Half of me
1 Parte um.
Dez anos atrás.
Uma pequena garotinha de cabelos loiros e olhos azuis feito o céu dava socos no braço do garoto maior a sua frente. Os dois eram amigos desde o dia em que a garota nascera. Ricardo Cobreloa a considerava a irmã que nunca teve apesar dos gostos meio peculiares da garota como futebol e lutas de qualquer tipo, ele sempre tivera ela como uma menininha frágil que precisava de defesa, o que era completamente equivocado. Ela podia muito bem se defender sozinha dos outros garotos da idade deles.
Karina Duarte amava quando Cobra – assim que Ricardo era chamado pelos colegas de classe — passava a tarde na casa dela. Assim eles podiam falar, sem propriedades é claro, do último jogo do campeonato carioca, ou então brincar de esconde-esconde ou até de lutinha, como estavam fazendo naquele instante. Também adorava o fato de que as suas brincadeiras faziam Bianca, que geralmente ficava em um canto brincando de boneca, se irritar. E era assim quase todo santo dia. Até aquele fatídico dia.
Começou com umas vozes alteradas na sala, que foram se tornando gritos. E quando as risadas cessaram no quarto, o senhor Rafael — pai de Cobra — entrou apressado no mesmo.
– Vamos Cobra, vamos embora agora. – disse puxando o garoto pelo braço, fazendo com que Karina ficasse atônita, sem saber o que fazer.
– O que... ta acontecendo? – ela perguntou baixinho, olhando para o pai que estava encostado no batente da porta.
– Karina, preste atenção no que eu vou falar agora, eu não quero ver você nunca mais de amizade com o Cobra, ta entendendo? – ele falou enquanto observava a filha arregalar os olhos.
– O QUE? – gritou Cobra, que tentava ao máximo não se deixar levar pelo pai.
– Não se preocupe Gael, meu filho não se misturará com sua filha nunca mais. Nós vamos embora da cidade, não faz nenhum sentido mais continuarmos aqui. – Rafael disse e, cansado da insistência do menino em se soltar, carregou-o com os dois braços e o pôs em cima do ombro direito.
– NÃO! NÃO, POR FAVOR, NÃO LEVA O COBRA. – Karina saiu correndo atrás dos dois – POR FAVOR SENHOR COBRELOA, NÃO LEVA MEU AMIGO EMBORA! – lágrimas já embaçavam a visão da garota.
– KARINA, VOLTA JÁ AQUI. – Gael disse correndo atrás da garota e segurando-a pela cintura.
– Ka, eu volto, eu prometo. – e essas foram as últimas palavras que Karina ouviu de Cobra.
Notas finais
Enfim, essa foi só a introdução mesmo, amanhã (ou depois) tem mais. Um grande beijo xx
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