Half A Heart - ONE SHOT
1 Capítulo único
Notas iniciais
— Tried to find you but i just don’t now, where do broken hearts go? Where do broken hearts go? — a música soava na rádio pela quinta vez na semana. Suspirei e desliguei o aparelho.
Eu estava na cozinha, preparando alguns biscoitos para o Natal, já que estava próximo e minha contribuição no almoço de Natal em família todo ano eram meus famosos biscoitos com gotas de chocolate. Sério, mal sobravam para mim. O rádio estava ligado, como de costume, e, infelizmente, todas as rádios decidiram reprisar as músicas do One Direction. Principalmente as que eu sabia que eram para mim. Parecia que tudo me lembrava ele.
Lembrava que costumávamos passar o Natal juntos, e ele me ajudava a preparar os biscoitos, enfeitar a árvore e o apartamento, comprar os presentes. Quando não podíamos passar juntos, Harry costumava cantar música em seus shows em minha homenagem, e sempre me deixava um recado de feliz Natal e um eu te amo, garantindo que voltaria para mim o mais rápido que pudesse. Mesmo longe, eu sentia que ele estava perto de mim. E, agora, estávamos definitivamente separados. Não podia sentir sua presença comigo. Seu calor sempre que eu estava com frio. Quando ficávamos quentinhos em baixo do cobertor, nossos corpos colados, falando besteiras e trocando beijos.
Todas aquelas memórias, tantas de uma vez e em tão pouco tempo, se condensaram em forma de salgadas lágrimas e escorreram pelas maçãs de meu rosto e minhas bochechas, deslizando pelo queixo e caindo na bancada da cozinho do pequeno apartamento em Nova Iorque. Prometi a mim mesma que não choraria por homem nenhum nunca, e que nunca mais choraria por Harry Styles. Mas era inevitável, o quanto eu ainda o amava. Às vezes, me pegava pensando se ele ainda tinha nossas fotos Polaroid e os presentes que eu lhe dei. Eu ainda tinha tudo. Não tive coragem de jogar fora, todos os presentes que ele me deu, todas as nossas fotos e memórias, as cartas e músicas, suas blusas e moletons com o seu perfeito cheiro.
Sentia saudades dos meninos também. Ah, Niall, sempre me botando para cima com seu jeito bobo e fofo, quase como meu irmão mais velho que nunca tive. Liam, o pai que cuidava de mim e me protegia de tudo, tão sério ás vezes que me assustava, mas sempre pensando no meu bem e no dos meninos. Louis, aquele palhaço que nunca parava de rir e fazer graça. Zayn, com seus conselhos ótimos e sempre lá para o que eu precisava, um ombro amigo, me entendendo sempre, então, foi minha vez de entende-lo quando ele decidiu sair da banda. Todos ficamos chocados, mas eu conversei com ele e com os meninos e ficou tudo bem. Todos saíram felizes e Zayn ainda nos visitava todo o tempo quando podia e passávamos os Natais juntos também. Antes que pudesse me impedir, todas, todas as memórias decidiram aparecer e se jogar no meu rosto, como um lembrete frequente de que eu não o tinha mais, nenhum deles. Mesmo que já fizesse 8 meses, estavam ainda frescas em minha memória.
Flashback ON
— Harry, o que você fez? – perguntei às cegas, já que as mãos enormes de Harry cobriam meus olhos, me impedindo de ver e me guiando para algum lugar.
— Você logo vai descobrir. Se eu contasse não seria surpresa, Milah! – retrucou Harry.
— Ai Deus, você aprontou alguma coisa não é? O que você fez dessa vez? Foi alguma besteira? Ou melhor, foi muito grande?
— Eu estou quase te jogando desse elevador amor. Você vai ver!
Chegando no andar indicado, Harry me guiou até uma porta, ou melhor, um apartamento. Ele fechou a porta e colou meu corpo no seu, me dando uma sensação de nostalgia e sentindo seu peitoral definido por baixo da blusa.
— Pronta?
— Mas é claro! Eu nasci pronta. – me gabei.
