Half Body — Interativa
10 A noite das Selecionadas.
Notas iniciais

Ten.
10. A noite das Selecionadas.
Peggy estava feliz por não ter rolado na escada. Na verdade, ela desceu até que muito bem, foi dando um passo de cada vez, olhando para frente, e segurando no corrimão — como Teresa havia indicado. Depois foi só fazer uma reverência afronte cada membro real, e receber um beijo em sua mão pelos lábios do Príncipe — foi ai que Peggy quase torceu o pé, e caiu, porque aquele menino era muito bonito de perto e ao vivo, ao invés de um quadro (e seus olhos eram mel, não marrom).
Mas agora ela estava um pouco entediada. Ela até estava tentando conversar com alguns nobres, como Teresa havia dado a dica, mas poxa eles são tão chatos. Ela até havia pensado em ir lá fora, na sacada apenas admirar a noite até o momento da valsa, mas não era uma boa ideia, considerando os pequenos flocos de neve que caiam. Por isso estava apenas na janela olhando para o lado de fora e soltando alguns suspiros de vez em outra.
Averie, por outro lado, estava se divertindo. Aquela festa provavelmente entraria para a sua lista de melhores festas. Os doces estavam simplesmente divino! Averie mal havia jantado, principalmente depois de colocar os olhos na mesa de doces. Tinha doce de tanto a quanto tipo, vários pareciam até nojentos, mas outros davam vontade de colocar num potinho e guardar de tão bonitos que eram!
A ruiva estava pegando alguns doces, enquanto observava a pista de dança sem interesse. Queria até dançar, mas decidiu comer primeiro — vai que os doces acabam. Por isso ela estava ai ao lado da mesa de doces, pegando um doce de vez em outra, e puxando conversa com alguma mulher que aparecia — afinal, fora isso que Teresa havia mandado fazer, certo?
— Tem certeza de que não quer dançar? — Montana perguntou novamente para Clarice, que apenas negou com a cabeça. Havia acabado de comer, não era uma boa ideia começar a se movimentar logo em seguida. Montana apenas deu de ombros e saiu.
Montana estava sendo como uma mãe para as meninas dali, logo após Safira. A mulher havia deixado implícito que não queria ganhar o coração de Príncipe e isso fez Clarice se aproximar da mulher, mas no momento ela conversava animadamente com outra Selecionada que Clarice não sabia o nome.
Na verdade ela não sabia o nome de quase ninguém. Desde quando havia chego ao Castelo, havia falado somente com algumas Selecionadas, dentre elas, Montana, Safira, Ayuu, Averie e Peregrina. Não que não quisesse evitar conversa com elas, mas bem... Clarice não conseguia impedir isso dentro de si: ela era competitiva, e de uma forma ou outra, ela sentia que conversando com aquelas meninas era uma forma de se mostrar fraca numa competição que a qualquer hora uma menina poderia lhe apunhalar pelas costas.
Ou ela estava sendo dramática demais.
Clarice deu uma breve olhada na direção do Príncipe — ou como Teresa gostava de reforçar, o futuro marido de alguma de vocês. Seus fios castanhos estavam desorganizados, diferentemente do início da noite, quando ele beijou a mão da menina (o que a pegou totalmente de surpresa, Clarice teve de admitir). Ele conversava com um rapaz louro, e estava sempre olhando ao redor. Clarice se perguntou se ficaria rude demais se a menina fosse falar com ele. Achou que não, afinal, Teresa havia dito a uma Selecionada ruiva que seria ótimo se elas fossem conversar com o Príncipe.
Mas quando criou coragem para conversar com o rapaz, viu o casal real se aproximar do menino, e logo desistiu. Aproximar-se do casal real não era opção legal, não por medo, mas por não querer atrapalhar o momento família, e também porque não achou conveniente. Então a menina apenas voltou seu olhar para a pista de dança.
Evellyn estava um pouco entediada ali. A festa estava ótima, isso era fato, mas estava parecendo uma festa qualquer — exceto pelo fato de que volta ou outra, ela acabava vendo o Príncipe, ou os Reis. Evellyn sempre estava dando uma olhada ou outra para o garoto. Mas parecia que alguma força o impedia de olhar de volta. Na verdade, Evellyn percebeu que ele quase não olhava para alguém especifico. Seus olhos sempre ficavam rodando o salão, ou então nos dois garotos loiros que volta e meia estavam perto do menino.
