HOW FAR DOES THE DARK GO?
24 Capítulo 23 - Para Sempre
Rebeca
Me pergunto onde estaria agora, se não tivesse levado as coisas para frente. Possivelmente estaria terminando ou começando uma escola, curso ou faculdade... Linhas do tempo são confusas quando se é quase imortal.
O tempo parecia congelado para mim. Eles parados na minha frente, se perguntando “ Como nunca percebemos que ela tinha uma irmã idêntica a ela? “
“ Quando ela se colocou um passo à nosso frente? “
Existem momentos que eu gosto de repetir certas frases para mim mesma.
“Se um conto de fadas é o que veio procurar, prepare-se para muito mais”
Nós vivemos todos esses anos, o começo foi como um conto de fadas. Uma garota que esbarra com alguém na rua e acabam se apaixonando. Só não esperávamos as coisas que poderiam acontecer depois.
Era uma simples festa de aniversário de uma criança. Invadida por adolescentes sádicos que só queriam nos ferir.
Fui ferida por aquela que julguei ser minha melhor amiga. Jogada de uma escada e ficando em coma profundo por dias e dias.
Mas eu lembro claramente de ter visto eles o ferirem. O vi em chamas, cair da escada e parar ao meu lado. Com o pouco da força que me restou, usei meus dons para acabar com sua dor.
No dia em que acordei, não me lembrava de absolutamente nada. Ninguém veio me procurar desde que entrei no hospital. Acabei por ser adotada por casal incrível. Karen e Carlos.
Eles foram a segunda melhor família que eu tive. Quando Carlos morreu, meu mundo e o de Karen desmoronou. Me doeu ainda mais, tempos atrás, ter que apagar a memória de Karen, para sua proteção... Eu já chego lá.
Após sair do hospital e ficar com os dois, me senti em casa... Porém, nem tudo é perfeito, parecia faltar algo.
Quem diria que esse algo apareceria na minha frente, em uma noite gélida. Haviam cortes em seu rosto, se tivesse minha memória, ainda seria difícil reconhecê-lo.
Meu coração quase saiu do meu peito ao vê-lo. Acreditei que fosse medo, mas estava muito longe disso. Eu sabia que era ele, mas não sabia.
Não o julgo por ter quase me matado naquela noite, ou nas outras após aquela. Transformaram ele em um assassino. Se eu me lembrasse dele, a primeira coisa que perguntaria, seria “ O que fizeram com você? “.
Gostaria de pular para a parte do “felizes para sempre”. Como uma pancada, a vida me ensinou que isso não existe.
“Respire fundo e não se descontrole na frente deles! Se a virem em um momento vulnerável, vão usar isso contra você “
– Pode não parecer, mas eu vim em paz! – sorri. – Não estou afim de começar outra guerra.
– Deveria ter pensado nisso antes de aparecer novamente! — Slender avançou, Masky o impediu.
– Desde quando você é...
– Uma assassina? Igual a vocês? Antes mesmo de te conhecer, Jeff. Eu e Jessica. Porém, ela se divertiu mais do que eu.
– O que te fez voltar?
A pergunta de Eyeless ecoou em minha mente. Diria que voltei pelo chamado de Jessica, o que não seria 100% verdade, ela sabe se virar muito bem. Não voltei por ela, nem para lutar com Slender novamente, voltei pelo meu resquício de sanidade. Jeff me faz ser sã.
O que fomos e quem somos, pode ou não nos definir futuramente. Vivemos o presente, dizendo que esquecemos e superamos nosso passado.
Não voltei por brigas ou intrigas. Apenas assuntos não resolvidos.
– Tenho negócios inacabados – respondi diretamente para Jeff – Começamos errado, após recuperar nossas memórias.
Me aproximei dele. Jess surge e me puxa pelo braço.
– Rebeca! – ela tenta me impedir.
– Nós recuperamos nossas memórias e nos tratamos como estranhos. Escondemos segredos um do outro.
– Onde quer chegar com isso? – Jeff.
– Eu estou morrendo! Sim, minha morte é possível. Mas, antes de partir, quero que saiba.
– O que?
– Meu nome é Rebeca Darling Manson, não sei dizer quantos anos eu tenho e posso dizer que não sou daqui. Sou dona dos maiores poderes existente em Scary e esse mundo. Sendo eles sobrenaturais ou não...
Senti uma grande pancada no estômago, provavelmente seriam meus órgãos entrando em colapso. Tombei para o lado, mas não cai.
– Eu tenho uma irmã gêmea que eu mesma criei, com o objetivo de ter mais alguém para me ajudar em meus planos. Lancei um dos feitiços proibidos do grande livro, apagando minha memória.
– Rebeca, se prosseguir com isso, não terá como voltar atrás. – Splendor.
