Half-blood Princess
7 Pela primeira vez, perdida em Hogwarts.
Notas iniciais
E também, obrigada pela leitora que corrigiu alguns errinhos da fic... Eu já atualizei tudo, me desculpem pela falha. Qualquer coisa, sempre me avisem.
PS: Eu sei que essa história se passa a décadas atrás, mas resolvi inserir um romance trouxa que eu já li que foi publicado atualmente, espero que não se importem, rs.
Então, nos vemos lá embaixo!
Chegando à biblioteca, Lucy se sentou na cadeira de uma mesa vazia. Olhou para a madeira e organizou seus pensamentos. Severo Snape era seu pai. Por isso que seu sobrenome era Snape. O que falariam? Bom, ela não se importava. Afinal, não é como se do dia para noite todo mundo ficasse sabendo... Ela tinha uma mãe. Que não era biológica, mas que tinha a amado toda sua vida. Poderia ter uma família em outro lugar, mas a sua verdadeira família sempre seria a que a aceitou. Que a aceitou pelo que ela era. Mas por que diabos tinham a deixado no orfanato quando ela nasceu? Ela balançou a cabeça, aqueles não eram os tipos de pensamentos que precisava ter no momento. Ela precisava ser racional e prática. Era a melhor saída. Então, ela resolveu que agiria com normalidade e por enquanto não contaria para ninguém. Precisava se acostumar com essa ideia. Respirou fundo uma vez. Duas vezes. Levantou-se, afrouxando o cachecol verde e prateado e foi em direção à saída.
Voltando para o dormitório, Lucy imaginava por que tinha ido à biblioteca... Talvez por que a companhia dos livros a fizesse bem... Ou por que poderia ficar sozinha e confortável mesmo com murmúrios e sons de paginas de livros sendo amassadas e viradas. Aquilo a confortava, realmente. Ela fez um mapa mental de Hogwarts:
Local de refugio: Biblioteca
Local de esclarecimento: Sala do Dumbledore.
Se necessário, ela procuraria Dumbledore. MUITO necessário. Não queria ceder à fraqueza de ficar choramingando por ai dando uma de garota do orfanato que descobriu que seu pai é o horripilante professor de poções que nunca foi com a sua cara. Ela também sabia que não poderia ser assim para sempre. Ou podia? De qualquer maneira ela estava sendo prática.
Local proibido: Qualquer um em que Simas Finnigan estiver.
Ela balançou a cabeça. Aquilo era impossível. Fez algumas mudanças.
Local proibido: Salão Comunal ou Dormitório da Grinifória, com ou sem Simas Finnigan dentro.
Bem melhor. Ela parou para pensar por que diabos estava fazendo aquilo. Então percebeu: Estava se sentindo perdida. Perdida. Pela primeira vez se sentia desamparada dentro de Hogwarts. Chegando as masmorras, ela olhou para todos os lados para ver se não avistava Snape. Era ridículo, claro. Não poderia se livrar dele para sempre, mas podia evita-lo sempre que pudesse. Com o caminho limpo, ela foi o mais rápido possível para o Salão Comunal.
Sabia do que precisava para parar de ser paranoica com sua aparente momentânea falta de conforto em Hogwarts: tarefas. Sentou-se numa mesa e começou as tarefas que ela tinha até para a próxima semana. Então, no meio da tarefa de Poções se lembrou de Violet. Ela entenderia.
Depois de terminar tudo, ela pegou suas coisas e se dirigiu para o dormitório. Estava tão cansada que nem foi ao jantar depois, caiu direto na cama sem esperar uma provável Violet raivosa e adormeceu.
~
Seus olhos se abriram depois de um turbulento sonho, cheio de gritos, portas sendo fechadas e rostos comprimidos de pena. Lucy passou a mão na testa, estava suando frio. Abriu as cortinas do seu dossel, e colocou os pés no chão frio. Fingiria que nada, absolutamente nada, tinha acontecido ontem. E não pensaria mais nisso. Foi até o banheiro e jogou agua fria no rosto. Violet não tinha acordado ainda, e seria bom ela sair do dormitório antes se quisesse adiar o inevitável. Vestiu-se e pegou alguns livros, de acordo com o que se lembrava da primeira aula era de Feitiços.
