Eu estava tentando dormir e não pensar se teria mais algum incidente, mas um grito cortou o silêncio da noite, um grito tão conhecido, me levantei e sai correndo do meu chalé, os campistas já começavam a se reunir em volta do refeitório, não poderia ser verdade. Abriram passagem quando eu me aproximava isso apenas confirmava meus medos, quando finalmente cheguei ao centro do alvoroço, vi Victória minha melhor amiga de tantos verões e missões jogada no chão segurando debilmente a mão de seu irmão, ela chorava lágrimas de sangue e se engasgava com o sangue que subia por sua garganta ao tentar falar, me ajoelhei ao seu lado e a puxei para meu colo.

– Ei, calma vai ficar tudo bem — eu sabia que ela morreria mais eu tinha que acalma-la.

– Isso mesmo Vic — disse Hall, tentando acalmar a irmã.

Diferente de muitos campistas que só tinham a parte divina os tornando irmãos Victória e Hall são gêmeos. Ela sorriu e mesmo sem precisar falar entendemos que ela sentia que não ia durar mais que alguns minutos. Ouvi sons de cascos, Quiron estava ao nosso lado.

– Ah minha criança, sinto tanto.

– Tudo bem — ela tossiu e cuspiu sangue no chão — eu...

E então seus olhos perderam o brilho e o foco.

– O que foi isso? Falou um menino de aparência latina, ele era alto e ligeiramente musculoso aparentemente deve ser um ou dois anos mais velho que eu.

– Não sabemos Júlio, mais isso vem acontecendo. Desculpe mais esse lugar não é tão seguro como prometi. Márcia cuide dele por enquanto sim? Leve a um chalé e amanha o apresente ao acampamento.

– Indeterminado? — perguntei, Quíron apenas assentiu com a cabeça.