Hackertype [HIATUS]

1 A Tela Azul da Morte


Notas iniciais
Tao foi uma personagem criada por mim para um RPG anime-based, ou seja, num universo em que cabelos e olhos coloridos são a coisa mais normal do mundo, acabei deixando essas características tanto nela quanto nos outros OCs, então já aviso que vocês vão ver muito disso em vários personagens, relevem ♥

—Senhorita Slackware, por favor, tente chegar na hora amanhã! – Leon ergueu a cabeça ao escutar a voz da professora e observou a jovem de cabelos cor-de-rosa que entrava na sala com expressão sonolenta, murmurando um pedido de desculpas ao mesmo tempo em que bocejava – É a segunda vez esta semana que você chega no limite do horário!

—Tava estudando – Ela falou, jogando duas balas de café na boca.

Se fosse outra pessoa, provavelmente a sala teria se enchido de brincadeiras e gracejos, mas era Tao.

“Ninguém mexe com a Tao, pelo menos, não se tiver amor à vida” Era o que seu melhor amigo sempre lhe dizia.

Ela não aparentava ser tão assustadora, mas “quem vê cara não vê coração”, certo? Tinha que admitir que ela dava um pouco de medo, sempre sozinha, programando no notebook e sorrindo como se soubesse os piores segredos de cada aluno do colégio e estivesse apenas esperando a oportunidade perfeita para espalhá-los para o mundo.

Os boatos falavam muita coisa, alguns diziam que ela vendia segredos dos alunos, outros diziam que ela criava boatos para acabar com a reputação de quem ela não gostava, mas uma pequena porcentagem ainda conseguia ir mais longe e dizer que ela falsificava provas criminais, podendo mandar para a cadeia todos os que a desafiavam.

Leon sempre acreditou que todo boato tem um fundo de verdade, mas se fosse esse o caso de Tao, se perguntava como a garota ainda não foi presa, tamanha a lista de crimes que era acusada naquelas fofocas.

Só percebeu que estava encarando-a quando viu que estava no foco dos olhos vermelhos, que o observavam de forma curiosa antes da garota rir baixo, dando um sorriso desafiador.

Rapidamente voltou a prestar atenção na aula e esqueceu o assunto.

Na hora do intervalo, sentou-se com seus amigos como de costume. Na rodinha, além dele, estavam: Nino, o amigo de infância que estudava ali há mais tempo que ele e sempre o ajudava a evitar as más companhias; Kim, uma garota bastante divertida que rapidamente se afeiçoou a eles, e Ian, o mais velho do grupo, havia repetido um ano por conta de problemas pessoais, mas agora estava se recuperando com uma força de vontade invejável.

—Ian, pode me ajudar com o meu exercício de matemática depois? — Kim pediu, estendendo o caderno para o garoto – Eu já tentei entender o assunto, mas se for depender do professor… — Revirou os olhos e bufou, jogando a franja azul-escura para o alto.

—Ajudo sim – Ele deu um sorriso pequeno, pegando o caderno da mais baixa e estudando o exercício por alguns minutos enquanto Nino e Leon conversavam frivolidades. O clima seria o de um dia normal, se o celular de todos os quatro não tivesse soado ao mesmo tempo, indicando cada um uma notificação recebida.

—“Phantasma” — Nino leu o nome do remetente, franzindo a testa – Algum de vocês conhece?

—Não – Responderam quase que em conjunto, até que Kim estalou os dedos

—Ei, não era o nick daquele doido que fez uma page só com fofocas sobre os alunos do colégio?

Leon lembrava vagamente do caso, não estudava ali na época, sabia apenas alguns detalhes que Nino havia comentado.

—Mas ele não foi processado? — Ian observou, um tanto cético – Seria muita burrice voltar a fazer algo do tipo agora, depois de todo o rolo que deu.

—Não tem como ser ele! — Kim falou rapidamente – Ele foi transferido, na última notícia que deu, tava na outra ponta do estado, no máximo é alguém usando o mesmo nick pra causar confusão.

—Que falta do que fazer – Nino falou em tom de reprovação – Alguém está realmente interessado nisso?

—Eu tô curiosa – Kim admitiu – Vamos ver o que veio dessa vez.

A mensagem era simples: “Vejam a verdadeira face dos seus colegas”, seguida de alguns prints anexados.

Os prints eram aterradores.

Garotos confessando traições e se vangloriando, meninas falando mal das melhores amigas, professores tecendo “elogios” do mais baixo nível a alunos e alunas, além de toda a sorte de segredos podres e fetiches estranhos sendo revelados. Aquilo parecia uma espécie de Pretty Little Liars, só que bem mais bizarro.

—Uou – Kim estava sem palavras – Isso é…

—Surreal – Leon completou – Essa aqui, por exemplo, quem imaginaria que a Marlene falaria isso da própria melhor amiga?!

—Pois é – Nino se alarmou – Ei, Leon, tem uma sobre você!

—Sobre mim?!

Os três se amontoaram para ver o que Nino mostrou. Quando terminaram, Ian deu um soco na cara de Leon.

—COMO VOCÊ OUSA? — Kim apressou-se em segurar o rapaz – ACHEI QUE PODIA CONTAR COM VOCÊ, COMO VOCÊ OUSA?!

—Mas eu nunca disse isso! — Leon tentou se defender – Só pode ser montagem, cara! Eu juro!

—Montagem?! Uma montagem muito boa, porque até o jeito de escrever tá idêntico ao seu!

—Cara, eu juro, eu nunca falei de vocês pelas costas, é sério! — Leon estava desesperado – Kim, Nino, vocês acreditam em mim, não acreditam?! — Implorou.

Para seu pavor, Nino desviou o olhar e Kim baixou a cabeça.

—Eu não sei… Preciso pensar, Leon – A garota murmurou – Licença.

Pegou suas coisas e saiu, sendo seguida por Ian. Nino ficou em silêncio, mas ainda estava ali.

Leon caiu no chão, se perguntando por que alguém faria aquilo com ele. Se falsificaram aquela conversa, provavelmente todas as outras também deveriam ser falsas, certo? Mas quem poderia ganhar algo com isso? Afinal, havia alguma pessoa que não havia sido mencionada naquelas conversas?

—Afinal, o que foi isso? — O rapaz de cabelos castanhos finalmente conseguiu falar – Nino, eu tô sonhando?

—Não, cara, você não tá.

—Você acredita que eu falei tudo isso?

—Claro que não! Ian e Kim podem te conhecer há pouco tempo, mas a gente é amigo há anos, cara! Seria vacilo eu desconfiar de você agora.

—Obrigado – Agradeceu depois de alguns segundos de silêncio – Mas afinal, por que comigo?

—Isso eu não sei, mas tenha a certeza de que nós vamos descobrir. Reparou que teve uma pessoa que não foi citada em nenhuma das conversas?

—Nino, tem mais de mil alunos nessa escola, é óbvio que alguém ia ficar de fora.

—Sim, mas entre esses mil, quais deles são conhecidos justamente por conseguir dinheiro com a desgraça alheia?

—Você não tá querendo dizer que…

—Sim, não sei se deu para reparar, mas em nenhuma dessas conversas, o nome da Tao foi citado.

Notas finais
Espero que gostem, tentarei atualizar toda semana, mas não posso prometer. Reviews sempre são bem vindos ♥ Fic também postada no Wattpad: https://www.wattpad.com/story/88830204