– Quinta batalha! – exclama Apporion, dando continuidade ao evento. – Chary do Time Verde contra Lucy do Time Rosa.

– Lucyyyyyy-chaaaaaaaaan, vençaaaaa!!! – esbraveja Hyro, em alto e bom tom.

As duas garotas já se encontram frente a frente no campo de batalha, pois a luta entre Rouge e Eli acabou há alguns momentos. Lucy, por sua vez, está um pouco envergonhada com a torcida nada disfarçada de Hyro por ela.

– Como comentarista, você deveria ser imparcial. – Moon observa, fitando-o.

– Eu sei, mas não consigo. – admite ele, risonho.

Chary – vulgo Envy –, analisando sua adversária, pensa:

– Eu não pegarei leve com ela. Seria um ato cruel da minha parte...

Chary, de fato, não costuma pegar leve com seus adversários, mesmo em batalhas amistosas. Em sua cabeça, não lutar para valer é o mesmo que menosprezar as habilidades do oponente. E mesmo quando o adversário é “maligno”, ela sempre respeita suas capacidades como guerreiro, dando tudo de si. Pelo menos, foi assim que a garota sempre se comportou no campo de batalha até o dia de hoje.

– Preciso me esforçar! – mentaliza Lucy, preparada para o combate.

– Comecem!! – exclama Apporion.

Lucy dá três rápidos pulos para trás. Erguendo ambas suas palmas, declama:

– Chuva de Granizo!!

– Ultimate Ice. – pensa Chary, erguendo sua face para observar as grandes pedras de gelo que a energia de Lucy está formando no céu. – A Hakanai que permite ao usuário criar, manipular e manipular gelo. Se assemelha um pouco com a do Fubuki-kun em questões de funcionamento e atividade...

Lucy cria dezenas de pedras de gelo, cada uma com cerca de 30 centímetros. E, abaixando ambas as mãos, determina:

– Caiam!!

– Sinto muito... – imagina Chary. – Mas Ultimate Ice é algo que jamais poderá derrotar a Fire Command.

Chary fecha seus olhos. Enquanto as grandes pedras de gelo se aproximam dela, a garota determina:

– Revolução do Dragão!

Do corpo de Chary, nasce um grandioso dragão de fogo. Tal dragão, com ferocidade, voa até as pedras de gelo e as engole com um único abrir de sua boca. Moon, olhando de onde está, fica impressionada, mentalizando:

– A Revolução do Dragão é a técnica mais poderosa que um usuário de Fire Command consegue executar. Além de estar impressionada por ver uma garota tão jovem conseguindo usá-la, fico impressionada também com o fato dela usar algo de nível tão alto em uma disputa amistosa.

– Essa garota é louca?! – imagina Sesshou. – Por acaso, tem consciência de que uma técnica assim pode simplesmente transformar a adversária dela em cinzas?!

Vendo o dragão devorando suas pedras de gelo, Lucy se prepara para o novo ataque, clamando:

– Estaca de Gelo!

Do chão onde estão posicionados os pés de Lucy, surge uma grande estaca de gelo – de quatro metros, aproximadamente –, qual vai avançando contra Chary. Lucy salta para o alto, abandonando a estaca, enquanto executa um salto.

– Múltiplas Estacas de Gelo!!

Com isso, várias outras estacas de gelo saem do chão através das habilidades de Lucy. Todas avançam contra Chary. Contudo, o dragão de fogo que ela criou a envolve – de tal forma que a garota das chamas deixa de poder ser vista –, recebendo as estacas. As dezenas de estacas, ao entrarem em contato com as chamas que compõem o dragão, são literalmente incineradas.

– É visível a desvantagem de Lucy. A Hakanai dela não é nada recomendável para um combate contra o Fire Command. – comenta Moon.

– De fato. – concorda Kagume. – Ela precisará pensar em algo depressa. Caso contrário...

Lucy volta para o chão. Está um pouco ofegante, pois usara muita da sua energia para criar tanto gelo em tão pouco tempo. Por outro lado, observando esse detalhe, os comentaristas parecem reconhecer as excelentes capacidades da garota em questão.

– Está preparada? – Chary lhe pergunta, ainda envolta pelo dragão. – Usarei a minha melhor técnica.

– Melhor técnica? – pensa Hyro. – Será que ela está falando da Revolução do Dragão?

– Não pode ser... – imagina Moon, impressionada. – Com “melhor técnica”, ela está querendo dizer que possui um golpe superior à Revolução do Dragão?

