H.a.c.k

7 Capítulo 7 - Vai ficar tudo bem


Notas iniciais
Continuação! Cara, ficou grande pra caçamba esse capítulo...

Aidê chamara Scott em seu escritório, estavam lá fazia um bom tempo. Fiquei curioso em saber sobre o que era a conversa, então levantei do sofá olhando discretamente para os lados vendo se alguém estava prestando atenção no que eu iria fazer.

– O que você pensa que vai fazer? – Perguntou Rei.

– Eh?!

Ele nem estava olhando para mim! Ele estava de costas “apreciando” suas armas, como ele percebeu?!

– Hein? – Perguntou virando-se.

A porta do escritório se abriu, saindo Scott de lá de dentro.

– A propósito... Gostei do modelito. – Gozou Aidê.

Ele imediatamente percebeu que Rei estava na sala, então rapidamente pegou a almofada do sofá e se cobriu.

– E-e aí? – Perguntou acenando.

Rei respondeu com um sorriso. Scott acompanhou Rei com os olhos até o mesmo entrar no quarto. Quando percebeu que eu estava olhando, deu uma risadinha falsa.

– B-boa noite, Heinz – Disse me expulsando, já que ele dormia no sofá.

– Noite.

Fui para meu quarto, abri a porta e senti aquela pequena “brisa” do ar condicionado. Fechei a porta lentamente para não fazer barulho, desliguei a luz e deitei na cama soltando um longo suspiro, estava até com preguiça de levantar de cima do edredom para me cobrir, mas... Eu estava sentindo falta de algo...

– Katze! – Lembrei-me.

Minha gata não estava comigo. Normalmente ela deita do meu lado e eu a abraço. Não consigo dormir sem ela. Parece que Katze me protege de qualquer coisa. Levantei lentamente bocejando e alongando minhas costas e ajoelhei ao pé da cama. Deitei no chão para ver se eu a encontrava escondida, mas nada. Então o único lugar que ela poderia estar seria no quarto do J.K! Ela o odeia e adora atazana-lo.

Sai do meu quarto, a luz da sala já estava apagada. Prossegui lentamente pelo pequeno corredor para não acordar Rei. Chegando ao quarto de J.K, abri a porta e liguei a luz.

– H-hm? O que você tá fazendo aqui? – Perguntou dorminhoco.

– Katze? – Chamei soltando beijinhos – Katze?

– Você tá maluco? – Insinuou sentando na cama.

Escutei um miado vindo de baixo de J.K, então me ajoelhei e puis minha cabeça de baixo da cama. A gata estava escondida atrás de pilhas de livros e revistas. Lugar estranho para guarda-los, não acha?

– Nyan~ — Reproduziu Katze.

– Ah, então é daí que está vindo esse som irritante... – Disse J.K.

– Nyan~ — Imitei.

– Mas o quê? – Perguntou estranhando.

A gata não saia de trás daquele amontoado de livros, então comecei a tirá-los de baixo da cama.

– O-o que você pensa que está fazendo?! – Perguntou nervoso se levantando.

– Vem pro papai. – Disse tentando apanhar Katze.

– Nyan~

Tirei mais alguns livros de lá, entretanto, uma revista me chamou muita atenção, agarrei-a e saí de baixo da cama. Olhei confuso para a revista, era antiga e frágil. Na capa, uma mulher de costas usando só a parte de baixo de um biquíni, ela estava sem a parte de cima e chupava um picolé vermelho. A moça estava molhada e usava um grande chapéu de praia bege. No fundo, o mar azul junto com o céu. Em volta disso tudo, havia pequenos textos falando sobre o que falaria essa edição. Bem no topo da revista, tinha um nome, mas o chapéu da mulher ficava bem em cima, deixando poucas letras para ler.

– “Playboy”? – Perguntei girando minha cabeça para tentar ler.

– EH?! Solta isso! – Disse arrancando da minha mão – Isso é uma relíquia!

– Pervertido.

– Posso até ser, mas paguei muito caro por ela! – Avisou abraçando-a.

– Você pagou por lixo?

