Haifisch
4 The Fight (Song)
Comi bagarai. Enquanto comíamos, eu notei que Richard observava cada um dos meus movimentos com a atenção de quem está lendo um livro. E não era só ele: Paul também estava. Talvez eles tenham conversado... E... Pois é. Só quero ver no que isso vai acabar. Richard saiu da sala e eu o segui. Ficou parado, meio afastado da porta, fumando um cigarro. Eu cheguei nele e o cutuquei. Ele se virou.
-O que você quer? — ele disse friamente.
-Só quero saber por que você está me acusando. Não fui eu que matei o Till. Eu o amava.
-Você só o amava porque ele te dava tesão, gozava na sua boca.
Eu dei um soco nele e o nariz dele sangrou e ele caiu no chão. Filho de uma puta mal comida! Como ele podia falar aquilo? Aí eu me atirei sobre ele e comecei a esmurrá-lo com toda a minha força. Eu era magro, mas não era fraco. Meus socos doíam e ele gritava. Logo, as pessoas vieram ver o que estava acontecendo. Em um momento ou outro, eu levantei os olhos e consegui ver Paul, Doom, Ollie, Marilyn Manson, uma das putas que o Till comeu durante a vida... Enfim, estavam todos ali. E não era só eu que batia no Richard; ele também me batia e doía bagarai.
Eu senti mãos me agarrarem e me levantarem. Eram Doom e Ollie. Enquanto isso, Paul ajudava Richard a se levantar.
-Não podem brigar aqui. — o padre veio dizendo.
-Olha, com todo o respeito, senhor padre, vá à merda. — eu disse. Ele ficou ofendido e me deu um puxão de orelha. — Aii! — eu exclamei. Um pouco mais revoltado, eu disse — Você só quer dinheiro, né? Não está nem aí para o que eu, ou qualquer amigo de verdade do Till, estamos sentindo. EU PERDI A PORRA DO MEU AMIGO! Ah... Manson, canta uma para ele... Para o padre, não para o Till...
-We're all stars now, in the dope show... — ele começou a cantar. Aí eu só vi a hora em que o Richard me deu um outro soco na cara.
-Você tá louco? — Doom disse, partindo para cima dele.
Logo, todos nós começamos a brigar. Era porrada e sangue pra tudo quanto é lado. E as pessoas só observando, com medo de entrarem na briga ou mesmo pararem-na. Era Paul e Kruspe contra eu, Doom e Ollie. Ninguém estava ganhando, ninguém estava perdendo.
Paul estava me dando uns belos socos no estômago, e quando eu dei um passo para trás para tentar fugir, eu caí. Mas eu não caí simplesmente: eu caí dentro da cova do Till e quebrei seu caixão. Todos ficaram me olhando de lá de cima. Eu fiquei com medo de olhar para trás e ver o morto, mas o que eu senti não foi um corpo. Quando eu finalmente me virei, dentro do caixão estavam milhões de...
-Barras Wonka!!! — as pessoas gritaram. Aí eu notei que além das barras, também havia um cartão postal, mas quando eu tentei lê-lo, as pessoas ivadiram a cova e começaram a tentar pegar os chocolates desesperadamente. E eu, apesar de ter quase dois metros de altura, era insignificante no meio daquela gente, que me pisoteava e me apertava. Eu gritava por socorro, mas ninguém ouvia os meus gritos. Eu olhei para cima e não consegui ver o céu; as pessoas estavam sobre mim. Eu tentava bater nelas, mas nem ligavam. Depois de alguns minutos eu desisti de gritar, de lutar e de ficar em alerta. Eu só me lembro de que de uma hora para outra tudo ficou vermelho e minha cabeça começou a doer e...
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