Happy
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Você pode ouvir Happy da Marina & The Diamonds aqui: https://www.youtube.com/watch?v=DCB_MbYyCYQ
Marceline sentou-se no chão, seu baixo quase escorregando de seu colo, um caderno que ela estava usando para anotar suas músicas largado no chão, mais inutilizado do que algum dia teria sido. Ela respirou profundamente.
Não lembrava há quanto tempo estaria sozinha. Tinha se ausentado com a desculpa que iria escrever novas músicas para o próximo álbum das Rainhas do Grito, disse para Bonnie que sua cabeça estava recheada de ideias novas e realmente estava, agora alguma delas conseguia ser passada para o papel? Não.
- Que merda. – Marceline resmungou, a boa parte de estar sozinha é que não havia uma Bonnibel a censurando quando ela falava algum palavrão.
Marceline começo a murmurar qualquer coisa que conseguisse a colocar de voltar nos eixos para escrever novas músicas, ela já havia destruído as chances deles de conseguir um contrato de gravação com o Lord Slicko.
Logo, o som que ela murmurava começou a tomar uma forma mais concreta, uma batida ali e aqui. Não estava completa, nem perto disso, mas já era um começo.
Ela puxou o caderno para perto de si mesma, começou a anotar a pequena melodia, que para o dia já era incrível. Para as Rainhas do Grito já era alguma coisa extraordinária quando se pensava nas experiências anteriores que tinha tido com a banda. Toda aquela briga com a Bonnie, as terríveis críticas que tinha escrito sobre a banda em revistas de fofocas e sensacionalistas.
Após anotar a melodia no seu caderno, ela se levantou e foi buscar um pequeno teclado que não usava a muito tempo. Marceline sempre preferiu o baixo do que o teclado, tinha uma razão que Guy era o tecladista e não ela. Ela começou tocar as notas que apenas pareciam ser as notas certas para tocar.
Então uma letra lhe veio à cabeça.
Couldn’t relax
Couldn’t sit back
And let the sunlight
In my lap
Não era ainda uma obra-prima mas era incrível. Então alguém começou a bater na sua porta. Marceline não havia convidado ninguém para vir até a sua casa naquele dia. Quando ela abriu a porta e um forte aroma de doce invadiu a sua casa ela sabia exatamente quem era.
- Bonnie. O que você está fazendo aqui? – Marceline perguntou, até um pouco ácida.
- Uh, o Finn estava ficando preocupado então ele... – Bonnie começou a falar, mas Marceline a interrompeu novamente.
- O Finn teria vindo aqui ele mesmo se ele quisesse. – Marceline, contudo, deixou Bonnie entrar.
- Olha, eu trouxe algumas coisas vermelhas para você comer. – Comida de graça era algo que Marceline aceitava de bom grado.
A Princesa deu um olhada ao redor, o antigo teclado no chão, o baixo jogado e o caderno onde Marceline escrevia suas músicas aberto. Ela olhou para Marceline, com um sorriso verdadeiro.
- Você está escrevendo material novo! – Ela exclamou excitada.
- Ah, não, é só minha nova decoração, gostou? – Marceline riu com a cara que Bonnie fez.
- Marceline, isso é sério, a gente precisa de mais material se vocês quiserem um contrato com uma gravadora. – Parecia que Bonnie ia acrescentar mais alguma coisa ao seu argumento, mas ela não o fez.
Marceline deu um pequeno sorriso.
- Pode falar que eu destruí as nossas chances com o Slicko. Eu sei. Eu fiz muitas cagadas na última turnê. Nem sei como você ainda está com a gente. – Quer dizer, Marceline tinha uma pequena desconfiança que Bonnie gostava bastante de Guy. – Pode ser pelo nosso querido metamorfo, mas sei lá, né.
- Não é pelo Guy, Marcy. É pelas Rainhas do Grito. – Bonnie respondeu, repreensão no seu tom de voz. – E eu vou repetir mais uma vez, pare de se culpar pela última turnê. Você estava triste com as críticas, e você estava deixando-as subir à cabeça, sabe, se preocupando demais com elas e especialmente mais do que você se preocupava com a banda.
Já tinha perdido a conta de quantas vezes Bonnie tinha repetido aquele discurso, mas daquela vez, parecia ser um pouco mais real do que antes, só um pouco. Marceline conseguiu dar um sorriso que foi o seu mais real sorriso em muito tempo.
And all the sadness inside me
Melted away
Like I was free
- Bonnie, pode me passar aquele caderno? E um lápis? – Marceline escreveu (foi mais para um rabisco apressado) o que lhe veio à cabeça, já tinha dois versos prontos.
- Seria pedir demais para escutar o que você escreveu até agora? – Bonnie perguntou.
- Ah, Bonnibel, seria. Eu só tenho dois versos. – Marceline adicionou no final, para parecer menos rude.
Bonnie grunhiu alguma coisa e se sentou no sofá de Marceline, brevemente, porque depois ela foi pegar alguma coisa para beber na cozinha. Marceline continuou tocando o teclado e anotando assim que ela conseguia alguma coisa satisfatória.
I found what I’d been looking for in myself
Found a life worth living for someone else
Never thought that I could be
Happy, happy
- Sabe, acho que você deveria ter compartilhado comigo, porque isso aí está ficando incrível. Os críticos não vão ter coisas ruins para falar.
- Bonnie! Você não pode assustar a Rainha dos Vampiros assim! – Marceline rugiu para a Princesa — quase literalmente, Marceline por pouco não se transformou em um monstro.
- Continuar tocando parece uma opção muito melhor para mim. – Bonnie sugeriu.
Marceline bufou e continuou a tocar a recém-formada melodia e letra, que ia aparecendo lentamente na sua cabeça. Em algum momento, Bonnie estava do lado do teclado, balança a cabeça junto com a batida. Quando Marceline a percebeu, a Princesa apenas fez um gesto para Marceline continuar.
So now you know
You know it all
That I’ve been
Desperately alone
I haven’t found the one for me
Quando Marceline terminou, Bonnibel aplaudiu um pouco. Marceline deu um sorriso de canto de boca, mas disse um tímido “obrigada”, que ela esperava que Bonnie nem tivesse ouvido, mas pelo olhar que a Princesa dirigiu a ela, Marcy tinha certeza que ela tinha ouvido.
- Sem ofensas, mas é melhor do que tudo que as Rainhas do Grito têm até agora. É mais pessoal. – Bonnie comentou.
- Não me ofendi.
Ela olhou para o caderno, com uma nova música inteira escrita nele.
- Faltam ainda uns toques finais que eu vou dar com o baixo ou com o violão. Tem uma razão para o Guy ser o tecladista e não eu. Repetir o refrão mais uma vez, mudar uma coisinha aqui ou ali. Aí eu faço uma demo pra você. – Marceline disse, Bonnie pareceu estar de acordo.
- Eu vou invadir mais sessões suas, se é isso que você produz quando você está sozinha. – Bonnie riu.
- Eu nunca produzo nada assim. Não sozinha. – Bonnie olhou de um modo estranho para Marceline. – Não vai se achando, não tem nada com você. Quer dizer, pode ter tido alguma coisa com a comida.
Bonnie riu novamente, mesmo que Marceline não soubesse o que tinha tanta graça assim
Mas uma coisa ela sabia. Talvez ela tivesse mentido um pouco na letra da música quando ela disse que não tinha achado a pessoa certa para ela. Talvez ela tivesse achado.
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