Halcker

2 A melhor coisa que seus olhos já viram


Notas iniciais
Olá pessoas. Bom aqui está o capítulo, espero que gostem *-*

– Meu Deus! — Exclamei olhando para o garoto que já estava a uns dois metros — Hey, eu nem sei seu nome!

– Meu nome é Curth, lembre bem disso. Ah propósito, a pessoa de que eu falei se chama Briana Jord e é da sua sala.

Passei o resto do caminho pensando nisso. O que durou apenas uns 2 minutos, já que eu estava na rua de casa. Por fim desisti de pensar e resolvi esconder a sacola dentro da mochila. Lembro-me de que quando entrei na sala, que era junto da cozinha, minha mãe estava no fogão fervendo água.

– Oi filho — Minha mãe me comprimentou — Como foi na escola?

– O de sempre — Falei meio nervoso — Como foi no trabalho?

– Ah batemos o recorde! Sete viraram presunto e um cara já chegou morto

– Nossa! A ala da morte ataca novamente — Falei fazendo-a rir.

Minha mãe sempre foi enfermeira do Hospital St. Agostinho no centro, mais especificamente na ala da UTI. Como os pacientes geralmente estavam mais para lá do que para cá, vira e mexe alguém morria. Tanto, que a morte deixou de ser algo extremo e se tornou algo corrriqueiro para nós dois.

– Arrumou alguma namorada? Já vi que não.... Ah filho você deveria ir mais apresentável para a escola, fazer uma academia, botar lentes, cortar o cabelo, entre tantas outras coisas. — Minha mãe falou mais para me irritar mesmo. Acho que ela já tinha perdido as esperanças.

– Mãe ! — Exclamei reclamando e ela começou a ir.

– Ok, ok. Mas você deveria sair um pouco mais, daqui a pouco vai criar raízes dentro de casa. Nem sei porque o Brad e a Lele são seus amigos...

– Se eu criar raízes você vai ter me regar — Falei saindo da cozinha e ela jogou um pouco de água da torneira em mim — Estou indo para o meu quarto.

– Quando não está — Ela disse rindo — Ao menos vai tomar banho antes.

– Eu não sei onde está minha toalha — Falei parando na escada.

– Depois eu levo.

Subi as escadas e fui direto para o meu quarto. Joguei a mochila em cima da cama e liguei o computador instintivamente. Aproveitei e encarei um pouco meu xodó: headfone e mouse conectadalos por bluetooth, gerador caseiro que sustenta dez minutos e três telas de 40 polegadas conectadas a uma única CPU. E que CPU! Adaptada com a melhor placa de vídeo do mercado, memória de mais de cinco terabyte, processador monstro... Juro que se fosse legal eu casava com aquele computador.

Agora, querido leitor, você deve estar pensando "como um cara que disse estar com as contas atrasadas tem um computador desses?". Mais para frente lhe contarei.

– E agora? Vou fazer isso. Melhor não. Mas eu já fui pago. Só que é imoral. Mas e se eu jurar desligar caso ela apareça trocando de roupa?...

Fiquei uns trinta minutos nessa indecisão, andando sempre do computador até a porta e então voltando ao computador e começando tudo novamente. Ao invés de te chatear com todos os meus argumentos "pró e contra", é mais fácil resumir e dizer que optei por ligar o computador.

– Ok, lá vou eu — Falei para mim mesmo botando os headfones.

Eu poderia também explicar passo a passo como fiz para invadir o computador da Briana.... Mas estou com preguiça. Então se você está realmente está curioso em saber como fiz isso sem precisar tocar no aparelho, aconselho que pesquise no google. Mas se quer uma dica, aqui vai uma: faça isso com a câmera tampada, afinal eu não sou o único que sabe fazer isso.

Vamos ao que interessa: Coloquei o Malware no dispositivo e vualá. A câmera da Webcam seria transmitida para minha tela esquerda; as pastas de arquivos pessoais para a direita; e o monitor central ficaria livre para mim.

Quando finalmente começou a aparecer alguma coisa no monitor esquerdo meu coração já estava a mil. A primeira coisa que apareceu foi a Briana. Ela estava com o cabelo preso em um rabo de cavalo, uma blusa listrada preta e branca e balançava a cabeça no ritmo de alguma música que estava tocando nos headfones. Atrás dela, pude ver uma cama de madeira branca com um criado mudo da mesma cor; e a direita, um guarda roupa de portas espelhadas.

A curiosidade me venceu então digitei os códigos para transmitir a musica que saia do headfone dela para o meu. Mas como sempre fui um retardado de carteirinha, esqueçi-me que estavam no máximo e acabei caindo da cadeira com o susto.

