HL: The Other
8 Capítulo 7 - Contra o tempo
Notas iniciais
Já se passaram algumas horas desde que Beatrice não tinha notícias de Megan. Seu coração acelerava só de imaginar o que poderia ter acontecido com a amiga. Ela tentava ligar, mas sempre ouvia um “ocupado ou fora de área” como resposta. Desesperada e sozinha, a garota ligou para a única pessoa com quem podia contar naquele momento.
— Wanessa — ela choramingou quando a outra garota atendeu o celular.
— Bea? O que está acontecendo? — perguntou preocupada. Wanessa nunca havia ouvido a amiga falar naquele tom.
— Eu não consigo falar com a Megan — Chorou. Beatrice começou a pensar no pior, de que talvez sua amiga estivesse morta. Ela não queria acreditar naquilo. — Acho que algo bem ruim aconteceu com ela.
— Bea, calma. Por que teria acontecido algo com ela?
— Eu não consigo falar com ela — A garota tentava parar de chorar, mas estava difícil.
— Talvez ela esteja só dormindo — disse, tentando acalmar a amiga, embora também estivesse um pouco preocupada.
— Preciso que passe no colégio e veja o que está acontecendo — Beatrice pediu. — Por favor.
— Por que a Megan estaria lá? — Wanessa achou aquilo estranho.
— Por favor — Beatrice pediu novamente e Wanessa respirou fundo.
— Eu vou, se isso te acalmar.
***
Lovatelli foi até o quarto de Megan para ver se estava tudo certo com a sobrinha, mas ao chegar, viu que a garota não estava lá e isso a preocupou bastante. Ficou com medo de que algo tivesse acontecido. De repente, o telefone tocou, e na esperança de que fosse ela, Marge atendeu.
— Megan?
— Senhora, aqui é a polícia — um homem disse do outro lado da linha. — Com quem estou falando?
— Marge Lovatelli.
— Qual seu grau de parentesco com Megan Lovatelli?
— Eu sou tia dela.
— Não vai ser fácil o que vou dizer, mas… Sua sobrinha está desaparecida e… Há indícios de que talvez… Ela esteja ferida.
***
— Atenção, temos um caso de desaparecido — o policial avisou pelo rádio. — Adolescente, dezessete anos, loira, um e setenta de altura. Provavelmente ferida.
Wanessa passou ali por perto e ouviu o que o policial disse, em seguida ela foi até a casa de Beatrice para avisá-la do que estava acontecendo.
— E então? — Beatrice fitou a amiga.
— Ela tá desaparecida — Wanessa contou e conseguiu ouvir Beatrice resmungar algo.
— Mais alguma coisa?
— Eles disseram algo sobre ela poder estar ferida — respondeu. — O que está acontecendo?
— É complicado de explicar — Beatrice suspirou, desviando o olhar.
— Então descomplica — cruzou os braços. — Qual foi a encrenca que a Megan se meteu?
— Tem uma garota, eu não sei quem ela é, mas ela faz coisas horríveis — Beatrice tentou explicar, mas falava muito rápido.
— O que ela fez?
— Ela matou o Jason e a Karol, e agora quer matar a Megan — disse em tom alterado.
— Por quê? — Tampou a boca, surpresa.
— Eu não sei exatamente — explicou. — Mas se não acharmos logo a Megan, talvez nunca mais a vejamos viva!
***
No callcenter do 911, número da emergência, uma mulher atendeu o telefone. A ligação era de um homem chamado Greg, que trabalhava em um cemitério. Ele afirmou ter visto uma garota desmaiada e a descrição era exatamente igual a de Megan.
Quando os policiais chegaram ao cemitério de onde havia partido a denúncia e ao chegarem lá, ficaram surpresos ao se depararem com um homem amarrado.
— Senhor, o que aconteceu? — Uma policial perguntou ao desamarra-lo.
— Ela é doida!
— Quem?
***
Wanessa e Beatrice aproveitaram que Lovatelli havia saído para entrarem escondidas na casa de Megan. Elas procuraram qualquer coisa que pudesse ser uma pista, quando alguém tocou a campainha.
— O que a gente faz? — o coração de Beatrice estava acelerado e as mãos suavam. Ela estava muito nervosa.
— Eu atendo — Wanessa assentiu antes de sair.
Com medo, a garota abriu a porta e ficou surpresa ao encontrar Jack. — Eu não acredito — Wanessa achava que Jack estava morto, assim como boa parte do resto do mundo.
— O que aconteceu? — Beatrice se aproximou da porta e ficou surpresa ao ver o irmão. — Jack.
— Precisamos conversar.
— Como? — Wanessa estava muito confusa.
— Ele não estava morto — Beatrice explicou.
— Mas ele estava morto, teve até foto disso — Wanessa lembrou.
— Só que as coisas não acabaram aí — Jack respondeu e entrou na casa. — Vocês têm notícia da Megan?
— Não.
— O que está acontecendo? — Wanessa insistiu, colocando-se entre eles.
— Beatrice, você queria saber como foi que eu sobrevivi, certo? — perguntou e Beatrice acenou a cabeça em afirmativo. — Espero que esteja preparada para o que vai ouvir.
— Apenas diga — pediu.
— Vocês já ouviram falar da Nexus, certo?
— Sim — Elas assentiram.
— Existe uma organização inimiga deles — explicou. — A Nêmesis.
— O que é Nêmesis? — Wanessa perguntou.
— Essa é uma explicação complicada — disse. — Mas para resumir, eles são do mal, sequestram neo-humanos, matam neo-humanos, usam como cobaia, como soldados, tudo de ruim que podem fazer a um neo-humano, eles fazem.
— Foram eles que te levaram? — Beatrice perguntou e Jack confirmou com a cabeça.
— E agora eles querem a Megan — aquilo surpreendeu as duas garotas. — Por isso precisamos achar ela antes.
— O que iriam querer com a Megan? — Beatrice questionou confusa e desconfiada.
— Essa parte eu infelizmente não posso dizer — quando ouviu aquilo, Beatrice ficou inconformada.
— Wanessa, posso conversar com o meu irmão por um minuto? — Beatrice perguntou e Wanessa decidiu ir até o quarto de Megan para continuar a procura, enquanto a outra ficou sozinha com o irmão. — Me diga a verdade, Jack.
— Eu falei tudo o que posso dizer.
— Não, você não falou — Beatrice estava inconformada e ao mesmo tempo preocupada com a amiga. — O que querem com a Megan? O que isso tem a ver com... Aquela outra garota má?
— Sim.
— Como? Por quê? — questionou. — Por favor Jack, se está aqui é porque quer ajudar a Megan, e se você continuar escondendo isso, estará condenando-a.
Jack respirou fundo. Não sabia como contar a verdade para a irmã? Era uma verdade difícil de entender.
— Bea — Wanessa chamou, segurando uma caixa. — Há algo que vocês precisam ver.
***
Emma dirigiu até um campo deserto. Lá, ela parou o carro, desceu e procurou por alguém ali. Ela continuou andando até encontrar uma garota alta virada de costas. Emma pegou a arma que guardava consigo e apontou para ela.
— Não mova! — Após isso, a garota ali se virou e encarou Emma. — Está tudo certo. Preciso que venha comigo. — A garota permaneceu em silêncio. Nenhuma palavra foi dita. O olhar dela estava congelado, ela mal se movia.
— A Wanessa estava certa sobre você — o tom de voz da garota era frio, seco, sem nenhuma emoção;
— O que está acontecendo? — Emma abaixou a arma.
— Tudo.
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