Evellyn bebeu mais um pouco do suco que havia pegado, e então olhou ao redor, constatando uma Selecionada próxima de si. Conhecia-a somente de vista, mas sabia que a menina era jovem, uma das mais jovens ali, por isso logo se aproximou. O seu plano de começar a eliminar suas concorrentes ainda estava em sua mente, principalmente porque Evellyn sabia que todas elas eram muito bonitas.
— Hei — a ruiva cumprimentou. A menina sorriu para Evellyn, e deu um breve aceno se aproximando. — Eu sou Evellyn — esticou a mão, ainda sorrindo para a garota, que se aproximou e apertou a mão de Evellyn, sorrindo de volta.
— Zara — respondeu com um sorriso alegre. Evellyn sorriu. Ela seria fácil, fácil.
Montava estava tão feliz que a felicidade não cabia no seu peito. Seu corpo mexia conforme o ritmo da música, e aquilo era tão gostoso, tão bom. Usar aquele vestido, estar com aquelas meninas, estar naquele lugar, ah, aquilo era infinitamente ótimo. A menina bebericou mais um pouco do seu vinho e voltou a sacudir o quadril.
Havia ficado um pouco receosa em pegar bebida antes de liberar para os menores — não que ela precisasse disso, ela já tinha 21 — mas depois deu de ombros e foi em direção ao bar montado ao canto do salão, próximo a uma grande sacada, com grandes portas de vidro, que davam para o lado de fora — onde Montana havia admirado o jardim por longos segundos.
— Você vai ficar bêbada — Ayuu gritou por dentre a música, e Montana riu, dando de ombros, e mostrando que estava nem ai para isso. Ela não era uma pessoa inaceitável quando bêbada, na verdade, só era mais verdadeira e solta do que já era. Nada demais.
Ayuu apenas riu com a menina. Era incrível que em apenas dois dias naquele imenso castelo já estava criando um laço com Montana. Tudo bem que ele ainda era bem pequeno, mas mesmo assim, era um laço. E Ayuu de certa forma tinha receio. Afinal, ambas estavam ali competindo pelo Príncipe. E Montana parecia ser daquelas que veio para ganhar.
Não que Ayuu quisesse ganhar. Na verdade ela não havia parado para pensar naquilo. Estava pensando em como o castelo era bonito, e em como ficar ali — longe da tia — seria incrível, como poderia ter novas experiências, como poderia conhecer novas pessoas, mas não havia pensado seriamente em ganhar.
— Ayuu!
— Jesus amado! — a menina colocou a mão por sob o coração, enquanto colocava a sua outra mão em Montana. — Não faça mais isso, você me assustou! — retrucou, ofegante, por conta do susto. Montana começou a gargalhar, e quase derrubou vinho em um homem velho, que as olhou feio. — Desculpe — Ayuu pediu com a voz alta, mas o homem pareceu ignorá-la. — Montana!
— Desculpe, Ayuu, mas você realmente conseguiu se assustar com o meu grito no meio da pista de dança? — indagou, e Ayuu apenas suspirou, enquanto dava de ombros e Montava voltava a gritar, dizendo que era a música preferida dela.
Ayuu apenas riu, e por alguns segundos se permitiu ser a menina louca que Montana era, gritando, dançando, e se divertindo. Afinal, aquela era uma oportunidade única na vida, certo? Vai saber quando a menina teria essa oportunidade novamente?
— Obrigada — Peregrina agradeceu ao garçom que lhe trouxe o suco de morango que havia pedido, e logo voltou a observar o movimento do baile. A pista de dança estava mais vazia e a menina se perguntou que horas que deveriam ser. Estava um pouco ansiosa para a dança com o Príncipe.
Ela havia acabado de treinar com um guarda que havia sido escoltado por Teresa. Ela, e mais umas sete Selecionadas. Peregrina agradeceu por não ser a única ao estar com medo de pisar no pé do Príncipe. E talvez não era só por pisar no pé do menino, mas também porque todos os olhares do salão estariam sobre eles (ou pelo menos alguns, já que Peregrina seria uma das últimas a dançar com o menino).
A menina deixou um suspiro sair dos lábios antes de fitar algumas Selecionadas dançarem no meio da pista de dança. Gostaria de dançar também, mas uma parte de si negava de fazer amizade com alguma Selecionada. Com qualquer que fosse. Por medo. Medo de ser traída, como fora por Blake há anos atrás.