— Haha, então está bem, convencidinha. Ok, um, dois, três, já! – meu homem de covinhas deixou sua mão cair de meus olhos e eu os abri, revelando uma grande varanda com uma vista noturna maravilhosa da cidade de Londres.
Todos os prédios com seus apartamentos e luzes, o Green Park lá embaixo, brilhando. A Big Eye, o Big Bang, os carros, as avenidas, tudo. Na varanda, ainda, havia um violão, uma lareira acesa, uma mesinha central com marshmellows, biscoitos, bolo, morango com chocolate, pipoca, e mais quinhentas delícias. Havia um sofá com um cobertor e duas poltronas, e ainda um violão. Demorei alguns segundos para poder assimilar tudo. Tão lindo. Tão perfeito. Tudo para mim. Inclusive Harry. Meus olhos lacrimejaram e fiquei muda. Minha mão já cobria minha boca que havia literalmente caído.
— Feliz aniversário meu amor. – a voz sedutora e rouca de Harry soou, me arrepiando. Ele me abraçou por trás e depositou um beijo em meu ombro. Virei-me e ele segurava um buquê de rosas.
— Ai meu Deus, Styles. Você só pode estar me querendo morta, porque eu quase tive um ataque cardíaco agora. Meu amor...tudo isso. Para mim? Eu não mereço. – perguntei, boba de felicidade.
— Você merece Milah. Merece isso e muito mais. Você me trouxe de volta a vida querida. Você é a minha vida. – Harry sorriu e suas covinhas maravilhosas apareceram. Sorri boba, peguei o buquê e o admirei, como fiz com tudo em volta.
— Ainda não estou acreditando que preparou tudo isso sozinho...só para mim. Onde arranjou tempo? Você ia viajar, você tinha uma turnê e um show para fazer. Onde estão os meninos? – perguntei, olhando em volta.
— Calma, calma. Eu não preparei bem sozinho. Eu tive uma ajudinha da minha mãe, da Lottie e dos meninos. Aliás, eles queriam muito estar aqui, mas tiveram de ir à reunião da turnê. Estão me cobrindo por lá. Prometeram que vão voltar o mais rápido possível, mas te desejaram feliz aniversário e disseram que te amam muito.
— Ah Deus. Eu vou matar vocês! Me deixaram tão preocupada! E estavam fazendo isso para mim...mas você precisava ir amor. Eu agradeço muito, de verdade, mas não quero atrapalhar sua carreira e te dar problemas com o Simon.
— Ei, calma. – Harry acariciou meu rosto com seu polegar, me fitando profundamente com seus olhos verdes tão intensos. – Não se preocupe, ok? Não se preocupe com nada. Essa noite é sua. Eu não estaria aqui se não fosse por você. Nenhum de nós estaria. E, aliás, o Simon te adora e te mandou um presente também, ele te desejou parabéns e só me deixou faltar a reunião por sua causa. E, mesmo que não pudesse, eu viria por você. Eu faria qualquer coisa por você Milah. Eu te amo. Você merece tudo isso aqui. Eu sei que não é muito, mas...infelizmente, não tive tempo de fazer nada melhor. Sinto muito. Sem você, eu não vivo. Sem você, fama, carreira, dinheiro, nada disso faz sentido para mim. E 21 anos é algo para se comemorar, certo?
— Ah Harry. Eu vou chorar. Certo. – sorri e ele secou a lágrima que escorria. – Por favor, não se desculpe. Isso aqui é a melhor coisa que eu poderia imaginar. Melhor que festa, que viagem, que presentes caros. Só isso já me tornar a mulher mais feliz desse mundo todo. Não diga isso, vou começar a me achar e vou ficar vermelha que nem um pimentão. – fiz graça, começando realmente a ficar vermelha e sentir minhas bochechas arderem.
— Você fica linda vermelha. E tão sexy. – Harry me fitou com um olhar malicioso. Ri e peguei uma almofada do sofá, jogando nele.
— Bobo.
— Você me ama.
— Convencido.
