Notas iniciais
Uma pequena ilusão que se desdobrou, surpreendentemente, nesta história. Espero que apreciem.

A jovem Flor exibe vigor ao florescer, ao mesmo tempo em que a Estrela exibe calor e brilho. A flor brotou recentemente. A estrela, apesar de jovem, ali já permanecia. Enquanto a flor não chegava, a Estrela a buscava, às vezes confundindo-a com outras, mas sabendo que a sua era única. Longos 15 anos se passaram, a flor, ingênua e inocente, brotou, porém cega. Não sabia qual era o seu propósito no mundo, mas mesmo assim não desistiu e lutou até chegar ao desconhecido. A flor sofreu, foi despedaçada, arrancada, pisada... Quando ela buscou ajuda, era cega, e ninguém encontrou. Um dia, em um momento maior de desespero, um brilho atinge sua enegrecida visão.

— Ó minha bela flor, estou anos à lhe esperar, mas agora nada importa, pois cá está. — Disse a Estrela ao se aproximar

— Não entendo. Durante anos fui cega, mas um brilho estou vendo. E quem és? Como sabes quem sou, em meio à tantas de nós?

— És cega, minha bela flor? Será que apenas usa seus lindos olhos para chorar? Tente abri-los sem temor e, se fores a certa, meu brilho não irá lhe ofuscar.

— Então não sabes se sou a certa? Mas ora vejam só, cá estou a enxergar. Pequena estrela, tem pressa? Desejo que possa me explicar. Agora tudo posso enxergar, até mesmo através de seu brilho, que não vem me ofuscar.

— Você, minha doce Flor, é especial. Lutou, Lutou e lutou, mesmo com dúvidas, até o final. Estive lhe buscando em jardins e canteiros. Sabia que serias meu amor, o primeiro. O intenso brilho de minhas pontas são a felicidade ao encontrar-lhe, que, uma vez desse tamanho, mostra que valeu a pena esperar-lhe.

— Mas por que justo eu, brilhante estrela? Tem tantas flores além do horizonte, mas diz buscar-me. Há cada flor mais linda, não há de querê-las? Ir atrás de outras e esquecer-me.

— Olhe ao redor. Estas flores não são como você. Elas pereceram sem amor, enquanto você luta, mesmo com perguntas a fazer. És magnífica, estupenda em determinação. Sem erro, eres tu a flor que roubou meu coração.

— Bela estrela, seu brilho não me ofusca, e minha dor se esvaiu. Acho que finalmente dei fim a minha busca, sua missão você cumpriu.

— Não busco-lhe por uma mera formalidade, procurei-te por amar-te de verdade. Sinto que não recordas, mas passei noites intermináveis velando seu sono sob a terra. Não desejo deixá-la nunca mais, venha comigo para o céu e lá serás eterna.

— Mas vivo do chão, acima de tudo. Como irei para o céu?

— Com a força de nosso amor, tirarei, do limite, este véu.

A estrela tentou dividir seu brilho, pedir ajuda a outras estrela, mas nada teve êxito. Resolveu então visitar mãe-lua:

— Minha amada lua, mãe de todas as estrelas. Suplico-lhe ajuda em uma causa aparentemente impossível

— Hoshi, minha filha brilhante, diga-me, mas seja plausível

— Meu amor não foi suficiente para trazer minha amada para o céu.

— Mas o que é sua amada para mostrar-se tão presente, o limitoso véu?

— Hana, a flor que, com meu brilho, não se ofusca.

— Como podes desejar contradizer a natureza de forma tão brusca?

— Mas, mãe-lua, eu a amo, não posso tê-la?

— Ei de ensinar-te está lição, da terra para a terra, do céu para o céu. Ela deves ser honrada e manter-se pura até o fim de sua vida e, quando perecer, pedirei aos meus amigos, os ventos, que a traga aqui e faremos uma constelação para ela. Assim poderás sempre tê-la.

— Mas... demorará

— Sem paciência, minha jovem estrela Hoshi, tudo desmoronará.

A estrela saiu da presença da Lua inconformada, mas sendo incapaz de contestar. Foi até a terra e contou tudo para Hana, sua amada flor.

— Meu amor, o único remédio é seguir minha vida. Seguirei lutando todos os dias sem nunca desistir, e honrarei o dom da visão que me destes. Viverei até meu último dia, para que eu seja digna de permanecer a eternidade no céu ao seu lado.

— Meu amor... Acho que não há outro meio se não esperar... Mas saiba que a observarei durante o dia e lhe velarei à noite. Cuidarei de tudo para sua estalagem e eu vou lhe esperar, meu amor, é uma promessa.

Com estas palavras ecoando em sua mente, dia após dia, semana após semana, mês após mês e ano após ano, lá estava a estrela cumprindo sua promessa, até que a flor adoeceu. A estrela não ficou feliz, nem mesmo pensou em deixar Hana morrer, buscou a sabedoria da mãe-lua, que, orgulhosa de sua pequena estrela, decretou que havia chegado a hora. A estrela fez tudo que estava ao seu alcance para salvar a flor, mas nada foi suficiente e ela veio a perecer. Dias se passaram. Mãe-lua convocou Hoshi, e ela compareceu. Após entrar na sala, pode presenciar a união da Lua e de uma figura humana barbada que ela não reconheceu.

— Perdão, grande mãe de todas as estrelas, não sabia que estava acompanhada. Voltarei num momento mais oportuno

— Hoshi, espere. Entre, desejo apresentar-lhe. Este homem chama-se Kami-sama, ele é o criador de todas nós e de tudo que existe. Ele deseja vos falar.

— Grande Pai Celestial, o que desejas com uma reles e humilde estrela como eu?

— Jamais reles, vós sois tão importante quanto tudo mais que fiz com minhas próprias mãos. Acompanhei sua batalha, admiro-a profundamente. Mesmo sabendo que se sua amada morresse viria para cá, tentou de tudo para mantê-lá viva.

— Grande Kami-sama, não é a mim que cabe decidir o momento da morte, nem nunca caberá, uma vez que jamais serei capaz de carregar este fardo. Apenas desejei que minha flor pudesse desfrutar ao máximo sua vida na terra.

— Pois bem... Mas devo-lhe dar um aviso: outros seres dirão que o amor de vocês está indo contra minha palavra, uma vez que não podem procriar. Neste momento, desejo que responda o seguinte: "Com as bênçãos de deus, Ele Prega o amor acima de tudo, e o que sinto nada mais é do que este sentimento em sua forma mais pura.". Eu sei o que se passa dentro de você, amo-te e aceito-te como és, como lhe fiz.

A estrela agradeceu veemente, abraçou o homem barbudo e lhe destinou um sorriso triste amarelado. Então o homem se desvencilhou de seus braços, andou até se esconder atrás de uma pilastra, estalou os dedos e saiu de lá acompanhado com uma flor do tamanho da Estrela, com mãos e que sorria feliz.

— Vocês tem a minha bênção como Deus criador de tudo.

— Vocês tem a minha bênção como a mãe de todas as estrelas.

Correram e se abraçaram, trocaram juras de amor e agradeceram de joelhos ao pai Celestial e a mãe-lua. E assim começou o primeiro dia de desfrute de um amor que rompeu espaço e tempo para se concretizar, mas que durou até hoje, e durará até o fim dos tempos.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Seria bom se comentassem, me ajudaria a crescer e a melhorar, mas é a critério de vocês. Até a próxima o//
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!