Halloween
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Luka estava no sofá de sua casa, contemplando o anel que estava em seu dedo anelar na mão esquerda.Era de prata com uma pedra vermelha como o sangue.
Lembrava-se muito bem do dia em que o ganhara.
Era 31 de outubro, seu aniversário, á noite iria sair para pedir doces nas casas de seu bairro, iria sozinho pois não tinha nenhum amigo para lhe acompanhar. Na verdade, não tinha ninguém. Sua família, que era composta por seus pais e ele era rica, mas faltava amor. Seus pais não ligavam para ele e sempre brigavam um com o outro. Luka sentia que essas brigas eram sua culpa. E, pelos menos aos olhos de seus pais, era mesmo, por isso o tratavam como se fosse um desconhecido.
Enquanto aos amigos, ele nunca tivera um sequer por conta de sua aparência. A pele em um pálido acinzentado, os olhos tão negros que diziam que quem os olha-se diretamente iria sentir-se como em um buraco negro, em baixo dos mesmos havia olheiras profundas por ficar noite pós noite a escutar os gritos de seus pais, e por ultimo os cabelos que comparavam com um negro ninho de rato.
Mas, voltando ao dia 31 de outubro...
O garoto nunca havia saído para pedir doces, por conta disso nunca havia tido uma fantasia, mas, naquele dia estava tão determinado que seria capaz de fazer qualquer coisa, inclusive pegar a seda mais fina de sua mãe e cortar dois pequenos buracos para fazer uma fantasia de fantasma. E assim ás onze e cinqüenta e cinco da noite já estava na ultima casa de seu bairro, uma com um aspecto fúnebre e sem nenhuma abóbora, esqueleto e nenhum outro enfeite de halloween.
– Doces ou travessuras?!! — Gritou assim que um estranho abriu a porta, mas se arrependeu imediatamente de ter batido á porta daquela casa. A pessoa que atendeu era um homem que beirava aos 70 anos, era extremamente magro e lhe deu um sorriso sarcástico .
– Doces eu não tenho não garotinho mas nós podemos faze algumas travessuras.
Luka lembrou-se da conversa que sua mãe tivera com seu pai:
“- Mais uma criança desapareceu aqui no bairro. — Dissera sua mãe nervosa.
– Eu soube. — Seu pai tinha um tom como de quem não se importasse.
– Aposto todo o nosso dinheiro que é aquele velho nojento do 169 que pega as crianças e faz “coisas” com elas. Também, os pais estão largando seus filhos em qualquer lugar.
– Hum. — Respondera seu pai.”
Agora suas pernas tremiam e seu olhos estavam fechados enquanto sentia uma das mãos do velho se aproximar.
Mas, ao invés de senti-la agarrando sua fantasia , a única coisa que sentiu foi algo batendo contra a seda e, quando abriu os olhos ficou horrorizado.
O corpo do pedófelo ainda estava lá mas sua cabeça... parecia que havia sido estorada.
– Humano estúpido, pensando que poderia tocar em minha propriedade. — Luka ouviu essa voz desconhecida e virou para trás deparando-se com o ser mais belo que já vira em sua vida.
Tinha cabelos negros e lisos, que iam até seus ombros, os olhos de tom rubro, era alto e estava lambendo uma de suas unhas afiadas, que estavam cobertas de sangue,deixando a mostra dentes pontudos e brancos. Fez uma cara de nojo.
– Gosto horrível. Velho nojento, assustou-lhe e ainda sujou sua linda fantasia. Com certeza ele terá um lugarzinho reservado no inferno. — E com um movimento limpou todos os vestígios do que havia acabado de acontecer ali. — Pronto.
O suposto vampiro sorriu com carinho para Luka, que aproximou-se mais.
Luka, ao contrario do que muitos podem pensar, não estava com medo e sim feliz e muito agradecido pelo outro lhe salvar.
- Obrigado. — Disse-lhe com a voz fraca. O outro riu suavemente.
- Esperava que eu fizesse o que? Assistisse aquela coisa tocar em meu amado? – E, dizendo isso puxou levemente a seda, fazendo-a cair suavemente no chão e revelando o garoto com as mesmas olheiras e a palidez acinzentada de sempre. Vestindo uma camisa branca larga e um short também branco, mas bem curtinho — Simplesmente lindo. — Sussurrou.
Luka ficou surpreso com isso.
- Por que está surpreso? — Perguntou-lhe a criatura.
- Pois ninguém nunca havia me dito algo assim. — Respondeu baixinho.
- Ainda bem pois então seria obrigado a matar a pessoa que o fizesse.
O menor sentiu seu queixo ser levantado com delicadeza e viu o rosto do vampiro a centímetros do seu. A pequena distancia foi quebrada pelo maior que selou seus lábios com um beijo.
O beijo pareceu ter durado dias, meses e até anos e quando foi quebrado Luka percebeu que estavam em um lugar completamente diferente. Parecia ser um bosque, estavam rodeados de árvores e ao longe se ouvia o barulho de um riacho.A lua e as estrelas iluminavam tudo ao redor
- Está pronto? — O vampiro lhe fez outra pergunta.
- Para que? — O outro nada disse, apenas pegou o pulso do menor e deu uma pequena mordia, rasgando levemente sua pele e lambeu o sangue que escorreu. Luka gemeu de dor e prazer.
-Mnn.
Logo depois o maior fez o mesmo com o próprio pulso e deu para o outro lamber seu sangue. Também gemeu mas apenas de prazer. Quando o menor terminou, o outro tomou-lhe os lábios e explorou com a língua sua boca. Era quente.
Se separaram ofegantes, e Luka percebeu que estavam em seu bairro novamente.
O vampiro retirou um anel de prata com uma pedra vermelha de um de seus dedos e colocou-o no dedo anelar de seu amado. Beijou-lhe a mão.
- Agora estamos noivos. — Luka sorriu. — Volto para buscar-lhe em alguns anos. — E dizendo isto virou-se em direção a rua. Mas, antes que pudesse chegar lá ouviu a voz de seu amado :
- Espere, qual é seu nome?
Sorriu.
- Damon. — Gritou de costas. — Aquele que tem garra. — E desapareceu.
Luka ouviu o relógio bater meia-noite.Completara dez anos.
Quando voltou para casa e sua mãe viu sua seda favorita naquele estado, começou a discutir com seu pai, daquela vez a briga foi séria e poucos dias depois se separaram. Mas o garoto nem ligou pois só pensava em seu amado Damon e em quando ele voltaria.
E lá estava Luka, oito anos depois, no sofá da mesma casa, seus pais morreram no mesmo dia, quando tinha quinze anos, a partir daí começou a viver sozinho.
Faltava apenas dez segundos para completar dezoito anos.
Nove. — Retirou o anel de seu dedo.
Oito. — Girou-o na mão.
Sete. — Sorriu pensando do vampiro.
Seis. — Seu coração batia rápido pensando nele.
Cinco. — Quando ele iria voltar?
Quatro. — Se ele voltaria.
Três. — Fora enganado?
Dois. — Não, sabia que não.
Um. — "Feliz aniversário".
O relógio bateu meia-noite e ao mesmo tempo ouviu batidas na porta. Levantou-se colocando o anel no dedo anelar e a abriu. Deparou-se novamente com o ser mais belo que já vira em toda sua vida. Cabelos negros e lisos, olhos de tom rubro e alto.
Sorriu.
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