– Lixo? – Perguntou indignado – Essa é a Playboy edição 190 de 2014!

– Lixo. – Falei novamente.

– Relíquia. – Me apontou o dedo.

– Como as conseguiu? – Perguntei olhando para várias revistas que estavam no chão.

– Eu falei com um francês, que conhecia um italiano, que conhecia um espanhol, que conhecia um americano, que conhecia um português, que conhecia um brasileiro que tinha essas revistas. – Respondeu na maior cara de pau.

–... E essas novas? – Perguntei pegando outra.

– Ah... Tenho meus contatos. – Disse olhando para os lados.

Ouvi alguém se aproximando do corredor. Temia que fosse Aidê. E se ela nos visse com todas aquelas revistas?! Ela ia nos matar! Virei lentamente para trás, e lá estava...

– Que barulhada toda é essa? – Perguntou Scott coçando os olhos.

Como eu estava nervoso, sem querer deixei a revista cair aos meus pés. De repente, Scott abriu os olhos e a boca em formato de O.

– Aonde você conseguiu isso, cara?! – Perguntou avançando na revista – Isso é uma relíquia!

– Viu? – Gabou-se J.K.

Scott começou a folear várias revistas com J.K. Eles estavam sorridentes e seus olhos brilhavam.

– Gente, e se a Aidê pegar vocês lendo isso?

– Nossa... Quisso, fia? – Disse Scott me ignorando.

– Nunca acreditei que milagres existiam, mas Jesuis... – Disse o outro tarado.

Cruzei meus braços, mas ninguém pareceu notar. Eu olhava furioso para aquelas revistas espalhadas no chão e para as duas crianças babando na cama. Eu queria que eles se ferrassem e bem feio, mas o que eu poderia fazer? Contar para Aidê? Não sou X-9.

Chamei Katze num tom “derrotado”. Ela veio lentamente por de baixo da cama e pulou no meu colo, então dei um suspiro e dei um passo para trás, mas não consegui ir além, pois havia alguma coisa no caminho.

Olhei para cima. Era Aidê com aquele “sorriso” simpático de sempre. Ela olhou para baixo me encarando, me deu calafrios. Saí nervoso de sua frente e deixei que ela fizesse todo o trabalho sujo.

– O que está acontecendo aqui? – Perguntou elevando sua voz.

EH?! – Gritaram os dois pulando da cama – Nada!

Aidê olhou repugnada para o chão. Ela entrou no quarto pisando em todas as revistas que estavam em sua frente. Quando chegou até os dois, arrancou-lhes as revistas.

– E-ei! – Exclamou J.K.

– Qual é?! – Perguntou Scott.

Ela mandou um olhar de ódio cerrando os dentes ao mesmo tempo. Dava para sentir seu “amor” da onde eu me encontrava. De repente, Aidê rasga as duas revistas que estava segurando. Os dois imediatamente gritaram, parecia que estavam tendo um ataque do coração.

– E da próxima vez, eu rasgo todas. – Ameaçou saindo do quarto – Vão dormir agora!

~*~*H.A.C.K*~*~

POV – J.K

O despertador tocou às 10h30min. Abri meus olhos lentamente atordoado por aquele toque de sininho irritante. Espreguicei-me ainda deitado na cama, em seguida dei um longo bocejo. Me descobri ainda cansado e sentei na cama pondo meus pés no chão. Ele estava gelado como todo aquele quarto. Olhei para o chão me lembrando do que aconteceu ontem. Ela ainda vai pagar por aquilo!

Dei um pequeno suspiro e levantei da cama lentamente, dando um impulso com as mãos na cama. Chutei com cuidado as pontas das revistas que ficaram para fora da cama, senti pena em fazer aquilo, mas estava com muita preguiça para me agachar. Dei uns cinco passos até chegar à minha cômoda, peguei minhas roupas que lá se encontravam e fechei a gaveta.

Andei lentamente até a porta do quarto, e olhei para a maçaneta e a encarei por alguns poucos segundos, em seguida a abri, fazendo um baixo barulho. Saí do quarto, estava um pouco mais quente. Fechei a porta lentamente para não acordar ninguém. Andei quase nas pontas dos pés para não acordar Scott, mas quando me aproximei do sofá, encontrei-o ouvindo música.