Moon conhece, devido à sua experiência como rainha do Palácio Estelar e como guerreira, vários tipos de Hakanais. Inclusive, conhece muito bem a Fire Command, pois já se encontrou com alguns usuários desta habilidade ao longo de sua vida. Entretanto, em toda a sua não muito pouca vivência, jamais viu uma técnica superior à Revolução do Dragão. É quando se dá conta:

– Ela é uma Virtude... – e sorri, continuando a pensar: – Eu não deveria mesmo estar me impressionando com o talento de batalha de uma Virtude. Espero, todavia, que ela não perca o controle da situação e não coloque em risco a vida de sua adversária...

– Chamas! – exclama Chary, erguendo sua palma direita aberta. – Recubram-me!

O dragão de fogo ruge. E, em poucos segundos, se transforma em um grande turbilhão de fogo. Qualquer pessoa normal dentro disso certamente morreria. Entretanto, Chary tem total controle sobre suas chamas e não se queima com elas. Pouco a pouco, o turbilhão vai perdendo forma, ao mesmo tempo em que outra coisa vai ganhando: envolvendo o corpo de Chary, quem agora está visível de novo para todos, uma armadura vermelha – de metal criado pelas chamas – com fogo nas joelheiras, nas ombreiras e no elmo.

– Armadura de Fogo... – determina Chary.

Todos ficam espantados. Moon, por sua vez, mais do que isso: por algum motivo, está aterrorizada. Redirecionando sua face para Hyro, diz, fora do microfone da bancada de jurados:

– Aquilo não é uma técnica normal.

– Eu notei, Moon-sama. – garante ele, falando fora do microfone também. – Acha que devemos interromper a batalha?

– Caso seja necessário, pode deixar que eu mesma faço isso. – articula a rainha do Palácio Estelar, retornando sua face para o campo de batalha.

A mulher suspira. E imagina:

– Foi um erro meu deixar aquela minha inquietação sobre Chary, antes Envy, passar ignorada. Agora vejo isso claramente...

Chary salta contra sua inimiga, graciosamente. Lucy, por sua vez, clama:

– Agulhas de Gelo!!

Com suas palmas abertas, Lucy dispara várias agulhas de gelo contra Chary. Contudo, ela, usando as asas de sua armadura escarlate, voa bem próxima ao solo desviando-se de todas as agulhas. E, em velocidade alta, se aproxima de sua inimiga.

– Espada de Fogo! – exclama Chary, criando uma grande broca de chamas em seu braço direito.

– Aquela técnica não é como antes! – pensa Fubuki, onde está. – Mudou! E a Envy-kun, quero dizer, Chary-kun...

A forma anterior da Espada de Fogo que Chary usava, no passado, era uma forma imperfeita da sua técnica. Ela costumava usá-la daquele modo pelo fato de que a forma perfeita da Espada de Fogo consome muita energia – além de ser extremamente brutal. Entretanto, com sua Armadura de Fogo – técnica recentemente dominada –, o gasto com a energia para usar a forma verdadeira da sua espada é bem menor.

– Parece querer matar a Lucy! – imagina ele, assustado.

Um violento brilho arde nos olhos de Chary, estando ela já bem próxima de Lucy. É quando está prestes a atacá-la com a sua broca de chamas que algo interrompe: Moon surge entre as duas. Usando sua palma direita aberta, a beldade para a broca de uma só vez.

– Basta. – Moon impera, encarando Chary. – Você venceu.

As duas garotas ficam pasmas, assim como toda a plateia. Com isso, Apporion exclama:

– Chary é a vencedora e sua equipe ganha 10 pontos!!

A Espada de Fogo e armadura de Chary se desfazem em chamas e, com isso, ela volta com os pés ao chão. Com sua mão queimada, Moon a abaixa. Encarando-a com um olhar repreensivo, a rainha do Palácio Estelar determina:

– Nunca mais use essa técnica.

– Como é que é?! – Chary se revolta.

A mulher lhe dá as costas. E impera:

– Você ouviu bem. Nunca mais a use.

Desse modo, Moon vai andando de volta para a bancada de jurados. Cabisbaixa, Lucy dá meia volta e começa a tomar passos para ir para o camarim. Chary, um pouco irritada, faz o mesmo que ela. Logo depois, Stinger e Gon vêm vindo – lado a lado – para a arena das batalhas.

