- Amarre firme, Hansel. – ela disse, depois dando um selinho no menino a sua frente.

- Se eu amarrar mais forte, acabarei por quebrar os braços dela, Gretel. – respondeu, abraçando a menina cujos cabelos eram tão pretos quanto os dele e o mesmo valia para a pele, alva, branca como o açúcar.

Gretel virou de bruscos a loira que chorava compulsivamente babando na mordaça, e depois se sentando no fim de suas costas. Hansel sentou-se sob os ombros, ficando de frente para a menina e abrindo um pirulito vermelho, que enfiou na boca da irmã. A menina dos olhos vermelhos pegou a faca que depositara poucos momentos atrás ao lado da vitima, lhe rasgando a blusa e arranhando um pouco a pele. O menino cobriu as pequenas mãos dela com as próprias, forçando a faca para baixo, sujando de vermelho suas roupas. Ele estava cansado, não queria brincar daquilo hoje. Levantou-se, tomando o pirulito dos lábios de sua irmã e sentou próximo, observando-a arrancar os órgãos da mulher.

Depois de algum tempo, a loira com os olhos vidrados e Gretel sorrindo ofegante. Tirou as roupas ensanguentadas e sentou ao lado do irmão

- O que foi Hansel? Você adora brincar disso – ela disse abraçando o garoto.

- Eu estive pensando, Gretel... – ele olhou para baixo – nós vamos para o inferno?

A menina sorriu.

- Claro que não, irmão. Já se esqueceu? Nós matamos o nosso há dois anos.

- Ah. – Ele sorriu também — Sim. Nós o matamos e tudo ficou bem.

- Sim. – ela o beijou – Não vamos para o inferno, pois não temos mais um inferno.

- Isso me dá vontade de brincar. – ele disse empurrando-a para o lado – Vamos procurar alguém para brincar com a gente?

- Mas é claro!

Notas finais
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Você chegou ao fim do livro. Parabéns!