HOW FAR DOES THE DARK GO?
15 Capítulo 15 - Hospital
— Irmão? — perguntei sem acreditar no que acabei de ouvir.
— Eu já fui um cara comum e sem essas cicatrizes! Eu tinha uma família, uma vida normal. — O que aconteceu com eles? — ele ficou em silêncio, como se estivesse refletindo sobre o assunto. Talvez essa pergunta tenha o afetado de alguma maneira. Senti um frio percorrer por toda a minha espinha, as palavras que saíram de sua boca nunca sairiam de minha mente. — Eu os matei. Me revirei toda mentalmente. Levantei do sofá, indo até a janela. Não sabia o que dizer ou sentir. Não entendia como ele conseguia ser tão sangue frio, ao ponto de matar a própria família. — Eu não entendo — falei cruzando os braços e observando a paisagem lá fora. Não conseguia olhar no rosto de Jeff. — Matou sua própria família, mas por quê? — Eles não eram pessoas ruins, se é o que está pensando. — ouvi seus passos, até pararem ao meu lado. — eramos uma ótima família, eu sofri um acidente em uma festa. Flashes passaram por minha mente, um garoto, uma mão, alguém caindo da escada, alguém pegando fogo, milhares de gritos e então acordei do transe. Virei para Jeff, encarei seus rosto, em seus olhos eu conseguia ver os sinais de que se arrependia do que fez. — Por que não me matou? — Algo em você me impede de fazer isso. E existe algo mágico em você. — Magia não existe! — falei rindo. — Fomos atacados por um ser sem rosto, você usa um colar que te protege de demônios e seres escuros, tem certeza de que magia não existe? — ri junto a ele. — Sabe, Jeff... Cada dia que passa, mais curiosa eu fico para saber sua história. — Talvez eu te conte qualquer hora, apesar dela parecer bem confusa em minha mente agora. Deixei ele ali, observando a vista e fui até o quarto. No momento em que entrei, lembrei do que fizemos na noite passada. Não conversamos direito sobre isso. Aquilo foi muito errado, mas parecia tão certo e foi uma das melhores sensações. — Está pensando em fazer novamente? — Jeff chegou por trás, sussurrando em meu ouvido, causando arrepios. — Me pegou de surpresa e desprevenida na noite passada. — Não ouvi você reclamando enquanto gemia meu nome! — eu fiquei totalmente constrangida e o fato dele me puxar para perto do seu corpo piorou tudo. Ele foi deslizando suas mãos desde meus seios até a minha cintura, ia abaixar mais ainda, até que me afastei. — Arrume suas coisas, sairemos em uma hora. — Continuaremos nosso caminho até a cidade? — Sim, quanto mais cedo chegarmos, mais seguro será pra você. — Estamos bem longe de Slender, o que teria de tão perigoso lá fora? — Eu. Concordei lembrando que faz um tempo que Jeff não mata alguém. Matar deve ser como um vício, no momento que começa, deve ser difícil parar. Peguei minha bolsa e um pouco de comida da geladeira. Estava pronta. Assim que saímos, pude sentir o quão frio estava do lado de fora, Tirei uma blusa de dentro da bolsa e coloquei. Caminhamos por algumas horas, até que comecei a ouvir barulhos de pessoas e carros. — Em que cidade estamos? — perguntei. — Não tão longe quanto queria, mas estamos em Velory. Não é uma grande cidade, mas é um ótimo lugar. — De fato! — concordei. Andamos por uma parte da cidade, cheia de pessoas e comércios. Jeff mantinha seu capuz na cabeça, escondendo seu rosto por completo. Estava completamente distraída com a multidão, parecia tudo tão novo. Estava tão distraída que me perdi de Jeff. Olhei por todos os lados e nenhum sinal dele. Esbarrei em alguém e fui parar no chão. — Me desculpe! — disse antes de levantar. — Tudo bem, não foi nada! — o garoto disse, enquanto se levantava e me olhava com certa curiosidade. — Rebeca. — O que? — Meu nome é Rebeca! — disse rindo. — Mateus — ele me estendeu a mão e eu a peguei, sentindo um calafrio por todo o meu corpo novamente. Ficou um certo silêncio constrangedor entre nós, então quebrei aquele clima quando avistei Jeff do outro lado da rua. — Foi bom esbarrar... Digo, conhecer você! — ri envergonhada e ele fez o mesmo. — Te vejo por ai? — Claro! Sai andando em direção a Jeff. Assim que cheguei perto dele, o mesmo envolveu seu braço no meu ombro, estranhei um pouco a ação mas ignorei Olhei para trás e vi Mateus ir embora. Andamos por mais alguns minutos até chegarmos novamente na floresta. Eu estava com um péssimo pressentimento sobre isso. Assim que entramos, senti todo o meu corpo pesar e minha visão escurecer. Tentei me manter em pé o máximo possível. Algumas vezes até me apoiava em Jeff ou nas árvores. — Jeff — ele parou no meio do caminho, me dando atenção — tem algo de errado aqui! — Também consigo sentir. Ele estendeu a mão para mim e me ajudou a se sentar em um dos troncos. Respirei profundamente, tentando acalmar meu corpo. O sentimento foi ficando pior, como se algo estivesse chegando. A ficha só caiu para mim, quando me senti mais estática. Jeff havia percebido mais rápido, pois já estava com a faca em mãos. — Fique atrás de mim! — ele pediu. Obedeci seu comando e me escondi atrás dele. Eu realmente não me sentia bem...