– Bom dia. – Saudei num tom cansado.

O garoto não me respondeu, estava cantarolando uma música e acompanhando o ritmo batendo a mão em sua coxa com os olhos fechados. Odeio quando não me respondem, dá vontade de matar.

– BOM DIA. – Gritei arrancando os fones de sua cabeça.

Ele imediatamente “apertou” seu coração dando um enorme suspiro. Com a outra mão ainda tremendo, se apalpou em vários lugares, parecia estar procurando algo. Depois daquele suspiro, ele não parecia ter respirado mais. Fiquei tenso, ele não estava conseguindo respirar! Scott se sentou rapidamente, sua expressão era de desespero. Ele procurou pelos cantinhos do sofá e finalmente encontrou. Agarrou rapidamente a bombinha e a apertou, respirando bem fundo depois.

– Nunca mais faça isso, idiota! – Disse jogando uma almofada em minha direção.

– Calma aí, cara. – Brinquei desviando-me da almofada.

–... Sinto muito pelas suas revistas. – Desculpou-se coçando a cabeça.

– Nem me lembre...

Houve alguns segundos de silêncio.

– Eu sei que não tem nada a ver, mas... – Comentou o garoto levantando-se – Por que você e o Heinz nunca se separam?

–... Como assim? – Perguntei confuso.

– Em todos os lugares que você tá, o Heinz vai atrás. Ele sempre está com você.

–... Você está insinuando que sou...?

– N-não! Eu só quero saber o porquê.

– Café~! – Gritou.

Era Heinz gritando lá de cima. Eu e Scott nos encaramos, percebemos que ainda estávamos de pijamas. Ele olhou de um jeito que interpretei como “Vira de costas que eu viro de costas”, então, fiz o que ele me pediu. Tirei a calça do pijama que eu usava para dormir e puis a sarja bege meio esverdeada. Coloquei minha camiseta e vesti meu casaco, mas algo estava faltando...

– Scott? – Chamei.

– O quê?

– Você viu os meus óculos? – Perguntei virando – Eu sempre o coloco junto com minhas roupas, mas dessa vez não estava lá.

– Aqui. – Disse batendo em minha cabeça.

Olhei para cima, por algum motivo, e toquei no mesmo lugar que Scott tocara. Eu dormi com os óculos? Estranho...

Heinz nos chamou novamente, mas o tom de sua voz já não era tão amigável como antes. Subi as escadas com uma mão segurando no corrimão e a outra levando minhas botas. Quando chegamos, só Rei e Heinz estavam lá... Como sempre.

– Demoraram. – Reclamou Rei.

Bom... Rei voltou a ser o velho Rei de sempre, ou melhor, “a velha Rei de sempre”. Ela usava o mesmo penteado: Maria-chiquinha. Porém, dessa vez, seu cabelo estava roxo escuro. Em sua blusa a escrita “Love is War” com as letras camufladas como sua saia. Suas botas eram militares e amarronzadas. Presa em sua perna, um suporte para faca.

– Até parece que vamos pra uma guerra... – Disse Scott.

Rei o encarou.

– D-digo... Você está bonita hoje, Rei! ... Q-quero dizer...!

– Você também, Scott. – Riu Rei.

Scott abaixou a cabeça rapidamente com vergonha e coçou a cabeça.

– Aê, hein? – Sacaneei dando um tapinha em suas costas e sentando à mesa .

Ele ficou um tempo em pé decidindo se sentava ou se ficava parado encarando o chão. Dei uma batidiha na cadeira chamando-o para sentar, então, ainda de cabeça abaixada, chegou ao meu lado para sentar, porém, Heinz pegou o lugar antes.

– Senta alí do lado da Rei. – Apontou – Esse aqui é o meu lugar.

Ele olhou para a cadeira que Heinz acabara de apontar e olhou para Rei, queria ver se “ela” concordava com aquilo. Quando viu que “ela” nem percebeu, andou lentamente até o lugar e sentou.

