blusa branca e por fim enfiou as mãos em seu casaco preto. Nervoso era a menor palavra para o que Mano sentia; Ele estava apavorado. Antes de subir no palco do teatro da escola ele ajustou mais os pés no sapato. O holofote agora estava em cima dele.
Ao lado esquerdo pode ver seus amigos que já haviam acabado suas provas, sentados, estes ao notarem que ele os observava começaram a sorrir e levantar o polegar para cima indicando que eles estavam contentes e animados por poderem ver o albino dançar.
Ao lado direito, Mano pode ver os alunos de canto, todos eles esperavam os alunos do curso de sapateado acabar para poderem começar suas provas que consistia em cantar algo de sua autoria. O albino pode ver Gloria sorrir para ele antes de voltar sua atenção para o que ele achava ser a letra de sua música.
E em sua frente, apenas os poucos alunos de sapateado junto com o professor Eggbert esperavam que Mano começasse. E com um forte puxão no ar ele começou.
Mano movia-se de olhos fechados, sentindo seus pés baterem no chão, o som de seus passos o acalmava, ele rodopiava, pulava, movia-se com habilidade pelo palco, sorriu empolgado. Ao longe na platéia os amigos de Mano sorriam contentes, já Gloria estava abobalhada, quase que esquecera completamente de sua canção. Seus olhos acompanhavam aquele rapaz de cabelos brancos rodopiar e dançar livremente pelo palco. Ela sorriu encantada, Mano a chamava atenção mais do que na primeira vez que se conheceram.
— Muito bom! – O professor sorriu orgulhoso do aluno, este lhe sorriu de volta e enxugou o suor que escorria por causa do esforço – Professora Viola é sua vez e de seus alunos.
— Por favor, meu querido, você sabe que prefiro Tia Viola – Uma mulher um pouco acima do peso se levantou do lado direito, ela limpou uma sujeira inexistente de seu vestido preto florido e caminhou com seus saltos batendo no chão até ao lado do professor de sapateado, este lhe sorriu – Gostou do meu penteado? – Tocou de leve seu cabelo preto que estava amarrado em um perfeito coque sendo segurado por um prendedor com uma flor branca.
— Está linda. Aliais veio toda florida hoje.
— Estou de bom humor, sinto que a paixão está no ar! – Tia Viola chamou seu primeiro aluno para subir ao palco.
— Efeitos da primavera – Afirmou Eggbert divertido.
Todos se silenciaram, Mano pode vislumbrar de seu lugar Gloria subir ao palco, ela usava uma calça com estampas do exercito, um sapato preto e uma camiseta de mesma cor, seus cabelos estavam soltos e Mano pela primeira vez notou uma tatuagem com o nome de alguém no pulso direito da jovem. A música começou a tocar, seus olhos se prenderam totalmente nela quando esta começou a cantar.
I can be tough, I can be strong
But with you it's not like that at all
There's a girl that gives a shit
Behind this wall, you just walk through it
And I remember all those crazy things you said
You left them running through my head
You're always there, you're everywhere
But right now I wish you were here
Gloria mantinha os olhos fechados enquanto as letras saiam de sua boca juntamente com uma linda voz.
All those crazy things we did
Didn't think about it just went with it
You're always there, you're everywhere
But right now I wish you were here
Damn, damn, damn
What I'd do to have you here, here, here
I wish you were here
Damn, damn, damn
What I'd do to have you near, near, near
I wish you were here
Desprendendo o microfone ela se moveu pelo palco, dançando ao ritmo da música, encantando qualquer um com sua voz e movimentos. Mano sentia seu coração bater freneticamente cada vez que ela lhe olhava.
I love the way you are
It's who I am, don't have to try hard
We always say, say it like it is
And the truth is that a really miss
All those crazy things you said
You left them running through my head
You're always there, you're everywhere
But right now I wish you were here
All those crazy things we did
Didn't think about just went with it
You're always there, you're everywhere
But right now I wish you were here
Gloria cantava com todas as suas forças, esperando que essa canção chegasse ao coração de quem queria. Mano prestava atenção a letra e pensava para quem ela estava cantando.
Damn, damn, damn
What I'd do to have you here, here, here
I wish you were here
Damn, damn, damn
What I'd do to have you near, near, near
I wish you were here
No, I don't wanna let go
I just wanna let you know
That I never want to let go
Let go o o
No, I don't wanna let go
I just wanna let you know
That I never want to let go
Let go...
Algumas lágrimas escapavam de seus olhos. Mano se preocupou.
Damn, damn, damn
What I'd do to have you here, here, here
I wish you were here
Damn, damn, damn
What I'd do to have you near, near, near
I wish you were here
Damn, damn, damn
What I'd do to have you here, here, here
I wish you were here
Damn, damn, damn
What I'd do to have you near, near, near
I wish you were here
Tratou logo de enxugar as lágrimas e sorrir para todos que batiam palmas para ela. A professora comentou para o colega de trabalho sobre ela ser uma das melhores alunas que já teve e este lhe respondeu o mesmo sobre o albino.
— Seymour você é o próximo!
Um homem moreno um pouco a cima do peso com um casaco verde, camisa branca, calças marrom e sapatos brancos se levantou de sua cadeira, ajeitou seu boné na cabeça e subiu ao palco. Um verdadeiro rapper Mano concluiu.
Logo as batidas foram ouvidas e um monte de palavras que compunham o rapper foram pronunciadas rapidamente. Gloria se dirigiu apressada para fora do teatro, Mano não pensou duas vezes antes de levantar e lhe seguir.
[...]
Demorou mais do que esperado, porém o albino lhe encontrou sentada embaixo de uma enorme árvore. Gloria ao notá-lo enxugou suas lagrimas e lhe sorriu forçado.
— Está tudo bem? – Sentou-se ao seu lado.
— Sim...
Mano logo notou que ela estava mentindo. Pensou que ela não estivesse a fim de falar sobre o que aconteceu por isso tratou de ficar em silêncio.
— Você arrasou lá atrás – Sorriu para ela que logo retribuiu.
— Digo o mesmo de você – O silêncio prevaleceu novamente – Acha que eles perceberam?
— O que?
— Que eu chorei... É que... Eu fiz essa canção para alguém especial que não pode estar mais comigo.
— Você está bem? – Voltou a perguntar, ela sorriu.
— É que dói, sabe? – Segurou com força sua camisa do lado esquerdo um pouco acima do peito, indicando que ela falava sobre seu coração.
Antes que perceba o albino já estava com os braços a sua volta lhe abraçando com força, deixando que ela molhasse sua camisa com suas lagrimas.
Mais tarde naquele dia Mano descobriu por seus amigos que Maurice, pai de Gloria, havia falecido em menos de uma semana. Tudo clareou para Mano, por isso dela estar daquela forma.
Antes de dormir Mano observou a lua pensando que se dançasse com vontade, poderia ajudar Gloria a levar aquela música até seu destino. E assim o fez.
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