— Continua me amando. E olha quem diz! Vai começar a se achar? Começar? – Harry gargalhou alto e me puxou pela cintura quando me fiz de brava. – Fica tão fofa brava. Eu te amo baixinha.
— Eu te amo tanto Harry Styles. – sorri e enlacei seu pescoço, ficando na ponta do pé. Enrosquei minha mão em seus cachos perfeitos, acariciando sua nuca.
Harry me puxou para um beijo calmo, lento, apaixonado. Nunca havia me sentido daquele jeito. Tão feliz, tão amada, tão apaixonada por alguém. Que paixão o que. Era amor mesmo. O mais puro e intenso amor que eu já havia sentido em toda a minha vida.
Flashback OFF
À essa altura, as lágrimas já escorriam sem parar, uma atrás da outra. Eu até havia parado de bater a massa do biscoito. Quando me dei conta, sequei as lágrimas e coloquei os biscoitos no forno. Meu rosto ainda estava úmido, mas apenas limpei a cozinha e me joguei no sofá. Há alguns meses meus amigos e os meninos pararam de me dar notícias sobre eles, a banda e sobre Harry. Perceberam que eu apenas ficava cada vez pior quando eles me davam notícias, então, pararam. Me mudei de Londres para Nova Iorque, e aqui estou até hoje.
Já que já estava afundando em memórias mesmo, decidi afundar de uma vez. Fui até meu quarto e, numa parte escondida do meu guarda-roupa, estava uma caixa escrita “Coisas do Harry”. Desde que eu me mudei para o apartamento, ainda não havia mexido lá. Respirei fundo e sentei na cama. Primeiro tirei de lá as cartas e músicas, todas perfeitamente guardadas, sem uma amassado sequer. As músicas, ah. Night Changes, Right Now, Where Do Broken Hearts Go, I Wanna Write You A Song (uma das minhas preferidas, aliás), Little Things (tão perfeita), Love You Goodbye, No Control, End Of The Day e tantas outras que eu sabia que de alguma maneira Harry me incluiu na letra, ou se inspirou na nossa história.
Depois, os CD’s e os presentes que ele me dera, de aniversário, Natal, dia dos namorados. Tudo quanto era tipo de coisa. E, finalmente, o moletom dele que ficou comigo. Não tive coragem de devolver. Era cinza e ficava enorme em mim. Harry adorava quando eu usava suas roupas. Puxei-a da caixa e a imprensei contra meu peito. Inalei seu cheiro e fechei os olhos, imaginando meu homem de olhos verdes ali. Seu perfume estava intacto na peça de roupa, me inebriando e me deixando extasiada. Sentia tanto a falta dele. Tanto. Sabia que estava sozinha mas, mesmo assim, olhei para os lados e tirei meu suéter vermelho, vestindo o moletom. Eu estava me fazendo sofrer, mas pelo menos amenizava um pouco a minha deficiência de seu abraço. No fundo da caixa de papelão ainda havia algumas fotos Polaroid. Puxei uma de cada vez, com tanto cuidado que parecia que se elas caíssem iriam quebrar.
A cada foto, eu ria sozinha, abria um sorriso bobo e uma lágrima escorria. Em uma foto, eu e Harry estávamos na Big Eye, ele me abraçava de lado e estávamos admirando a vista. Em outra, Harry tocava violão e me olhava com um sorriso idiota que só ele sabia fazer. Por último, a última foto que tiramos. A segure com as duas mãos e fiquei um bom tempo a olhando. Um pouco antes da briga e cada um seguir o seu rumo. Styles beijava minha bochecha e eu fazia uma careta, pondo a língua para fora e fechando um dos olhos. Meus olhos brilhavam de felicidade. Nós exalávamos amor e paixão. E então, tudo tinha que dar errado. Claro.
Flashback ON
Eu havia acabado de comprar o presente de aniversário de Harry. Sabia que ele amava gatos, então havia passado em um abrigo e estava tudo quase certo, só faltava leva-lo lá para buscar a gatinha que eu adotei para ele. Ela era preta e branca e era novinha, tão doce e fofa que eu sabia que Harry amaria ela no primeiro instante.