– O-oi... – Gaguejou.

Rei respondeu com um sorriso.

Senti um cheiro bom, muito bom. Era doce, parecia mel... Era mel! Olhei para a mesa, dava pra engordar quilos só de olhar toda aquela comida! Waffles com mel, panquecas doces, donuts leite, água, frios, bolos, muita coisa boa.

– É só o que restou... – Sussurrou Heinz tristonho tirando o chapéu de chefe.

Apesar de toda aquela comida ser gostosa, ela estava se esgotando, não ia ser fácil conseguir mais, entretanto, não podia falar isso para Heinz.

– Está tudo bem, nós vamos conseguir mais. – Disse num tom amigável.

– Haaaah! Ga...y... – Disse Scott lembrando de Rei.

Rei pareceu não se importar, continuou bebendo seu leite. Mas o problema foi comigo, eu não sou gay! Não tenho nada contra, mas não sou. O Heinz só é um amigo.

–...a o mel? ... J.K? – Perguntou Heinz.

– H-hm? Desculpa... Me distraí...

– É, eu sei, você estava me encarando de novo. – Concordou.

– Eu não estava te... Te encarando...

– Un. – Sorriu – Agora me passa o mel.

Voltei-me para a mesa, havia uma garrafa transparente com um líquido dourado dentro, esse líquido já estava na metade. Peguei cuidadosamente a garrafa e quando a levantei, um raio de sol passou por ela dando a impressão de que o mel estava brilhando.

– J.K? – Chamou Heinz.

– A-ah, desculpa, eu...

– Você se distraiu de novo, né?

– Un. – Respondi entregando-o a garrafa.

– Você não vai comer nada? – Perguntou Rei.

– Não estou com fome...

– Mas é melhor comer. – Orientou Aidê subindo as escadas – Estamos indo.

– Agora? Mas todos vão nos ver, principalmente eu. – Comentou Scott.

– Mas é isso que queremos. – Disse.

–... Queremos? – Perguntamos.

– Queremos. – Respondeu num suspiro – O sinal da escola bate ao meio-dia.

Escola, como eu odeio escola, sempre nos ensinando coisas que não vamos usar na nossa vida: História – Que se dane o passado, queremos saber do agora. Geografia – Eles só falam sobre Gorod e que todos que vivem do outro lado são imundos. Matemática – Foda-se matemática. A única coisa que presta são as línguas que aprendemos, mas são para um uso egoísta e ridículo: “Comunicação com o povo do lado de fora”. Até parece que vamos falar com alienígenas, cara!

Olhei para o relógio, eram 11h17min. Faltava muito pouco tempo para poder arrumar tudo e partir.

– Mas como que vamos chegar lá sem sermos notados? – Perguntou Heinz de boca cheia.

Aidê rodou as chaves do carro no dedo, apertando a no final. O carro emitiu dois sons que simbolizava o carro destrancando.

– E você acha que ninguém vai notar o carro? – Perguntei com um sorriso falso no rosto.

– Como eu ia dizendo... – Comentou Aidê revirando os olhos – Nós queremos ser vistos. Tudo que precisamos já está no carro.

Ela nunca foi de explicar seus planos, ela gosta de viver o perigo... Mas eu ainda quero viver!

~*~*H.A.C.K*~*~

Fomos em direção do carro. Ele estava escondido atrás da casa em baixo de uma velha lona azul de piscina. Estava tão quente, mas tão quente que eu chegava a suar. Olhei ao meu redor, ninguém na rua, provavelmente estavam trabalhando em troca de água.

– Entrem no carro. – Mandou Aidê.

– Un. – Disse Heinz engatinhando para dentro do automóvel.

Aidê entrou no carro e sentou banco de motorista. Eu, como normalmente faria, abri a porta do passageiro na frente.

– J.K? – Chamou Heinz.

– O quê? – Perguntei áspero sentando no banco.

Ele ficou quieto. Em seguida, Rei e Scott entraram atrás fechando a porta de uma vez só.

– Vamos nessa! – Disse Scott animado.

