Eu estava ao lado de Felipe, e Márcia contando histórias sobre os mitos gregos, quando Felipe foi reclamado.

Uma foice com asas negras flutuava sobre sua cabeça emanando uma energia terrível e poderosa.

– Saúdam -disse Quíron- Felipe Moutinho, Filho de Tânatos.

Mas oque nós achávamos ser apenas um evento importante naquela noite, se tornou uma reação em cadeia de proporções catastróficas.

Logo depois de Felipe ser reclamado, a temperatura caiu pelo menos dez graus e a fogueira apagou, e só se pode ver uma luz incandescente naquela escuridão: Um cristal de gelo que flutuava sobre a cabeça de Giovanna. E logo em seguida um grito de pavor ressoou por todo o acampamento e as chamas se acenderam novamente, mas desta vez elas eram verdes. As mesmas chamas antes paradas agora estavam dispersas pelo céu até que se acumularam em um só ponto, formando a imagem de uma espada cravada em uma caveira negra, que estava flutuando sobre a cabeça de um garoto de uns 13 anos com cabelos e olhos negros.

Logo que percebi o foco dos semideuses havia mudado, agora eles olhavam para minha direção e então eu me virei sem ver nada, mas quando voltei o olhar para eles percebi oque estava acontecendo. Havia uma imagem holográfica sobre a minha cabeça: um pequeno anel de energia vermelho que continha em seu meio um Corno de Batalha com duas espadas cruzadas sobre ela ambas douradas. Mas antes que alguém pudesse falar uma única palavra, a fogueira se incêndio novamente com chamas amarelas ardentes que voaram diretamente em minha direção, atingindo o holograma. Quando olhei novamente, a imagem havia mudado, o anel e o corno continuavam inalterados, mas surgiu uma espada que brilhava com um vermelho rubro, e estava cruzada com um martelo dourado flamejante.

Todos estavam calados.

– Saúdam -disse Quíron novamente- Giovanna Bruna, Filha de Quione. André Lucas, Filho de Phobos. E Júlio César, Filho de Zelo?!

Eu havia percebido a dúvida em sua voz, mas não disse nada, outra hora eu o questionaria.

Mas então tudo piorou. Um silêncio sinistro se alastrou pelo acampamento e uma névoa verde começava a cobrir aquela área. Então eu vi a garota. Ela estava usando uma capa sobre as costas, deixando à mostra somente seus cabelos vermelhos e seus olhos verdes e brilhantes, ela havia sido posicionada sobre um banco de três pernas. Eu percebi que toda aquela névoa se originava dela e que a névoa estava formando a imagem de uma cobra gigantesca que começou a falar junto com a garota em uníssono.

A serpente almeja o sangue do inverno devastador

Para que o mundo conheça as trevas e seu doce terror

O algoz da morte o destino não temerá

E apenas a chama da rivalidade pode sua vida preservar

O medo dos deuses se apresenta no abençoado do inferno

Que erguerá das águas negras o poder malévolo

O sangue das sombras deve tomar a decisão final

Reinar nas trevas do destino ou lançar ao sofrimento a força primordial.

Assim que ela acabou de falar, a névoa se dissipou e a garota arfou e quase caiu da cadeira.

–Levem Rachel para a Casa Grande -ordenou Quíron.

Assim que ela foi embora, muitos campistas se dirigiram à Quíron, fazendo perguntas sobre profecias, eu não estava entendendo nada. Mas Quíron disse com certo temor, apenas algumas palavras para os campistas:

– A Grande Profecia começou.

Então uma explosão na fogueira lançou uma coluna de fogo aos céus e todos olharam, as chamas formaram por alguns segundos a imagem de uma serpente que envolvia um ovo gigante, e então uma gargalhada macabra assolou aquela terra, uma risada cruel, como se a dona da mesma estivesse vendo a morte de todos ali presentes, algo que eu desconfiava ter grandes chances de acontecer.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.