Hanging By A Moment
11 Capítulo 11
Notas iniciais
“Eu acho que senti meu coração pular uma batida. Eu continuo parada aqui e eu mal posso respirar — você me pegou, Você me pegou. O jeito que você pega minha mão é simplesmente tão lindo, e esse seu sorriso torto que me tira do chão.”
(You Got Me – Colbie Caillat)
Quinn estava sentada no chão da casa dos Berry com Rachel deitada em suas pernas. A morena assistia algum programa de talentos que passava na televisão enquanto Quinn revisava o roteiro do musical que a escola apresentaria. Os ensaios começariam em menos de uma semana e alguns detalhes precisariam ser arrumados e o novo roteiro precisaria ser entregue no dia seguinte, já que a loira iria para uma competição das cheerios e só voltaria para Lima no domingo.
A loira estava tão concentrada em sua tarefa que nem percebeu que Rachel havia tirado os olhos da televisão e agora encarava seu rosto. O óculos de grau escorria pelo nariz bem desenhado e a loira mordia o lábio inferior em concentração. Seus dedos se moviam rapidamente enquanto rabiscava coisas no papel que segurava.
“Olha isso Leroy, não são a coisa mais adorável que você já viu?” A voz de Hiram fez as duas garotas virarem em sua direção, efetivamente as distraindo do que faziam.
“Hiram, você atrapalhou as meninas!” Leroy bronqueou o marido que ergueu as mãos em forma de rendição.
A morena observava seus pais de forma divertida. “Pais, vocês estão nos skalteando?”
“Nós?” O homem mais baixo perguntou dramaticamente. “Nunca, estrelinha.”
“Que calúnia filha.” O outro se fez de ofendido. “Nunca pensei que você acusaria seus pais de algo tão vil como isso. Sinto-me ofendido.” Virou as costas e saiu de forma dramática da sala, sendo seguido de perto pelo marido.
Quinn sufocou uma risada. Rachel fazia sua saída dramática exatamente da mesma forma que Hiram. Realmente a baixinha tinha a quem puxar, e a loira não podia negar isso. Mas seu corpo foi um traidor e logo tremia com as risadas que tentava desesperadamente sufocar e isso pareceu atrair a atenção de Rachel. A morena arqueou uma das sobrancelhas e a olhou de forma confusa.
“Ele... Rach...” As risadas impediam a cheerio de montar uma frase coerente, então ela tomou algumas respirações longas que Kurt a havia ensinado para se acalmar. “Deus, você faz a mesma saída dramática que seu pai. Eu tive um dejà-vú dos nossos tempos de criança, que você saia exatamente assim quando não ganhava o que queria.”
“Quinn Fabray, eu não faço mais saídas dramática!” A morena retrucou corando.
“Faz sim baby.” A loira riu e Rachel corou mais ainda. “Mas eu te acho adorável por isso.”
A morena ficou ainda mais vermelha que antes e colocou as mãos no rosto em uma tentativa falha de o tapar. Ela ainda podia sentir o corpo de Quinn sacudir com a risada e o seu próprio começava a se agitar em razão disso. Ele respondia e gravitava ao redor do corpo da cheerio. Rachel tinha certeza de nunca ter sentido algo assim antes.
Delicadamente ela sentiu duas mãos quentes segurando as suas e as tirando de seu rosto. Um par de olhos avelã a olhava de forma risonha e Rachel se perdeu dentro deles. Antes que se desse conta um par convidativo de lábios de aproximou dos seus e o tocou docemente em uma carícia suave que durou longos segundos.
“Você é uma boba Rachel Barbra Berry.” O sorriso nos lábios de Quinn é o mais bonito que Rachel já havia visto.
“Dorme aqui hoje?” A morena perguntou manhosa. Uma expressão maliciosa se desenhou no rosto de Quinn e a diva deu um tapa em seu braço. “Não assim sua pervertida. Deus, o que eu fiz pra merecer isso?”