– Hahahaha~! – Riu Heinz.

Rei se encolheu envergonhada. Aidê ajeitou o retrovisor e trocou de marcha.

– Está nervoso? – Perguntou com um sorriso.

– U-um pouco... – Respondi.

Ela não pareceu se importar muito com minha resposta, invés disso, deu uma risadinha. Pisou no acelerador e soltou o freio de mão. Enquanto o carro andava em direção da “cidade da vida e da fortuna”, eu olhava pela janela e só via desastre e pobreza e... Poeira. As poucas pessoas que eu via passando pela rua, eu... Eu via o sofrimento pelos seus olhos. Aquelas pessoas não estavam vivendo, estavam sobrevivendo.

Gorod não ficava tão longe assim, demoramos por volta de meia hora. Na entrada havia um enorme portão preto com dois guardas em cada lado, porém, Aidê deu a volta. Os dois guardas continuaram parados só acompanhando com as cabeças.

– A entrada é alí... – Disse apontando.

Ela ignorou meu comentário continuando a dirigir. Até que paramos no pé de uma torre de vigilância. Ela era alta, feita de aço e ficava bem perto da enorme muralha. Já tinha entendido o que Aidê queria. Ela estacionou o carro perto da torre e saiu do carro.

– Ei! – Gritou balançando os braços.

O guarda que estava de vigia a encarou.

– Identifique-se. – Disse apontando uma arma.

– Por que não desce aqui? – Perguntou passando as mãos pelo corpo – Tá tão calor aqui... Você não teria um copo d´água?

Rei saiu cuidadosamente do carro enquanto Aidê distraía o guarda, ela segurava alguma coisa nas mãos, mas saiu tão rápido que nem pude ver o que era.

O guarda, sem perceber Rei, pegou o walkie talkie que estava preso em sua calça.

– Unidade dois, temos um carro e uma mulher não autori-

Um vulto. Eu vi um vulto passando por fora de minha janela. De repente ouvi um barulho. Saí lentamente do carro. Era o guarda, ele estava estirado no chão. Morto? Não. Agonizando no chão com uma flecha transpassando por seu pescoço. Rei foi até o homem e agachou-se ao seu lado. Ela segurou a ponta da flecha e deu um sorriso.

– Desculpa...

Ela puxou rapidamente o longo pedaço de ferro que estava alojado no pescoço do pobre guarda que morreu logo em seguida. Scott estava perplexo olhando o que Rei acabara de fazer com aquele homem.

– É matar ou morrer. – Disse Rei levantando-se e entregando as seringas que estavam presas do outro lado do suporte de faca.

Scott ficou alguns segundos encarando aquelas seringas e as agarrou confiante. Rei deu um sorriso amistoso.

– Que tal pararmos de enrolar? – Reclamou Aidê andando em direção as escadas da torre – Temos coisas mais importantes a fazer.

Rei correu atrás de Aidê para acompanhá-la e subiu a escada atrás dela. Olhei para trás e percebi que Heinz já havia saído do carro e estava do meu lado.

– Vamos? – Perguntou.

Concordei confuso com a cabeça. Voltei-me novamente à torre e vi que todos já haviam chegado ao topo. Heinz chegou até a escada e me chamou novamente. Começou a subir e fui logo atrás. Tentei não olhar pra cima, por que, né.

Quando chegamos ao topo, Scott estava se trocando. Era meu uniforme. Lembro que ficava ridículo usando aquilo.

– Rei. – Chamou Aidê mexendo a cabeça.

Rei pegou seu arco, mirou e disparou a flecha num lugar perto do chão, mas essa flecha era especial. Ela era amarrada na ponta por uma linha de aço com a grossura de uma corda. Rei a amarrou na estrutura da torre. Aidê pegou um instrumento também de aço de uma mochila que levara para cima e o entregou para Scott.

– Vai. – Ordenou.

– “Vai”?! – Perguntou nervoso.

– Vai dar tudo certo. – Acalmou Rei.