– Eu perdi... – imagina Lucy, triste, afastando-se. – E, por algum motivo, ela estava preparada para dar tudo o que tinha na luta... – referindo-se à Chary. – Se a Moon-sama não tivesse interferido, eu, talvez...

– Podemos começar, certo? – indaga Apporion, alternando seu olhar entre Stinger e Gon.

– Sim. – confirmam, sérios, os dois, ao se posicionarem como o esperado.

Os dois se observam com atenção agora. Estão preparados para lutarem para valer. Nessas circunstâncias, Stinger sorri, o que chama a atenção de Gon. Cruzando seus braços, o irmão de Sesshou e Sisshin articula:

– Um dedo é o que vou precisar para te vencer.

Gon sorri. E indaga:

– Será?

– Não tenha dúvidas... – declara Stinger, risonho.

– Meu irmão, como sempre, com essa postura convencida dele... – articula Sesshou, revirando seus olhos, na bancada de jurados. – Mas devo admitir que ele é realmente forte!

A luta tem início:

– Batalha! – exclama o Agamenon.

Gon salta para trás. E pensa:

– Antes que ele domine o meu corpo, eu agirei!

Do camarim, todos os presentes no mesmo observam a batalha que está começando. Todavia, há uma pessoa que observa com dedicação e atenção redobradas: Martina Winchester.

– Assim como eu, o Gon tem como Hakanai a Elemental Summon. – fala Martina, no camarim, próxima de Keiko e Anya. – Se ele usa as mãos em contato com o vento, pode invocar criaturas do vento...

A mão direita de Gon brilha, estendida ao alto. Em poucos instantes, acima dele, surge uma grande águia.

– Se usa as mãos em contato com a terra, pode invocar criaturas da terra... – Martina continua, impressionando Keiko e Anya.

Interrompendo a projeção do seu corpo pelo salto que deu para afastar-se do inimigo, Gon usa a outra mão para tocar o chão. Um brilho e, em instantes, o assistente de Apporion se apresenta assentado sobre um tigre tão grande e majestoso quanto à águia que está pairando sobre ele.

– Perda de tempo... – fala Stinger, desmotivado.

– Qualquer elemento natural que estiver em contato com as mãos de um Invocador Elemental pode ser usado como intermédio para a convocação de uma criatura. – Martina completa suas palavras. – Essa é a Elemental Summon.

– Minha águia: ataque! – Gon ordena.

A águia começa a bater suas asas, fazendo um atormentador vendaval envolver Stinger. Ele, então, descruza os seus braços.

– Tigre! – grita Gon, saltando. – Ataque!

Seu feroz felino, rugindo amedrontadoramente, começa a correr contra Stinger. Vendo isso, o Takayama pensa:

– Eu poderia usar a espada que está em minhas costas para enfrentar esse tigre, mas...

Ele sorri. Desde muito jovem, Stinger sempre foi muito orgulhoso por seus poderes. Sempre que tinha a chance, passava por cima dos seus adversários, humilhando-os sem piedade. O talento que tinha em seu clã sempre foi tão grande quanto a sua ardente arrogância em batalha.

– Eu não quero! – completa seu pensamento, saltando ao ar e escapando facilmente da bocada do tigre.

O Takayama, no ar, direciona seu dedo indicador direito para Gon. E proclama:

– Maestria Corporal!

Gon sente todo o seu corpo ser dominado e paralisado por Stinger. Porém, mesmo assim, ordena para a águia, e também para o tigre, que invocou:

– Ataque-o até derrotá-lo!

– Ambos são excelentes guerreiros, mas a batalha já estava decidida desde o início. – pensa Moon, comentando: – O duelo entre os dois já está acabado.

O tigre salta de onde está, indo em direção a Stinger, que está no ar. A águia, por sua vez, voa agilmente contra o Takayama. Quase chegando ao chão, o irmão de Sisshin e Sesshou apenas levanta seu dedo indicador direito. E fala:

– Apenas um dedo, parceiro!

A ponta do dedo de Stinger brilha. E, em seguida, o tigre e a águia atacam o seu alvo, mas todos percebem que eles atacam, agora, o alvo errado: Gon.

– O que foi isso?! – Fubuki, no camarim, bem impressionado.

– A técnica mais forte do Stinger. – determina Sisshin, chamando a atenção do garoto da neve, da mascarada e dos dois invocadores sagrados que estão próximos de si. – Substituição Corporal.