Jeff POV — Eu sei que está ai, apareça! — gritei. A nossa frente, das sombras, surgiu Slender. Ele parecia mais assustador do que da última vez. — Não faço ideia de como conseguiu sobreviver, mas no momento em que ela sumiu de casa e vi todos aqueles policiais procuravam por ela, sabia que tinha sido você. — O quê você quer? — Quero sua destruição! — Não conseguiu meses atrás, o que te faz pensar que irá conseguir agora? — Não preciso destruir você diretamente, posso destruir aquilo que mais te importa, tome isso como um aviso! — Aviso? — perguntei, confuso, até que o grito de Rebeca começou a gritar. Slender sumiu diante dos meus olhos. Voltei minha atenção para Rebeca, havia algo em seu pulso, uma marca de um círculo com x no meio. Aquela era a marca de Slender. O pulso dela começou a sangrar, precisava cuidar daquele ferimento. Olhei em seus olhos, estavam completamente negros. Ela precisava de ajuda, mas onde eu conseguiria? Ajudei ela a se levantar. Tudo estava se movendo, algumas folhas levitavam no ar, enquanto o chão parecia tremer. Como um soco em meu rosto, pude notar que tudo, aquilo tudo aquilo era ela. Ela causava aquelas coisas. — Rebeca, olha pra mim! — segurei seus ombros e a sacudi, fazendo prestar atenção. — você tem que ficar calma. — Está doendo muito! Está me queimando por dentro! Eu sabia como era o sentimento, já fui marcado por Slender uma vez, graças a Fy eu consegui me livrar disso. — Preste atenção! — se aquilo estava realmente vindo dela, significa que ela tinha poderes assim como alguns seres que conheço. — Segure firme em minha mão e deseje estar em qualquer lugar. — Eu queria estar em casa! Pisquei meus olhos e estávamos no meio da rua, de frente para um hospital. De certa forma, fiquei aliviado por ter funcionado e curioso ao mesmo tempo, sabendo querendo saber como e quando ela conseguiu aqueles poderes. — Onde estamos? — ela perguntou sem entender nada. Pela sua cara de confusão, era bem visível de se notar que ela não sabia que tinha feito aquilo. — Estamos em outro lugar, estamos... No hospital! — Que hospital? Segundos... Exatos dois segundos foram precisos para me lembrar de onde conhecia aquele hospital. Em dois segundos, tive milhares de Flashs. Uma escada, meu corpo em chamas, milhares de gritos, tudo escuro, claridade, vários fios conectados aos meus braços... O hospital, o mesmo hospital em que fiquei após o acidente. — Já sei onde estamos. — disse mais pra mim do que pra ela. — vou te levar para dentro. — Mas Jeff! — ela fez uma pausa, recuperando folego — Não pode entrar em um hospital com esse rosto. — Não se preocupe, vamos entrar sem ser notados. Existe uma parte no porão em que podemos ficar, ninguém entra lá. — Tudo bem. Abri a porta dos fundos e desci com Rebeca apoiada em meus ombros até o porão. Lá havia uma maca, um pouco empoeirada, mas sei que ela não se importaria, mediante a nossa situação. Ela se deitou, tentando ficar confortável. — Como se sente? — É como se estivesse queimando e minha mente estivesse em colapso. — Eu já passei por isso, já fui marcado por Slender! Sei como parar isso, mas preciso buscar ajuda. — Vai me deixar sozinha aqui? — seu olhar era de extrema dor, querendo ou não, teria que deixar ela ali e buscar ajuda de alguém próximo. — Preciso ir, caso contrário, você morrerá! — Não é como se isso te importasse! Tudo que você queria era me ver morrer. — Está começando... — falei