Scott deu um suspiro e deu uma última ajeitada em “seu” uniforme, se dirigiu à corda e apoiou o instrumento. Em alguns segundos, ele já estava do outro lado. Ele estava em Gorod.

– Agora você.

Eu não queria ouvir essas palavras, mas... Agarrei outro daqueles troços, respirei fundo, fechei meus olhos e... Uma brisa. Uma deliciosa brisa batia no meu rosto refrescando-me. Esqueci-me de tudo que eu estava passando, todas as dificuldades em que o mundo estava sofrendo. Parecia que eu estava vivo novamente.

~*~*H.A.C.K*~*~

– Scott, fique de olho nos guardas, não podemos deixar que ele veja o J.K – Disse Rei pelo microfone.

Andei até a porta que precisaria ser aberta. Era necessário digitar um código, porém, eu tinha um pen drive que achava a senha salva na maquina e a usava. A luz azul mudou para verde. Uma mulher com voz mecânica disse “Acesso permitido”. A porta correu lentamente.

Entrei na sala com cautela. Havia vários computadores e aparelhos que nem sei o que eram... Mas sabia o que queria. O cômodo era grande, seu chão era preto e suas paredes eram feitas de placas de vidro azul escuras, que com as luzes acesas, refletia.

Andei até o grande telão agarrado na parede em minha frente. Não quis sentar na cadeira, eu estava muito nervoso para aquilo. Dei uma rápida olhada para trás, não estava com um bom pressentimento. Com cuidado, procurei o lugar para inserir um outro pen drive.

– Merda, cadê?

Olhei para a mesa... Não era bem uma mesa, era mais um grande painel touch que servia como teclado. Deslizei meu dedo sobre aquela coisa até achar um buraco retangular. Aproximei-me mais para ter certeza de que era o lugar certo. Peguei o pen drive e o inseri com dificuldade. Na enorme tela estava apareceu “TRANSFERINDO DADOS”. Foi um alívio poder ler aquilo. Demorou uns cinco minutos até conseguir todas as informações, até que...

– DOWNLOAD NEGADO. VÍRUS DETECTADO. PERIGO. PERIGO.

O alarme começou a tocar, e as paredes azuis viraram vermelhas, comecei a suar frio.

– Não! Não! – Implorei tentando digitar alguma coisa para parar o alarme.

– O que aconteceu?! – Perguntou Rei aflita.

– E-eu não sei!

– T-temos companhia! – Gaguejou Scott.

Eu estraguei tudo de novo. Era como se... Era como se eu só existisse para estragar as coisas. Mas não iria desistir. “Nunca desista, continue lutando”. Era isso que meus pais sempre falavam pra mim... Nunca desista... Mas parece que desistiram de mim.

– J.K! Saia daí! – Ordenou Aidê.

Várias coisas vieram na minha cabeça, mas uma coisa que eu lembro e nunca vou esquecer, são meus pais. Mesmo assim, digitei uma coisa randômica “A.L.K”. Foi a primeira coisa que veio na minha cabeça e funcionou. Aquele alarme irritante parou de tocar e a sala voltou a ficar azul. Dei um suspiro aliviando-me, mas saí correndo por causa dos guardas, eles chegariam a qualquer momento.

No momento em que puis meus pés para fora daquele cômodo, olhei para Scott. Ele estava petrificado olhando para o cara que acabara de paralisar.

– Scott! – Chamei correndo em sua direção.

– Cuidado! – Gritou apontando para trás de mim.

Arrepiei, mas rapidamente saquei minha arma e virei para trás, o guarda atirou, porém não me acertou. Ele continuou correndo em minha direção, entretanto, disparei minha arma contra sua cabeça, fazendo-o cair no chão. Eu estava tremendo, sentia uma pequena dor no lado esquerdo de meu abdômen, parecia uma câimbra, mas me senti aliviado em saber que aquilo acabou. Olhei para a torre e fiz o sinal com o dedão acompanhado de um sorriso.

Mas de repente, me senti fraco. Aquela dor de câimbra, logo, se tornou insuportável. Toquei em minha barriga e em seguida olhei para minha mão. Sangue. Eu fui baleado.