Estava tudo preparado. Eu entraria com o bolo e depois levaria ele para comermos no Nando’s, onde os meninos já esperavam, e no outro dia pela manhã o levaria para conhecer a gatinha. Dirigi até o prédio, com um pressentimento ruim, inexplicavelmente, e subi para o apartamento. O porteiro já me conhecia, então claro que ele simplesmente me deixou subir, sem preguntar nada, apenas com um “boa noite senhorita Milah”. Era bolo de prestígio, o favorito de Harry, que estava cortado e com uma velinha em cima de “22”.
Tudo estava pronto e preparado, quando, estranhei, a porta estava entreaberta. A primeira coisa que pensei foi: Meu Deus, roubaram o apartamento. Com medo, fui abrindo a porta e percebi que a luz estava acesa, o que me acalmou um pouco. Abri a porta. Minhas mãos, involuntariamente, largaram o prato. O som ecoou por toda a sala e quebrou o som dos gemidos, fazendo tudo se silenciar. Estava tão quieto que, se prestasse atenção, era quase possível ouvir o barulho do meu coração se partindo em milhões de pedaços.
— Milah? – foi a única coisa que um Harry suado e quase totalmente desnudo disse. A loira ao seu lado apenas ficou calada, na mesma situação.
Fiquei quieta. Podia sentir que minhas pernas não sustentavam mais o peso do meu corpo. O bolo, o prato, meu coração, estavam todos quebrados e no chão, logo como eu estaria se não saísse dali logo. Era como se um buraco se abrisse sob os meus pés e me sugasse para baixo. Meu mundo estava se desmanchando aos poucos. Minha cabeça girava, e a única coisa que minha visão borrada por conta das lágrimas conseguia focar era o olhar assustado de Harry.
A garota apenas ficava parada, como se com medo de falar alguma coisa e eu explodir. Harry se virou para mim e começou a dar alguns passos na minha direção. Fiz o mesmo, mas na direção contrária. Não conseguia acreditar no que havia visto, não queria assimilar nada daquilo. Harry havia me traído. As lágrimas, que já haviam inundado totalmente o meu rosto, escorriam sem parar. Eu soluçava, o rosto já completamente encharcado.
— Amor...
— Não me chame assim Harry! – gritei, me virando para ele.
— N-Não é o que você está pensando, por favor... – Harry segurou meu pulso, me puxando contra seu peitoral suado.
— Me larga Styles! Você está bêbado! O que deu em você?! – berrei, tentando ao máximo me largar ele.
— Milah, não, me escute, e-eu...
— NÃO HARRY, NÃO VOU TE ESCUTAR! – berrei, com todas as forças que ainda restavam da minha voz. Os olhos de Harry se arregalaram. Fechei os olhos e respirei fundo. – Eu estou errada. Eu invadi o seu apartamento. Eu que interrompi algo importante.
— Não, Milah, você não está raciocinando direito, eu juro que...
— VOCÊ JURA HARRY? AH, É MESMO, VOCÊ JURA? – gritei, mais e mais. Na verdade, a única coisa que eu queria era correr para o mais longe possível dali e chorar. – Sua palavra não me vale mais nada.
Deixei-o falando sozinho e peguei minha bolsa que estava jogada no chão. Olhei a bagunça e simplesmente não me importei. Comecei a dar alguns passos para fora do ambiente quando me lembrei do presente.
— Passe no abrigo de animais amanhã. Espero que pelo menos isso você faça. – O olhei com tanta raiva, tristeza e decepção, que pensei ter atingido sua alma.
Não conseguia pensar em outra coisa. Parecia que mil facas atravessavam meu corpo. Chorei. Chorei. Gritei, berrei. E então, apaguei.
