As quatro crianças brincavam no pátio da Fazenda Ouro Verde. A menina mais velha, com seus olhos escuros e jeito mandão, tentava comandar os três menores. Os dois meninos de olhos castanhos corriam atrás de um terceiro, com olhos verdes como os campos onde corriam.

— Elena mal pode esperar para que Alice esteja maiorzinha. – Ema suspirou, observando as crianças. – Mal aguenta os irmãos, mas tudo piora quando se juntam à Tom.

— Ainda falta um pouco de tempo. – Elisabeta riu, com a filha nos braços. – Quem diria que viveríamos algo parecido com isso.

— Eu sempre disse. – Ernesto interrompeu a conversa. – Só não imaginava que meus afilhados seriam nobres ingleses.

— Que bobagem, Ernesto. – Darcy riu, alto, observando a esposa e a filha. – Pois eu diria que soube no momento em que encontrei Elisabeta naquele baile.

— Ah, sim. E por que é mesmo que ficou tanto tempo noivo de Ema? – Elisabeta arqueou a sobrancelha.

— Era tudo um plano para conquista-la. – Darcy piscou.

— Fico muito feliz que esse noivado tenha acabado. – Ernesto sorriu. – Consegue imaginar, Elisabeta? Ema e Darcy colocariam as crianças em uma redoma de vidro.

— Ernesto! – Ema ralhou. – É claro que não faria isso.

E nesse momento o mais novo dos meninos, Pietro, tropeçou e caiu, iniciando um choro alto.

— Pietro! Luca! Parem agora de correr dessa maneira. Onde já se viu, os bisnetos do Barão de Ouro Verde com esses modos bárbaros.

— O que foi que eu falei? – Ernesto cochichou para os amigos, que soltaram risadas contidas.

Era a rotina dos Pricelli e dos Williamson, e não havia uma só alma naquelas duas famílias que escolheria aquele acordo comercial. Estavam felizes com a bagunça das crianças, os risos altos, e com todo o amor que existia entre eles.

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