— Hei Peg — Katherina apareceu ao lado da menina, andando rapidamente até a garota e se colocando ao seu lado. — Está curtindo? — indagou olhando o salão ao seu redor. Peregrina soltou um suspiro, e Katherina riu.
— O que? — Peregrina rapidamente perguntou a garota, que tinha um sorriso no rosto.
— Nada, é só que seu suspiro já disse tudo — Katherina respondeu, e depois passou a mão no vestido, desamassando o amassado invisível. — Estou me sentindo um pouco excluída — comentou num sussurro. E por mais que a música fosse alta, Peregrina conseguiu escutar.
— Não é a única — Peregrina sussurrou de volta, e logo voltou a bebericar seu suco.
Katherina sorriu, feliz por saber disso. Talvez por ser a primeira festa, mas ela não estava conseguindo se enturmar tanto quanto outras garotas estavam, e isso a deixava um pouco desanimada. Não que estivesse esperando uma rodinha ao seu redor, não. Não queria isso. Mas não queria ficar solitária a competição inteira.
Peregrina na verdade foi uma colega que lhe caiu muito bem. A menina estava na sua sacada, quando Katherina saiu na sua e a viu, observando os grandes pinheiros a sua frente. Kate até pensou em deixá-la lá, mas desistiu e rapidamente puxou assunto com a menina. Não fizeram amizade. Mas Katherina poderia dizer que já não se sentia sozinha.
Diferentemente de Lysanna, que se sentia completamente sozinha no meio de tanta gente — o que era estranhamente irônico. E, bem, Lysanna estava odiando aquilo, pois odiava solidão. Por isso que quando o jantar foi servido ela fez o favor de procurar uma mesa ocupada, e de perguntar se poderia sentar-se ali. Descobriu-se estar sentada com o casal Luccius, que depois se apresentaram como Klaus e Rebeca.
Lysanna adorou conversar com eles, de verdade, mas assim que acabou seu prato acabou se retirando da mesa, e se arrependeu profundamente disso. A menina foi conversando com algumas pessoas até chegar a um velhinho super extravagante, que ela logo reconheceu como Dean McHong, e por mais que ele fosse um cara legal, ele falava demais, e Lysanna já estava enjoada de ouvi-lo falar.
Por isso quando as Selecionadas foram convocadas por Teresa, ela quase soltou um ‘graças a Deus’, mas apenas se limitou a beijar as duas bochechas de Dean e sua acompanhante — que ela não sabia o nome — e sair dali, seguindo o ritmo de garotas.
As mãos de Chrystal suaram quando a menina ouviu a voz de Teresa ecoar em todo o salão, clamando pelas Selecionadas. Ela sabia que estava na hora da valsa, e aquilo a fez prender a respiração por alguns segundos. Ok, talvez estivesse um pouco nervosa para esse momento, afinal, sua mão suar não era algo comum a menina. Então tratou de limpá-las no vestido vermelho, enquanto seguia algumas meninas a sua frente.
O coração batente forte, a respiração sendo controlada aos poucos. Até parece que você nunca viu um menino. Sorriu consigo mesma. Chrystal havia observado o Príncipe — Por Deus, quem não havia? —, e quando estava sozinho, ou rindo de algo que o garoto loiro que não desgrudava dele contava, ou até mesmo sujando uma parte da camisa branca de molho — é, Chrystal havia tido a proeza de pegá-lo nesta parte — ele parecia um cara normal.
Ele é um cara normal, Chrystal. A única coisa é que ele nasceu da Rainha e do Rei da Inglaterra.
Nada demais.
— Hei Bia — Chrystal cumprimentou a menina, que logo sorriu. Chrystal tinha de admitir: Bianca era uma ótima colega. Haviam descoberto estar no quarto uma na frente da outra, e isso acabou as aproximando, logo após Chrystal admitir a Bianca que não sabia dançar valsa tão bem assim. — Como está?
— Eu não sei — a morena comentou, logo em seguida soltando uma pequena risada. — Um pouco nervosa, talvez — deu de ombros, e Chrystal sorriu. Bianca forçou um sorriso, enquanto soltava o ar e parava perto de algumas Selecionadas, ao lado de Chrystal.