A sala comunal estava praticamente vazia a não ser por um corpo jogado num sofá. Aquilo nem era problema de Lucy, mas como ela estava emburrada hoje e decidira que seguiria suas curiosidades para não pensar em outras coisas, resolveu se aproximar. Chegando mais perto, ela percebeu que era Draco Malfoy. E que ele roncava e ria ao mesmo tempo, ainda com o uniforme com os cabelos parecendo um ninho. Ela pegou uma almofada e jogou na cabeça dele, o fazendo acordar repentinamente e pular do sofá e ir direto à sua direção.
Lucy mal teve tempo de exclamar, e Malfoy estava em cima dela. Ela ficou totalmente irritada.
— QUER SAIR DE CIMA DE MIM? — ela gritou, empurrando o corpo dele para o lado. Um corpo muito pesado, por sinal. — O que significa isso?!
Ela perguntou, cheia de raiva, arrumando os cabelos e vendo a figura de Malfoy se contorcendo no chão. Agora ele ria, olhando para ela.
— Você me assustou, Snape idiota. — ele levantou, com os olhos meio entreabertos. Estava péssimo.
— Por que dormiu aqui? — ela perguntou, se afastando. Ele parecia... Bêbado? Impossível, bebidas alcoólicas, até pelo que ela sabia, eram proibidas em Hogwarts.
— Na verdade... — ele começou a falar, levantando do chão e arrumando suas vestes — Eu não sei. Acho que me pregaram uma peça.
Agora ele estava são. E irritado.
— Hum. Não vai nem me agradecer? — perguntou ela, nem sabendo por que. Aquele era Draco Malfoy, não agradecia nem pela vida dele.
— Pelo que? —ele riu sarcástico. — Por tacar uma almofada na minha cabeça?
— Por acordar você do seu breve transe. — disse ela — Você seria alvo de piadas se fosse pego assim.
Ele ficou calado. Lucy revirou os olhos e saiu logo do Salão Comunal, se perguntou afinal, por que se importava. Ele fazia piada de todo mundo e só se importava com o próprio nariz. Então, enquanto saia das masmorras ela ficou imaginando, se ela seria alvo de alunos assim se descobrissem que Snape era seu... Pai. A palavra ainda era estranha. Por que mesmo tendo sua mãe adotiva, não tinha um pai adotivo. Nunca teve. Bom, de qualquer jeito... Se fosse, tentaria ignorar. Seria possível?
Lucy foi tirada de seu transe por dois alunos que quase esbarraram nela, indo correndo em direção ao salão principal. Ainda bem, pensou ela, cansei de esbarrar em todo mundo. Mas quando um dos dois tropeçara caindo no chão, Lucy correu para ajudá-lo. Seus livros estavam todos espalhados pelo chão e o outro saíra correndo. Deviam estar apostando uma corrida. Idiotas.
Ela se aproximou e pegou alguns livros do chão, e um dos livros chamou muito a sua atenção: Beautiful Disaster, da Jamie McGuire. E ainda sem ainda saber quem era o individuo besta que estava lendo um livro de romance trouxa que ela já lera. Ela levantou-se para mirar a pessoa, e quase deixou os livros caírem no chão quando percebeu que era Simas Finnigan. Obviamente, ele a perseguia.
— Aqui. — ela entregou os livros, fitando os cabelos todos espetados ainda mais bagunçados. Ele estava com o rosto pegando fogo, e agora se uniforme estava todo amassado.
Ele pegou os livros, empilhando-os com o resto e arrumou a gravata vermelha e dourada, desfrouxada. Lucy esperou que ele pelo menos, olhasse na cara dela, mas o idiota fez o mais inesperado possível: saiu correndo. Ela sentiu vontade de bater a cabeça na parede. E subitamente, toda a calma se esvaiu do seu corpo. Ela teve um acesso de raiva de si mesma por estar com raiva de Simas não ter pedido obrigado? Era aquilo mesmo? Pisando firme em direção ao Salão principal, Lucy decidiu que devia procurar Madame Promfray. Estava tendo crises bipolares de estresse, e mal dormira a noite.