A cheerio fingiu uma falsa decepção antes de voltar a sorrir. “É brincadeira Rach. Eu vou ligar pra minha mãe, porque sabe como é, dia de semana a dona Judy tem uma regra de não dormir fora de casa.”
“Quinn, você passa mais tempo aqui do que em casa.” Rachel rebateu divertida e Quinn deu de ombros.
Era verdade afinal de contas. E ela não mudaria isso por nada.
x-x
Leroy estava sentado em uma das poltronas que adornavam a sala de estar e encarava Quinn de forma curiosa. A cheerio olhava distraida hora para a imensa televisão e hora a cozinha onde Hiram trabalhava no jantar.
“Quinn, você está bem?”
A loira o olhou com os grandes olhos avelã confusos. “Sim?” Saiu mais como uma pergunta e essa foi a deixa que o homem usou para fazê-la se abrir.
“Você quer conversar? Alguma coisa está te perturbando.” Afirmou categoricamente e a garota assentiu.
“Será que você poderia chamar o Hiram?” Ela perguntou mordendo o lábio inferior. “Eu quero conversar com vocês dois na verdade.”
“Claro que sim.” Respondeu com um sorriso e foi em direção a cozinha, voltando segundos depois com um Hiram apreensivo.
“Então?” Hiram pergunta ao sentar na mesinha de centro da sala exatamente em frente a loira.
Quinn suspira. Não sabia como começar o assunto. As palavras que sempre soube usar bem lhe fugiam. O mais alto dos homens notou o desconforto da garota e tocou suas mãos de forma tranquilizadora. Foi o necessário para Quinn começar a falar.
“Hiram. Leroy.” Respirou fundo uma vez. “Eu queria pedir a permissão dos dois para pedir a Rachel em namoro. Eu sei que nós estamos saindo como um casal a pouco tempo, mas eu estou completamente apaixonada por ela e seria maravilhoso se vocês pudessem me dar a honra de namorá-la.”
“Oh.” Os dois murmuraram em onissono.
“Eu prometo que vou a fazer feliz. Ela é a melhor coisa que aconteceu na minha vida inteira.”
“Você tem a minha benção Quinn.” Hiram foi o primeiro a sorrir em direção a garota.
Ela olhou expectante para Leroy. O homem mantinha a expressão no rosto neutra. A loira não conseguia ler o que se passava em seus olhos castanhos, exatamente iguais aos de Rachel.
“Você promete a fazer feliz?”
“Com a minha vida.”
Ele a avaliou por alguns segundos. Então abriu um pequeno sorriso de covinhas que enrugou o canto dos olhos. “Então você tem minha benção filha.”
Quinn levantou do sofá e se atirou nos braços dos dois homens. Agora era só encontrar o momento perfeito para o pedido.
x-x
As duas garotas já estavam enroladas no enorme cobertor de Rachel. Contrariando o que havia imaginado, convercer Judy tinha sido relativamente fácil. Quinn até se sentiu um pouco chutada de casa – não que ela estivesse reclamando, já que dormiria com Rachel.
A loira estava dentro de um pijama de Leroy, uma vez que as roupas da judia eram curtas demais para seu corpo e o traje do homem era o que melhor se ajustava ao seu tamanho.
“Quinn?” A voz de Rachel saiu baixinha.
“O que foi Rach?”
“Porque você não está me abraçando?” A morena perguntou confusa. O ponto todo do convite era uma desculpa para dormir embrulhada nos braços da cheerio e não estava conseguindo o planejado. “Não sei se você sabe, mas eu não costumo morder. Só se você pedir.”
E todos os pensamento inocentes e coerentes escorreram para fora da mente da cheerio. Seria uma tortura polonesa dormir na mesma cama que Rachel e não poder a tocar como seu corpo e mente desejavam. Nem os treinos absurdos e excessivos de Sue Sylvester eram uma tarefa tão árdua quanto a que se desenhava em sua frente.
O corpo de Rachel era quente como uma fornalha e quando Quinn passou seus braços pelo tronco da morena, literalmente se sentiu derreter.