Let me hear you say 'hey hey hey'– a música começou e eu finalmente voltei para a cadeira. Digitei os comandos para que a minha tela central exibisse a mesma coisa que a do computador de Briana, e assim vi o vídeo que era reproduzido. Era a música The best Tham Thing, de uma cantora chamada Avril Lavigne

Como eu sabia? Bom, todo ano as líderes de Torcida abriam o primeiro jogo da temporada de FA com essa música. Todo Ano. A mesma música irritante.

Alright, now let me hear you say 'hey hey ho'

– Hey hey ho!– A morena cantou levantando da cadeira e parando de frente para o espelho do guarda-roupa - I hate it when a guy

Doesn't get the door

Even though I told him yesterday

And the day before

Então, deves estar pensando que Briana estava cantando muito bem que sua voz se equiparava a de uma cantora profissional... Coisa nenhuma. Briana sempre cantou mal, mas muito mal mesmo. Não chegava ao nível de fazer pratos racharem, mas não mantinha uma nota, um tom, nada. Eu deveria ter tirado os fones. Eu queria tirar os fones. Mas estava muito engraçado, então ao invés disso acionei os comandos para gravar.

I hate it when a guy

Doesn't get the tab

And I have to pull my money out

And that looks bad

E ela começou a dançar. Era engraçado vê-la dançando, e cantando, sozinha no quarto. Briana girava sem sair do lugar e movimentava os braços para o lado como se estivesse sendo puxada

Where are the hopes

Where are the dreams

My Cinderella story scene

When do you think they'll finally see

Essa com certeza foi a melhor parte! A morena jogou o braço esquerdo para a direita e puxou para o centro de novo; depois fez o contrário com o direito, o mandando para a esquerda e depois voltando para o centro. E então deu um mortal para trás, mas pisou errado e acabou caindo no chão.

– AI! — Ela gritou segurando o pé — Merda, merda, merda, merda. Minha unha...

Eu fiz o que qualquer pessoa faria: Ri. Ri alto. Mas ri muito mesmo. Cheguei a chorar de tanto gargalhar. Oque eu poderia fazer? A cena foi hilária.

– Filho? — Minha mãe bateu, já abrindo, na porta do quarto.

Obviamente me taquei no computador com o susto. O meu tronco tampava o monitor da esquerda, e minha perna direita era como uma tarja jeans em cima dos outros dois monitores.

–MÃE!! — Gritei reclamando — Sabia que tem que se esperar uma resposta quando se bate na porta?

– Oh — Ela exclamou surpresa, e um pouco envergonhada? — Ae você está nessa fase. Meu bebê cresceu e já está vendo filmes proibidos...

– Mãe!!!

– Não se preocupe, só vim trazer isso — Ela jogou a toalha branca em cima da minha cama e então suspirou enquanto saia — Ah seu pai vai adorar saber disso quando eu for o visitar.

Só consegui respirar de novo quando a porta foi fechada. Abaixei a perna e me joguei na cadeira

– Obrigada Briana, agora minha mãe acha que eu estava vendo nudes — Falei olhando para a tela esquerda, onde via a morena olhando para o pé sentada na cama.

...

A semana passou sem que eu me conectasse ao computador de Briana novamente. Confesso que ainda não tinha aceitado a ideia muito bem, mas também não a rejeitava mais.

– Porque nos arrastou para isso? — Lele reclamou com nojo enquanto nos sentavam os na arquibancada para ver o jogo de Futebol.

Acontece que eu precisava colher informações. Pode parecer besteira, mas não tinha como invadir o celular do meu alvo sem instalar o programa manualmente. Então inventei uma desculpa para arrastar Brad e Lele, obrigando-os a assistirem o jogo comigo, assim poderia ver se a Briana deixava o celular de lado por alguns instantes. Entretanto essa não era a única razão. Para falar a verdade, eu nunca tinha visto um jogo de Futebol do time da minha escola, e estava bem curioso com a apresentação das líderes de Torcida.

– Ah para de reclamar — Brad pegou uma pipoca do pote que tínhamos comprado e tacou na Lele.

Por alguma razão todos começaram a gritar e a bater palmas, como nenhum de nós três sabia oque fazer apenas balançamos de ombros e fizemos o mesmo que os outros. Mas logo descobrimos o motivo: Eram as Líderes de Torcida entrando. Todos os vinte integrantes vestidos com seus típicos uniformes vermelho e preto; as meninas usavam saias rodadas pretas e top croppeds de manga comprida — peça que só descobri o nome anos depois — vermelhos com detalhes pretos, enquanto que os meninos tinham calças pretas e blusas vermelhas de manga curta e detalhes também pretos.

Ananda a capitã das cheerleaders vinha na frente. Acho que essa é uma ótima hora para descreve-la: Loira de cabelos médios ondulados, pele levemente dourada graças ao sol e dona de um corpo cheio de curvas que faziam vários caras delirarem. Mas suas principais características eram os olhos extremamente marcantes e a língua mais afiada do que as lâminas do Kratos. Ainda assim ela era o ser mais desejado, odiado, admirado e invejado da escola.

