Happy Feet
6 Competição
Notas iniciais
Dias depois e Mano continuava a ser o assunto principal do campos, por onde passava todos riam e lhe apontavam, muitos lhe incomodavam com pedidos de canções e constantemente lhe pregavam pegadinhas. Bryan se orgulhava de seu vídeo, não achou que seria tão visto em pouco tempo, até memes fizeram com o albino e o número de seguidores de Bryan aumentou consideravelmente o fazendo querer gravar mais vídeos de Mano.
— Eu juro, a qualquer momento vou perder minha paciência e acabar agredindo a todos — Lombardo resmungou tentando controlar sua raiva ao ouvir as pessoas do refeitório soltando piadinhas.
— Tenha calma amigo, não vai querer ser expulso, brigas são totalmente proibidas –Rinaldo aconselhou também compartilhando daquela raiva.
Era horário de almoço e todos os seis amigos estavam reunidos em uma mesa no fundo do refeitório. Por serem amigos de Mano os latinos haviam sido também alvos de muitas brincadeiras maldosas, os rapazes não tinham vergonha alguma de andarem com Mano, todos ali tinham vontade de socar a cara de cada um que falavam mal de Mano e dos amigos.
— Desculpe pessoal, é culpa minha eles estarem pegando no pé de vocês – Mano se pronunciou fazendo os colegas esquecerem o ódio momentaneamente e sentirem no lugar uma parcela de culpa e pena.
— Não foi culpa sua Mano – Nestor acertou os óculos antes de continuar — Nós que te pedimos para cantar, devíamos ter imaginado que Bryan faria algo do tipo.
— Aquele maldito do Bryan – Raul rosnou em ódio socando com força a mesa, os pratos levantaram um pouco e o refrigerante dele respingou em seus óculos escuro.
— No eres culpable de cantar malo.
— Ramon tem razão, as pessoas não deveriam se importar, nem todos nasceram para cantar –Lombardo falou e todos concordaram.
Mano sorriu para os amigos, aquela resposta não era a esperada, os colegas estavam apenas confirmando o fato de que Mano era muito pior do que pensava, porém ao menos estavam tentando levantar seu ânimo... E bem eles não se importavam com sua voz e muito menos saíram de seu lado por causa da atenção indesejada, por isso Mano era grato e para demonstrar apenas sorriu antes de se afastar para jogar o resto de comida fora.
[...]
— Ótima aula pessoal, Leo você continua errando no tempo 2 e 3 melhore isso com mais ensaios – Eggbert ia dizendo enquanto todos saiam no fim da aula – Mano, você não, quero falar com você.
Mano parou na porta os alunos passaram por ele rindo e comentando que deveria ser uma bronca sobre sua dança que havia ficado tão ruim quanto o seu canto. Quando todos saíram Eggbert chamou Mano para sua mesa, o garoto sentou-se na cadeira mais próxima em frente a ela.
— Mano, você sabe que é um dos meus melhores alunos, não é? — Mano corou pelo elogio – É a primeira vez que temos esse curso na faculdade Imperador, mas já ensinei em muitos outros lugarese certamente que nunca vi alguém com tanto talento quanto você.
— Obrigado senhor – Mano sorriu ladino, sentia seu rosto esquentando cada vez mais.
— Diante disto gostaria de saber, o que houve com você esses dias garoto? Anda muito distraído nas aulas, seus movimentos estão desleixados, está me preocupando.
Mano ficou surpreso, o bullying estava começando afetar sua performance no sapateado e isso o deixava triste e preocupado.
— Seja o que estiver lhe afligindo não deixe que interfira na sua performance – Professor Eggbert se levantou arrumando seus papeis e caminhando para fora da sala – Eu falei de você a uma grande amiga, Madame Astrakhan.
— Madame Astrakhan? – Mano levantou-se da cadeira surpreso. Madame Astrakhan era uma excelente dançarina de balé e sapateado, de vinte e um concursos que entrou ganhou onze e dois mundiais, ela era uma lenda da dança.
— Ela gostaria de te ver dançar pessoalmente assim que voltar de sua turnê. Não me decepcione na frente dela, você terá um grande futuro pela frente se a encantar.
Mano acompanhou o professor Eggbert sair da sala com os olhos, mal podia acreditar que Madame Astrakhan queria conhece-lo, um desespero bateu de repente, e se ele não conseguisse atingir as expectativas dela? O pânico percorreu suas veias e subitamente sentiu seu corpo gelar, com a mão direita tampou a boca e com a esquerda segurou o estomago que começava a embrulhar, estava com ânsia de vômito.
[...]
