Habatsu

1 Uma luta inesperada!


Yogo andava cansadamente por entre as árvores da floresta onde estava, a luz do sol era quase tampada pelas copas das árvores, dando uma luminosidade verde ao lugar. O garoto olhou mais uma vez para o papel que seu mestre lhe dera, papel que se tornara mais que um simples mapa, agora era um símbolo de esperança, a esperança que Yogo tinha de encontrar uma nova família.

O mapa mostrava um único caminho, da caverna onde o garoto e seu mestre viviam até um prédio que pelo que Yogo entendera, era um lugar onde ele aprenderia a controlar melhor e desenvolver sua magia.

Yogo ainda se lembrava das últimas palavras de Quimão, dizendo-lhe para procurar MahouShuyosho , o lugar que o mapa mostrava.

Ele continuou andando, o calor fazia-o suar tanto que algumas gotas já encobria-lhe os olhos azuis, forçando-o a esfrega-los.

Um pouco mais à frente, o garoto ouviu um barulho vindo das árvores, então por puro instinto levou uma das mãos à espada que portava na cintura, pronto para qualquer movimento brusco. Do meio das arvores saiu um animal magnífico, um lobo negro, seus olhos eram da mesma cor azul que os de Yogo. Era mais alto que os lobos comuns, medindo um metro de altura estando sobre as quatro patas.

-Ah, é você, Lupa — Disso Yogo, soltando o cabo da espada.

A loba apenas balançou a longa cauda negra e sentou-se ao lado de Yogo, para receber um afago nos pelos da cabeça. O garoto coçou a cabeça, e passou a mão nos cabelos de cor laranja, olhando para os lados.

-Acho que estamos perdidos — Disse o garoto, mesmo sabendo que não obteria resposta. — Você pra onde fica o norte?

A loba balançou a cauda novamente e começou a olhar para os lados, foi até uma árvore e lambeu o musgo.

-É claro, menina esperta — Disse Yogo, bagunçando-lhe os pelos da cabeça de novo.

Yogo deu dois passos na direção em que o musgo apontava, então ouviu um grito muito alto, vindo da direção oposta, Lupa mordeu a barra de sua calça, puxando-o para trás, Yogo relutou um pouco, mas quando viu que a loba não o soltaria, correu na direção de onde o grito veio.

Enquanto corria, ouviu mais alguns gritos. Depois de algum tempo, chegou a uma clareira, lá dois homens agarravam uma garota, que aparentava ter por volta de onze anos, a mesma idade de Yogo. Um dos homens segurava-a pelos braços frágeis, enquanto o outro segurava uma faca contra o seu pescoço e levava sua mão às pernas da garota.

-Soltem ela — Gritou o garoto, com uma das mãos em sua espada e Lupa ao seu lado, rosnando ferozmente, o homem que segurava a faca virou-se e deixou escapar um sorriso sádico.

-E se não soltarmos, vai fazer o que, bater na gente, ou mandar seu cachorrinho nos atacar? — Perguntou o homem, que de tão gordo que era, parecia invencível para o garoto.

-Não, terei que usar minha magia — Disse Yogo, desembainhando a espada e apertando com força o cabo. Ao seu redor, algumas pedras começaram a flutuar. Faíscas saltaram da espada, logo depois, as faíscas se transformaram em uma aura elétrica ao redor da lamina.

O homem que estava segurando a garota, soltou-a e saiu correndo.

-C-covarde, volte aqui — Gritou o homem da faca, mas o outro já estava longe demais para ouvir. — Certo garoto, então somos apenas eu e você — Apos dizer isso deu mais um sorriso sadico. — Vou mostrar para você como se luta.

Yogo apenas sorriu, um sorriso que fez o homem tremer, mas este não demonstrou medo e correu na direção do garoto.

-Usar o tamanho do corpo para dar medo em alguém? Patético — Disse Yogo, ainda com o mesmo sorriso no rosto. Yogo segurou a espada com as duas mãos e correu na direção do homem, correndo praticamente abaixado. Quando estavam se aproximando, Yogo ergueu a espada e em um rápido movimento, atravessou o corpo do homem, fazendo o sangue jorrar longe e a imensa massa de gordura cair pesadamente atrás de si.

Yogo limpou a espada no colete vermelho que vestia e depois, embainhou-a novamente.

Olhou para a garota que, assustada se arrastava longe dele, mas Yogo fez um sinal com as mãos, pedindo calma. De súbito, a garota parou, os olhos róseos pediam ajuda enquanto nada saia de sua boca.

-Q-quem é você? — Perguntou a garota.

-Eu sou Yogo, um mago — Respondeu o garoto, gesticulando exageradamente. — E qual o seu nome?

-Chay — Respondeu a garota, ainda acuada. Ao ver que Chay ainda sentia medo, Yogo foi em sua direção e a apertou nos ombros.

-Não precisa ter medo de mim, eu apenas te protegi.

Chay se permitiu um sorriso, seus olhos agora não demonstravam mais medo, mas sim um tipo de agradecimento escondido.

-Você mora por aqui? — Perguntou Yogo estendendo a mão para a garota se levantar.

-Sim, é bem perto daqui — Respondeu a garota aceitando o gesto e se erguendo na frente de Yogo, sua estatura era mediana para a idade, sendo apenas um pouco mais baixa que ele. — Você estava indo pra algum lugar?

-Na verdade eu estava indo para o MAhou Shuyosho, você sabe onde ele fica?

-Ah sim, é nesta direção — Disse Chay, apontando para a caminho que Yogo seguia antes de ouvir o grito. — Eu sempre ouvi falar deste lugar, dizem que é um acampamento onde os magos treinam não é? Eu sempre quis ir pra lá, até sei usar magia, mas não sei se iria conseguir entrar, eu sou muito fraca.

-Na verdade, um mago não precisa de força, precisa acreditar em si mesmo, precisa ter fé de que pode proteger a si mesmo e a seus amigos, é essa fé que te dá forças.

Chay sorriu.

-Então é isso que eu vou fazer, vou treinar até que consiga ter força para acreditar em mim, então irei para o acampamento e me tornarei a maga mais forte de Syla.

Yogo sorriu e balançou os cabelos loiros da garota, fazendo-a enrubescer.

-Te vejo lá então. — Disse Yogo dando as costas para a garota.

Chay o olhou por alguns instantes, mas depois também se virou e foi para sua casa.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.