“Feliz agora?” Quinn perguntou ao mesmo tempo que Rachel se arrumava em seus braços e passava um deles pela barriga da loira.
“Hmm.” Foi tudo que escapou pelos lábios cheios antes de um bocejo a interromper.
E então uma perna quente se colocou sob as de Quinn e a loira congelou. Seria uma prova de fogo e Quinn iria agradecer aos céus se sobrevivesse a noite inteira.
E que Deus me proteja – foi o último pensamento coerente que passou pela sua mente antes dos lábios quentes de Rachel colarem em seu pescoço. Maldita hora que aceitou o convite da judia.
x-x
Quinn foi a primeira a acordar. Abriu lentamente um dos olhos – tentando se acostumar com a claridade – antes de abrir o outro. Ainda estava escuro do lado de fora do quarto, mas a loira não se importou em tentar voltar a dormir. Rachel continuava na mesma posição de antes e Quinn abriu um pequeno sorriso.
A morena era a coisa mais adorável do mundo inteiro. E Quinn havia sobrevivido a uma noite em sua cama sem fazer algo comprometedor e que a deixaria embaraçada pelo resto da vida. Se sentia uma vitoriosa.
“Você sabia que ficar encarando os outros durante o sono é feio, Quinn?” A voz da morena saiu rouca de sono e a loira levou um pequeno susto. Não sabia que Rachel estava acordada.
“Ei, bom dia princesa.”
“Bom dia Q.” Rachel abriu um sorriso fraco e se aconchegou mais ainda no corpo da cheerio. “Que horas são?”
“É cedo ainda.” A loira falou de forma tranquilizadora. “Pode voltar a dormir se quiser.”
Rachel ficou imóvel por mais alguns minutos. Se sentia confortável ao extremo nos braços de Quinn. Era tão quentinho e aconchegante. E o cheiro da loira a acalmava. A noite de sono que passou naqueles braços macios fora a melhor de toda a sua vida.
“Quinn, você não tem treino?” Perguntou abruptamente depois de minutos em um silêncio confortável.
“Rach, eu viajo hoje pra competição.” Respondeu franzindo o cenho. “Nem Sue Sylvester desgastaria suas cheerios com essa insanidade.” Então focou seus olhos avelã no rosto da morena e arqueou a sobrancelha com divertimento. “Isso tudo porque já quer se livrar de mim?”
“O que?” A morena guinchou espantada. “Não, absolutamente não.”
“Tem certeza disso baixinha?” A loira cutucou com os dedos os lados do corpo de Rachel, a fazendo se contorcer.
“Quinn Fabray. Pare com isso nesse exato momento.” Mas a loira não deu ouvidos a reclamação da judia e continuou a fazendo cócegas. “Quinn... não... para.”
A morena se contorcia cada vez mais e as risadas preenchiam o silêncio do quarto. Essa foi uma das vezes que Quinn agradeceu ao fato da morena ter um quarto com acústica isolada. Rachel ria tanto que algumas lágrimas já vazavam pelo canto dos olhos e o fôlego sempre tão bem controlado começava a faltar.
Então Quinn parou com a tortura. Os olhos avelã da loira estavam com um brilho selvagem e Rachel teve que engolir em seco com a visão. Os cabelos loiros e curtos caiam levemente em frente aos olhos e as bochechas sempre pálidas ganharam uma tonalidade vermelha.
Os lábios foram se aproximando como imãs. A respiração quente tocando as faces e as ficando cada vez mais pesadas. Quando os lábios iam se encontrar a porta de Rachel foi aberta em um rompante e Quinn em uma tentativa de não ser pega no flagra, acabou recuando muito rapidamente e rolou para fora da cama.
Um baque. Um gemido. E uma risada grossa.
Depois disso a cheerio só queria esconder o rosto em um travesseiro e nunca mais reaparecer.
x-x
“Quinn, já te disse que não precisa ter vergonha do que aconteceu.” A morena repetia pela décima vez, mas nada parecia convencer a cheerio. Ela ainda estava na mesma posição que a dez minutos atrás – os braços cruzados sobre o peito, sentada na ponta da cama de Rachel e com um biquinho no rosto.