Mano conversava com Gloria em um banco perto do portão de entrada e saída da Faculdade Imperador, fazia um tempo em que eles se encontravam em locais isolados, segundo Gloria era para não serem atormentados pelos estudantes maldosos o que deixava Mano aliviado, ele não gostaria de que Gloria também fosse atormentada por todos, logo ela que era a mais popular da faculdade.
— Fazem quatro dias e mesmo assim não sei o que devo fazer para melhorar minha dança – Mano explicava sua situação no sapateado, desde a conversa com o professor Eggbert Mano andava se isolando mais para praticar, porém nada lhe agradava.
— Acho que você precisa tirar um tempo para descansar. Sabe, tem muita coisa acontecendo com você nesse momento, vai acabar se sobrecarregando.
— Talvez você tenha razão – Mano suspirou abaixando a cabeça, com as mãos cobriu os olhos, ele se sentia cansado psicologicamente e fisicamente.
— Nós podíamos sair... – Gloria disse como quem não quer nada, Mano destampou os olhos para lhe ver melhor, Gloria olhava distraidamente para o céu enquanto falava – Podíamos ir ver um filme, comer alguma coisa, sair para dançar. Não, dançar não, você está tentando esquecer um pouco sobre danças... Então, podíamos jogar boliche, você gosta né? De boliche?
Gloria finalmente olhou para Mano que lhe encarava curioso, imediatamente ela desviou os olhos corada, tinha certeza que ele estava intrigado com o fato dela estar falando muito e sem interrupções, o problema era que Gloria falava até lhe faltar o ar quando estava nervosa. Ora, mas não havia motivos para ficar nervosa certo? Quer dizer, era Mano, eles se conheciam a um bom tempo então por que o nervosismo? Acontece que Gloria não conseguia entender que estava gostando de Mano, seu coração acelerava e ela sentia vontade de ficar o dia todo grudada a ele conversando, sentia vontade de lhe abraçar, de lhe beijar.
— Gloria... – Mano a chamou, lentamente Gloria voltou a lhe encarar, as bochechas de ambos estavam avermelhadas, Mano sentia seu coração querer saltar pela boca, não era todo dia que Gloria lhe chamava para sair.
— Mano! – O casal virou para o portão da faculdade, ali saindo de um carro estacionado estavam Memphis e Norma Jean acenando para o filho.
— Ai meu Deus! – Mano arregalou os olhos surpreso e em pânico, os pais estarem ali era um grande perigo, Mano perdia o ar só de imaginar Memphis descobrindo qual seu verdadeiro curso.
— Quem são eles? – Gloria perguntou levantando junto com Mano do banco, enquanto o casal se aproximava ela começava a notar a semelhança – São seus pais? Acho que já vi esses dois em algum lugar.
— Eu estou morto – Mano deixou escapar, o olhar apavorado e as mãos tremulas, Gloria se preocupou.
— Qual o problema? Tem vergonha de ser visto com seus pais na faculdade?
— Não, não é isso – Mano parou a caminhada que eles faziam até os pais para segurar Gloria pelos braços fazendo ela lhe encarar – Meu pai odeia dança e se recusa a aceitar que não sei cantar, me obrigou a entrar no curso de canto e todos sabem como seria uma grande perca de tempo, então me inscrevi no curso de sapateado escondido e agora meus pais vão descobrir e eu serei um homem morto.
— Mano! – Norma Jean abraçou o filho o fazendo soltar Gloria – Quanta saudades eu estava sentido.
— Largue ele Norma Jean, está envergonhando nosso garoto – Memphis avisou a esposa indicando com a cabeça que Mano poderia ficar com vergonha de ser agarrado pela mãe na frente de Gloria.
— Mãe, pai! Que visita inesperada – Mano forçou um sorriso ainda nos braços da mãe.
— Fazem sete meses desde que você veio para a faculdade Imperador, só falávamos por telefone, sentimos saudades.
— Ela sentiu saudades, eu só vim acompanhar – Memphis fez sua pose de durão, mas Norma Jean logo a descontruiu dizendo que o homem era quem teve a ideia de ir visita-lo, pois não aguentava mais de tantas saudades – E quem é essa linda garota? – Perguntou direcionando seu olhar a Gloria que ainda processava o que Mano havia dito mais cedo.
— Me chamo Gloria – Estendeu a mão que logo foi aceita.
— Que curso você faz minha flor? –Norma Jean perguntou, finalmente soltando Mano e indo abraçar a garota.
— Can- Canto... – Gloria ficou sem jeito pelo abraço repentino, porém sorriu.