Onde estava Gon, está agora Stinger, com o seu dedo indicador erguido. Já Gon está bem machucado – mas consciente – e de bruços no chão após receber um ataque direto das duas criaturas que invocou. Segundos depois, os dois animais gigantes desaparecem.

– Um dedo, um dedo... – repete Stinger, olhando para o seu adversário caído, balançando sua cabeça de um lado para o outro, mantendo seu indicador ao alto.

Gon, com suas mãos, tenta se levantar do chão. Contudo, Stinger o mantem fixo a ele com sua Maestria Corporal. No fundo, o assistente de Apporion se irrita, mas nada mais consegue fazer a favor da sua vitória.

– Stinger Takayama é o vencedor desta disputa!! E o Time Amarelo ganha 10 pontos! – exclama Apporion, enquanto as pessoas da plateia gritam animadas.

– Isso aí! – comemoram, juntos, Orfeo e Zack, no camarim.

Stinger dá meia volta, abaixando sua mão e colocando suas palmas na cintura. Assim que ele faz isso, Gon, com esforço, se levanta do chão, sorrindo, apesar da sua derrota.

– Impressionante mesmo... – pensa ele. – Queria mostrar que sou capaz de vencer alguém como ele, Martina, mas não consegui...

Do camarim, Martina observa Gon, impressionada com a derrota dele. Já sabia o quanto o Takayama que o venceu é forte, mas não esperava que o assistente principal de Apporion Agamenon fosse vencido da maneira como foi.

Anya, onde está, indaga:

– Você ficou mal pela derrota dele, não ficou, Martina-sensei?

Martina volta seu olhar para Anya e Keiko. E sorri, como nunca fez para as duas. Suspira, falando:

– O Gon é um mulherengo, canalha, safado que não pode ver um rabo de saia... – e suspira de novo. – Mas eu amo ele como nunca amei alguém...

Ouvindo isso, as duas amigas sorriem para ela. Anya, por sua vez, opina:

– Dá para perceber a verdade nos seus sentimentos...

No campo de batalha, as duas próximas pessoas que se enfrentarão já estão uma diante da outra: Mika’il e Zang-taichou. Ambos estão preparados para o combate. Enquanto isso, na bancada de jurados, Moon permanece com uma expressão preocupada. Olhando para o camarim, ela observa Chary de longe, sendo que ela não está notando isso.

– Aquela garota... – imagina a rainha do Palácio Estelar... – Preciso ficar de olho nela.

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Enquanto isso, em uma casa abandonada, afastada daquela região, mas na mesma cidade...

Mai Ushiromiya, Dante Osphiuchius e Pietro Fountelle: os três, agora, assentados ao redor de uma mesa. Sobre a mesa está a Caixa de Pandora, o artefato que adquiriram há pouco tempo.

“A questão com a qual devem se preocupar é em obter este poder. Vocês estão destinados a obtê-lo, mas para isso, precisam vencer sete dos 21 Shadows para adquirem o total de chaves que é preciso para abrir a caixa. Caso consigam, tanto o rumo da Guerra Celestial quanto o domínio do mundo estarão em suas mãos.”: tais palavras, ditas por uma entidade que usou Yasuko Takayama para transmitir sua mensagem, não saem da mente de nenhum deles.

– Ainda faltam quatro meses para que os Shadows comecem a agir. – comenta Pietro. – Certo?

– Certo. – confirma Dante.

Mai, desligada da conversa entre os outros dois, permanece com o rosto baixo. Está pensando no que ouviu da princesa Tsurugi. Afinal, seguindo o que ela disse, Mai tem em seu futuro algo grandioso e, ao mesmo tempo, ameaçador.

– O Pergaminho do Repertório do Caos... – imagina a mulher. – O pergaminho que fala sobre o caos que espalharei quando encontrar o meu verdadeiro potencial...

Mai redireciona sua face para o céu azul que é capaz de ver pela janela. Um sorriso surge em seu rosto, mas um sorriso sádico, assassino e ardente. Um sorriso que expressa, do fundo da alma desta mulher, o quanto ela deseja alcançar o tal poder que, ultimamente, vem sido prometido para sua posse. Os dois aliados dela, inclusive, notam a expressão malévola e o olhar em chamas que Mai está apresentando agora. Entretanto, decidem deixá-la como está. Ao abrir seus lábios, a Ushiromiya determina:

– Seguirei os passos de Misuro-sama... E serei a nova mensageira da destruição!