— A hora da valsa está chegando — Teresa falou, a voz alta, devido ao som alto lá atrás. — Então se quiserem ir ao banheiro, ou se precisarem de alguma coisa, qualquer coisa, essa é a hora — a mulher estava séria, e deu uma breve olhada para as Selecionadas. — Como vocês não têm relógio, irão tocar mais duas músicas e eu quero todas aqui de volta, ok? — avisou, e Bianca prestou atenção na música. Não conhecia, mas deduziu que já estava na metade. — Se precisarem de algo de mim, é só falar — sua voz tinha uma ternura boa, e Bianca sorriu, assentindo, mas não precisava de nada.
— Okay, eu vou fazer xixi, e ver se meu absorvente não está cheio — Chrystal comentou, e Bianca riu ao seu lado. A morena não sabia que haviam chegado a esse lance íntimo, ou Chrystal que não ligava ao falar disso. — Você vem? — indagou a menina, que apenas negou com a cabeça. Havia acabado de ir ao banheiro, e se checado. Não sabia que teria essa oportunidade. Chrystal saiu dali a passos rápidos, e Bianca se afastou um pouco.
Não queria ter que ficar muito perto das outras Selecionadas por motivos de se sentir desconfortável. A garota se perguntou como estaria sua família. Se eles estariam assistindo-a pela televisão, e se estariam torcendo pela menina. Pensar naquilo fez a menina sorrir.
Bianca olhou ao redor, e conseguiu visualizar Selecionadas correndo de um lado para o outro, algumas parecendo até mesmo desesperada. A menina tentou achar o Príncipe, tentar ver o que ele estava achando daquela situação, mas não o encontrou em lugar nenhum, e concluiu que ele também estaria se arrumando — mesmo Bianca achando que não precisava. Mesmo se ele estivesse sujo de molho iria ter aquelas meninas que fariam de tudo para ele de qualquer jeito.
Não que Bianca fosse uma dessas meninas, ela não era. Bianca tinha de admitir, ele era bonito — lindo para as exageradas. Bianca não conhecia a história de vida do rapaz, não o julgaria pelo o que o todo mundo julgaria, mas gostaria de ajudá-lo. Em sua mente, Príncipe Arthur era alguém que precisava de ajuda. Que precisava mostrar ao povo da Inglaterra que não, ele não era como eles pensavam que ele era. E Bianca estava disposta a ajudá-lo.
Enquanto no Salão da festa, algumas Selecionadas corriam, no banheiro as meninas estavam mais calmas. Gracie era uma delas. Não estava tão nervosa quanto a menina no canto do banheiro que ofegava e parecia que iria vomitar a qualquer segundo. Na verdade ela estava calma. Havia ido ao banheiro apenas para esvaziar a bexiga, mas logo depois de lavar as mãos ficou se encarando no espelho.
A menina ainda não havia sido entrevistada, ou então filmada por aquela câmera que ela havia visto lá no salão. Não que isso a incomodasse, é que de certa forma gostaria de mostrar a Charles que estava feliz ali — e não era mentira. Gracie estava feliz ali. O castelo era enorme e lindo, e a menina já estava querendo um tour por ele e pelos jardins — mesmo com neve.
A morena se observou mais uma vez, e admirou que a maquiagem estivesse intacta, por mais que tivesse algumas gotinhas de suor em sua testa devido à dança excessiva há alguns minutos atrás. Pegou um papel e as limpou vagarosamente, escutando uma Selecionada anunciar que a primeira música havia acabado. Gracie então decidiu voltar para perto de Teresa, e apenas aguardar sua vez.
Kamille por outro lado, queria logo acabar com aquilo. Estava impaciente. Não queria ter que ficar em pé, numa fila, esperando sua hora para dançar com o Príncipe. Queria logo pegar na mão do menino e sair dançando valsa com ele no centro do salão pelos dois minutos. Ela realmente não teria ter que esperar sabe-se lá quantas meninas.
Mas mesmo assim a garota se dirigiu para a fila voluntariamente. Se não fizesse, não dançava. Então era melhor apenas esperar. E foi o que Kamille fez. Esperou. Afinal, se não fizesse isso, faria o que? No final ela queria dançar com o Príncipe. Com o Príncipe de olhos escuros e cabelos bem penteados que entrara no salão com um sorriso charmoso e a coluna ereta, dançando perfeitamente com a Rainha Joanna, antes da mulher rodopiar em direção aos braços do Rei Thomas e eles dançarem um pouco, e todos baterem palmas logo em seguida.
Logo em seguida o nome da primeira Selecionada foi anunciado, e Kamille começou a contar o tempo.
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