“Rachel.” Gemeu contrariada. “Você não pode me obrigar a olhar pros seus pais depois disso.”
“Quinn, nós não estavamos fazendo nada de mais.” A judia rebateu num suspiro. “Anda logo, temos que ir pra escola.”
“Rach.”
“Sem essa Quinn Fabray.” Rachel bateu o pé. “Levanta agora dessa cama ou não ganha mais nenhum beijo dessa boquinha aqui.”
A loira estreitou os olhos em direção a Rachel. “Você não se atreveria.”
“Quer apostar?”
Foi o que bastou para fazer a cheerio levantar. No fundo da sua mente pode ouvir a voz de Santana sussurrando ‘Chicoteada’. Seguiu a morena pelo corredor e até a cozinha, onde encontrou os homens Berry tomando café da manhã.
Um rubor se concentrou em suas bochechas e ela seguiu em silêncio até uma das cadeiras. Nunca se sentira tão constrangida na vida. Mas logo os homens trataram de a tranquilizar e Quinn foi relaxando. Ainda estava envergonhada, mas quem sabe logo poderia fazer piada do momento.
Quem sabe um dia.
x-x
Quinn estacionou o carro em uma das vagas disponíveis. Estava praticamente em cima da hora pra a viagem e Sue a mataria se fizesse a equipe se atrasar. Sua sorte era que Kurt havia trazido suas coisas e Santana já tinha colocado tudo no ônibus.
“Rachel, você pode entregar o roteiro pro Sr. Schue?” A loira perguntou antes de sair do carro. “Não vou conseguir ir até lá. Já estou atrasada.”
“Claro que sim Q.” Rachel sorriu meiga. “Precisa que eu faça mais alguma coisa?”
“As chaves pro Kurt.” A loira se atrapalhou ao tirar as chaves da ignição e a mão de Rachel tocou a sua a acalmando. Então ela tocou com os lábios nos da cheerio. Foi um beijo lento e apaixonado que deixou as duas garotas nas nuvens.
“Boa viagem.” Rachel sussurrou contra os lábios de Quinn. “Manda uma mensagem quando chegar.”
“Tudo bem.” A cheerio deu um aceno em concordancia. “Agora eu tenho que ir, antes que a treinadora venha me buscar. Não seria uma cena bonita.”
Quinn entregou a chave para a morena e saiu do carro, praticamente correndo até o ônibus. A morena observou divertida ela entrar pouco antes de Sue Sylvester aparecer na saída da escola. Realmente fora por pouco.
Calmamente saiu do carro e o trancou, caminhando a passos lentos até a entrada. Kurt estava parado ao lado da porta do seu armário e Rachel arqueou uma sobrancelha quando se aproximou o bastante.
“Uh, esse negócio da sobrancelha que a Quinn faz te contagiou.” Ele deu uma risadinha e a morena teve que o acompanhar. Realmente passava tanto tempo com a loira que já pegava algumas manias dela. “Só queria avisar que serei seu motorista pelos próximos dias.”
“Não precisa Kurt.”
“Claro que precisa.” O garoto rebateu. “A Quinn me pediu, e eu realmente quero te conhecer melhor. Sabe, tenho que aprovar a futura namorada da minha irmã.” Piscou um dos olhos azuis para a morena que riu suavemente. Além disso, tenho certeza que podemos nos tornar melhor amigos e não só cunhados e companheiros de Glee.”
Ele estendeu o braço esquerdo para a morena que aceitou de bom grado. Ela também tinha a sensação de que os dois poderiam se tornar melhores amigos desde o momento que colocou seus olhos no garoto. Kurt era uma das pessoas mais parecidas com ela em todo o Glee Club e parecia ser um ótimo amigo.
Os dois foram caminhando pelos corredores até a sala da primeira aula e conversando sobre todos os assuntos que podiam imaginar.
x-x
Os outros dias acabaram passando rápido e quando se deu conta o domingo já aparecia. Tinha passado praticamento todos os dias com Kurt e os dois haviam virado confidentes. O garoto estava na sua casa quando recebeu uma mensagem de Santana.