para mim mesma. Sai do hospital, me surpreendendo pelo fato de já estar de noite. Seria bem mais fácil de encontrar ajuda de alguém conhecido. Caminhei por varias ruas, estava prestes a ficar sem paciência. A faca em meu bolso parecia tão chamativa naquele momento. Precisava matar. Entrei na casa mais próxima que vi, analisando tudo ao meu redor. Uma casa pequena, provavelmente de apenas uma pessoa. Entrei pelos fundos, sem fazer barulho, ouvi o barulho de um grito no andar de cima. Subi as escadas, vendo uma trilha de sangue até um dos quartos, ´havia um barulho de algo sendo esmagado. Me aproximei com cautela, havia apenas um corpo estirado no chão, com sua barriga aberta e sem os órgãos. Soltei um riso meio abafado e me virei para o ser de máscara sentado ao lado da cama, comendo um rim. — Eyeless Jack! — o mesmo me olhou sem dizer uma única palavra, apenas estendeu a mão para que eu o cumprimentasse. — Eu que pergunto! O quê te fez voltar para casa? — É uma longa história que... — Um sentimento invadiu todo o meu corpo, senti uma grande pontada, algo estava errado e sabia que era sobre Rebeca. — Está tudo bem? — Uma... amiga minha foi marcada por Slender, não sei se ela resistirá por muito tempo. Jack apenas concordou, sem questionar nada, guardou os pedaços de órgãos em seus bolsos. caminhamos pelas ruas silênciosas. A cada paço que dávamos, sentíamos um tremor cada vez mais forte. Eyeless me olhou e, apesar da máscara, sabia que ele desconfiava de algo. — Jeff, com o que estamos lidando? — Uma garota que descobri horas atrás ter poderes. — Uma garota? — ele estranhou — está se envolvendo com uma humana? — Nós também somos humanos, Jack! — Você entendeu o que eu quis dizer. As pessoas ao nosso redor estavam assustadas, fugindo para lugares aleatórios. Entramos no hospital e fomos direto para o porão. Rebeca se contorcia inteiramente. Jack entrou logo atrás de mim, sua máscara estava posicionada um pouco acima de sua testa, mostrando seu rosto, isso me fez notar que ele observava Rebeca com certa preocupação. — Como se encontraram de novo? — ele perguntou, se aproximando dela. — O que? Como assim? — Achei que tivesse se esquecido dela e do que aconteceu. — Jack, eu realmente não sei do que você está falando e não temos tempo para isso agora. Tem que me ajudar com ela. — Sabe que uma marca do Slender não é simples de se remover, é muito perigoso e ela pode... — Não quero que tire! — Jack me olhou como se eu fosse louco. — Quer transformá-la, Jeff? — Teríamos uma vantagem sobre Slender. — Sabe que não pode fazer isso com ela! Talvez ele esteja certo, não posso sacrificar ela, só para ter como atacar Slender e saber seus pontos fracos. — Jeff! — Rebeca me chamou. — Por que eu não consigo ver nada? — É apenas um efeito, vai ficar tudo bem! Segurei sua mão por alguns segundos, olhei seu braço em que estava marcado. O símbolo era meio estranho, as vezes começava a brilhar. — Quem está aqui com você? — É apenas um amigo! — Jeff, isso está me matando! — ela gritou. As coisas começaram a se mover, saíram de seus lugares, como se estivessem voando de um lado para outro. Muitos objetos caíram no chão. Com tamanho barulho e sua gritaria, alguém lá de cima notaria. Olhei para Jack, que parecia estar fora de si, ele pegou sua faca e partiu para cima de Rebeca e eu não tive tempo de impedi-lo.
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