Flashback OFF
Harry tentou entrar no quarto de hospital, depois. Proibi sua entrada. Não queria vê-lo nem pintado de ouro. Minha mãe voltou de viagem somente para cuidar de mim, no apartamento que comprei em Nova Iorque. Fiz questão de ficar o mais longe da cidade possível. O mais longe dele. E, consequentemente, perdi meus meninos também. Mudei meu número de telefone, e todas as chamadas dele fiz questão de não atender. Não respondi as mensagens, mesmo que isso custasse o restinho de coração inteiro que eu ainda tinha.
Passei tanto tempo recordando tudo aquilo que, quando percebi já estava anoitecendo. Senti um leve cheiro de queimado e me xinguei mentalmente. Droga, os biscoitos. Corri, deixando tudo encima da cama, e coloquei as luvas, tirando os biscoitos levemente queimados do forno. Ainda bem que só pegaram no fundo. Tirei a parte preta e os deixei esfriando em cima da bancada da cozinha.
Comecei a preparar um chocolate quente, já que a neve começava a branquear a cidade de Nova Iorque e o céu a mudar sua cor. A temperatura caía consideravelmente, então terminei de esquentar o leite e o adicionei ao achocolatado. Depois, dois marshmellows e canela.
A casa não estava bem a mais arrumada. Havia uma pequena árvore piscando no canto da sala, uma guirlanda pendurada na porta e alguns piscas-piscas espalhados. Não havia muito pelo que comemorar. Estava sozinha. Não estava com ânimo para fazer uma verdadeira decoração natalina. Sentei no sofá e liguei a tevê.
— Bem-vindos ao programa especial de Natal! E, hoje, para nos dar a honra de apreciar suas músicas nesta véspera incrível de Natal, temos eles...One Direction! — começou o apresentador. Rolei os olhos. Não era possível. Não consegui fugir deles?
Já peguei o controle para trocar de canal, mas, quando vi Harry e os outros meninos entrando no palco, uma saudade corroeu minha alma. Podia senti-la clara. Talvez alguns segundos não me matariam, certo?
— Antes de começar, eu queria falar uma coisa. – Styles começara a dizer. Meu coração saltou. A voz dele quase acendeu meu corpo novamente, como uma chama. – Há algum tempo, eu fiz uma besteira. Uma grande besteira. Uma besteira enorme, do tipo irreparável, imperdoável. Eu perdi a pessoa que mais amei nesse mundo. Se tem algo que vocês que estão assistindo podem aprender é: não deixem a pessoa que vocês amam escapar. Não deixem. Agarrem-na, segurem-na, protejam-na. Amem-na. Porque, vocês só vão dar valor...quando a perderem.
Pelo tom de sua voz, pude perceber que Harry estava quase a ponto de chorar. E eu também.
— Essa música é para você, Milah Young. Não importa onde você esteja, o que você esteja fazendo, se você estiver assistindo isso, o que provavelmente está, porque eu sei que você gosta de assistir esses programas no Natal, saiba que eu te amo muito. Você ainda é a minha vida.
— So your friends been telling me. You’ve been sleeping with my sweater. And that you can’t stop missing me. Bet my friends been telling you, i’m not doing much better. Because i’m missing half of me. — Harry começou, apenas dedilhando o violão. Meu coração se contraiu.
Half a Heart
So your friends been telling me
You've been sleeping with my sweater
And that you can't stop missing me
Bet my friends been telling you
I'm not doing much better
Because I'm missing half of me
And being here without you
It's like I'm waking up to
Only half a blue sky
Kinda there but not quite
I'm walking round with just one shoe
I'm a half a heart without you
I'm half the man, at best
With half an arrow in my chest
I miss everything we do
I'm a half a heart without you
Forget all we said that night
No it doesn't even matter
Cause we both got split in two
If you could spare an hour or so
We'll go for the lunch down by the river
We could really talk it through
And being here without you
It's like I'm waking up to
Only half a blue sky
Kinda there but not quite
I'm walking round with just one shoe
I'm a half a heart without you
I'm half the man, at best
With half an arrow in my chest
'cause I miss everything we do
I'm a half a heart without you
Half a heart without you
I'm a half a heart without you
Nesse último trecho, comecei a ouvir a música como se estivesse realmente perto de mim. Inicialmente, comecei a imaginar que estivesse louca. Como seria possível? Mas, percebi que estava realmente perto de mim. A essa altura, eu já estava completamente desestruturada. Levantei, caminhei pelo apartamento, procurando pelo som, e então abri a porta, do jeito que estava. Cabelos desajeitadamente presos em um rabo de cavalo, um moletom exageradamente grande e largo e meias ¾.