— Oh! O mesmo que nosso menino – Norma Jean sorriu animada.
— Estão na mesma turma? – Mano se apavorou com a pergunta do pai, é agora que saberia toda a verdade e daqui a alguns minutos estaria morto.
— Não senhor, eu sou de uma turma avançada. Uma veterana – Gloria não mentiu totalmente, realmente era de uma turma avançada e era a veterana do albino, porém Mano não fazia canto e ela sabia que se contasse aos pais ele ficaria extremamente encrencado.
A partir dali eles foram fazer um tour pela faculdade, Gloria os acompanharam até o segundo prédio, do terceiro em diante ela teve que sair para um ensaio de canto, se despediu dos pais de Mano e partiu, Memphis perguntou se aquela era a namorada do filho e ele disse que eram só bons amigos, no fundo querendo que fossem bem mais que isso, o tour continuou por um bom tempo até resolverem parar para comerem algo.
— Esse é um ótimo restaurante, tomo café da manhã todos os dias aqui.
— Vejo que se adaptou muito bem a faculdade – Norma Jean sorriu orgulhosa do filho.
— Aí aquele não é o Mano? – Um garoto perguntou a colega ao passarem pela mesa dele, a garota que estava com ele afirmou – Ei Mano! Canta alguma coisa ai!
— Não pessoal, estou ocupado no momento – O albino respondeu com um sorriso torto nos lábios, a vontade era de mandar todos se ferrarem,porém seus pais estavam ali e acima de tudo não podiam saber que ele andará sendo chacota na faculdade, ficariam decepcionados.
— O que é isso filho? Seus colegas estão pedindo para cantar – Memphis sussurrou orgulhoso, achava que o filho finalmente aprenderá a cantar bem assim como ele e a esposa que foram grandes cantores antes de terem Mano.
— Pai, estamos comendo, não se incomode com isso – Mano tentou desconversar enchendo a boca com sua macarronada. A família voltou a ficar em silêncioapenas saboreando a comida.
Quando estavam na saída do restaurante no campo de visão da família entrou Bryan e o prefeito da cidade Noé, Mano congelou de medo diante a visão do sorriso maroto de Bryan.
— Memphis! – O prefeito saudou o pai de Mano com um sorriso e um aperto de mãos.
— Prefeito Noé!
— Ora essa Memphis, estudamos juntos na faculdade, sem formalidades apenas Noé. E essa deve ser a tão famosa Norma Jean, ouvi todos os seus discos, você tem uma bela voz – Noé beijou o topo da mão da mulher que sorriu agradecendo.
Todos no restaurante começaram a cochichar ao ouvirem os nomes dos pais de Mano. Norma Jean e Memphis foram grandes cantores fazendo turnês por todo o mundo encantando a todos com suas maravilhosas vozes, Memphis se formara em canto na faculdade Imperador quando mais jovem e em menos de um ano estava vendendo discos por todos os países o sucesso era tanto que fora convidado a abrir espetáculos importantes como o Oscar aonde conheceu a esposa que cantaria logo após ele. Norma Jean aos doze anos entrou em um concurso de canto e levou o primeiro lugar, depois entrou em uma banda com mais quatro garotas até seus quinze anos quando a banda se separou e ela começou carreira solo, desde então Norma Jean ia fazendo mais e mais sucesso ganhando inúmeros discos de ouro. O casal só parou de cantar depois que mano nasceu, os dois queriam ter mais tempo para o filho, Memphis virou dono de uma gravadora de música de grande sucesso e Norma Jean tornou-se atriz de teatro e dubladora, atuando principalmente em musicais.
— Este é meu filho Bryan, da turma de canto – Noé apresentou o grande e musculoso Bryan que parecia encantado de conhecer Memphis e Norma Jean.
A partir dali Mano não soube como tudo desandou, fora tudo tão rápido, em um momento estavam conversando alegres sobre seus filhos e no minuto seguinte estavam brigando para ver qual dos dois eram melhores cantores. Acontece que Bryan havia dito que achava impressionante que Mano filho de dois talentosos cantores era tão péssimo na música o que deixou Memphis irritado e tudo virou uma bagunça, Noé marcou para dali a dois meses no show de talentos de fim de ano da faculdade os filhos participarem de um concurso de canto, sem pensar muito o casal aceitou o desafio e Norma Jean antes de voltar para casa disse ao filho que ele tinha a obrigação de acabar com a raça de Bryan, os pais acreditavam em Mano já que haviam escutado todos na faculdade falar sobre o albino e sua canção — sem saberem que era no sentido negativo — então não haveria problemas, era o que pensaram.
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