Ela sentou-se à mesa da Sonserina, mais calma, e acompanhou todos os alunos chegarem. Ela nunca tinha acordado tão cedo e adicionou isso a sua lista mental dos sintomas da sua mais nova crise de bipolaridade.
— LUCY. — Essa não. Era Violet.
Lucy a sentiu a amiga se sentar ao seu lado, ereta. Ela olhou para o lado e deu de cara com a expressão mais irritada que já vira de Violet.
— Pode me explicar O QUE aconteceu nas ultimas 12 horas? — ela quase gritou, e vários rostos se voltaram para ela.
—Me desculpe. — Lucy sussurrou inaudível.
— É só isso que tem a dizer? E fiquei que nem uma tonta te esperando ontem, e quando quis te dar uma bronca no jantar, você estava DORMINDO. — disse ela, parando para respirar fundo — E agora de manhã, quando levantei profundamente chateada, você tinha ACORDADO.
Seus olhos azuis estavam esbugalhados e seu cabelo estava amarrotado.
— Violet, eu tive uns problemas à tarde e não quis ir ao jantar. Sério. — ela não parecia convencida. — Me desculpe.
Seus ombros relaxaram.
— Ok. E como você me explica ter acordado antes do sol hoje?
— Só tive vontade de levantar mais cedo. Eu sei que é estranho, e sei que vou ter que fazer algo para você me perdoar... Então... O que é?
Ela sorriu e ajeitou os cabelos, de irritada para animada.
— Estou pensando ainda. — ela sorriu sinistra — Mas não vai ser tão fácil, então se prepare.
~
Fui para a aula de feitiços pensando se deveria contar sobre Snape para Violet. Ela não contaria para ninguém, isso era certo. E ela até poderia ajudar Lucy a superar isso de vez. Mas por outro lado, seria mais uma pessoa, a saber... Portanto, mas difícil de fingir que era algo inexistente. E era exatamente isso que Lucy queria fazer, fingir que não havia descoberto nada. Decidiu levar mais um tempo para esperar.
Violet passou a semana inteira a lembrando da grande surpresa que teria para ela a perdoar de verdade. Enquanto isso, Lucy praticamente ignorava Snape. Era difícil faze-lo nas aulas, mas ela estava se esforçando. Mesmo assim, ele parecia mais insuportável que nunca. A chamava na frente das aulas para falar, encontrava defeitos até nas poções mais perfeitas, esbarrava com ela em todos os lugares, sempre a olhava com aquela cara de desaprovação mais forçada o possível e insistia em chama-la de “Senhorita Lucy”. Ela começara a ficar estressada. Seus ombros viviam tensos, e seus pesadelos estavam piorando. Tirando o fato que agora, Simas Finnigan a encarava abertamente sempre que estavam num mesmo local e nunca pedira obrigado pelo dia em que ela o ajudara. Mas Lucy nem sabia por que ainda se lembrava disso.
O dia das bruxas, consequentemente o aniversário de Lucy, estava chegando. E nada da surpresa de Violet.
— Vai deixar essa surpresa para o meu aniversário por acaso? — perguntou Lucy, enquanto as duas caminhavam para a Torre de Astronomia numa noite de quarta feira congelante.
— Vish Lucy... Está ficando paranoica? — ela riu.
Quase.
— Falando nisso, o que quer ganhar de aniversário? — Violet perguntou, enquanto elas entravam numa fila pelas estreitar escadas da Torre.
— Uma pena nova talvez, já que a minha preferida foi roubada mesmo. — comentou indiferente. Tomara que quem seja que a roubou morra de caganeira, pensou ela.
O céu estava aberto e estrelado, e neblina saia da boca dos alunos enquanto eles falavam. Era aula dupla com a Grinfinória, já que as quartas-feiras estavam sempre nubladas. Aurora Sinistra convencera Dumbledore de ter essa aula dupla pelo menos essa semana.