— Though i try to get you out of my head. The truth is i got lost without you. And since then i’ve been waking up to, only half a blue sky. Kinda there but not quite. I’m walkind round with justo one shoe, i’m a half a heart without you. I’m half the men, at best. With half an arrow in my chest. I miss everything we do, i’m a half a heart without you. Without you, without you, i’m a half a heart without you. – antes que pudesse processar o que estava acontecendo, Harry apareceu na minha porta com um violão e sua voz sedutora. Minha cabeça girava e estava a mil. O que Harry estava fazendo ali? Como ele entrou? Como me encontrou?

Eu só tinha uma única certeza. Como havia sentido sua falta. Mas não podia deixar barato, mesmo que sua declaração fosse a coisa mais linda que alguém já havia feito por mim. Meu orgulho era muito grande. Antes que Harry pudesse dizer alguma coisa, meti-lhe a palma na mão no rosto. O som foi claro. Minha mão ardeu, mas não tanto quanto o rosto de Harry. Bom, supus, já que ficou vermelho e ele virou o rosto com a intensidade. Seus olhos ainda verdes e ainda intensos me fitavam. Seu cabelo havia crescido, estava mais lindo, mais maduro, mais homem, mais tudo.
— Eu esperava por isso. Ai. – reclamou, massageando o rosto. – Andou treinando?
— Sim, caso você aparecesse. E tem muito mais de onde esse veio.
— Milah, eu...
— Não, Harry. Não. Nós já resolvemos esse assunto. Não vamos piorar tudo. – a cada palavra que saía da minha boca, era uma dor diferente dentro de mim. No fundo, implorava desesperadamente para que ele não fosse embora. Comecei a encostar a porta (tive de juntar muita força e coragem), mas Harry impediu com a mão e me puxou para perto de si.
— Diga se ainda não sente nada por mim. Diga. Se disser, eu prometo nunca mais aparecer na sua frente. Diga se seu coração ainda não acelera toda vez que acaricio sua bochecha, ou se me esqueceu. – Harry sussurrou, a voz rouca, o hálito de menta e quente sobre a minha pele fria. Seu dedão deslizou pela minha pele e eu pude sentir meu coração literalmente voltar a bater. Acelerou tanto que tive medo que ele percebesse. Seu nariz roçou o meu, num “beijo de esquimó”, e nossos olhares trocavam sensações e sentimentos, como uma batalha. Nossas testas, quase como ímãs, se atraíram uma para outra, colando-se uma na outra. Droga, Harry. Por que precisava ter esse efeito sobre mim?
– Porque eu tentei. De todas as formas possíveis, eu tentei te esquecer. Mas você. Ah, você, Milah, você bagunçou toda a minha cabeça. E agora não consigo mais dormir sem ter você ao meu lado. – continuou, dessa vez um pouco mais alto e passando a mão livre pelos cachos, como fazia sempre que estava nervoso. – Me perdoa, por favor. Pelo amor de Deus, meu amor, eu preciso de você. Eu preciso que você volte a ser minha. Eu preciso do seu sorriso. Por favor, querida, me dê meu sorriso de volta.
Eu sei que eu não devia. Que canalha! Que babaca! Que idiota! Achou que podia simplesmente aparecer na minha porta, cantar, falar, me seduzir e estaria tudo bem? Eu queria dizer que não. Mas a verdade era que eu já o tinha perdoado há muito. Apenas o orgulho não me deixava me entregar completamente, de corpo e alma, à Harry. Mas, conforme aquelas palavras surgiam, meu coração amolecia, como a neve na primavera. Quando ele pronunciou as últimas palavras, eu já não tinha condições de negar. Um sorriso, sincero, bobo, misturado com um riso, brotou em meus lábios, contra a minha vontade. Harry, quase instantaneamente, sorriu ao ver meu sorriso. Seu sorriso perfeito, com covinhas.
