Hoje era o grande dia, o dia no qual ele sempre esperou... Hoje era seu aniversário! Ele descia rapidamente as escadas com um sorriso alegre no rosto, ele estava ansioso pois tinha ouvido falar de uma festa surpresa!

– Parabéns! — Todos que estavam presentes disseram assim que as luzes se acenderam e ele chegou na sala.

– Wow! Uma festa! — Seus olhos brilharam assim que ele viu o ambiente todo iluminado com várias coisas de festas ao redor.

O aniversariante estava se divertindo muito, conversava com todos que estavam presentes, corria de um lado para o outro animado pois nunca viu sua sala tão cheia.

– Vamos corta o bolo! — Anuncio uma pessoa enquanto trazia uma espátula. O aniversariante correu em direção a mesa onde estava o bolo e subiu no pequeno banquinho que ali havia.

Era uma enorme bolo, aparentava ser de chocolate, um sabor no qual ele adora desde pequeno. Surpreendeu-se com o tamanho e imaginou o trabalho que foi para prepara-lo.

– Parabéns pra você, nessa data querida... — Todos batiam palmas e cantavam alegremente, todos estavam com um alegre sorriso no rosto.

– Obrigado pessoal! Eu amo vocês! — Falou enquanto enxugava as lágrimas na mangá do moletom no qual estava usando e então assoprou as velas.

A pessoa no qual estava segurando a espátula cortou o bolo e deu uma fatia para todos os presentes. O som de taças colidindo umas nas outras era como sinos espalhados pela sala toda, o falatório era tão alto que ele imaginava se ele poderia ser ouvido a metros de distância do local. Tão feliz, ele pegou o banquinho no qual tinha subido para assoprar as velas, colocou ele no centro da sala, subiu nele e gritou.

– Vamos brincar de colocar o rabo no burro! — Gritou.

Todos vibraram assim que ele anunciou a brincadeira e começou o jogo. Ele foi o primeiro a colocar a venda e tentar colocar o rabo no burro, assim que ele pregou a pequena peça de pano no local onde imaginou eu fosse, todos gritaram e aplaudiram, assim que ele retirou a venda, viu que tinha colocado exatamente no lugar certo! Todos brincaram, era várias brincadeira diferentes! Era pique-esconde, pula corda, teve até pinãta e tudo isso aconteceu naquela sala.

– Está na hora de abrir os presentes! — Uma pessoa falou e então ele correu até mesa de presentes. Assim que chegou, havia apenas um presente em cima da mesa. Era uma pequena caixa embrulhada em um papel verde enlaçada em uma fita vermelha, ele pegou o presente e sentou-se no chão para abrir. Ele rasgava o embrulho com tanta alegria e empolgação, que assim que ele abriu a caixa e viu seu presente, ele riu... Mas aquele riso se tornou um pouco triste...

Dentro daquele presente, havia uma arma. Estava em boas condições, uma arma que parecia novinha em folha.

– Que presente legal... — Sua franja escondeu seus olhos, então apenas sua boca com aquele sorriso empolgado estava visível. — Amei o presente. — Então lágrimas começaram a cair sobre o pedaço de metal.

Na verdade, aquilo não era uma festa, o pequeno garoto aniversariante se chamava Danilo, ele tinha apenas 6 anos. Seus pais nunca estavam presentes em sua vida, na escola todos o humilhavam e não tinha nenhum amigo. Danilo usou sua imaginação de criança inocente para criar falsas imagens alegres para aquele dia especial, ele sempre viu coisas que não podia ver, outras ele via o que sua idade permitia mas ele sempre via coisas erradas.

Para ser sincero, ele era adotado, um orfão. Era zuado na escola por causa disso, todos os garotos praticavam bullying com ele e teve muitas vezes que o jogavam na lixeira ou tacavam água de vaso sanitário nele, a professora nunca fazia nada, toda vez depois de seu intervalo ele voltava molhado e sujo, todos riam, todos zuavam, até a professora. Danilo nunca foi uma menino amado, ele era humilhado, até em sua família.

– Quem eu quero enganar? Não tem ninguém para enganar não é? — Falou enquanto segurava firmemente a arma.

Sua festa foi apenas uma ilusão, o bolo na verdade era feito de lama e barro, os convidados foi pequenas pessoas que ele desenhou em papéis, as decorações foi ele mesmo que havia feito horas antes depois de ter ido ao sotão e o seu presente... Seu pai lhe deu dias antes de sair de casa com várias malas em mãos...

– Ha ha ha... HAHAHAHAHA! — Seu riso era histérico, então, ele olhou novamente para dentro da caixa e encontrou um pequeno papel. Este papel era seu desenho, o desenho da família dos sonhos que ele tinha feito na escola. No desenho ele estava feliz, ao seu lado direito havia seu pai, e ao seu lado esquerdo, sua mãe.

Estavam todos alegres, o ambiente era ao ar livre, com duas pequenas árvores na beirada de cada lado da folha, ele olhou para o desenho antes de deixa-lo de lado e voltar a sua atenção a arma no qual estava segurando.

Já se passaram três dias desde a última vez que ele viu seus pais. A casa toda estava trancada, a geladeira estava escassa antes mesmo de eles irem embora, a casa era iluminada apenas por pequenas velas que o próprio menino acendeu este dia, estava frio, o pequeno estava morrendo de fome e apenas os fundos da casa era acessível. Mas do que adiantava os fundos ser acessíveis se ele não poderia fugir ou gritar?

– Por que eu não pude ser uma criança normal? Por que papai e mamãe me abandonaram? — Ele pegou a arma e posicionou a boca dela ao lado de sua cabeça com o dedo no gatilho. — Sou um menino mal como mamãe falava. Sou uma menino muito mal... Então... Não preciso ficar aqui... — E apenas um barulho de tiro pode se ouvir.

O seu sangue espirrou por todo canto inferior da sala, quando caiu no chão, o sangue se espalhou por toda sala pegando no desenho no qual ele tinha feito. Cada componente do desenho foi manchado pelo doce e escuro sangue inocente do garoto, se ele tivesse a atenção necessária, se ele pudesse ser notado por alguém, será que o seu fim iria ser tão cedo desse jeito?

Notas finais
Obriga por lerem.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!