Rach, o Kurt tá na tua casa? – San
Sim, porque? Aconteceu alguma coisa? – Rach
Só pede pra ele vir buscar a Q. Não consegui falar com a mãe dela e essa cabeça dura se recusa a ir no médico. – San
Kurt viu o semblante da garota mudar do feliz para o preocupado. A encarou confuso.
“Quinn precisa de uma carona.” Foi a única coisa que a morena falou.
“E você fez essa cara por?” Ele estava um pouco confuso. “E porque ela não ligou?”
“A Santana disse algo como, a Quin precisa de um médico.”
Os olhos azuis do garoto se arregalaram. “Um médico? Então vamos logo Barbra.”
A judia assentiu e os dois sairam apressados da casa. Kurt dirigiu rapidamente até a escola e o curto trajeto foi feito em um silêncio tenso. Logo o New Beetle despontava no estacionamento e os dois avistaram o ônibus que trazia as cheerios.
Santana estava sentanda em um dos degraus com uma Quinn de braços cruzados e irritada. Rachel foi a primeira a saltar do carro e correu em direção as garotas. Quando estava próxima o bastante notou que a loira usava uma tipóia na mão esquerda.
“Ei, o que aconteceu?” Perguntou se colocando de joelhos na frente da head cheerio.
“Eu me machuquei, só isso.” A loira respondeu irritada. “Agora você pode dizer pra Santana que eu não preciso de um médico?”
“Não dê ouvidos a ela baixinha.” A latina rebateu olhando para a morena. “Ela se machucou em um dos treinos que fizemos, mas ficou escondendo a dor até a hora que terminamos a rotina na apresentação.”
Quinn bufou. “Pelo menos nós ganhamos. Isso não tem importância.”
“Quinn.” Santana resmungou. Estava tentando convencer a loira a ver um médico desde que começara a reclamar da dor excessiva depois da apresentação na noite anterior. “Nós vamos precisar da nossa capitã inteira nas Nacionais, e não vai funcionar se você tiver se machucado sério e não for ver isso.”
A loira tentou argumentar mas um olhar duro lançado por Rachel a fez retroceder. “Lucy Quinn, é melhor você ficar bem quietinha e ir comigo ver um médico. Isso não é um pedido.”
A cheerio ainda ficou alguns segundos escarando a morena de forma desafiante, mas Rachel não recuou ao seu olhar e por fim Quinn cedeu. Bufou contrariada e levantou do degrau mais baixo que estava. Rachel pegou sua mão não lesionada e saiu arrastanto a garota até o carro, onde Kurt as esperava.
“Não precisa se despedir Berry.” Santana gritou. “E também não precisa agradecer por ter cuidado dessa loira chata.”
Rachel parou e girou no lugar, virando para a cheerio latina.
“Obrigada por tudo Santana. Até amanha.” E virou novamente, seguindo o caminho que traçava inicialmente.
Santana só pode sacudir a cabeça em descrença antes de começar a rir. Quinn estava completamente chicoteada pela pequena diva.
x-x
“Eu disse que não era nada de mais.” Quinn bufava ao sair do hospital.
Kurt e Rachel seguiam a ladeando e reviravam os olhos com o comportamento infantil da cheerio. Não era nada. O caralho que não era nada. Mais um pouco e a loira rompia os ligamentos. O médico havia dito que era muito sorte e que ela só precisaria ficar com a tipóia por algumas semanas e tomar alguns remédios para a dor.
“Você vai ficar com isso por três semanas Quinn.” Kurt murmurou para a irmã. “Isso é alguma coisa sim.”
“Vocês dois estão exagerando.” A cheerio resmungou e entrou no carro.
Rachel suspirou e Kurt rolou os olhos. “Quinn, eu não vou discutir com você.”
O garoto assumiu o volante do carro mesmo sob os protestos da loira que se julgava apta para dirigir o próprio carro. Como não conseguiu o que queria, cruzou os braços irritada e fechou a cara em uma carranca contrariada.