— Não faça isso comigo Styles. Eu não posso...
— Se não pudesse não estaria usando o meu moletom. Você quer me deixar louco Young? – Harry fitou minhas pernas à mostra com malícia e eu corei, o empurrando de leve.
— Se eu quero te deixar louca? Você aparece na minha porta na véspera de Natal com um violão 8 meses depois, e eu quero te deixar louca?
— Tem razão, eu quero te deixar louca. Louca por mim. – sussurrou Harry em meu ouvido, arrepiando toda a extensão da minha pele.
— Mas isso eu já sou, amor. – sussurrei de volta, e Harry voltou a fitar profundamente meus olhos, nossos lábios centímetros de distância.
— Então vamos ser loucos juntos. – e, com aquelas palavras, Harry não me deu opção. Ele me puxou mais para si e nossas línguas travaram uma batalha, talvez quem sentiu mais saudade de quem. Claramente se via que estávamos urgentemente precisando um do outro.
— Oh, querida, você me deixa louco.
[...]
Ah, véspera de natal. Uma das minhas datas preferidas. Quem se importa com perguntas? A única coisa que eu queria era continuar onde estava. Harry na minha cama, acariciando meus fios, após termos feito tanto barulho e bagunça.
— Eu detesto o efeito que você tem sobre mim. – reclamei.
— Com certeza tenho. Porque olha, que bagunça você fez... – Harry me fitou maliciosamente, um sorriso cafajeste nos lábios.
— Harry! – joguei uma almofada nele e aconcheguei a cabeça em seu peitoral. – Eu senti tanto a sua falta, Styles...
— Não mais do que eu senti a sua...
— Posso perguntar uma coisa? – o fitei.
— Claro. Qualquer coisa querida.
— Como me encontrou?
— Ah. Eu tive muita ajuda. Acredite, aqueles garotos não descansaram enquanto não acharam seu endereço.
— Oh, meu Deus. Que saudade sinto deles.
— Falando em quem sente saudade, tem uma pessoa que sente saudades de você. E ela veio comigo. Bom, não é bem uma pessoa...
— Como assim? Quem? Tem alguém aqui, e eu estou pelada?!
— Não. Bom, sim. – Harry riu. – Espere um pouco. – ele estendeu os braços para debaixo da cama e puxou algo de lá.
— Ah meu Deus, não acredito! Essa é a...
— Sim, a gatinha que me deu de aniversário. Nunca pude agradecer o que fez por mim. Muito obrigado. Depois de você, ela foi o meu melhor presente. Não acredito que me conhece tão bem. Toda vez que eu olhava para Dusty, lembrava de você. Tive de traze-la. Vai passar o Natal conosco. Assim como os meninos que, aliás, vão vir passar o Natal, então, se eu fosse você iria tirar o peru do forno...
— Espere, o nome dela é Dusty? Que linda! Não acredito que está tão grande. – peguei Dusty no colo e a acariciei. Seu pelo era macio e em contraste. Ela deitou em cima de mim e, aparentemente se lembrou de mim. — Essa não, o peru. – bati a mão na testa. Harry me olhou e gargalhou.
— Do que você está rindo? Vamos ter que pedir uma pizza no Natal.
— Eu vou ficar com ciúmes de vocês duas, desse jeito. – Harry olhou para mim e Dusty e sorriu. – Eu te amo tanto, Milah Young.
— Eu te amo mais, Harry Edward Styles. – me aproximei, colando nossos rostos.
— Me promete uma coisa?
— Qualquer coisa.
— Nunca mais me deixe amor. Sem você, eu fico perdido. Você é a minha luz, minha guia, minha razão de continuar vivendo, de acordar e levantar da cama todos os dias. Principalmente com uma visão dessas... – Harry me fitou com um sorrisinho e ri, dando-lhe um leve tapa no peitoral desnudo. – Promete?
— Eu prometo.
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