Depois de nos acomodarmos nos lugares, Sinistra começou a falar. A aula estava insuportável, na verdade. Lucy moveu seus olhos pela torre varias vezes e parou em vários lugares diferentes, o que era para ser algo para distraí-la foi na verdade um desastre. Ela acabou presenciando cenas como Dino Thomas enfiando o dedo no nariz, Emília Bulstrode mexendo na calças, Neville Longbotton babando e Pansy Parkinson mordendo o lábio e encarando Draco Malfoy, que a encarava. Concentrou seu olhar na pagina aberta do livro e respirou fundo contando os minutos para a aula acabar, eram quase 01h30min da manhã e ela estava morrendo de sono. Quando levantou o olhar para frente novamente, quem no momento a encarava era Simas Finnigan. E, por um momento ela ficou perdida. Nunca tinha reparado em como os cabelos louros de Simas pareciam macios e de como seus olhos eram claros. Na verdade, ele tinha belos olhos... Mas no momento ela não conseguiria dizer o que expressavam... Curiosidade, sono, cansaço, desejo... AH. Ela balançou a cabeça afastando a linha de pensamentos e desviando o olhar. Ingratidão. Tudo bem que ela era muito encanada com o Finnigan, mas aquilo já tinha virado perseguição. E por que agora ele dera de encarar ela toda hora?
Ela agradeceu quando a aula finalmente acabou. Todos os alunos, apressados, foram se atropelando pela Torre para sair primeiro. Lucy perdeu Violet de vista, e acabo ficando para trás. Quando estava alcançando a saída, uma mão a puxou para um canto.
— É... Oi Lucy. — ela mal pode acreditar que a pessoa que a puxara era o Simas Ingrato Finnigam.
— Oi. — disse ela, secamente e meio tensa. Todos tinham saído inclusive a Aurora. Então que diabos ele tinha... Não pera...
— Eu queria... Hm... Me desculpar com você. — ele disse tão rápido que Lucy jurava que ele estava prendendo por muito tempo. — Quer dizer... Eu não devia ter expulsado você do meu quarto naquele dia, você só queria pedir desculpas e...
— Pera. Você lembra daquilo? — ela jurava que ela quase tinha esquecido. Quase.
— Claro que sim. — ele disse como se fosse obvio. — E também por sair correndo naquele outro dia... Eu deveria ter agradecido e tal.
E não tão de repente Lucy se tocou que a raiva que sentia de Simas era totalmente idiota. Ok, nem tão totalmente, afinal ele era meio sem noção, mas agora não parecia tanto assim.
— Tudo bem, cara. — ela tentou sorrir, e para sua surpresa, conseguiu.
Ele tentou retribuir e deve ter conseguido, pensou Lucy. Não parecia idiota nem tirando sarro, parecia sincero. Ele virou-se para sair, quando algo veio rapidamente da cabeça de Lucy.
— Ei, Simas! — ela chamou e ele se virou meio surpreso. — Você por acaso está lendo Beautiful Disaster?
Ele fez uma cara de quem é pego totalmente desprevenido. Mesmo no mundo trouxa, os garotos se recusavam a ler romances. E, ela não tinha reparado, mas era uma surpresa ele estar lendo aquele livro. Lucy teve vontade de rir, mas apenas deixou a situação mais confortável.
— O romance trouxa... Da trouxa Jamie Mcguire... — ela adicionou. E ele meio que levantou as sobrancelhas. — Não precisa ter vergonha. Eu já li.
Ele sorriu. E sorriu de verdade.
— E com quem Abby fica no final? — ele perguntou, com a voz baixa olhando para o chão, meio envergonhado.
Lucy riu um pouco e passou por ele.
— Vai ter que descobrir sozinho.
~
E nesta noite, não houve tantos pesadelos manchados de tinta preta e rostos de pena. Houve paginas de livros, sorrisos, os olhos de Violet, chocolate e até algumas risadas. Ela enfim, estava bem. Estava bem com tudo. Ou quase tudo.
Notas finais
Estou com novas ideias para essa fic, e as coisas vão ficar mais divertidas a partir de agora.
Obrigada por lerem, amados.
xoxo
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