Como cheguei no Acampamento Meio-Sangue? Bem, é uma longa história...

– Mas mãe... Hoje é o ultimo dia de aula! Deixa eu pelo menos dar tchau aos meus amigos?- Ela olhou de relance para meus olhos e delineou um leve sorriso desanimado

– Ok. Mas vá e volte logo! — Ela falou me ameaçando com a colher de madeira. Sorri e corri para meu quarto.

Chequei minha aparência rapidamente. Cabelo? Confere. Dentes? Confere. Jaqueta de couro preta... Peguei minha jaqueta predileta, ela disse que pertenceu ao meu pai.

Caminhei pelas ruas congestionadas de Nova York e cheguei à escadaria da escola. Subi correndo, esbarrando em alguns e caindo em outros. Deslizei pelo corredor da escola e entrei na sala de aula, que como de costume, estava cheia de bagunça e desordem.

Dirigi-me para o fundo da sala, finalmente eu terminei um ano sem destruir a escola. Meu amigo chegou, ele usava muletas e uma calça jeans surrada.

– E ai bro! — Ele tinha o péssimo costume de chamar as pessoas de "Bro"

– Oi — Falei tentando soar agradável

– Vai bater fotos pro anuário da escola?

– Err... Não. — Falei reparando na felicidade dele.

– Ainda bem... Quer dizer, não que você não seja fotogênico, e você não é. É que pelo menos não vou ficar sozinho na sala com esse professor bizarro... — Ele deu uma olhada para o professor, que estava comendo uma empada e lendo as regras da escola.

– Mesmo se eu fosse você não ia ficar sozinho... Olha ali. — Apontei para um menino encolhido na parede, próximo a janela.

E depois disso, tudo pareceu piorar. Minha mãe chegou à escola e pediu para me liberarem, meu amigo veio junto por que não tinha nada pra fazer.

– Mae...Só tínhamos panquecas-almoço para dois! — Falei pra ela.

– Não, eu ia trazer ele de qualquer jeito. Preciso contar uma coisa

Chegamos à minha casa e cai no sofá. Meu amigo se sentou ao meu lado e minha mãe se sentou na poltrona da frente.

– Filho... Sabe que eu não gosto falar muito disso... Mas é sobre um relacionamento e.... Você já esta na idade sabe... Enfim, Derek tire as calças.

– Opa, não! Eu gosto de menina mãe! Derek não tire as... calças — Tarde de mais, agora somente via pernas de bode...BODE? — Bode!?

– Sátiro... — Ele falou como se respondesse isso sempre — Temos que ir.

Atravessamos Nova York sem paradas, Derek rezava para chegarmos rápido e ele poder ir ao banheiro. Um ser enevoado surgiu na nossa frente, mas sumiu logo em seguida, o carro roncava com o motor velho, e as pernas peludas de Derek me agoniavam.

Estávamos em uma estrada de terra, em quilômetros eu apenas via vastos campos de grama e arvores. Deslizei para a janela e observei um tudo, um ser grande avançava pelas colinas e derrubava todos os tipos de animais.

Ele rastejou-se pelo cercado e antes que pudéssemos dizer algo, estávamos girando. Meu amigo se jogou do carro no ar, me levando junto. Somente vi minha mãe ainda segurando o volante e em seguida...

Morreu... Ela morreu.

Derek me levantou e teve uma reação mais rápida que a minha, então, me vi atingido por uma enorme arvore, e morrendo aos poucos...

Pelo menos era isso o que aconteceria, se eu não tivesse dito sobre o monstro.

– Derek, tem algo aqui...

– Realmente... Estou sentindo o cheiro...

Minha mãe parou o carro e todos saímos, pude ver claramente o monstro, era um minotauro, sem duvidas. Aprendi sobre ele em Historia.

Corremos pela estrada em quanto ele ainda estava longe. Meu amigo retirou uma flauta do bolso dele e tocou uns acordes agudos e ensurdecedores, plantas saíram do chão e fizeram uma barreira.

– Não temos muito tempo — Ele falou e parou. — Felipe vai, eu levo sua mãe para casa...

Porém, algo na voz dele dizia que minha mãe não chegaria em casa...E nem ele.

Corri pelo campo e outro som agudo emitiu e vibrou em meu cérebro, senti minhas pernas amolecerem, mas eu continuei correndo.

Então eu escutei o barulho de cascos contra o chão. Minha mente adormecia e eu estava com um sentimento estranho... Medo... Mas não de morrer. Eu não sabia que medo eu estava sentindo. Virei-me e vi o ser de chifres gritar perto de mim, cai no chão e estremeci. Então, antes de meu juízo final, escutei o som de algo se cravando em suas costas. Ele parou e explodiu em pó dourado. A adaga de bronze celestial caiu e eu vi Derek, com um horrível corte na barriga. Ele trotou com dificuldade e se sentou ao meu lado — Eu... Falei — Ele disse antes de se deitar... E morrer. Ele sumiu e uma orquídea surgiu no chão. Eu não tinha reação... Apenas queria entender tudo. Caminhei em direção ao que estava escrito "Acampamento Meio-Sangue".

Vi uma fogueira e então... Cai no chão e tudo escureceu à minha volta.