HOW FAR DOES THE DARK GO?

9 Capítulo 9 - Um presente


Duas semanas depois

Acordei com a sensação de um nariz molhado pressionando minha mão. Abri os olhos e vi Frost cheirando minha mão e a lambendo. Levantei um pouco cansada, parei em frente a janela, observei a floresta com uma sensação vazia.

Duas semanas atrás, havia um cachorro falante em minha casa que foi mandado por Jeff, para saber o que havia de errado comigo. E na mesma noite, Jeff veio para me matar, como prometido, mas muitas coisas aconteceram e nos beijamos.

Fiquei sem entender tal ação do mesmo. Talvez eu nunca entenda! Depois que paramos para recuperar o fôlego, ele deu um soco na parede, bem próximo ao meu rosto, me assustando, se arrependendo de ter me beijado. Deu meia volta e foi embora. Não o vi desde então. Até mesmo Smile se foi...

Mas eu sabia que ele voltaria, eu queria que ele voltasse!

Desci as escadas e encontrei com Karem, que já estava de saída. Nem ao menos consegui me dispedir dela. Estava com fome, então fui para cozinha. Minha energia tinha se esgotado de tanto que pensei naquela noite fádica.

Respirei fundo e prossegui para meu quarto, após comer, hoje era sábado então não tinha que me preocupar em ir para escola.

Peguei um guarda-chuva no meu armário e saí de casa. O dia estava bem chuvoso, mas eu precisava respirar um pouco. Sentei no banco do ponto de ônibus e fiquei por lá mesmo. Várias lágrimas involuntárias escorreram por meu rosto, me fazendo chorar intensamente.

Um vento forte soprou, fazendo meu guarda chuva voar longe. Os pingos de chuva caíram como lâminas em meu rosto, de tão fortes. O sentimento de estar sendo observada veio com mais força. Levantei, sem olhar para trás, comecei a caminhar. Quando percebi, já estava correndo.

Até o momento em que alguém agarra meu pulso, me puxando para si. Nunca fiquei tão aliviada ao ver que era ele. Não sabia como reagir, apenas sentir.

— Duas semanas! — falei tão baixo, que pensei que ele não ouviria.

— Aquilo não deveria ter acontecido — ele disse o óbvio — mas você tinha razão!

— Como assim?

— Eu não consigo te matar, porque tem algo em você que me faz desistir, porque algo em você me faz sentir como se precisasse da sua presença. E quando nos beijamos, duas semanas atrás, senti como se já tivessemos feito isso antes!

— Tenho tídeo pesadelos, Jeff — falei — Desde aquele dia, eles têm piorado! E eu sinto como se isso fosse me matar. Vendo você aqui na minha frente, só me deixa com mais medo, pois parece que têm mais alguém conosco e que você não e você.

Ele pareceu se preocupar com o que eu disse, pois agarrou mais forte o meu pulso.

— Está me machucando! — reclamei. Logo, ele largou meu pulso e foi se afastando — não pode continuar fugindo.

— Não estou fugindo! Volte para casa, te encontrarei por lá. — ele disse já longe.

Como se estivesse no modo automático, dei a volta e fui para casa. Parei no meio do caminho, sentindo uma dor insuportável em minha cabeça. Era como se estivesse prestes a explodir... Foi ai que tive uma visão.

Estava tudo muito escuro, por causa da noite, o barulho de ossos quebrados e todo aquele sangue ao redor. Um raio caiu entre as árvores e eu pude ver um ser alto entre elas.

Voltei ao normal, recuperando os sentidos, tomei meu caminho novamente, não poderia parar agora. Assim que cheguei em casa, desci até o porão e busquei minha mala. Abri ela e peguei o diário, como sou sortuda, estava em branco. Me assustei com isso, pois dias atrás o peguei para ler e tinha várias coisas.

E o grande livro, que eu sempre tive medo de abrir, também havia sumido. Fechei a mala e subi as escadas lentamente, tentando processar cada acontecimento.

Abri a porta do meu quarto e lá estava ele, Jeff.

— Como entrou?

— A janela estava aberta. — dei de ombros e voltei a encará-lo. — deixa ela aberta todas as noites, assim que eu entro e te vejo dormindo.

— Desde quando faz isso?

— Desde a primeira vez que te vi, precisava saber mais sobre minha próxima vítima!

— Ainda sou sua vítima? — e essa pergunta pairou no ar, no extremo silêncio.

— De qualquer forma, lhe trouxe algo! — ele tirou uma pequena caixa do bolso e me entregou.

— Por que eu aceitaria isso?

— É para te proteger, dos pesadelos... — Ele abriu e mostrou o que tinha dentro.

Era um colar de lua mingante, com uma pedra no meio, que parecia ter uma galáxia. Ele colocou em minha mão, com tanta calma, que até estranhei. Ainda estava meio receosa de tê-lo em meu quarto, depois do que aconteceu da última vez.

Fechei a mão ao redor do colar e olhei para Jeff.

— Obrigada.

— Mas você têm que prometer uma coisa! — continuei o ohando, esperando que continuasse a frase — Deve colocá-lo e nunca tirá-lo!

Coloquei o colar em meu pescoço, isso fez com que Jeff suavizasse um pouco.

— Eu prometo — disse e desviei o olhar — Você não parece tão assustador quanto antes...

— Estive matando em outros lugares. Matar me acalma... — me estremeci toda, ao me perguntar quanto tempo Jeff ficou sem matar alguém antes de focar em me matar.

Segurei o colar firmemente, o silêncio predominava, não sabia como reagir novamente. fui me aproximando dele e mantive nossos olhares fixos novamente.

— Não vamos cometer esse erro novamente! — ele disse tentando se afastar.

Me afastei, colocando um espaço considerável entre a gente. Meu coração estava bem acelerado. Senti meu rosto queimar, aquilo era estranho.

Não demorou muito para acontecer o esperável. Ele abriu a janela e pulou, indo embora novamente...