Todos os acontecimentos, todos aqueles momentos vividos, nos levam a isso. O grande dia chegou e eu não ousaria partir sem que ele saiba ou que eles fiquem sem o que precisam.
– Anoto agora em voz alta, que de minha vontade em testamento deixo o que era pra ser meu domínio, meu reino, Scary, para Slender e seus irmãos. Prometendo construir suas devidas mansões, para abrigar aqueles que não tem onde morar ou que precisam de proteção em Scary, antes de morrer.
A postura de Slender indicava toda sua surpresa. Ele se mostrou mais focado do que nunca. Splendor sorria tanto, que eu me espantava por dentro.
– Não revogarei de meus poderes, eles morrerão junto a mim. Evitando uma parcela do caos nesse mundo. E aqui termino, meu testamento.
Jeff
Meses antes
— O que fazemos a respeito dela? – perguntei aos outros dois ali presentes.
— Talvez eu tenha errado meses atrás e vocês não devem ficar juntos. Pois é muito perigoso.
— Por que? Depois de tudo que enfrentamos?
— Se continuar dessa forma, podem acabar matando um ao outro.
— Não seriamos capazes – Jack me olhou com tamanho desdém, fazendo-me lembrar das vezes em que a feri.
— Quanto mais tempo, vocês ficam juntos, mais perigoso pode ser.
Tentei seguir seu conselho e as coisas foram para além disso. As conversas com ela, me faziam pensar que estava escondendo algum segredo de mim. Então, surgiu a garota de azul e tivemos aquela imensa discussão;
[...] — Estive envenenado desde que te encontrei. Deixei de ser o assassino que era, com grande poder e reconhecimento, para ser um cara qualquer bem meloso. Preocupado com uma garota que deveria estar morta á muito tempo.
— Queria que eu tivesse morrido na festa?
— As coisas estariam bem melhores se tivesse.
— Ótimo — Ela acenou com a cabeça e andou em direção à porta. – Está livre para ir embora e voltar a ser quem era. Pode voltar aos seus assassinatos a sangue frio.
Arrancou o colar do pescoço e atirou em mim.
— Não preciso mais disso. Tenho poder suficiente para me manter viva quanto tempo for necessário. E nem se preocupe com Slender, eu mesma me entrego a ele.
Quebrei o colar bem na sua frente e deixei as pedras partidas caírem no chão, ela segurou o choro. Poderia voltar atrás e pedir desculpas, mas preferi seguir o conselho de Jack. Sai pela porta e não olhei para trás. Não me arrependo de minha decisão, de forma alguma.
Passei semanas vagando por ai. Fui até Scary e vi o caos que ficou por lá, após a vinda de Rebeca. Não obtivemos contato até o dia de hoje. Em que ela esta parada em minha frente, falando seu testamento.
— Eu vi além do assassino em você, sei que um dia vai ver isso também. – ela estava tão perto que eu sentia o cheiro do seu doce perfume.
— Está enganada!
— Eu espero que não. – comentou. – Eu gostaria de ficar para ver isso. Eu poderia ficar...
— Não. – respondi.
[...] Ele encostou na porta, de braços cruzados, lembro do seu olhar até hoje.
— Que mal fará admitir que, infelizmente, ela escondeu diversos segredos de nós nos últimos meses?
— São poderes, Liu!
— Queria o que? Que ela tivesse te traído ou coisa do tipo? Para de frescura, seu idiota! Acabamos de descobrir que existe um mundo além do nosso, com coisas inimagináveis e demos a sorte de conhecer ela. Então cale a sua boca!
Rebeca
[...] Um círculo, era assim que eu enxergava o mundo ao meu redor. Um círculo de acontecimentos repetidos. Da para se imaginar o que aconteceu após meu encontro com Jeff e os outros. Uma pequena briga, um pouco de sangue, palavras que nunca deveriam ser ditas.
Os dias que vieram, após aquele, foram resumidos em muito trabalho árduo de minha parte. Construir cinco mansões, para suportar diversas criaturas, não seria nada fácil. Mesmo para mim, já que não poderia simplesmente fazê-las aparecer do nada. Cada canto, deveria ser pensado com tamanha atenção.
Sentei em frente à minha penteadeira, ajeitei meu cabelo e esborrifei um de meus perfumes favoritos, sentindo seu doce cheiro. Meu reflexo estava agradável ao meu ver. Meus cabelos, agora mais claros do que antes; soltos e ondulados, os olhos tão brilhantes e a pele intacta.
Através do reflexo no espelho, vi sua silhueta abrir a porta do quarto e se apoiar na cômoda que ficava ao canto. Subiu sua máscara e suspirou, aquilo deveria esquentar bastante em dias quentes como esse.
— Para onde vamos? – Masky perguntou, entrando em meu quarto.