– J... J.K...! – Apontou Scott nervoso.

– E... Eu estou bem...

Caí no chão. Aquele sol batendo em minha cabeça não ajudava. Com uma mão eu segurava minha barriga para não perder muito sangue. Não conseguia enxergar direito, não sentia minhas pernas e minhas mãos estavam dormentes. Dessa vez era real. Eu ia morrer.

– J.K! J.K! – Gritou Heinz se ajoelhando do meu lado.

Não conseguia o enxergar, estava tudo embaçado. Minha respiração ficava cada vez mais pesada e meu coração batia mais devagar. Senti as mãos de Heinz tocando as minhas para manter meu sangue em seu devido lugar.

– Vai dar tudo certo! Fica comigo! – Disse retirando seu casaco.

– He... Cof! Cof!

Foi sangue que saíra de minha boca. Heinz estava chorando e parecia estar sofrendo mais do que eu. Não sentia mais aquele machucado, a única coisa que doía mais em mim, era ver Heinz chorando. Tentei olhar para Scott, mas ele estava olhando para a direção oposta. Pelo que eu conseguia ver, ele estava parado, não mexia um músculo. O que tinha de tão interessante lá?

– J.K, olha pra mim! – Gritou pressionando seu casaco contra minha ferida – Você vai ficar bem, é só...

– Ficar parado.

O quê? De repente vi duas sombras em minha frente. Aquela voz... Eu conhecia aquela voz.

– O que temos aqui? – Perguntou o outro vulto.

– Quanto tempo, J.K. – Disse o outro agachando ao lado de Heinz.

– EH? – Gritou Heinz nervoso.

– Shhh. – Reproduziu um dos caras.

– Ah, não vai me dizer que não se lembra da gente, né? – Perguntou num tom sarcástico.

– Ngh... – Tentei pegar a arma que estava no meu lado.

– Acho que você não vai precisar disso... – Questionou pegando a arma.

Eu sabia que conhecia esses caras e sabia que eles não eram coisa boa. O que eles queriam?

– Bom, eu soube que você aprontou à beça, né? Heh, você foi um menino muito mau.

– Na verdade, sempre foi. Lembra quando você pegava no nosso pé na escola?

Escola? Tentei forçar mais minha visão para poder ver seus rostos, mas o máximo que consegui foi ver suas roupas brancas. Espera, roupas brancas? Elas eram muito parecidas com meu uniforme do colégio... Eles eram...

–Ah, vejo que conseguiu se lembrar de quem somos, né?

– Tá na hora da vingança. – Disse o outro se levantando.

– Bom, vejo que já está sofrendo, mas que tal sofrer mais? – Perguntou levantando-se com Heinz.

– M-me solta! – Gritou.

– É, desculpa por interromper esse momento romântico entre você dois, mas... – Disse algemando-o – Os outros guardas estão chegando, então se quiser sair vivo daqui, é melhor se apressar.

– O... O que vocês... Vão fazer com ele...? – Perguntei.

– A mesma coisa que você fez com nós, heh, só que pior.

– HUH? – Gritou Heinz se debatendo.

– Calma aí, calma aí. – Disse o guarda segurando-o com mais força – Se você resistir, eu mato vocês dois.

Heinz pareceu se acalmar e em seguida abaixou a cabeça. Os dois guardas ficaram felizes com aquela situação.

– Bom garoto.

Os dois se viraram e começaram a andar. Tentei me levantar, mas a dor era absurda, não tinha forças para aquilo. Antes de fazerem a curva, Heinz olhou para mim com um pequeno sorriso, e falou algo. Com muita dificuldade, consegui ler seus lábios... “Vai ficar tudo bem.”.

~*~*H.A.C.K*~*~

Notas finais
Agora é a hora que eu vou ficar um tempo sem postar nada, mas vem um feriado aí e nós nos veremos logo. Voltando pra esse capítulo... Não, o Heinz não é gay, ele só é muito inocente, bom, não mais... Ah, os detalhes... Acho que não me esforcei o suficiente, mas em compensação, um capítulo enorme! Quero comentários, hein?