Half Blood Bitch
1 Capítulo 1.
Notas iniciais
Georgina Price havia acabado de acordar. O dia estava ensolarado, como de costume. Era verão no Acampamento Meio Sangue. A grama estava em um tom verde maravilhoso, o sol iluminava o escuro Chalé de Hades que se encontrava inerte, sem algum sinal de campistas. Virou os olhos em direção ao relógio da parede. 11h00. Em ponto. Ela havia perdido o café e o treinamento, provavelmente Quíron ficaria uma fera.
Levantou-se, indo em direção ao espelho. Encarou a garota pálida que ali se encontrava. Cabelos negros e compridos, na altura da cintura. Olhos intensos. Se você os fitasse de lado, provavelmente os veria alaranjados. Se fosse de frente, estariam marrons. Não tinham uma tonalidade ao certo, viviam sempre mudando de cor.
Georgina era magra, mas não deixava de ter curvas. Seu nariz arrebitado fazia com que parecesse o tipo de garotinha-mulher. Aquela que pode muito bem ter de 15 à 24 anos, isso dependeria da maquiagem e roupa que usava. Neste exato momento, estava assumindo sua idade. Não parecia nada menos, nada mais, do que uma adolescente de 16 anos.
Seus olhos ainda estavam rebocados da maquiagem negra que usara na noite anterior. Tentou lembrar do ocorrido, mas apenas conseguiu enxergar flashbacks com alguns detalhes. Ela havia bebido demais, como sempre. Todos já estariam comentando. "Você viu? Georgina estava totalmente bêbada ontem! Ela ficou com algum garoto. Na verdade, não foi só um. Foram vários." Era assim sempre, ela já estava acostumada com as fofocas, que muitas vezes eram verdades. Mas o fato era que ela, simplesmente, não se importava.
Pegou um short curto, o primeiro que achou e a camiseta laranja do Acampamento. Os vestiu e arrumou os cabelos com a própria mão. Tentou tirar também o excesso da maquiagem, sem sucesso, saiu do Chalé.
Um aglomerado de Campistas se encontrava perto do Riacho Zéfiro. "Campistas novos!", alguém gritou. Georgina foi até lá para conferir, passando rapidamente pelos outros semideuses. Algumas filhas de Afrodite que estavam ali, perceberam a presença da Filha de Hades. Começaram a olhá-la e cochichar, como sempre. Georgina podia até imaginar: "Ela não penteou o cabelo hoje? Ela não tirou a maquiagem? Di Immortales! Essa garota não tem higiene?". Mas apenas as ignorou.
Andando mais um pouco, conseguiu ver os novos campistas. Eram três: um garoto loiro, alto e dos olhos azuis. Era bonito, de fato. Muito bonito. Pelo modo com que a garota nova, a de olhos mutantes, como os de Georgina, de cabelos castanhos trançados pelos dois lados olhava o loiro, pôde ter uma leve imprenção de que eles tinham algo além da amizade.
O terceiro garoto, fitava todos de um modo confuso, mas não deixava de mostrar uma certa ansiedade. Provavelmente estaria pensando: "Que maneiro!". Esse sim havia chamado a atenção de Georgina. Com cabelos encaracolados, olhos marrons, uma cara de elfo de Papai Noel e um sorriso malicioso, não passaria por despercebido. Ele era lindo, sim. Até mais que o garoto loiro.
– Que espécie de Acampamento é esse? – Perguntou a garota das trancinhas.
– Acampamento Meio Sangue. É para cá que pessoas como vocês vêm. – Disse Annabeth, a filha de Atena.
– Ora! Mal chegou e já começou com as perguntas estúpidas? Não seja bobinha! Não pode ver pelos ornamentos? Isso é um Acampamento Grego! – Retrucou Drew, filha de Afrodite. Garota metida e ridícula, na opnião de Georgina.
– Cale a boca, Drew! – Georgina interferiu. – Qual o nome de vocês? – Disse, virando-se para os três novos campistas.
– Meu nome é Piper McLean. – Disse a garota.
O garoto loiro olhou desconfiado, mas depois acabou cedendo.
– Meu nome é Jason, apesar de não ter certeza. – Disse ele, fazendo Annabeth arquear uma sobrancelha.
E por fim, chegou a vez do garoto dos cachinhos.
– Eu sou Leo Valdez.
– Georgina Price, filha de Hades. – Respondeu ela, se apresentado. – Algum sinal de Percy, Annabeth?
– Nenhum. – Murmurou a loira. – Hera me disse que as respostas estariam em um garoto com apenas uma meia, e eu encontrei Jason. – Seu tom mudou para raiva.
– Hm. – Georgina deu de ombros.
Ouviu-se então, um barulho de martelo e depois fogo. Campistas começaram a falar alto. Will Sollace, o garoto filho de Apolo apontou para Leo, que agora, era o alvo de todos os campistas que o fitavam. Georgina o ouviu murmurar "Hã? O que?" e apontou para seu cabelo.
– Eu estou pegando fogo?!? – Leo gritou. Piper e Jason olharam assustados. Georgina não pôde deixar de sorrir.
Fogo? Não! Isso não poderia estar acontecendo de novo. Leo já tinha experiências com fogo, e elas não terminaram bem. Provavelmente era uma brincadeira sem graça. “É uma brincadeira sem graça!” pensou Leo.
– Você acabou de ser proclamado. – Disse Annabeth. – Leo Valdez, Filho de Hefesto, Deus dos ferreiros, artesãos, do fogo e dos vulcões.
– Tá! Mas quando esse fogo vai parar? Isso não queima?
– Espera. – Jason interferiu, levando a mão até o queixo, com um ar pensativo. – Hefesto é o mesmo que Vulcano, certo?
– Sim. – Respondeu Annabeth. – É sua forma Romana, mas aqui apenas utilizamos a Grega... Interessante o fato de você saber isso. Se lembra de algo relacionado?
– Não... – Enquanto falava, Jason olhava para o chão. – Eu não me lembro nem de quem eu sou. Não acho que eu lembraria detalhes como esse.
– Ah. – Annabeth disse, se virando. – Will, leve Leo até o Chalé de Hefesto. Georgina, mostre o Acampamento para Piper. Eu vou levar Jason à Quíron. Temos muito que conversar.
Pouco à pouco, os campistas foram se retirando, indo para seus respectivos chalés e para o pavilhão do refeitório, restando apenas Georgina e Piper. Georgina a fitava, observando seu comportamento. Percebendo o desconforto da garota, resolveu quebrar o silêncio.
– Venha. – Disse Georgina, indo em direção à Casa Grande e o Refeitório, mostrando-os para Piper.
Quando chegaram perto dos chalés, a garota de trancinhas perguntou:
– Seu pai é mesmo Hades? O Senhor dos Mortos?
– Sim, ele é. – Deram alguns passos, antes de Georgina completar. – Você conhece a mitologia?
– Conheço, um pouco. Meu pai fez um trabalho sobre isso ano passado. – Piper ficou tensa, como se seu pai fosse um assunto delicado. Georgina a entendia. Era assim que ela se sentia em relação à sua mãe.
– Legal. O que ele faz? – Perguntou.
– Ele é cherokee, trabalha com artes, essas coisas...
– Ah sim. McLean... eu jurava que já tinha ouvido falar esse nome antes. Algum ator, não sei, não lembro mais.
Piper deu um sorriso amarelo.
– Pois é, coincidências acontecem.
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