— O domínio número um. Território do...
— Slender. Tem certeza de que você quer fazer isso?
— Só falta a mansão dele, não tenho mais brigas com ele ou qualquer outro, além do mais, devo aproveitar os resquícios de meus poderes, antes que..
— Entendi!
Em um estalar de dedos, fiz um grande portal aparecer, coloquei as botas e adentramos o portal.
— Vai ser aqui! – observei aquela mansão velha, caindo aos pedaços. Fechei os olhos, tendo diversos flashes da última vez em que estive ali.
Tudo tremia ao meu redor, soluçava sem parar. Haviam diversos corpos ao meu redor e eu não conseguia raciocinar direito, pois havia sangue em minhas mãos e muito provavelmente em meu rosto. Aquilo era perturbador.
Eu havia matado todos eles?
Não.
Slender tinha os matado. Eu apenas fiquei próxima da linha de fogo e fui atingida.
Virei para porta e o vi. Andei até ele, mancando por conta de uma imensa dor que senti na perna. Suspirei aliviada, por estar em seus braços, deixando escorrer diversas lágrimas.
— Vai ficar tudo bem! Eu estou aqui. – Jeff me apertou mais contra seu peito.
Emiti milhares de luzes, usando minha magia para reconstruí-la. Aos poucos, a mansão foi ganhando forma. O lado de fora parecia impecável. Entrei e passei cômodo por cômodo, construindo e mobiliando da forma mais agradável possível.
Intensifiquei meu poder ao extremo, criei uma barreira de proteção em volta da área ao redor da mansão, isso evitaria que pessoas comuns viessem, ou que pessoas de Scary com más intenções viessem.
Masky apoiou a mão sob meu ombro, tentando me confortar.
— Agora, só precisamos convencer os outros a se mudarem.
— Eles virão! Mas você poderia ir ao auditório de Scary, tentar convencer a grande maioria.
— Não mesmo! – ele se surpreendeu com minha resposta – é extremamente importante que não me vejam em Scary por um tempo. Isso pode ser perigoso.
— Por que?
— Seja lá o que está vindo, está vindo por mim. Tenho certeza de que isso vai me matar.
— Vai continuar fugindo?
— Não estou fugindo, apenas me protegendo.
Ele concordou com a cabeça, mas não parecia muito convencido. Uma brisa passou pelo meu rosto e eu senti. Senti seu perfume, misturado ao cheiro metálico do sangue. Ignorei algum comentário de Masky e segui o cheiro forte.
Avistei um rio, com grande correnteza. O sol refletia diversas luzes na água, era uma vista maravilhosa. Havia um lindo campo de flores do outro lado do rio. Parei ao seu lado, cruzando os braços e apreciando a vista.
— Não te vejo tem meses. – puxei assunto.
— Conseguiu curar seu pulso? – olhei o mesmo, com algumas marcas roxas.
— Não foi sua culpa, cai sob o pulso...
— Eu gostei da mansão. Passei por lá e vi o lado de fora.
— Deu bastante trabalho. Fiquei surpresa ao saber que ficará por lá. Junto ao nosso inimigo.
— Antes de ser nosso inimigo, ele foi um grande amigo para mim.
— De fato...
Tirei uma faca da bota e estendi para ele. Desde que fiz aquela faca, com as pedras do colar que Jeff me deu e destruiu tempos depois, não tive bons pressentimentos. Mantive minha mão o mais firme possível, mas ainda sim tremia.
— Quero que fique com isso. Está bem afiada, acho que vai gostar de usar.
— Por que está me dando isso?
— Fiz em um momento de raiva e confusão. Agora, quando olho essa faca, eu sinto um grande desconforto... Além do mais, não quero morrer tendo péssimas lembranças de você.
— Como está tão certa de que vai morrer?
— Eu sinto isso em minhas veias.
Ficamos minutos em silêncio, vendo o sol se por. Cambaleei para o lado e ele me segurou em seus braços. Olhei fundo em seus olhos, sentindo diversas coisas diferentes. Passei a mão em seu rosto, o livrando de toda e qualquer cicatriz, como se nunca tivessem existido.
Aproximei seus lábios dos meus, selando em um beijo. Não foi rápido, mas também não foi demorado.
— Talvez você não morra.
— Eu poderia ficar aqui com você e descobriríamos juntos.
— Poderíamos! – ele me puxou e me arrastou para um canto, com um beijo mais profundo ainda.
Uma grande onda passou por todo o meu corpo. Aquilo significava que algo grande estava por vir, não quis me importar, pois aquele momento era o que precisava. Ficaríamos juntos, eu sentia isso em minha alma. Seríamos Jeff e Rebeca para sempre.
Estou totalmente convicta disso. Afinal, o que poderia dar errado?
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