Notas iniciais
Estou com um problema na formatação do capítulo, os parágrafos não estão ficando no lugar. Então, desculpa pela bagunça que está aqui (estou tentando arrumar!)

O sol brilhava com força sobre a copa das árvores em volta da clareira. Gabrielle se levantou em um pulo. -Xena? Seu coração estava disparado. A última coisa que ela se lembrava era de sua mão atravessando a janela do limbo, e alcançando a de Xena. A pele de sua amiga, companheira, amor e alma-gêmea não era mais mortalmente fria: era quente, como sempre havia sido. O que havia acontecido? Não podia ser apenas um sonho, não tinha como ser apenas um sonho. Havia sido real demais... Mas o acampamento estava exatamente igual à noite anterior, não havia nada fora do lugar. O desespero tomou conta de Gabrielle. Ela saiu andando verificando tudo. Argo estava amarrada na mesma árvore, a cela estava encostada em sua mochila, a mochila estava... -A mochila não estava assim! A urna estavasobre a mochila... Um som de passos pesados se aproximava por trás das árvores. Gabrielle pegou os sais, esperando. Uma mão se estendeu da penumbra da floresta. Segurava a urna. Ela estava aberta, vazia. Gabrielle se lançou com fúria contra a sombra que segurava a urna. -Você não tinha o direito de fazer isso com Xena!!! Ela pulou contra a pessoa que estava nas sombras, derrubando aquela estranha presença que havia arruinado a última lembrança do corpo de Xena. Gabrielle derrubou a pessoa, e estava com o sai preparado para perfurar a garganta do inimigo quando uma voz falou: -É assim que você me recebe depois da noite passada? O coração de Gabrielle bateu o mais rápido que nunca. Era Xena, XENA! Ela olhou para baixo, ainda preocupada com a possibilidade de estar sofrendo de alucinações. Mas não, Xena estava ali mesmo, vestida em seus couros tradicionais, com seu sorriso mais belo, encarando Gabrielle com seus majestosos olhos azuis. Sem pensar duas vezes, Gabrielle abaixou seu rosto, em direção ao de Xena. -Estou sonhando ou morri? Xena não respondeu, apenas beijou Gabrielle. Quando afastaram seus rostos, Gabrielle, ainda deitada sobre Xena, disse: -Acho que estou sonhando. Você não é mais gelada como um fantasma, e eu ainda sinto meu coração pulsando junto do seu. Ela se levantou, estendendo a mão para ajudar Xena a se erguer. Uma sensação maravilhosa de poder sentir o calor vivo nas mãos fez Gabrielle se sentir ainda mais feliz. -Xena, o que aconteceu? Ela olhou para Gabrielle, dentro dos olhos. -Não tenho certeza. Acho que o limbo, em que eu ficava presa quando não estava ao seu lado, ele era uma espécie de... estágio... em que eu devia ficar por não ter morrido na hora certa, por não ter morrido pelo motivo certo. Se a minha morte tivesse ocorrido por um motivo justo, era bem provável que eu tivesse ido embora. Mas morrer por Akemi e todas aquelas almas foi apenas nobre, mas não justo. Ela deu uma pausa e continuou falando. -Se eu tivesse morrido assim há..., digamos, 35 anos, antes de te conhecer, era provável que eu não ficasse no limbo, eu iria para o lugar que minha alma deveria ir.Porque naquela época Akemi era... Ah, esquece. -Esquecer o que? Que ela era seu amor? Eu te perdoo dessa, você ainda não me conhecia. Mas ai de você se já me conhecesse... Xena deu uma risada breve e continuou o seu raciocínio. -Bom, mas como já há uns 30 anos nós convivemos... há uns trinta anos eu já te amo, o meu sacrifício no Japão foi inútil. E o sofrimento de todas aquelas almas... ele não dizia respeito à mim. Dizia respeito à Akemi e a Yodoshi e aos que me atacaram enquanto eu levava as cinzas de Akemi para Higuchi. Eu não tinha culpa alguma, até porque eu estava bêbada de tanto sake... Essa foi a vez de Gabrielle dar uma risada. -Bom, eu entendo isso. Mas como é que você voltou... para mim? -Interessante você perguntar isso... Como eu havia morrido em nome do amor errado, a única forma de voltar à vida, era através do verdadeiro amor. E ontem, quando nós cantamos, o limbo, ou a força que o controla, percebeu que nosso amor é superior a qualquer Akemi que tenha surgido na minha vida. E, quando você conseguiu atravessar o limbo e tocar a minha mão, a força do nosso amor se encarregou de tudo. Gabrielle olhou Xena, de forma inquisitiva. -Quando meu espírito saiu do limbo, eu vi um espectro iluminado que pegou a urna de cinzas e a levou para a fogueira. As cinzas iam caindo, e eu fui sentindo como se meu corpo queimasse... Fui puxada para a fogueira, e meu espírito se ligou ao corpo que havia ressurgido das cinzas... -Como uma fênix? -Mais ou menos. Em pouco tempo, eu já me sentia novamente viva, e tive que ficar muito tempo esperando você acordar. Então, decidi pescar... Fiquei lá, atenta a qualquer som que me indicasse que você estava acordando. Demorou muito, mas quando ouvi, vim o mais depressa que pude... O resto você sabe... Gabrielle deu um sorriso enorme. -E a pescaria? Conseguiu alguma coisa? -Não sei... Vamos lá ver.