Todas as vezes que Ananda vinha falar conosco era apenas para zombar de Lele. "Mas Drew porque não foi ajudar a sua coleguinha?", vou lhes dizer o porque: Brad tentou defender a nossa amiga na primeira vez;Tadinho, apanhou das duas por ter se metido. Pelo que a morena de aparelho nos contou as duas eram grandes amigas na infância, mas tiveram uma briga feia no fundamental e agora se detestam. Para falar a verdade, Lele estava mais para "Hater" da Ananda do que para qualquer coisa.

Vamos voltar a história, eu já fugi demais:

Estavamos todos gritando e batendo palmas, com exceção de Lele que parou quando viu sua maior inimiga, então começou a tocar uma música que logo reconheci como sendo a mesma do começo da semana.

Let me hear you say 'hey hey hey' — A música tocava pelos alto falantes enquanto que as líderes de Torcida faziam gestos para que todos gritassem mais alto.

Só então eu me toquei que esse espetáculo era realizado todos os anos, e que fora o meu trio todos sabiam a letra.

Hey, hey hey!– A multidão explodiu gritando em resposta

Alright, now let me hear you say 'hey hey ho'.

Hey hey ho!– E mais uma vez a multidão respondeu.

As líderes de Torcida se organizaram e a música tornou a tocar. Voltei meu foco para Briana que, assim como os outros, iniciou a mesma dança que eu havia secretamente visto no início da semana. Mas dessa vez havia algo diferente, havia mais preparo, mais seriedade em meio aos sorrisos encantadores que elas davam. Não houve queda na cambalhota para trás nem nas próximas que se seguiram, os meninos levantaram as garotas e as pegavam quando tinham que desfazer a pirâmide.

– E esses caras se acham um máximo por ficar em baixo dessas minissaias — Lele reclamou alto para que eu e Brad ouvissemos.

– Olha — Brad começou ao meu lado, também tendo que falar alto — Considerando a altura desses caras e o peso que essas meninas devem ter, a força necessária para segurá-las está em um nível que eu e Drew jamais alcançarem os Lele. Vamos supor que aquela ali que desmontou tenha 60kg — Ele apontou e nós três olhamos para uma menina que tinha acabado de dar um minipulo e se jogado deitada para descer da piramide — Estamos na terra, oque significa que a gravidade equivale a 9,807... Ou seja, ela cai com uma força de 588,42 newtons. Que foi? — Brad perguntou olhando para nossa cara de surpresos.

– Que tipo de pessoa vem a um jogo e fica fazendo cálculos físicos? — Falei jogando pipoca no Brad — E você esqueceu de contar com a resistência do ar.

– Nerds — Ela disse fazendo o mesmo.

O jogo começou e eu não entendi nada. Só vi um bando de caras correndo de um lado para o outro e pulando em cima do que vestia roupa diferente. Entretanto não pude deixar de gostar da animação das pessoas da arquibancada, eles faziam ondas, gritavam, batiam palmas... Enfim, a animação era contagiante. E além disso obviamente fiquei de olho na Briana. Era extremamente engraçado como ela ficava dando pulinhos quando o time pontuava, e depois voltava a ficar toda reta quando se lembrava que estava de saia, mas infelizmente não largou o celular em momento algum.

– Hey cara — Ouvi me chamarem enquanto eu e meus amigos íamos embora pelo corredor. Era o Curth — Drew vem cá!

– Conhece? — Brad perguntou apontando para onde o garoto estava.

– Vão na frente — Respondi saindo de perto.

O loiro estava apoiado no último armário do corredor, ao lado da escada. Nos dando assim liberdade para falarmos abertamente.

– Eai?

– Ok, eu aceito o "trabalho" — Falei com um peso no coração — Mas porque quer fazer isso com ela? Todo mundo sempre fala o quão legal ela é!

– Eu tenho minhas razões — Ele disse piscando e olhando em volta, tendo certeza de que não tinha ninguém por perto.

– Isso é muito estranho, mas por enquanto não vou precionar. Outra coisa, para fazer isso de forma bem feita preciso pegar o celular dela.

– Da Briana? Isso é fácil. Espera que ela ta vinda ai — Ele disse levantando o dedo indicador.

– O que você... — Eu estava prestes a perguntar oque ele estava fazendo quando ouvi passos apressados vindos do segundo andar. Poucos segundos depois uma líder de Torcida com os cabelos balançando graças a velocidade desceu as escadas correndo.

Naquela época eu sabia tanto a Briana quanto você, mas acho que ambos sabemos que ela descendo as escadas correndo não iria dar em coisa boa. Quando chegou no último degrau a morena pisou errado e caiu em cima de mim.

Notas finais
Eai me digam oq acharam?? Please falem comigo Kk besus até o próximo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.