Eles seguiram até a casa dos Hummel-Fabray. O trajeto foi feito em silêncio, exceto pelos bufos que hora ou outra Quinn lançava. Sua mão doia como o inferno, mas não daria o gostinho a eles contando. Sabia que a morena se chatearia se descobrisse que escondia a dor, mas a irritação era maior. Tinha o domingo planejado de forma perfeita e por causa da maldita lesão não conseguiriam realizar nenhum de seus planos.
O médico a proibira de movimentar a mão esquerda por pelo menos três dias. O único lado bom era que ficaria fora dos treinos fisicos das cheerios por praticamente um mês. Estava tão perdida em pensamentos que nem notou que Kurt estacionara o carro. Foi só quando a morena a cutucou levemente que se desprendeu do que pensava.
“Você vem?”
“Oh, claro.”
“Sabe, você não precisa ficar de cara fechada desse jeito.” Ela murmurou enquanto saiam do carro. “Nós só ficamos preocupados.”
“Eu sei.” A cheerio suspirou e segurou delicadamente a mão de Rachel enquanto caminhavam em direção a casa. “Eu só tive um dia ruim. Nada está saindo como eu planejei. Me desculpa por estar descontando em você e no Kurt.”
A morena abriu um sorriso pequeno. “Não tem problema Q.”
x-x
“Você está com dor?”
Rachel fez a pergunta pela quinta vez em menos de uma hora. As garotas estavam deitadas na imensa cama de Quinn e assistiam a um filme qualquer que passava na televisão que tinha no quarto.
“Eu respondi isso a menos de dez minutos Rach. Pode ficar tranquila que não tenho dor.” Sorriu divertida para a baixinha. “Você já me fez tomar os meus remédios.”
“Só estou preocupada.”
Quinn sacudiu a cabeça. A morena ficava adorável com a expressão preocupada no rosto bonito.
Mais um tempo se passou antes de Quinn levantar da cama. Rachel resmungou com a falta do corpo quente em seu lado e depois a encarou confusa. Observou a loira caminhar até a sacola das cheerio que havia jogado em cima da mesa do computador e revirar seu conteúdo por alguns minutos, para depois voltar com um pequeno embrulho das mãos.
Sentou com as pernas cruzadas no centro da cama e colocou a caixinha entre as duas.
“O que é isso?”
“Um presente pra você.”
A judia pegou o pequeno embrulho nas mãos e tratou de o desembrulhar. Encontrou uma caixinha decorada e abriu sua tampa. Lá dentro repousava um pequeno e delicado colar em prata com uma escrita em letra cursiva.
Rachel o segurou com uma das mãos e conseguiu ler as palavras “I’ll Be”. Levantou os olhos castanhos confusos para Quinn.
“É a música do nosso primeiro encontro.”
“É lindo Quinn.” A loira sorriu. “Mas por que você esta me dando isso?”
“Eu queria te perguntar uma coisa e tinha planejado tudo, mas essa maldita queda fez tudo sair do planejado.” Quinn torcia as mãos nervosamente e Rachel as segurou apertado. Os olhos avelã se prenderam nos castanhos quentes. “Rachel, desde que você voltou pra Lima trouxe as cores e a luz de volta para a minha vida. Eu pensei que não me sentiria mais assim depois de Harmony, mas você me fez ver que não podemos nos fechar para os sentimentos. Esse colar é uma prova do que eu sinto por você. Estou perdidamente apaixonada por uma morena baixinha, com uma voz de anjo e o coração do tamanho do mundo.”
Rachel sorria com as palavras de Quinn e algumas lágrimas escorriam pelo rosto. Quinn as limpou gentilmente com o polegar.
“Eu queria conseguir pensar em um discurso mais bonito, mas sempre que te olho me perco em seus olhos e esqueço o que iria falar.” Tomou uma longa respiração. “Então, Rachel Barbra Berry você me daria a honra de ser minha garota? Você namora comigo?”
Fale com o autor